Das responsabilidades

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Quando somos putos, andamos naquela fase dos 19, 20 anos, estudamos, dependemos financeiramente dos pais, queremos muito ser livres, ter o nosso próprio dinheiro, um espaço maior do que o nosso quarto, dar passos sozinhos sem dar satisfações. Esse é, muitas vezes, o impulso maior para que terminemos os cursos rapidamente e comecemos à procura de um trabalho que nos possibilite isso.

Comigo foi assim. Aos 19 anos vim viver para Lisboa, aluguei um apartamento com três outros colegas e comecei a procurar trabalho, enquanto frequentava o segundo ano da faculdade. Para isso, tive de deixar a Rádio Azul, em Setúbal, onde estagiei durante dois anos (à borla, sem ganhar um cêntimo), e a colaboração que tinha no Correio de Setúbal, um jornal para onde escrevia reportagens de andebol, a modalidade que praticava.

Quando vim para Lisboa tive a certeza de que queria dar o passo que me faltava, deixar de depender do dinheiro dos meus pais, porque também eles tinham outros filhos para sustentar, e os meus gastos pesavam-me, de alguma forma, na consciência. Comecei a procurar emprego no Pizza Hut (onde já tinha trabalhado, em Setúbal, a entregar pizzas ao domicílio) e no McDonald’s, que, na altura, pareciam-me ser as portas mais fáceis a que poderia bater. Chamaram-me ao fim de duas semanas.

No dia em que ia à entrevista do McDonald’s recebi outra chamada, de um jornalista chamado José Rocha Vieira, na altura director do jornal “Tal&Qual”, e que eu já conhecia, que me perguntou se me queria juntar a um projecto novo que iria arrancar daí a um ano, um jornal diário diferente, arrojado. Fui falar com ele e a conversa durou cinco minutos. Ele perguntou-me como estava o meu curso, disse-lhe que ia para o terceiro ano da faculdade, mas que isso não era importante, e que queria muito agarrar aquela oportunidade. Falámos depois sobre as várias secções do jornal, e ele quis saber em qual delas me sentiria mais confortável. Sugeri o desporto, que era a minha paixão. Assim foi. Uns meses depois, integrei a equipa inicial do 24horas, que iria nascer em 1998. Foi o meu primeiro trabalho no quadro de uma empresa, foi aqui que me tornei jornalista profissional, que comecei a ganhar o meu dinheiro e prescindi, de todo, da mesada que recebia dos meus pais.

Mudei de casa – fui para o apartamento de um dos meus melhores amigos, o Manu, que tinha os pais no estrangeiro -, comprei um carro novo (tinha um Corsa a cair de velho que só pegava quando a temperatura era superior a 12 graus) e, de repente, consegui o que tanto queria: estar totalmente por minha conta. Tinha 20 anos.

Acho que com isto ganhei muito mais do que perdi. Tive de crescer à pressa, aprender muita coisa por mim, enfrentar situações, burocracias, problemas, que, por exemplo, os meus maiores amigos da faculdade desconheciam. Mas aprendi a gerir melhor o dinheiro, a poupar para ir comprando um sofá, uma mesa para a sala, uma cama, a minha primeira televisão de ecrã plano, o meu primeiro leitor de DVD, os meus primeiros filmes.

Com esta nova realidade nasceu em mim um sentido de responsabilidade que desconhecia. Havia horários para cumprir, uma prestação da renda de casa para pagar ao banco, uma prestação do carro para pagar, contas da água, luz, gás, televisão por cabo. Esta foi a parte que me fez ter mesmo de crescer. Não havia a casa da mamã, os almoços e jantares na mesa, os dias de ócio sem fazer nada. Era preciso trabalhar no duro para justificar o salário, para mostrar valor, para garantir o meu lugar num mundo competitivo. Aos poucos, fui conseguindo isso.

Muito mais tarde, 10 anos depois, tive um filho. A situação já era outra, estava economicamente muito mais folgado, mas continuava a ter grandes limitações de disponibilidade e um trabalho completamente absorvente. As contas para pagar continuavam a existir, mas havia agora outra coisa muito mais importante: uma criança que dependia de mim. Novamente, fui invadido por um espírito de responsabilidade que me obrigou a crescer, a tornar-me ainda mais adulto, e a deixar, cada vez mais, o mundo de miúdos em que vivera por alturas da faculdade.

Alguns anos depois, veio um casamento, e, com isso, novas obrigações, a juntar a todas as anteriores que vinha acumulando na vida. Contas para pagar, um filho para amar, um casamento para viver, um trabalho onde tinha de ser o mais competente possível, já que o mercado vivia (e vive) uma situação dramática.

Hoje, quando olho para trás, para o tal passado de total irresponsabilidade, em que vivia em casa dos pais e podia fazer o que bem me apetecia, em que ia para a faculdade e podia faltar à aula das 8 e ir para o café discutir bola, em que a minha maior preocupação na vida era decidir se fazia directa de quinta para sexta-feira (e assim ia à aula de Economia, saído do Rockline) ou se ia logo directamente para casa dormir, consigo sentir alguma saudade. Era giro. Mas não consigo querer voltar a isso.

Aprender a viver e a ser feliz com as responsabilidades que temos é um sinal de crescimento e de maturidade. Para muita gente, essas novas tarefas, obrigações, são prisões, entraves a levar uma vida sem regras, em que podemos fazer o que bem nos apetece sem dar justificações a ninguém. Acho natural que se sinta saudades disso, não acho normal que um adulto que entra numa fase madura da vida, que passa a barreira dos 30, queira muito voltar à vida de adolescente.

O passado é apenas isso, passado, e querer-se fazer do presente esse passado é, para mim, um erro. Há coisas em que não se pode voltar atrás, por muito que se ache que é isso que se quer. A idade não recua, os anos não descontam, e ao invés de querermos voltar a ser crianças vivendo como crianças deveremos, sim, tentar ser os adultos mais felizes possíveis, convivendo com esse estatuto que já adquirimos e não mais perderemos.

