Ainda os filhos, que tudo mudam

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No post que fiz sobre este assunto, faltou-me referir duas coisas importantes.

A primeira tem a ver com a importância de uma estrutura de apoio aos novos pais. As coisas são muito mais fáceis quando existem por perto avós, tios, irmãos, primos, amigos disponíveis que possam, de vez em quando, dar uma ajuda, principalmente possibilitando ao casal deixar a criança por uns momentos com alguém para que possa fazer qualquer coisa a dois, nem que seja só para arejar a cabeça. Lembro-me de quando fui pai ter tido alguns dias de verdadeiro desespero, em que o miúdo começava a chorar às 6 da tarde e só parava às 10 da noite. Era a fase das cólicas, em que os bebés choram de dores e nós temos ali um filho nos braços a sofrer e não podemos fazer muita coisa para mudar isso (sim, eu sei que se podem fazer as massagens, e que há formas de os aliviar das cólicas, e medicação – fiz isso tudo, mas há uns casos piores do que os outros, e por vezes nada os alivia, nada os faz parar de chorar). Numa dessas alturas, em que tinha o miúdo ao colo há umas duas horas, lembro-me de ter começado a ficar stressado e nervoso e um bocadinho desesperado. Pedi à mãe para o segurar um bocadinho e fui dar um volta pela casa, para inspirar e expirar. E fez-me bem. Não tanto em casos destes, em que os miúdos têm um qualquer problema, mas em todos os outros, é importante haver alguém por perto que nos possa segurar as pontas por uma manhã, uma tarde, uma noite, um fim-de-semana, para que o casal possa sair das rotinas normais, esquecer as fraldas, ir ao ginásio, ir passear, ao cinema, jantar fora, sair com amigos, no fundo, para que os pais deixem um bocadinho de ser pais durante aquelas horas, ou aqueles dias, e voltem a ser um casal, voltem a fazer coisas normais e que lhes dão verdadeiro prazer.

O problema é que para muitos pais recentes fazer isto é quase um crime. Acham que não têm de sobrecarregar os outros com obrigações que são deles, têm medo que os avós não saibam cuidar deles se acontecer alguma coisa, têm medo que a tia não saiba mudar a fralda ou que lhe dê a sopa muito quente, têm medo que a amiga que até tem dois filhos deixe cair o bebé pelas escadas abaixo, têm medo que o cão dos primos ataque a criança, enfim, tudo serve para que prefiram ficar sempre com a criança, e nunca a deixem com ninguém. O resultado disso está no post anterior.

Acho que ser descontraído em algumas coisas pode fazer de nós melhores pais. A obsessão, seja lá de que forma forma, é sempre prejudicial. E o caso dos filhos não é excepção.

O outro tema tem a ver com o papel do pai nos primeiros meses de vida dos filhos. De facto, é fundamental que os pais participem de todas as tarefas – ou de grande parte delas – na rotina diária dos filhos. Hoje em dia parece-me impensável a ideia de que a mãe é que tem de fazer tudo, e que o pai fica no sofá à espera de receber a criança alimentada e lavadinha para brincar com ela durante 10 minutos e depois voltar a enfiá-la no berço ou no ovinho.

Acho, sinceramente, que a licença de paternidade deveria ser mais extensa. Eu sei que existe a possibilidade de se dividir a licença entre pai e mãe, mas é preciso ver que nos primeiros meses, por norma, os bebés mamam, por isso a necessidade de ter a mãe por perto é maior, apesar de haver mecanismos para contornar isso, como as bombas para retirar leite da mama, sem bem que uma das razões por que defendo a amamentação tem a ver com o acto de amor que isso representa, e que se perde com o recurso ao biberão.

Mas é importante referir aqui dois pontos diferentes: uma coisa é o período em que o pai está em casa com a mãe, a gozar a licença de paternidade, outra é o momento em que o homem volta ao trabalho e a mãe continua em casa a tratar da criança. E aqui as coisas mudam um bocadinho.

