Cenas verdes e premonições

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Na semana passada atirei-me a um desafio que pensei que ia ser penoso e revelou-se muito divertido. Durante cinco dias – de segunda a sexta – tive de comer obrigatoriamente alimentos de cor verde. Tudo era verde. Esta era uma das experiências que quatro jornalistas da TENTAÇÕES, da revista SÁBADO, tiveram de fazer para uma edição totalmente “verde”. As outras tiveram de passar cinco dias sem electricidade em casa, a andar unicamente a pé e a ser uma ambientalista chata radical.

A minha experiência, como disse, acabou por ser divertida. E muito útil. Rendi-me, definitivamente, ao supermercado biológico Brio, no Chiado, mesmo ao pé da Bazaar Chiado, e ao restaurante Origem, nas Amoreiras, que me preparou algumas das mais incríveis receitas verdes que comi esta semana. Mas podem ver todos os detalhes da reportagem na revista, que já está em banca, e, modéstia à parte, ficou muito engraçada.

Todas as editorias têm textos relacionados com ecologia, ambiente ou o lado verde de cada história. Mas sempre com uma ligação à actualidade. Normalmente, as edições verdes são sempre uma grande chatice, com textos técnicos sobre sustentabilidade, reciclagem, espaços verdes, tudo coisas muito politicamente correctas, mas que interessam a pouca gente. O que tentámos fazer foi o contrário disso, foi falar do lado “verde” das coisas que estão a acontecer. No cinema, por exemplo, escrevemos duas páginas sobre “O Hobbit”, contando como os hobbits, os Elfos ou Gandalf se preocupam com a natureza, e como o próprio Tolkien foi muito influenciado pela sua veia ecologista quando criou a Terra Média.

Nos livros, falamos do novo de Dalton Trevisan, Prémio Camões 2012, que tem vários contos que revelam uma preocupação ecológica, na música, avaliámos as reciclagens feitas pelos Resistência e comparámo-las com os originais, no teatro contamos a história de teatros que reciclam espaços – como o Teatro do Silêncio, em Lisboa, que funciona no lavadouro de Carnide, onde ainda muita gente vai lavar roupa durante a semana.

A SÁBADO tem um tema de capa que me fascina há muito tempo: as premonições. São histórias de gente que pressente acidentes ou acontecimentos relevantes. Lembro-me perfeitamente de isso já ter acontecido com a minha mãe, em 1993, quando tive um acidente de mota. Ela pressentiu-o. E conta isso na revista. Mas há muitos, muitos outros casos.

Uma vez mais, uma grande edição da SÁBADO, que me deixa muito orgulhoso.

Se um dia o jornalismo der para o torto posso sempre tentar a sorte no Chapitô.

1 Comentário

  1. Cenas verdes (para comer) é comigo. Não que seja vegetariana ou que coma só verduras, nada disso, mas estão sempre sempre incluídas no meu dia-a-dia e porque as adoro – ou aprendi a adorá-las 😉 quero esta Sábado!

  2. Estou desejosa de ler e ver a que é que se sujeitaram 🙂
    Tb já tive premonições, mas foi sempre com coisas más. Talvez por isso, não gosto cá de sentir essas coisas 🙂 Acho que as premonições têm a ver com energias. Mas este tema dava pano para mangas ;)…

  3. Por acaso não costumo comprar a Sábado, mas já na semana passada (acho eu) por uma referência que fez aqui fui comprar, porque me interessava, e hoje também vou comprar. E gosto imenso da capa da Tentações, que ideia gira. Parabéns.

  4. Vou ler. Concordo que muitos artigos "verdes" são chatíssimos, mas se este foi buscar elfos e Tolkien deve interessar-me com certeza. Normalmente enfatizam-se opções muito "trendy" e nem tanto a simplicidade do regresso às origens de quem, como Tolkien, ama as árvores e quer estar rodeado da natureza.

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