Respeito, claro, quem aos 35 ou 40 anos continua a querer viver com os pais, num quarto com comida e roupa lavada, e sem pagar renda. Ainda mais nesta conjuntura. Mas até essas pessoas sabem que essa é uma situação a prazo, e que inevitavelmente tem de ser resolvida num curto espaço de tempo. Como pai, sentiria alguma frustração se o meu filho continuasse a querer viver comigo quando tivesse 35 ou 40 anos, acharia que houve uma qualquer falha no processo de educação.

Sempre valorizei a liberdade. E não entendo quem pode ser livre e não quer. Quem opta pelo conforto egoísta em vez da luta pela vida.

Viver é também isso: fazer pela vida. E acredito que é quando fazemos pela vida e vencemos que conseguimos ser verdadeiramente felizes e realizados.

100 Comentários

  1. Ola
    O meu problema é a insegurança com a propria liberdade. Tenho 39 anos e só agora a poucos dias estou vivendo com a minha namorada. O problema é que sinto-me tao bem na casa dos meus pais e com meu irmao 10 anos mais novo e que nos damos maravilhosamente bem que o facto de ir viver na casa da minha namorada me deixa triste. Sinto uma afliçao e um medo enorme que só me apetece chorar. Sinto falta do carinho e cuidados dos pais e as conversas com meu irmao que ainda vive em casa dos meus pais. A minha namorada é o oposto de mim, ela é independente e uma pessoa destemida e nao compreende eu ainda querer ficar na casa dos pais com a minha idade. A casa dos meus pais é relativamente grande e sinto-me bem lá, tenho todo o conforto que preciso. Na casa da minha namorada é um apartamento pequeno e sinto-me mais sozinho mesmo estando com ela. No inicio do namoro ficava na casa dela aos fins de semana e durante a semana ficava em casa dos meus pais e ja me sentia stressado quando chegava o fim de semana, mas agora meu sistema nervoso piorou com o pensar do facto que isto é assim para sempre e todos os dias e que ja nao posso dormir em casa dos meus pais. É uma sensaçao de afliçao e de tristeza sempre que penso nisso. Começei esta nova vida faz uns 3 dias. Tento nao transmitir isto a minha namorada da minha tristeza mas ela nota que ainda estou muito ligado aos meus pais e irmao. Só para concluir que eu e minha namorada vamos ser pais daqui uns 7 meses e estou radiante, mas sei que nao estou a agir como um adulto e sinto imensa insegurança desta minha nova vida. Sinto que sai da minha zona de conforto e por isso me sinto mal. Sempre desde pequenino tive estes medos de viver fora do meu ambito familiar, pensava sempre nisso, mas agora que a realidade chegou sinto-me apavorado e com vontade de desistir da minha relaçao, mas agora com um filho a caminho nao posso pensar assim. Ha momentos que estou bem lá em casa dela mas a maior parte do tempo estou sempre a pensar nisto. Não é normal ser tao apegado assim aos meus pais e irmao. Ate tenho saudades do meu quarto. Ando sempre triste agora de uns tempos para ca.

  2. Tenho 31 anos e este ano decidi que me vou mudar definitivamente (assim espero) de casa dos meus pais. Não é a primeira vez que saio mas é a 1a vez que saio para fazer a minha vida com outra pessoa. Vivi 6 anos fora de casa (entre estudo e trabalho) e nunca pensei voltar mas o meu percurso profissional trouxe-me de volta à terra onde nasci. Decidi voltar para casa dos meus pais, não porque precisasse mas porque nunca gostei de viver sozinha. Dou-me muito bem com os meus pais. Tive várias relações que não correram bem na minha vida e os meus pais foram um grande apoio. Não sinto que tenha sido comodismo da minha parte ter ficado com eles. Foi uma opção de vida. Para mim só fazia sentido sair de casa qd tivesse uma relação estável e alguém com quem dividir a minha vida. E sinto que chegou o momento. Estudei e trabalhei para me sustentar e fazer curriculum. Tenho muito orgulho no meu percurso. Tenho um trabalho estável (até ver) mas hoje em dia estamos todos sujeitos. No entanto estou preparada para fazer face as dificuldades porque esta vontade de realização pessoal é mt maior que qq outra coisa. Concordo que devemos ter orgulho dos nossos sucessos e garra nas nossas ambições, mas isso passa também por não ter medo nem vergonha de falhar. Não há força maior do que aquela que é movida pela vontade de cada um. Parabéns e continuação de mt sucesso!

  3. eu trabalhei dos 14 aos 18 para poder fazer o secundário. o meu plano era terminar o secundário, trabalhar um ou dois anos e ir pra faculdade, mas na realidade nao ha trabalho… nao tenho como investir na minha formaçao pq todo o dinheiro q ganhei neste tempo foi para poder estudar e ajudar em casa. nao tenho como criar emprego proprio pq sou demasiado nova e sem garantias (tenho 19 anos, ambos os pais desempregados, e irmao estudante, nenhum rendimento e nenhuma ajuda estatal) e cada vez mais o q me apetece é cortar os pulsos… é revoltante cada dia ter mais e mais problemas e nenhuma luz

  4. Compreendo a mensagem e estou de acordo com a ideia transmitida de "complexo de Peter Pan" patente em muitas pessoas. Claro está que depende do contexto em que a pessoa esteja inserida, assim como do agregado familiar (como já foi discutido em comentários anteriores).
    Fala-se muito actualmente dos filhos que dependem dos pais até demasiadamente tarde. Seja por culpa da cultura latina, do egocentrismo ou da conjuntura sócio-económica actual. No entanto, muito pouco se fala num novo fenómeno que emerge: os filhos que sustentam os pais.A título de exemplo conheço casos de "trintões" que agora vivem com os pais, pois estes ficaram desempregados numa idade demasiado longe da reforma. O regresso dos filhos a casa surge para dar o suporte económico ao agregado familiar dos pais. Manter dois lares independentes seria impossível.