É humanamente impossível exigir aos homens que trabalhem nos seus empregos 10 ou 12 horas por dia, e que sejam eles a levantar-se às quatro da manhã quando o bebé pede para comer, e que fiquem uma hora a dar-lhe o biberão, e que sejam eles a levantar-se às sete da manhã para mudar as fraldas, e que sejam eles a fazer tudo o que diz respeito à criança, apenas porque estão em casa e estiveram muito tempo fora. Quando estão de licença, a maternidade passa a ser o emprego a tempo inteiro das crianças. A rotina das mães muda consideravelmente naquela fase da vida, mas elas têm de saber adaptar-se a isso. Têm de passar a dormir à tarde, à hora a que a criança dorme aquelas longas sestas, para que tenha resistência para acordar às quatro da manhã, têm de criar uma organização própria dos dias para que consigam fazer todas as tarefas (e são muitas, eu sei) a que são obrigadas. E esse é o emprego das mamãs durante esses quatro, cinco, seis meses. Claro que os pais, depois, devem ajudar em muita coisa, e também têm de acordar muitas vezes à noite, e mudar fraldas e dar banhos, e fazer sopas, e ir às compras, e preparar leites, e saber vestir a criança, e brincar com ela, dar-lhe mimos, e também tem de dar algum descanso à mulher, e dar-lhe mimos, e amor. Mas, como disse antes, o homem não pode é ser o único responsável por tudo o que diz respeito à criança só porque está em casa. É preciso não esquecer que ele está em casa nessa altura, mas para trás já deixou 8 ou 10 horas de trabalho, e isso também cansa.

Como disse anteriormente, acho, sobretudo, que é preciso equilíbrio, bom-senso, compreensão, companheirismo e muito amor entre os três. E calma. As rotinas aprendem-se, os bebés crescem, os desafios mudam e o tempo dá-nos experiência e confiança.

Depois, é tudo mais fácil.

1 Comentário

  1. Ando há dias a pensar neste post. Um filho não é trabalho. Nunca. É um filho. Do casal. Que dá muito trabalho. A mulher pode ficar em casa a tomar conta do filho mas não é a sua baby sitter. É a mãe. E o pai, quando está em casa, se por ventura lhe passa pela cabeça que o filho é o trabalho da mulher porque esta está de licença é meio caminho andado para se acomodar. É que se o pai trabalhou 12 horas a mãe o mais certo é estar a "trabalhar" praticamente 24h por dia desde que a criança nasceu. Dormir quando ela dorme? E o resto? quem faz? a empregada?!Dorme-se quando se pode. E nem sempre se pode quando o bebé dorme. A maioria das mães não chega a recuperar do cansaço do parto e avança para a maternidade num frangalho. Não admira que grande parte das mães desista de amamentar muito cedo. É que os pais vão trabalhar e elas vêm-se a braços com um bebé que mama de 3 em 3h, noites incluídas. Não há pausas para café. Não há pausas para almoço. Não há pausas para cigarro. E o marido chega a casa e ainda diz "Ai estou tão cansado. Matei-me a trabalhar". E acha legítimo não levantar-se uma única vez durante a noite quando o bebé chora. A mãe que trabalhe.

  2. Olá. É a primeira vez que aqui venho e estou a gostar do que estou a ler. Parabéns. Em relação aos primeiros tempos de maternidade é sempre bom que alguém os desmistifique, pois podem ser muito complicados e duros, principalmente quando somos pais de primeira viagem. O meu marido ficou o primeiro e o último mês da licença em casa com o nosso filho, mas eu senti um grande choque quando ao fim de um mês ele foi trabalhar e eu fiquei em casa, estafada, com um bebé cheio de cólicas e lá está, queria que ele chegasse a casa, 10 horas depois e fizesse tudo pela noite dentro. Ele foi sensacional. Este lá para o nosso filho, para mim e para a nossa nova família .

  3. "sem bem que uma das razões por que defendo a amamentação tem a ver com o acto de amor que isso representa, e que se perde com o recurso ao biberão."

    Esta muito errada esta afirmação.. permita-me…
    Não amamentei a minha 2ª filha por razoes descritas no meu blog (www.adocelaura.blogspot.com) e nao se perde qualquer ligacao.. a ligacao entre mim e as minha sfilhas é magica.. simbiotica mesmo…

    Tambem se contam pelos dedos das maos as vezes que as deixei com outyras pessoas… e a ligacao com o meu marido cada vez e mais forte… mas é preciso trabalhar para isso! 🙂
    Concordo com tudo o resto.. nao posso esperar que omeu marido passe a noite acordado com a minha fiolha de 2 meses quando ele esteve fora de casa a trabalhar… mas nao porque trabalhou 12 horas no dia… Eu tambem trabalhei.. e provavelmente ate estou mais cansada que ele,,,
    mas sim, porque hoje em dia, nao nos podemos dar ao luxo que o homen va com olheiras para o trabalho ou menos concentrado… as vagas para o desemprego sao enormes 🙂

