Ainda a praxe

103
12362

O assunto “praxe”, como se percebe nos comentários ao post anterior, mexe com muita gente, com os que são contra e com os que são a favor. O argumento principal de quem as defende é o facto de se promover a integração dos alunos através da “praxe”, criando laços com os caloiros, dando-lhes oportunidade de conhecer de imediato outras pessoas, promovendo amizades, uma maior descontracção e até gerando situações de diversão para todos.

Tudo muito bem.

Dizem ainda os defensores da praxe que o que eu relatei não é praxe, são abusos, e que isso deveria ser abolido e combatido.

Tudo muito bem.

Mas eu só acho que enquanto for legal praxar, os abusos acontecerão sempre. E esses abusos, ao contrário do que muita gente quer fazer crer, não são uma minoria. Também não sei se são a maioria, mas sei que têm um enorme peso percentual nas praxes que se praticam. Todos os anos vejo rituais de praxes absurdos pela cidade. Todos. Vejo caloiros amarrados, todos pintados, alguns em tronco nu, a desfilarem pela Rua Augusta e pelo Chiado, vejo caloiros de molho no lago do jardim do Campo Grande, vejo “veteranos” a humilhar bandos de caloiros em vários sítios, com berros, com ordens, colando-lhes cartazes com alcunhas como “Burro” ao peito ou na testa, enfim, vejo todo o tipo de atrocidades. E vejo com muita frequência, ou seja, não é uma ou outra excepção.

Por isso, a única forma de se pôr fim a essas praxes terceiro-mundistas é ilegalizar a praxe e ponto final. Sendo a praxe ilegal, continuará a ser possível promover a socialização e integração dos caloiros, de forma cívica, de mil e uma formas. Continuará a ser possível fazer grandes festas do caloiro, brincadeiras de todo o género, positivas e que visam a integração e a melhoria das relações sociais, porque isso não será associado àquilo que na cabeça das pessoas está registado como sendo “uma praxe”.

Sempre que promovi a tal integração dos caloiros na minha universidade, fi-lo sem berros, sem ordens, sem pressões ou humilhações. Ou seja, não acho, sequer, que tenha praxado ninguém. Logo, se a praxe fosse ilegal, eu poderia continuar a fazer isto sem qualquer problema.

A única forma de pôr fim aos abusos, à humilhação, aos crimes, é ilegalizando a praxe. O resto, o tal lado bom do ritual, continuará a ser possível e saudável.

103 Comentários

  1. Praxes terceiromundistas?????!!!!!! Na Índia, um país do “terceiro mundo” praxar é proíbido por lei já há mais de cinco anos.

  2. M, felizmente há muito mais locais onde a praxe é solidária. No Porto há várias faculdades que fazem, várias vezes, praxes solidárias. A FCDEF (Desporto) é apenas uma delas que habitualmente leva os caloiros ao Hospital de S. João distribuir abraços grátis conforme pode ver aqui: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.591124054292671.1073741851.125565257515222&type=3

    Não que seja a única, não o é e ainda bem. 🙂
    Na faculdade onde estudei chegámos a pedir alimentos aos caloiros (uma vez ou outra, nunca com frequência) mas fazíamos sempre questão de frisar que, preferencialmente, os alimentos não deveriam estar dentro do prazo. Não seriam para comer, seriam para sujar por isso, não vale a pena estar a desperdiçar comida.
    Quando algum caloiro não podia levar fosse por que motivo fosse, tudo bem na mesma. Mas sim, não concordo que se desperdicem alimentos a torto e a direito a bem da praxe.