  5. Muito bem escrito! Concordo 100%. Eu que já trabalho desde os 16 anos e durante a faculdade tinha 2 empregos…. Imagina o que sinto agora aos 37 anos, totalmente independente, quando conheço "rapazes" da minha idade que ainda vivem com os pais!!! MEDO

  6. Tenho 44 anos e vivo em casa dos meus pais! Sempre vivi porque apesar de licenciado e com Pós Graduações nunca tive empregos que me permitissem pagar uma renda de casa! Só houve 3 anos em que aluguei um casa, de resto aluguei sempre quartos e durante 6 anos vivi o ano inteiro em casa dos meus pais A vida é assim!

  7. Gostei muito do texto e revejo-me nele.Tenho um percurso parecido.E julgo que entendi o sentido do texto:é preciso fazer pela vida, ir à luta, procurar as oportunidades,errar e continuar, na esperança de acertar.

  8. O post segundo assim diz "… é sobre as pessoas que, tendo oportunidade de investir na sua independência, não o fazem por comodismo e medo das responsabilidades. Gente que pode, mas prefere o conforto e o facilitismo da casa dos pais, porque não quer preocupar-se com contas"

    Francamente, não foi essa à conclusão que cheguei quando o li. Acredito que tenha sido essa a intenção, mas o que está escrito é de uma arrogância gritante.
    Não se terá exprimido da melhor maneira.

  9. Minha cara. Vamos por partes.
    Usa dois argumentos para rebater o meu post (que diz serem apenas disparates). Mas olhe que os seus dois argumentos caem por base pela simples razão de que ficciona uma realidade minha que não existe, e que eu não sei muito bem onde é que foi buscar. Então é assim:
    1. "Pelo que percebi, nunca viveu verdadeiramente sozinho, sem poder dividir despesas com ninguém", escreve. Pois, é falso. Vivi muitos anos sozinho, precisamente quando me tornei independente. Estive um ano a dividir casa com uns amigos, mais um ano e meio no apartamento de outro amigo, e depois disso vivi sozinho durante quatro anos. Mais tarde, voltei a viver sozinho durante mais três anos.

    2. "Aos anos já tinha contrato de trabalho estável, e, presumo, bem remunerado", escreve. Uma vez mais: não. Era um contrato a prazo, que se tornou definitivo porque a entidade patronal achou que eu merecia passar para os quadros. E não, também não era bem remunerado. Era pouco mais do que é hoje o salário mínimo. Ainda assim, suficiente para pagar as minhas despesas, que eram adequadas ao que eu ganhava. Para ter mais folga, e conseguir juntar dinheiro, comecei a investir em formações, que me permitiram desenvolver outro tipo de trabalhos, e, assim, ganhar mais dinheiro.

    Para finalizar, uma questão de base: não entendeu o meu post. Ele é sobre as pessoas que, tendo oportunidade de investir na sua independência, não o fazem por comodismo e medo das responsabilidades. Gente que pode, mas prefere o conforto e o facilitismo da casa dos pais, porque não quer preocupar-se com contas.
    Por favor, minha cara, tente não escrever tantos disparates num só comentário, sim?

  10. Caro Arrumadinho,

    Não estou totalmente de acordo consigo na questão de viver em casa dos pais. Eu vivi em casa dos meus pais o tempo que foi preciso, independentemente de vivermos todos sob o mesmo teto (os meus pais, eu e mais dois irmãos) não significava que não partilhássemos as despesas e todas as responsabilidades inerentes ao dia a dia, os meus pais nunca nos pediram nada, mas nós, também viamos e tinhamos consciência de que eles trabalhavam muito para terem o que têm, assim que cada um de nós começou a trabalhar começava a participar nas despesas. Eu e o meu irmão já saímos de casa dos meus pais, ficou a minha irmã,apesar de serem menos continua a participar nas despesas e responsabilidades da casa. Portanto essa questão de viver em casa dos pais é relativa depende da consciência de cada um. Por vontade dos meus pais viviamos todos juntos (filhos, noras, netos) até morrer. Adoro a minha familia a forma como nos damos e respeitamos o espaço de cada um.

    Um abraço
    Carla Almeida

  11. Eu estou a falar de estágios curriculares voluntários, não os integrados em licenciatura, porque são completamente diferentes. Eu nem sequer tinha um orientador de estágio. Claro que há sempre excepções e eu pensava que o meu tinha sido uma excepção, mas depois de um empregador ter feito esse comentário acerca do meu CV fiquei com a impressão que o meu foi a regra e existem excepções. Tenho pena que o meu não tenha corrido da melhor forma porque quando decidi fazê-lo foi com intenção de aprender mais.

  12. Excelente texto, adorei! Além de concordar com tudo o que disseste, acrescento que é muito bom quando os bloggers partilham um pouco da sua história pessoal. Os meus parabéns!

  13. Falha no processo de educação?! Há muito tempo que não ouvia um argumento TÃO infeliz (estúpido mesmo) para a eterna discussão sobre viver ou não em casa dos pais.

    Ora então:
    1.Pelo que percebi nunca viveu verdadeiramente sozinho, sem poder dividir despesas com ninguém. Partilhou casa com amigos e depois com a namorada/mulher.
    2. Aos 20 anos já tinha um contrato de trabalho estável e, presumo, bem remunerado.

    Óptimo para si, ficamos todos muito felizes! E agora o cenário real de grande parte dessas pessoas que, coitadas, foram vitimas de um qualquer erro no processo de educação (!!):
    1.Não têm oportunidade de dividir casa com ninguém porque os amigos ou já estão casados/comprometidos ou estão numa situação económica ainda mais instável que a deles e não podem sequer pensar em independência financeira; entre dividir casa com estranhos ou ficar por casa dos pais, sinceramente, eu votaria na 2ª opção.
    2. Tem alguma noção da situação económica em que se encontra este país, Arrumadinho? E da precariedade dos contratos de trabalho?! Engenheiros remunerados a 650€ brutos e em risco de serem despedidos mês sim, mês não.. Acha que isso dá segurança e disponibilidade mental a alguém para arrandar uma casa e "ser independente", essa qualidade tão apregoada no seu texto?!