    Os filhos nao tem / nao sao impeditivo para que o casal se mantenha unido e intimo… apenas tem de se aprender a viver com isso 🙂

  4. Só gostava de acrescentar que os casais deviam falar muito bem dessas divisöes de tarefas. Como há uns meses li num blog há pocuo tempo (o Pinflas) as mulheres mäes agora (geracäo de 1970-1985) säo de uma geracäo a que foi prometida a igualdade, que näo teriamos de sopeirar, que nós podiamos tudo estudar e ter carreiras. Mas quando somos mäes chega a triste realidade. A carreira do homem é quase sempre mais importante, é ele que pode trabalhar 10-12 horas por dia mesmo sendo pai, é ele que pode ir para fora em trabalho as vezes que forem precisas, e a mulher fica mais limitada. Nem sempre é a regra, mas é o mais normal. Acho errado que um homem trabalhe 12 horas por dia (todos os dias) quando tem filhos em casa. Näo dá… arruina com a igualdade entre o casal.

  5. Sou mãe há 1 ano e meio e gostei de ler o post, embora não me reveja na parte final.
    Acho que pai e mãe devem dividir tarefas e devem ambos acordar durante a noite.
    A maternidade é muito mais que um emprego a tempo inteiro. É muito mais esgotante do que trabalhar fora 10 ou 12 horas por dia. Também eu falo por experiência própria.
    Como fala algures neste post, às vezes um bebé pode levar uma mãe ou um pai ao desespero e acredite que faz muita diferença trabalhar fora de casa, estar com outras pessoas, falar com adultos sobre assuntos variados que não fraldas, cólicas e amamentação.
    Por isto penso que tudo deve ser dividido, que o trabalhar fora não iguala o ser mãe a tempo inteiro. Na verdade, não lhe chega aos calcanhares.
    Ser mãe a tempo inteiro é sim o trabalho mais esgotante do mundo.
    Prefiro a arte do bem dividir.
    Marta

  6. Concordo com muitas coisas que escreve mas aquela de a Mãe dormir quando o bebé dorme só mesmo nos filmes. Infelizmente. Por isso acredito que muitas relações não chegam ao 1º aniversário da criança.

  7. Concordo com a Ana Clara. Os homens vão trabalhar, o que na minha opinião é mil vezes melhor do que o isolamento a que muitas mães estão sujeitas nos primeiros meses, em que não contactam com adultos e as únicas conversas se prendem com as cólicas e cocós. Têm de colaborar em tudo, porque a mulher não está em casa a divertir-se, está a trabalhar igualmente.

    Quanto à amamentação, seja de que forma for há sempre contacto, não tem de ser de forma natural para existir vinculação com o bebé.

  8. acho que já respondeste à Ana Clara o que eu ia dizer.

    ser mãe a tempo inteiro é igual ou mais ainda do que ir trabalhar para fora. portanto, o homem vai trabalhar fora, a mulher fica o mesmo numero de horas em casa a trabalhar (e muitas vezes mais do que se trabalhasse fora de casa), logo, quando o homem chega a mulher espera sempre que a continuidade do trabalho seja feito pelos dois, lá está: a partilha. porque ser pai e/ou mãe é um 'full-time' job, de 24 sobre 24 horas, não se sai do emprego de pais, quando os temos connosco.

    outra coisa que reparei é que cá em Portugal as pessoas não recorrem muito ao serviço de amas, como no estrangeiro, em que as pessoas contratam facilmente uma 'nanny' para terem tempo a dois, e aí sim, podem descansar os dois.

    é a minha opinião 🙂

  9. Há vidas e vidas e como tal muitas maneiras de lidar com este assunto. Na minha vida, ter um filho foi um processo longo, demorado, com muito investimento psicológico, monetário e com muito esforço conjunto de nós os 2 e claro a família directa. Então, quando finalmente tivemos o filho a alegria foi muita e só queríamos ( e queremos) estar com ele. Como casal, pensamos igual, e o nosso dia-a-dia gira em torno do nosso filho. É errado, não sei?! mas é como concebemos uma família e como decidimos viver. Não deixamos de fazer outras coisas, mas a maioria do que fazemos ele vai connosco. E recebemos amigos, e vamos a casa de amigos, vamos a restaurantes e todas as sextas depois de o deitar jantamos sempre com um vinho, conversamos, rimos, contamos piadas, aparecem amigos, partilham dos nossos momentos, são felizes connosco e com o nosso filho. Nestes 3 anos e meio saímos para jantar umas 6 vezes sem ele, foi bom, mas na verdade, não sentimos essa necessidade. Eu e o meu marido gostamos de estar juntos, divertimo-nos e somos felizes, assim, com o nosso filho e com a nossa família e com os nossos amigos.