  3. acabei de dizer: pararam de falar comigo e desataram a lavar roupa suja, a insultar o amigo de a,a. vizinha de cm e o amigo de D, isto um aluno e uma aluna do 4o ano do meu curso , que pediam aos caloiros respeito por eles e que os tratassem por doutores. quase se pegavam ao estalo em frente toda a uma comunidade universitária/acadêmica. eu fiquei parva a olhar para aquilo tudo, entretanto toda a praxe parou,e eu e os meus restantes colegas ficamos de queixo caído a assistir a tal triste cena. não sou contra a praxe, sou e contra quem faz estas figurinhas tristes em plena praxe e depois se auto proclama… doutores! vai na volta e também fazem rituais no meco da qual toda a comunidade académica esta absorta. enfim e que os seus argumentos de que a praxe e integradora e solidária e blablabla são completamente anetodicos e contradiz se em casa parágrafo e depois ainda vem cá ao blog do arrumadinho ver se lhe responderam. piada máxima. não tem assuntos na comissão de praxe para ir tratar? e que e mesmo ave. ah e a propósito, se o arrumadinho achasse a minha resposta excessiva, numa. teria publicado. por acaso publicou! acho que quem está a fazer um dramazinho e você, aposto que tambem na praxe lhe chamaram besta ou pior e aí já gostou e inchou de orgulho! ah estes pseudo big bosses da comissão, são bons e em acumular matrículas. já diz por aqui um comentário ‘vai se espremer o conteúdo de toda a sua intervenção e respectivas demagogias e retórica e argumentação miraculosas e extremamente eruditas e tudo isso somado da…. 0″ qualquer coisa assim 😉

  4. Por acaso a minha nota a português foi bastante aceitável. Não é que isso interesse muito para o caso, mas se só conseguir pegar por aí…
    Ah (e “ah” é uma interjeição, não um erro ortográfico) caso não note o “s” e o “z” estão bastante próximos no teclado ‘qwerty’ do computador, foi um lapso mas se ficou ofendido(a), peço imensa desculpa…

  5. De facto insultar alguém que não se conhece através de um blogue é algo extremamente sóbrio… Enfim, gabo-lhe a paciência de ter lido isso tudo, e ainda responder com tanta revolta. Confesso que eu não a teria. Só por curiosidade da minha mente ignorante, afinal foi-lhe ou não imposto algum castigo, e se foi em que consistiu? É que não se percebe nem a sua opinião relativamente ao tema, nem a história está completa para exemplificar ou seu não explícito ponto de vista.