    Por favor Arrumadinho…tente não escrever tanto disparate num só post, sim?

  14. Quem tem menos liberdade – os que vivem em casa dos pais ou os que, não vivendo em casa dos pais, vivem reféns de dívidas a instituições de crédito e aos amigos e dependentes da ajuda dos pais?

  15. Chiça, que escreve tão bem! Tinha de lho dizer. Ah e já agora, aquele post sobre escorreganço artistico no gelo em NY deixou-me a rir por meia hora.O meu muito obrigado.

  16. Estive a ler o texto e os comentários e digo concordo com o Ricardo. No segundo ano da faculade procurei trabalho em lojas com o objetivo de arranjar dinheiro para sair de casa dpos meus pais e ter a minha independencia. Durante 2 anos trabalhei na Zara e estudei e ao mesmo tempo arranjei uma casa e comecei a mobilá-la pouco a pouco. Sai de casa dos meus pais na altura mais complicada da minha vida que foi após ter sido mãe. Sozinha com um bebé de tres meses fui viver a minha vida. Fiz muitos sacrificios, tive 3 trabalhos e estudava a noite. Só tinha a ajuda dos meus pais para tomarem conta do meu filho e com muita luta consegui. Conquistei a minha independencia e felizmente também arranjei trabalho na area em que me licenciei. Infelizmente não recebo muito mas vivo consoante as minhas possibilidades. Tenho um emprego a contrato e com possibilidade de ficar desempregada já em agosto. Tenho um filho com 9 anos e se lutei até aqui vou continuar a lutar porque tenho orgulho na minha vida, nas minhas conquistas… não me digam que uma mulher não consegue porque se quiser realmente consegue. Lutem e não se acomodem.

  17. Fla, já fiz o estágio curricular e encontro-me, neste momento, a fazer o estágio profissional. Deixe-me que lhe diga que não é nada como o que apresentou aqui, mas talvez dependa das áreas, não sei. Como estagiária, sempre tive e tenho responsabilidades e os objectivos foram todos delineados desde o início, com reuniões de supervisão periódicas, relatórios, discussão de casos, etc. Como vê, não pode generalizar.

  18. Eu concordo quando diz que há pessoas com trinta e tal anos e com estabilidade financeira que vivem na pasmaceira em casa dos pais. Mas o que eu não entendo é como os pais deixam isso acontecer. Tenho 23 anos, sou licenciada e estou desempregada desde Setembro. Não tenho subsídio algum. Não há um dia que passe, desde a minha adolescência, que não ouça dos meus pais que há roupa para lavar, que tenho de aspirar, que a casa precisa de isto e daquilo e, se por alguma razão estiver num dia menos bom em que não me apeteça fazer nada, ouço sermões que nunca mais acabam. É obvio que, numa situação em que se está em casa dos pais mas há responsabilidades e em que se espera que todos colaborem em casa, a vontade de viver só aumenta. Trabalhei muito durante a licenciatura para pagar as minhas propinas, por isso agora não tenho nada meu (excepto a licenciatura concluída e uma guitarra). Não percebo os pais que toleram um filho que vive com eles por pura conveniência. Claro que cada caso é um caso. Não escrevo mais porque já me alonguei demais e também porque (para não variar) tenho que ir pôr a roupa na corda enquanto cuido da minha prima de cinco anos.

  19. olá
    concordo com este texto…acho que cada vez mais as pessoas acomodam-se para não terem qualquer tipo de responsabilidades da chamada "vida adulta"
    e não posso deixar passar, também ias ao Rockline? aquele em Alcantara-Calvário? que engraçado…também ia todas as 6ªfeiras 🙂

  20. Deixe só que lhe diga que antigamente os estágios serviam para aprender, actualmente servem para atender telefones e fazer aquilo que aos superiores não lhes apetece. Não há o cuidado de supervisão, de avaliar a progressão, de estabelecer objectivos para o estagiário.. Há 'olha agora organiza aí isso que eu não tenho tempo e arquivo é chato mas tem que ser'. É isso que é um estágio curricular?
    Já cheguei a ir a uma entrevista e o entrevistador dizer-me 'Quer um conselho? No seu CV tire estágio curricular e ponha outra coisa qualquer, assistente por exemplo, porque estágio curricular eu fico a saber que esteve a arrumar folhas'. Pois é meus amigos, é uma realidade difícil mas é o que temos!

  21. Adorei o texto e acho que há muita gente por aí que não quer assumir responsabilidades nem perder o conforto da casa dos pais. Mas há muitas pessoas na casa dos 20, como é o meu caso que tenho 22, que se vêem presos em casa dos pais. A minha irmã quando acabou o curso, o mesmo que o meu, demorou 1 mês até encontrar trabalho. Eu estive num estágio não remunerado até Agosto e desde Setembro que nem para call centers 'sirvo'. Vou fazendo trabalhos de uma semana, dois dias, um dia, conforme vou arranjando.
    Apesar de concordar que há muitos que se acomodam, no meu caso sempre pensei 'quando acabar a faculdade e começar a trabalhar aventuro-me e vou viver sozinha' mas hoje em dia não é fácil, nem no McDonald's nos querem porque somos licenciados e demasiado inteligentes para virar hamburgueres. Por muito que queira a tal liberdade responsável por agora sinto-me um peso para os meus pais e é impossível reverter a situação.