    Lola

  10. Ana Clara. O que eu escrevi foi que não pode ser o homem a tratar de tudo o que diga respeito à criança só porque está em casa. E que não pode ser sempre ele a fazer tudo só porque está em casa. E isso não contraria nada do que disse. Como escrevi, o homem tem obrigação de fazer tudo, de saber tudo sobre o bebé, de partilhar todas as tarefas com a mulher. Lá está: partilhar. Não pode é ser SEMPRE ele a fazer tudo, só porque está em casa, depois de ter chegado do trabalho. O que disse, e mantenho, é que tem de haver partilha. Hoje fazes tu, amanhã faço eu; hoje tratas do jantar, eu trato dos banhos; hoje ficas tu em casa com o puto, eu vou ao ginásio um bocadinho. E isto serve para os dois. O homem não pode é ter um trabalho a tempo inteiro na rua, e a tempo inteiro em casa. Quando está de licença, o trabalho da mulher é o de tratar da criança. Não quer dizer que o faça sempre, não quer dizer que faça sempre tudo, mas naturalmente que tem mais tempo para isso. Da mesma forma que quando a mulher regressa ao trabalho, caberá aos dois (homem e mulher) cumprir com todas as tarefas, e aí já pode ser por igual, porque ambos têm um trabalho lá fora, e ambos terão de ter um trabalho em casa. Expliquei-me melhor agora?

  11. "É humanamente impossível exigir aos homens que trabalhem nos seus empregos 10 ou 12 horas por dia, e que sejam eles a levantar-se às quatro da manhã quando o bebé pede para comer, e que fiquem uma hora a dar-lhe o biberão, e que sejam eles a levantar-se às sete da manhã para mudar as fraldas, e que sejam eles a fazer tudo o que diz respeito à criança, apenas porque estão em casa e estiveram muito tempo fora."

    Este comentário vai contra tudo o que escreveste sobre este assunto.
    Trabalha 10 12 horas e a mulher? Achas que está em casa deitadinha a ver televisão e a comer pipocas?
    O filho é de quem? Dos dois ou só da mulher? Claro que se tem de levantar, claro que tem de dar de comer e mudar a fralda, claro que tem de aconchegar o filho enquanto ele chora, claro que tem de sair da cama.

    Por comentários assim do pobrezinho do homem a trabalhar 10 12 horas, é que o casamento depois de um nascimento fica "tremido".

    Haverias de ser meu marido para veres o que é bom para a tosse 😛

  12. Olá Rita. Eu compreendo que dizes, acontece que a maior parte dos comentários positivos são opiniões, visões de cada um, que não têm de ter uma resposta. E é isso que eu gosto de ter neste espaço: um local de debate de opiniões. O que essas pessoas (a que respondo) fazem é lançar ataques pessoais sem sentido, assentes em nada, e algumas (poucas, muito poucas) têm resposta. Se os meus comentadores fizessem perguntas ou me pedissem a opinião sobre coisas, eu responderia. Mas essas perguntas são-me quase sempre enviadas por mail, e não em comentários no blogue. Beijinhos

  13. Arrumadinho, adoro ler-te mas acho (mais um achismo) que não fazia mal nenhum de vez em quando responderes a um ou outro comentário positivo dos muitos que vais tendo em vez de perderes tempo a responderes aos que te "atacam" ou que discordam ctg. Quem te lê e aprecia o que escreves vem aqui partilhar uma opinião e não obtém qualquer feedback da tua parte, enquanto os "outros" são os primeiros a conseguirem o que querem: picar-te e obter uma reacção. É só a minha opinião. *Rita