  6. Caro Arrumadinho, este é um assunto verdadeiramente polémico, sem dúvida. Posso talvez dizer que sou a favor da praxe (se escrevo ‘praxes’ a Exma. Sra. Fernanda mata-me! :P) e acho que poderá funcionar em muitos casos como um factor de integração dos novos alunos. Concordo com tudo aquilo que muitos leitores disseram acerca do fazer novos amigos, dos jogos e brincadeiras, das cantorias e passeios pela cidade, dos cortejos e da simbologia do traje, etc, etc.
    No entanto, acho que em muitas instituições o conceito tem-se vindo a desvirtuar e a confundir com a necessidade de muitos mostrarem a superioridade (que muitas vezes não me revela noutras facetas da sua vida; veterano = maior número de matrículas; muitas vezes resultantes de reprovações) sobre os outros. Todos queremos ser mais do que…, ter mais do que… na praxe, falamos de puro protagonismo ou, pior, do prazer em humilhar.
    Eu fui praxada quando entrei para a faculdade mas nunca fui obrigada a fazer algo que não queria – e aqui está a grande diferença: não porque eles não tenham tentado impor, mas porque eu disse que não queria! Chamem-lhe esquisitice (eu que adoro o meu cabelo :)), mas enquanto eles esfregavam ovos e porcarias nas cabeças dos meus colegas, eu não aceitei. Disse que não e que quem me forçasse fosse ao que fosse, teria problemas. Ninguém me bateu, só berraram e berraram mais um pouco, e acabaram por desviar as atenções para outro que lhes desse mais motivos para o gozo (como a ideia nojenta de simular sexo oral com cenouras e chantilly).
    Nunca ninguém me chamou nomes insultuosos de forma directa; sim, usavam o famoso “suas bestas”, mas eu acho que só de olhar para os colegas eles percebem quem está disposto a deixar-se calcar e quem não está. Se você repararem, os ‘cristos’ são sempre os mesmos, disfarçados de bobos da corte.
    Mas no geral diverti-me imenso, sujei os joelhos na relva nos jogos que nunca mais tinha feito desde criança, e conheci montes de sítios espectaculares na minha cidade! Mas no final do meu ano de caloira, optei por não trajar. Sinceramente, custou-me gastar dinheiro que tanto me custava a ganhar no trabalho que desde cedo acumulei com os estudos e não tive coragem de pedir mais esse esforço aos meus pais. Nunca tive a ânsia do registo para a posteridade em fotografias; tal como nunca a ânsia de praxar ninguém. Estive lá porque quis, não para adquirir o direito de fazer o mesmo aos outros.
    Depois vim para Aveiro no Mestrado e conheci uma praxe diferente, a faina, não como caloira, só como observadora ocasional. E apertou-me o coração, vezes sem conta, ouvir os ‘Srs Doutores’ pedirem as caloiros para trazer quantidades astronómicas de ovos, óleo, farinha, polpa de tomate e outros alimentos!! ALIMENTOS!! São estes os futuros profissionais do nosso país? Que desconhecem a difícil realidade que vivemos hoje?? Quantas famílias passam necessidades? Quantas crianças vão para a escola sem comer? E aqui esses produtos são para atirar uns aos outros! QUE VERGONHA! Ponham os olinhos numa escola de Beja que levou os caloiros a fazerem voluntariado num abrigo de animais, limpando casotas, dando-lhes colo e carinho. Tentem ao menos usar as brincadeiras para fazer algo pela vossa sociedade. Mas se calhar aí os meninos já iam dizer que se sentem humilhados, a limpar coco de cão.
    Mas, para finalizar, o problema está na inexistência de uma entidade reguladora da praxe; sim, existem comissões disto e daquilo mas eu refiro-me a responsabilidade civil! Muitas das agressões que são perpetradas em nome da praxe poderiam dar ricos casos para levar a tribunal noutro contexto qualquer. Eu tentei denunciar esta questão do desperdício dos alimentos, por ex. junto de associações de estudantes, mas tal como se viu aquando da sua recente convocação por parte do Ministro da Educação: “ah, e tal, nós gerimos todos os assuntos que dizem respeito aos alunos mas não supervisionamos praxes…” aí está o problema, o assunto nunca diz respeito a ninguém, ninguém é o responsável, porque afinal são todos um grupinho de meninos a brincar às tradições académicas. Façam-se gente, porra!!

  7. Uau, eu adoro as pessoas que são os donos da verdade 😛 a linguagem não é estanque minha querida; independentemente das regras gramaticais que aqui se apliquem ou da origem epistemológica das palavras, a língua está sempre em mudança. Se não existem ‘praxes’, se calhar amanha passa a haver. Não me diga que também deixa um comentário em todos os textos em que o pessoal troca os ‘às’ pelos ‘ás’? Olhe que era mais útil!

  8. Penso que não precisamos todos de matar pessoas para isso ser crime…. Alias ilegalizar as praxes é preventivo! Tenho a certeza que poderão existir praxes….como há homicidos, mas que sejam BEM PENALIZADOS!!! Porque a tragédia do Meco só vem demonstrar como a nossa lei tem lacunas!!! É inconcebível que morram 6 pessoas e nada seja feito… é inconcebível que precisem de morrem 100 mil pessoas para ser considerado um atentado à integridade fisíca e pessoal.