  22. Na minha opinião a sua geração tem um grande problema (deixando aqui obviamente todas as ressalvas e felizmente nem todos foram ''contaminados'') vocês foram adolescentes na fase pela qual se diz que estamos a pagar: a altura do crédito fácil, da abundância, do período (pós)-pós 25 de Abril em que havia uma ideia de não voltar ao que se viveu.
    Apesar da crise brutal em que estamos a geração que está (ou devia) no ponto alto da vida (numa altura em que se assume que já têm experiência profissional, que têm noção dos riscos, são mais ponderados.. enfim..mais experiência de vida), devia estar a lutar, a ser empreendedor, a arriscar! Não como infelizmente já ouvi em conversas entre desconhecidos em que um pergunta o que está a fazer agora e o amigo responde ''ah, agora nada. Estou a aproveitar o subsidio de desemprego enquanto tenho direito e depois logo arranjo qualquer coisa'' !
    Vê-se também pelos miúdos de hoje! Os filhos da vossa geração estão cada vez mais mal-educados, não respeitam ao professores, avós, nem muitas vezes os pais! No metro não se levantam para os idosos se sentarem, não sabem dizer se-faz-favor nem obrigada.. Por amor de Deus!
    Isto não é uma crítica, é apenas a minha opinião uma vez que lido também com pessoas da ''vossa'' idade.Tenho noção que um dos problemas da minha geração vai ser o chamado ''toda-a-gente-é-doutor''.
    Adoro este blog porque o Ricardo é sensato e transmite-nos isso! É bom ler textos e opiniões de pessoas assim! Tenho 21 anos, não dependo totalmente do sustento dos meus pais, estou a terminar arquitectura e já tenho planos realistas para o que vou fazer quando acabar o curso!

  23. "Sempre valorizei a liberdade. E não entendo quem pode ser livre e não quer." disse o Ricardo e muito bem neste texto.

    Eu felizmente tenho uma profissão que me permite algum desafogo financeiro e tenho colegas a ganhar o mesmo ou mais que eu e que com 30 e tal anos permanecem em casa dos pais, não porque necessitam mas porque não têm de fazer uma palha (compras supermecado+contas+cozinhar+tratar da roupa+limpar e tudo o mais inerente) e sobra-lhes muito mais dinheiro oara o resto. Por isso há pessoas que gostam de ficar na pasmaceira. São opções, muitas vezes porque não têm um relacionamento amoroso estável e não querem viver sozinhos, o que é compreensível. Mas mesmo assim não acho que seja a melhor opção, eu gosto muito da minha liberdade com as obrigações inerentes.
    (isto tudo se houver liberdade de escolha que me parece ser o que o texto trata)

  24. Parabéns pelo texto , É um testemunho de responsabilidade desde muito novo (com certeza não foi obrigado a ir trabalhar enquanto estudava mas sentiu essa necessidade de não sobrecarregar os seus pais e vontade de liberdade com todas as obrigações que lhe estão inerentes). E só tem de sentir orgulho no seu percurso.

  25. Já o disse no comentário anterior: percebeu mal o texto. Não é contra as pessoas que, por necessidade, voltam para casa dos pais. É sobre as pessoas que, por comodidade, não saem de casa dos pais, não se fazem à vida, porque querem continuar a ser adolescentes quando já deviam estar a ser adultos. Claro que se um dia, por necessidade absoluta, tiver de voltar a casa da minha mãe, que remédio, fá-lo-ei, mas apenas até ter oportunidade de voltar a ter o meu espaço, que passará a ser a minha prioridade.
    Quanto aos salários miseráveis, felizmente não é o meu caso, mas já foi. Já ganhei muito pouco, e, claro, vivia de acordo com isso. Não podia ter uma casa, por isso tinha um quarto. Mas tinha o meu espaço. Claro que isso é muito mais simples quando tinha 20 anos, mas, como defendo muitas vezes, as vidas tendem a adequar-se às nossas condições. É assim que acho que deve ser.

  26. Cara SA. Mas uma pessoa não pode ter orgulho do seu passado? Mas também não pode ter vergonha. Em que é que ficamos? Quando diz "esperemos que a vida nunca lhe troque as voltas" está a referir-se a quê? A vida já me trocou as voltas várias vezes. E continuo aqui. Também já me vi sozinho várias vezes, já estive desempregado, já me senti perdido, e reencontrei o meu caminho. Se a vida voltar a trocar-me as voltas, cá estarei para lidar com isso, como sempre fiz.
    Depois, percebeu mal o texto. Não era contra as pessoas que, por necessidade, voltam para casa dos pais. Era sobre as pessoas que, por comodidade, não saem de casa dos pais, não se fazem à vida, porque querem continuar a ser adolescentes quando já deviam estar a ser adultos. Claro que se um dia, por necessidade absoluta, tiver de voltar a casa da minha mãe, que remédio, fá-lo-ei, mas apenas até ter oportunidade de voltar a ter o meu espaço, que passará a ser a minha prioridade.

  27. Acredito que penses sinceramente o que dizes. Mas esqueceste-te de um aspecto importante. É muito mais fácil ter liberdade e poder ser independente em Portugal quando se é homem. Espantado? É simples. Há muitas mulheres em Portugal que aos 40 e umas migalhas, com um filho a cargo e depois de um divórcio, mesmo que não o queiram e façam tudo para o evitar, têm de voltar de armas e bagagens para casa dos pais. Porquê? Porque nos dias de hoje, a grande maioria dos bancos, continua a não dar crédito a mulheres solteiras ou divorciadas e com filhos. Não podem por isso adquirir casa. Conheço muitas mulheres que estão nesta situação. E mesmo puxando o diabo pelo rabo, esticando o dinheiro e fazendo tudo o que é possível para não ter de depender de ninguém, isso é simplesmente missão impossível.
    Não te esqueças que há muitas pessoas que afirmam gostar de estar em casa dos pais, apenas porque são orgulhosos e não querem que se saiba que economicamente é-lhes impossível.
    Mesmo com muito trabalho e muita força de vontade, haverá sempre pessoas que não conseguem ser economicamente independentes. Cada caso é um caso, e não acredito que seja só porque certas pessoas gostam de ficar na pasmaceira.