  14. Olá. Adorei os posts. Fui mãe há quase um ano, e foi a melhor coisa que me aconteceu. A minha filha é o meu mundo. Os tempos da minha licença de maternidade foram a coisa mais difícil que tive de passar. A minha filha tem uma alergia que infelizmente só aos 6 meses foi diagnosticada. Por sofrer desta condição, vomitava 2, 3, 4 vezes por dia. Era amamentada, exclusivamente, e depois de cada episódio, tinha de lhe dar banho e de a mudar, de me mudar a mim e, de seguida, toca a dar de mamar outra vez. Passava assim os meus dias. Durante a noite, estava sozinha com ela porque o pai mudou-se para outro quarto durante os 5 primeiros meses, precisamente porque "ai, e tal, trabalho e coiso". Nunca lho perdoarei, e ele bem o sabe. Não nos separámos por milagre… Agora, com esforço de ambas partes, estamos melhor. Apesar de ter agora alguma ajuda (o pai faz a sopa, prepara o nosso jantar e o da bébé enquanto lhe dou banho, e às vezes até a adormece), não tenho nenhum tipo de estrutura de apoio, ninguém que alguma vez se tenha oferecido para ficar com a minha filha para que eu possa ir respirar um bocadinho, para ir à praia sem ser à hora saudável, para ficar numa esplanada a ler durante uma tarde inteira. E faz-me tanta falta! Tanta, tanta! Enfim…

  15. Ao anónimo das 11h30. Sim, falo por experiência própria, e pelas muitas experiências que tenho visto ao longo dos anos, pela vivência de amigos, irmãos, etc. Já passei por tudo o que falo, por isso, sim, sei quais são os reais problemas, sei o que acontece às pessoas nessas alturas. E depois tenho aqui uma série de gente que me diz que viveram o mesmo, e que as coisas são mesmo assim, o que me leva a crer que os meus palpites (ou achismos) fazem algum sentido. Também faz sentido que no meu blogue (é meu, é pessoal) eu diga o que acho e o que penso. É o que se faz nos blogues pessoais – dizer-se o que se acha sobre as coisas. Nunca escrevi que a minha palavra é que era a correcta, ou que as minhas palavras eram lei. Não. São resultado do que vivi e do que tenho visto outros a viver. Vale o que vale. Servirá para uns, não servirá para outros.
    Quanto à gestão da roupa da criança, não se preocupe. Um dia que tenha um filho que ande num colégio saberá que em tempos de idas para a praia eles têm de ir todos com T-shirts iguais. E também saberá que às vezes vai buscá-los à escola e eles estão sujos de leite com chocolate, ou de tinta de caneta, ou de qualquer outra coisa. E então é preciso lavar-se a T-shirt porque no dia seguinte ele tem de a voltar a levar para a praia. Antes de falar, pense um bocadinho. Só para não dizer disparates, sim?

  16. é incrível como eu concordo com tudo o que li, neste e no post anterior!
    É muito importante os pais terem os seus momentos a dois, seja para passear, ir ás compras, beber café, jantar com amigos, etc. Mas também é verdade que com uma estrutura de apoio familiar é tudo muito mais fácil! No meu caso tenho sempre com quem deixar as minhas filhas (o meu marido é que tem mais receios…é pai-galinha!) No entanto raramente elas passam noites fora de casa, e quando o fazem podemos recuperar e centramo-nos mais um no outro. Essas noites fora de casa penso que ajudam não só a nossa relação, mas também a relação delas com a avó ou a tia ou o primos que ficaram com elas. E não sou capaz de terminar sem falar na "intimidade" do casal: é importante que uma recém-mãmã se sinta mimada, sem cair no exagero, claro! Passado o primeiro mês, já não há desculpas para ficar fechada em casa ou "fechar-se" em si mesma! Os homens têm de ter muita paciência nesta fase… mas com amor, tudo se faz, tudo se cria! As nossas filhas têm 4 anos e 18 meses, exigem muito de nós, porém quando elas vão dormir ou não estão connosco, voltamos a ser dois adolescentes! é preciso não deixar morrer essa chama.
    Parabéns pelos posts!

  17. É isso tudo, tudo, tal qual, virgula por virgula, ponto por ponto… mas também acho que é muito mais fácil de conseguir esse tal equilibrio num segundo filho, pois aprendemos com os erros do primeiro. No meu segundo filho as coisas foram/estão a ser, muito mais tranquilas no que toca há vida de csal como tal 🙂
    Obrigado por expressar o que muito de nós pensamos 🙂
    AS

  18. Estou quase com a lágrima ao canto do olho.

    O último paragrafo, então, nem te digo nada. Falas por experiência própria, não? Hahahahaah

    Não foste tu que escreveste que às tantas da noite estavas a lavar a roupa do "puto" para ele levar no dia seguinte?
    Não sabes gerir a roupa do puto, quanto mais dar palpites, conselhos sobre tudo o mais. hahahahah És hilariante.