  9. Mia,
    A praxe não faz sentido, basta olharmos para o MUNDO, mais nenhum país tem esta vontade de humilhar, de comandar de criar conflito!Os outros países têm óptimas universidades, para a maioria dos estudantes do programa Erasmus que recebemos em Portugal não se estuda, há muita festa e muita violência nas universidades!Para a maioria desses estudantes vir fazer Erasmus a portugal é anedótico, é bom para passar um semestre em festa, paródia a ouvir “aqueles malucos vestidos de preto” – palavras de vários deles.
    Quando lhe falo de Praxe, falo com conhecimento de causa, fui praxada em 3 universidades de 3 cidades diferentes e em todas, todas sem exepção houve abusos!
    Se a tragédia do Meco teve a ver ou não com praxe, não saberemos, já que o sobrevivente fechou-se em copas, no entanto, se eu fosse amiga ou familiar de algum dos jovens que morreu não admitiria um único traje académico em qualquer homenagem prestada, não descansaria enquanto o rapaz que perdeu o pio não estivesse atrás das grades, porque simplesmente quem não deve não teme! E se ele teme é porque deve!

  10. O Arrumadinho foi lá para fazer um trabalho sobre as praxes, como tal, ele foi lá para ser praxado. Simples!

    Escreveu ainda que a praxe não faz sentido. Respondo-lhe com o que escrevi acima: “Por último, deixe-me dizer que não são as praxes que fazem com que a nossa convivência nas faculdades seja mais ou menos positiva. Não são as praxes que nos fazem mais ou menos felizes, melhores ou piores estudantes. São as pessoas que estão por detrás das praxes! “.

    As praxes ganharam uma conotação negativa pelas pessoas que se escondem atrás delas e usam as mesmas para vingarem nos outros as suas próprias frustrações.

    Ou seja, o problema não são as praxes, são as pessoas que abusam delas.

  11. Ora aqui está um comentário inteligente e com o qual concordo inteiramente… Para um caloiro não seria mais indicado na sua integração ajudarem e esclarecerem uma serie de coisas novas para ele? Isso seria integração e uma verdadeira recepção… O resto é apenas delirios de poder que abundam no nosso país em todas as areas onde possam ser executados… Incluindo nas Universidades.
    Já agora, e os Professores?, não são ou deveriam ser, eles a mais alta autoridade dentro das universidades? E não deveriam eles intervir quando vem situações abusivas serem realizadas sobre os seus alunos?

  12. Ainda em relação as praxes gostava de voltar a dizer porque acho que nunca é demais: só é praxado quem quer!! Vivemos numa sociedade livre, temos o direito de concordar ou não com as praxes e como tal escolher se somos ou não submetidos ao ritual das praxes. È uma decisão que cada um deve tomar de acordo com a sua consciência ( ou falta dela). Sim, porque entrar mar a dentro, com um alerta vermelho para toda a costa Portuguesa é isso mesmo: falta de consciência. Tenho imensa pena que tenham morrido, foi uma tragédia essa a realidade. Mas acho um exagero dizer que morreram por culpa das PRAXES.
    Eram adultos, livres de dizer não. Escolheram entrar no mar e essa decisão teve consequências que nenhum deles esperava.
    Gostava de dizer para concluir que fui praxada e nunca me sentia humilhada , explorada ou posta em perigo. Tive colegas que eram anti-praxe e que nunca foram excluídos por isso. Lembro-me das praxes com carinho, para mim foram bons tempos. Mas entendo que nem todos tenham as mesmas recordações.
    Não acho ilegalizar/proibir as praxes seja a solução ou seja justo para todos aqueles querem passar por essa situação. Criem regras para as praxes, mas acima de tudo criem homens e mulheres com cabeça, capazes de pensar por eles mesmo e capazes de dizer NÃO ao que consideram ser errado, perigoso ou abusivo.