  28. ainda bem que tem orgulho no seu passado, mas esse tom, vai-me desculpar demasiado generalista, talvez não seja o mais adequado. Conheço casos de quem já passou dos 30 e ainda continua a viver na casa dos pais. Eu vivi até aos 30. o Ricardo tal como eu é jornalista e sabe dos ordenados miseráveis que se ganha nesta profissão, não deve ser o seu caso. E nunca se sabe as voltas que a vida nos pode dar: porque o que não falta são casos de quem tinha tudo e teve de se voltar para os pais, esse porto de abrigo, nem eles devem estar felizes com isso. é um lugar comum: Mas tanto a sorte como o azar, principalmente, nos dias que correm, podem acontecer.

  29. Não podia estar mais de acordo! Tenho 30 anos e felizmente, tenho uma vida estável, apesar de hoje em dia nada estar garantido! Parabéns pelo blogue!

  30. Demasiado orgulho, e desculpe alguma soberba, no seu passado, pois muito bem… esperemos é que a vida nunca lhe troque as voltas. também eu tenho a minha casa, o meu marido, as minhas coisas, e cada um de nós o seu emprego. E se de repente a vida nos trocar as voltas de tal maneira que tenha de voltar a pedir ajuda aos meus pais. Estarei eu a fugir para uma zona de conforto facilitista?! Conheço quem com 35 anos, esteja na casa dos pais, e não é situação que lhes agrade. Pessoas com formação, inteligência e com vontade de mudar de vida. A verdade é esta: Nunca dê nada por adquirido e simplicidade na maneira como olha para a vida dos outros.

  31. Isto é tudo mto bonito mas a realidade é que o mercado profissional português está completamente destruido para a grande maioria.

    Independência económica? Isso toda a gente quer. Trabalhar no macdonalds? Isso já não tanto. Acho que todo o trabalho honesto é digno, mas isto são só palavras. Trabalhar em lojas, call centers etc são trabalhos que há partida ninguém cresce a querer fazer e é uma merda uma pessoa confrontar-se com essa realidade. Especialmente para esta geração que cresceu com as promessas todas do capitalismo americano/europeu.

    Isto tudo para dizer que apesar de concordar com algum do teu idealismo, a realidade actual é bastante mais triste pois estamos a falar de quase pois a maioria dos jovens agora têm que trocar sonhos por um t1 na amadora ou algo do género e ir tomar cafés com os amigos por não há dinheiro para fazer mais nada. Será que estão dispostos a fazer isso?

  32. Aconselho a lerem com atenção o penúltimo parágrafo .
    Quem vive na pasmaceira ,saiam dela se faz favor.
    É mesmo assim, arrumadinho, sempre me coloquei nesse trilho, os resultados estão à vista.
    LIBERDADE também é esforço e luta.

  33. Eu comecei a trabalhar com 19 anos, os meus pais deixaram de me dar dinheiro, eu tinha o meu e pagava as minhas coisas! Que bem sabia! Com 22 anos decidi ir para a faculdade e continuei a trabalhar, paguei os meus estudos, fiz o curso nos 3 anos devidos e dois meses depois arranjei emprego na área, onde estou actualmente. Com 25 anos fui morar com o meu namorado e hoje com 27, sinto-me feliz, é mesmo isto que queria e não troco por nada!

    **

  34. Eu estudei quatro anos no Porto,e voltar para casa dos pais é simplesmente agoniante…prezo muito a minha liberdade, e sinceramente acho que sei lá, podia ter feito mais alguma coisa durante a faculdade para ir já procurando emprego…cheguei a trabalhar nas lojas continente para ter alguns trocos e aliviar os pais, mas era um emprego precário e chamavam-me raramente… eu bem que quero ganhar asas e voar daqui para fora, mas está difícil arranjar trabalho…claro que há sempre aquelas porcarias de venda porta a porta..mas eu moro numa aldeia do interior, não poderia nunca mover-me +para outro local e sustentar-me disso…

  35. É a primeira vez que publico algo num blog, mas não podia deixar de o fazer…adorei o post…partilho da mesma opinião!!! Costumo dizer: "tudo a seu tempo".

  36. Este texto tocou mesmo na ferida, porque vivemos em crise sim, mas a crise para alguns é não ter o conforto que sempre se teve, e é difícil de sair desse conforto. Eu que também consegui as coisas com grande esforço, custa-me ver pessoas da minha idade ou mais velhas a viverem como adolescentes, sem saber o que é o sacríficio, sem se esforçarem para irem mais longe…é como disseste, não se pode ser adolescente toda a vida..algum dia vamos ter que agarrar o touro pelos cornos…É toda essa tua humildade e experiência de vida que fez a pessoa que és hoje. Muitos Parabéns pelo texto…

  37. Há muito tempo que não lia um post que reflectisse a minha opinião tão bem. Também eu tenho saudades dos tempos em que a minha preocupação era saber se ia àquela aula chata ou não, em que bar/discoteca iria acabar a noite… Se quero voltar a esses tempos? Nem pensar, gosto das responsabilidades que tenho.

  38. Há muito mais gente a viver à conta dos pais do que tu pensas! A cena confortável de ter contas pagas e um emprego cuja remuneração é toda para nós é super aliciante e viciante! Ainda mais quando vês a conta bancaria a crescer todos os meses e a crise a passar-te ao lado! Eu tenho dois casos na família assim, dois cunhados, o que, de certa forma, não deixa de ser injusto para o irmão que se fez à vida, pois são eles que estão a herdar em vida o património dos pais e a viver à grande!

  39. Eu nunca me senti tão bem, tão mulher como agora (agora = desde há uns largos anos), em que ganho o meu dinheiro, dependo de mim, tenho as minhas responsabilidades e cumpro-as sem falhar. É bom ser adulto.

  40. Muito bom, é mesmo esta realidade que um dia quero transmitir aos filhos!!Pois foi a realidade que vivi e que me fez crescer e aprender a dar muito valor às dificuldades que atravessei e aos pais que me deram uma educação que foi, na minha opinião, a melhor!!!A educação de saber lutar pelo que queremos e assim dar valor ao que temos, sem ter tudo como dado adquirido…

  41. Há muito pais que não educam os filhos para serem autónomos. Não o fazem por mal, seguramente, acham que o seu papel é substituir-se à capacidade dos filhos de fazerem coisas.