    O teu problema é que achas tudo. E achas é lenha para arder na fogueira e ficarem reduzidas a cinzas.

  19. Muito, muito obrigada por escrever tão bem!
    Sabe quando escrevemos ou fazemos alguma coisa e sem saber estamos a descrever alguém na perfeição? Eu estou aí nesse post, esse post sou eu!Em especial no parágrafo "O problema é que para muitos pais recentes fazer isto é quase um crime.(…)"
    Não consigo mudar e sobretudo não consigo deixar de pensar que só comigo é que as minhas filhas estão bem… É desesperante quando não conseguimos ser como gostaríamos de ser e temos meio mundo a criticar.
    Por favor, nunca deixe de escrever, fá-lo demasiadamente bem!

  20. Adorei os posts sobre o assunto e até aos partilhei, fazendo referência a este blog, claro. É importante alguém experiente dar a sua opinião e visão dos vários lados e vertentes, tal como feito aqui.

  21. Excelente post, para uma mãe a terminar a licença de maternidade da segunda filha. Está tudo dito(escrito)e também eu custo a entregar a minha filha a terceiros. Mas chego lá e a essa fase está a chegar já que estou a recomeçar a trabalhar. Já passamos por isto na nossa primeira filha e sabemos que esse esses momentos de mais independência ficam ao virar da esquina e o cheirinho de um bébé no colo passa rápido 🙂 T.

  22. Só tenho de dar-lhe os parabéns por este e pelo post anterior. Se todos os homens pensassem assim, julgo que não haveria metade dos divórcios nos primeiros anos de vida das crianças. Eu e o meu companheiro fomos pais há 3 anos e revi-me totalmente em quase tudo o que referiu. Os primeiros tempos não foram nada fáceis, muito stress, inexperiência a lidar com certas situações, discussões por coisas ridiculas. Felizmente conseguimos ultrapassar isso, mas há 3 anos que não jantamos fora ou saímos apenas os dois. Não temos quem fique com ela, ou melhor, não vemos essa disponibilidade e também não pedimos. Adoramos estar com ela, mas temos saudades de ser um casal e não apenas pais por umas horas…enfim, como ela já tem 3 aninhos e vai entrar para o jardim de infância daqui a um mês, vamos ver se passamos a ter mais tempo para nós. Um abraço.

  23. "Acham que não têm de sobrecarregar os outros com obrigações que são deles, têm medo que os avós não saibam cuidar deles se acontecer alguma coisa (…)"

    Been there, done that. O maior e mais estupido erro da minha vida. Pior ainda, prolongado por 3 anos.

    Quase me custou o casamento, mas custou-me a minha auto-estima e a independencia da criança durante muito tempo.

    Prolongar o cordão umbilical para além do limite (que por si só não vai ser cortado nunca), para mim, só limita a nossa vida e a deles.

    Bj

    AP

  24. Eu acredito que tudo na vida requer trabalho e empenho, e as relações são só mais um exemplo. Se há coisa que pode dar cabo de um casamento é um bebé, não tenho dúvidas!
    Uma vez ouvi em qualquer lado que tudo o que se diz entre homem e mulher, no espaço de um ano após o nascimento de um filho, deve ser ignorado, e é bem verdade. O meu marido dá sempre o conselho aos futuros pais de não se chatearem, porque não etão a falar com as mulheres, estão a falar com as hormonas! 🙂
    Só uma nota, é possível criar filhos e solidificar relações sem apoio externo. Nós nunca tivemos uma mãozinha, devem contar-se pelos dedos das mão, em 7 anos, as vezes que alguém nos ficou com os miúdos para irmos ao cinema. Nunca tive quem me adiantasse a sopa ou fosse buscar à escola e não me estou a queixar, porque quando escolhi ter filhos tinha noção no que é que me estava a meter. Com força de vontade e os olhos bem abertos tudo se faz!
    Continuação de boa escrita!
    🙂

  25. Apetecia-me dizer tanto sobre as Mamãs dos bebés, e da forma como mudam de postura quando se divorciam. Da forma como se julgam donas das crianças, como arranjam mil e uma desculpas para afastar os Papás…
    Depois com o tempo amadurecem e percebem que erraram, mas desgastaram o Pai e há sempre algo que se perde no processo.
    E não me venham com opiniões muito diferentes, porque conheço dezenas de casos e são todos iguais…
    Vivam os bebés…

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