  13. Não acho que faça sentido nenhum proibir a praxe, tal como já foi referido anteriormente se fossemos por aí tinha-se de proibir muita coisa, por exemplo o consumo de álcool que causa mais problemas do que todas as praxes do país juntas!
    Fui praxada e penso que a grande diferença da minha faculdade para outras é que existe apenas uma comissão de praxe responsável pelos caloiros de todos os cursos, que responde a uma comissão de veteranos que tem como chefe o dux. Os primeiros dias de praxe são realizados pela comissão e são aproveitados para duas coisas informarem-nos de vários assuntos relacionados com a faculdade e sobre a própria praxe em si, ao terceiro dia os caloiros são distribuídos por grupos de praxe, não vou dizer que alguns membros desses grupos não usem a praxe para subjugarem, mas qualquer atitude menos própria era reportada e a pessoa repreendida, e se o caso fosse grave essa pessoa ficava proibida de praxar.
    Outra coisa importante é a forma hierarquizada como a praxe é organizada, os alunos do segundo ano não podem praxar sem presença de um aluno do terceiro ou superior e em todos os grupos da praxe havia pelos menos 1 veterano que assegurava que a praxe decorria dentro dos moldes estabelecidos e que nunca coloca-se em causa o caloiro.
    Para praxar era também necessário ter um cartão atribuído pela comissão de praxe do nosso ano de praxe, sem esse cartão podia-se acompanhar as praxes e trajar mas não era permitido praxar.
    Após a semana da receção ao caloiro, existe um dia específico da semana para a praxe e só nesse dia os grupos podem praxar, isto para que não hajam praxes todos os dias e para não fazer com que os alunos faltem às aulas.
    Na praxe ensinaram-nos a valorizar a nossa instituição, a vibrar com os hinos da faculdade, e também a ser humildes, chegou a acontecer várias vezes caloiros serem expulsos da praxe por terem eles atitudes menos próprias com colegas.
    Na minha instituição havia respeito e consideração pelas pessoas e espírito de ajuda, vi muitos “doutores” ajudarem caloiros a todos os níveis, até monetariamente, conheci dois caloiros que vinham de longe que se não tivessem tido apoio dos mais velhos teriam desistido do curso.
    Como em tudo é falta de bom senso generalizar, existem abusos nas praxes, mas existem praxes espetaculares, acho que o trabalho passa pela educação e não pela proibição.

  14. Na escola secundária se um grupo de alunos fizesse o que os sres drs fazem aos caloiros (insultos, violência) não tenho duvida que seria considerado bullying, mas na universidade é considerado praxe. Irónico, não?

  15. Li o texto anterior sobre Praxe e li o último parágrafo deste, porque calhou e porque já não posso ouvir/ler e ver sobre este assunto.
    Gostava só de entender porque é que já todos falam em ilegalizar a praxe se ainda não se chegou a nenhuma conclusão sobre o que aconteceu naquele dia no Meco. Ilegalize-se, já agora, o trabalho tendo em conta a quantidade de patrões que abusa, humilha e não paga a quem para eles trabalha. Já chega de se especular sobre um assunto tão sério. Chega!! Deixe-se a PJ fazer o seu trabalho e ouçam-se as conclusões no final.
    Agora toda a gente tem uma opinião sobre praxe, mesmo aqueles que não fazem a mais pequenina ideia do que ela é, como aquelas pessoas que tantas vezes ouvi criticarem a praxe no autocarro, quando nunca na vida frequentaram o ensino superior. Se isso as invalida de terem uma opinião? Não, não invalida. Mas cada vez mais as pessoas acham que podem ter uma opinião sobre tudo sem terem o cuidado de se informaram o mínimo que seja acerca dos assuntos de que falam. Falam pelo que vêem, compreendam-no ou não. O que interessa é criticar e dizer mal. Não digo que esta seja a situação do Arrumadinho, percebi já que não é, nem de todas as senhoras que andam de autocarro, como é óbvio.
    Eu sou totalmente, como já deve ter dado para entender, a favor da praxe. Mas da boa praxe, daquela onde doutores e caloiros se divertem, onde os doutores são o apoio daqueles que chegaram agora a um mundo novo e sim, isso existe e existe na maioria das universidades/faculdades. Sou totalmente contra a praxe que humilha, que faz dos caloiros zero e dos doutores tudo. Em praxe, doutores e caloiros são um grupo que se orgulham de uma coisa em comum: a academia e o curso que representam. Sim, é orgulho que sentimos quando gritamos pelas ruas feitos maluquinhos. Quando andamos pintados e sujos (raio de humilhação!)… estamos em grupo, estamos a fazer parvoíces saudáveis juntos, estamos a fazer aquilo que ninguém faz porque não é isso que acontece em sociedade e, melhor, estamos a divertir-nos!
    Acho que aquilo que as pessoas acham que é humilhação, muitas vezes acham-no por estarem a ver por fora. Se estivessem no grupo, dentro do espírito, talvez já não o achassem.