    Apesar de uma situação financeira (muito) confortável, os meus pais garantiram-me o essencial. "Precisas de um casaco, tens aqui dinheiro, queres o da marca xpto, vais ter que arranjar o extra". Atendia telefones numa empresa durante um mês no Verão para ter dinheiro para férias com os meus amigos e na faculdade trabalhei sempre em part-time (tinha cama, mesa, roupa lavada e dinheiro para os livros, o resto era por minha conta).

    Mesmo trabalhando, licenciei-me em Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa, com média de 14 (há 12 anos atrás era uma boa nota!) e arranjei um estágio numa grande sociedade de advogados… não remunerado! Sim, antigamente, era um privilégio aceitarem-nos para estagiar, pagar só ao fim de uns tempos, depois de termos mostrado o que valíamos. Entre roupa apropriada para trabalhar, almoços e transportes, pagava para trabalhar.

    Mas compensou. Normalmente, trabalhar pelo que se quer, compensa.

    É isso que tento passar aos meus filhos hoje em dia: têm 4 e 2 anos, mas não é cedo para aprenderem a esforçar-se. Apanhar o pijama do chão, deitar o papel do chocolate no lixo, ajudar a pôr a mesa. Sim, o meu filho de 2 anos ajuda a pôr a mesa. Fá-lo por brincadeira, claro, mas fá-lo e há-de crescer com a noção de que o normal não é fazerem coisas por nós.

  42. Concordo. Já tentei sair de casa dos meus Pais, consegui por 2 anos. Saí, aluguei uma casa sozinho, um T1 e pagava 450 euros por mês mais despesas de casa (água, luz, televisão, gás, compras…) e ao fim do mês o dinheiro não chegava para mais nada. Aguentei por 2 anos e tive que voltar à casa dos meus Pais porque assim não ia durar muito, queria voltar à estudar, e só assim consegui, com a ajuda dos meus Pais, não me orgulho disso, porque lá está prezo muito a liberdade e vontade de ser independente e não querer "dar trabalho" aos meus Pais, já eles tiveram imenso ao educar-me. A conjuntura atual do País não deixa muito a escolher, infelizmente, espero que tudo melhore, ou eu faça para melhorar, e que um dia volte novamente a viver sozinho sem precisar que os meus Pais me ajudem.

  43. Vou pela primeira vez comentar um blog,pois este texto é de uma humildade de uma grandeza e de um realismo que merece que lhe dê os Parabéns!

  44. Não podemos falar de falta de responsabilidade para os que resolvem sair mais tarde de casa, por comodismo ou até mesmo por vezes por altruísmo, pode parecer estranho, mas tb existe.

    São opções de vida, tão válidas como quem decide pelo contrário, contudo e algo que muitas vezes não é focado, são os que ficam em casa até mais tarde e que infelizmente fazem o inverso daquilo que são criticados, sustentam a família quando tal responsabilidade não lhes devia ser devida.

    Gila

  45. Quantos não vivem sozinhos e os paizinhos levam umas comprinhas aos filhos, ajudam a pagar a renda ou as férias. De todas as minhas colegas que vivem sozinhas, nao há uma que não tenha ajuda dos pais.
    Eu tb nao importava de viver sozinha e os meus pais ajudarem-me na renda casa/quarto mas não podem, ja que o meu trabalho é muito precário.

  46. Já acompanho o blog há alguns meses e hoje não podia deixar de comentar. Tenho 20 anos, sou estudante da Universidade do Porto e, sim, dependo financeiramente dos meus pais. Mas não dependo em força de vontade e em querer fazer, querer andar para a frente. Ainda assim, acredito que, na vida, há um tempo para tudo, há um momento de uma despreocupação imensa e há, depois, um crescimento absoluto. O que não pode deixar de haver é vontade, ambição e muitos quereres. Pelo menos é assim que eu vejo o mundo aos 20 anos. 🙂
    Gostei muito da reflexão!

  47. Também concordo com o termo "fazer pela vida", sempre usei essa expressão e sempre fiz pela minha. Por vicissitudes da vida tive que voltar a viver na casa da minha mãe e o quanto isso me custa…Só penso em voltar a ser independente mas este contexto actual não é comparável com o de há 20 anos atrás (infelizmente).Raquel

  48. Com o devido respeito discordo da expressão "conforto egoista". Por variadissimas razões mas sobretudo porque parte para uma generalização que é perigosa pois será injusta(como todas as generalizações, como todos os "julgamentos" em que tomamos a parte pelo todo). De resto um texto muito bem escrito… como sempre

  49. Todas as realidades e todas as vidas tem valor e o percurso de cada um cada um sabe… E hoje cada vez mais e mais dificil fazer pela vida concordo com algumas coisas que escreveste outras nem tanto… Mas perdi me a meio e nao li tudo

  50. Aos 23 anos arrendei casa com o namorado. Desde os 18 anos que trabalho, ou nas férias de Verão ou a fazer promoções durante a faculdade. Nunca gostei de viver às custas da minha mãe. Não me sentia bem. Paguei o meu mestrado sozinha. Depois de 4 anos a estudar fora tive de voltar para casa… mas nem 6 meses depois arrendei casa com o namorado. Aos 23 anos podiam achar que era demasiado nova para gerir uma casa, mas quase um ano depois sei que foi a melhor decisão que tomei.

  51. Concordo contigo. Só tenho pena que hoje em dia ainda existam (tantos) estágios não remunerados. Acho que é escravizar os recém-licenciados e impossibilitá-los de se tornarem independentes.

    pippacoco.blogspot.com

  52. Independência e liberdade são conceitos diferentes. Uma pessoa pode ser economicamente independente, mas ser livre na idade adulta é condição de sábio ou de santo. O resto são escritos giros mas um pouco light.

  53. uau, costumo ler os seus textos mas nunca me manifestei. parabéns, concordo inteiramente, e pela primeira vez, admiro mesmo aquilo que escreveu. era bom que toda a gente pensasse assim, fico estupefacta com a quantidade de gente que simplesmente não quer fazer nada de útil na vida e que preferem uma vida medíocre do que esforçarem-se para viverem melhor, ou pelo menos, serem independentes. já há algum tempo que tenho vindo a pensar neste assunto, e um dia também pretendo dar a minha opinião sobre isto, lá no meu cantinho 🙂

  54. Pior do que aqueles que não querem responsabilidades, são os que as dizem querer e não sabem viver com elas.
    Felizmente desde cedo fui "obrigada" a ter mais responsabilidades que as que deveria e não me fez mal nenhum. Hoje olho para mim e tenho orgulho daquilo que construí e dos momentos em que poderia ter ficado pelo caminho e não fiquei.

  55. Tenho 17 anos e trabalho.
    Isto é, estudo – 11 ano de ciencias e tecnologias – e trabalho numa padaria/pastelaria em part-time. Tinha de ser, a minha mãe tem mais 2 filhos, comigo 3, e eu quero ir para a faculdade, sei que ela tem contas a pagar. Para mim reponsabilidade passa a ser todos os meses dar o dinheiro que recebo à minha mãe por saber que ela necessita dele, que é um alivio ter mais aquilo ao fim do mês. 2 ordenados mínimos e 5 pessoas numa casa é complicado.
    Não fico triste por assim ser, não passo fome, vivo bem, tenho o que preciso, tenho a minha mãe.
    Acho que com isso até cresci, aprendi a não ser tão impulsiva, a saber respirar nas horas certas, ouvir e calar, ser mais 'mulher'.
    Acho que as coisas acabam por ser assim, a realidade é essa, as pessoas neste momento têm de pensar com a cabeça e ver as opções que têm 🙂
    M.

  56. Presumo eu, que claro o maior objectivo dos jovens é e sempre foi sair de casa dos pais, acabar os estudos, arranjar um emprego e sair…pelo menos o meu foi e é..
    mas infelizmente nem sempre se consegue empregos estáveis… e quando se consegue..o pagamento não dá pra pagar nada, quanto mais sair de casa… Percebo o que referiste no texto..mas infelizmente hoje em dia nem sempre se consegue..e vejo-me com 29 anos a ganhar algo, que pelo o andar da carruagem ( se nao arranjar melhor) ficarei na casa dos meus pais ate as 40=|…
    carina

  57. Neste momento tenho 17 anos e poucas responsabilidades na vida, confesso. Aliás, a maior que terei é sem dúvida estar na faculdade – tenho que justificar as minhas notas aos meus pais, que me pagam o curso e querem que o filho tenha um rendimento académico minimamente aceitável. Percebo e por isso cumpro a minha parte: estudo, empenho-me e valorizo o que faço. Nem poderia ser de outra forma, porque acho que o trabalho compensa sempre. Mas pronto, regressando ao tema. Por um lado acho que é bom não ter responsabilidades, porque não tenho contas para pagar, filhos para sustentar, casa para arrumar e limpar, comer para fazer… Mas por outro lado é mau, significa também que estou dependente de outra(s) pessoa(s). E não é isso que a vida é para mim, antes pelo contrário: a vida é uma sucessão de aprendizagens e emoções que têm por objectivo tornar-nos melhores pessoas.
    Ainda assim, sei que sou novo. Tenho imenso tempo para um dia arriscar, tal como tu arriscaste aos 19/20 anos. Vou gostar de ganhar a minha independência aos poucos (aliás, de uma forma ou de outra acho que já a estou a ganhar), porque sabe tão bem ter as nossas coisas, o nosso espaço… Seja para o bom, seja para o mau. Aí temos o controlo do mundo.

    O Pedro Boucherie Mendes disse há dias no Facebook
    que "A liberdade é mais valiosa que a felicidade". Porque se tens liberdade (financeira, cultural, etc.), fazes tudo aquilo que queres. Logo, fazes o que mais gostas.

    Abraços.

    http://seeumandassenomundo.blogspot.pt/

  58. Isso de achar que os pais se sentiriam frustrados de ter os filhos em casa até tarde é muito relativo. Eu resolvi alugar casa e pagar as minhas contas aos 24 e os meus ficaram em transe, frustrados mas por perceber que eu queria sair de casa quando eles me davam tudo o q precisava.

  59. Concordo plenamente com aquilo que está escrito, revejo-me no próprio texto, mas como um desses putos (21 anos) acho que nos dias que correm é cada mais difícil ter um percurso semelhante em qualquer área de trabalho, mas obviamente que há casos e casos!
    Quem não gostaria que esse fosse o ciclo normal de uma vida? Mas sinceramente cada vez é mais difícil, é preciso lutar mais e mais, e no final aquilo que se consegue nada é.
    Mas o espírito de lutador nunca pode deixar de existir, devemos lutar por um mundo melhor do que aquele que hoje temos,e só assim a dura realidade pode mudar.

  60. Espero daqui a vinte anos olhar para trás e rever-me nas tuas palavras. Por enquanto, estou precisamente na mesma situação que tu quando tinhas 19/20 anos. Muito bom.

  61. Muito bem escrito. Belo texto. Partilho da tua forma de pensar. Tanto que desde cedo que faço questão de trabalhar para ter o meu dinheiro e independência financeira.

    Mas, nos dias que correm os jovens começam a achar que é mais seguro estar em casa dos pais o maior tempo possível, mesmo que para isso coloquem de parte relações amorosas e outras coisas.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  62. Revejo-me, completamente, neste post, tirando a parte do filho. Também recordo o passado e tenho saudades, mas não trocava o passado pelo presente. Passado é apenas isso e deve ser recordado com carinho.

    le-laissez-faire.blogspot.pt

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