    Deixemo-nos de especular, por favor. Vejamos as coisas com olhos de gente e saibamos distinguir as coisas. Se é para se fazer um retrato fiel da praxe, que se vá aos sítios onde ela é má e onde ela é boa. Veja-se, no fim, quantas há boas e quantas más.
    Será que os jovens são assim tão parvalhões, tão ocos para a maioria de estudantes que entram do ensino superior todos os anos aderir à praxe se ela fosse assim tão negativa cheia de abusos e humilhações?

    Há má praxe, há muita coisa que não devia acontecer mas os locais onde isso acontece ainda são, felizmente, uma minoria.

    (é a minha opinião geral sobre este assunto, que daria lendo ou não este texto do Arrumadinho.)

  16. Não se esqueçam de uma coisa: só é praxado quem quer.
    Na minha universidade somos praxados durante um mês e meio, TODOS os dias e noites. Por vezes não é fácil mas os laços que criamos, a cumplicidade que ganhamos com os colegas de 1º ano e o espírito de entreajuda são incríveis. E só quem passa por esta experiência é que consegue entender pois para quem está a ver «é só um bando de caloiros a serem humilhados». Eu ganhei uma família, tanto da parte dos meus colegas de 1º ano como de quem nos praxou. E nunca fiz algo que fosse contra os meus princípios. Proibir a praxe é ridículo, é estar a tirar isto de quem REALMENTE GOSTA E QUER SER PRAXADO. Quem não quer, simplesmente não participa. É assim tão difícil de perceber?

  17. Fiquei arrepiada ao ler este texto, enquanto o lia passaram-me a frente todas as memórias que guardo com imensa saudade, tanto do tempo que passei com a capa aos ombros como com a camisola de caloria vestida.

    Revolta-me que por causa de uma atitude irresponsavel, que por acaso ocorreu no âmbito da praxe, se levantam tantas vozes contra uma tradição secular. Não defendo de forma alguma os excessos etristece-me que eles existam, e percebo agora que existem mais do que eu pensava, e contribuam para manchar tanto o nome da PRAXE.

  18. O argumento só vai à praxe quem quer já me chateia.
    É verdade que só vai à praxe quem quer, mas quem não vai ou começa a faltar leva com uma enorme carga de pressão psicológica, só isso já é triste e prova como o vosso argumento é fraco.
    Se só vai para lá quem quer, porquê que fazem esse tipo de chantagem emocional com as pessoas? Serem mal tratados porque faltam às coisas ou fazer pressão para que façam as coisas como querem e quando querem. Não faz sentido, cada um tem a sua vida e se está na praxe é porque quer aproveitar o que de bom lá existe, sem ter que ser humilhado.

  19. Cada um sujeita-se às humilhações que quer. Que eu saiba os concorrentes da Casa dos Segredos também se estão a humilhar em pleno horário nobre da televisão publica e ninguém quer ilegalizar isso. Se os estudantes decidem ir à praxe sabendo o que isso implica e não tem limites, então isso é com eles. (falando da praxe no geral e não desses casos especificos em que alguém morreu, mas é preciso ver que não é propriamente habitual alguém morrer no contexto de praxe)

  20. Ah ok, agora a praxe mata…
    Quer dizer, por uns irresponsáveis fundamentalistas no que toca à praxe e que não souberam onde parar, conclui-se que a praxe mata, “mata os filhos dos outros”
    Tenham bom senso. Tornar um caso tão mediático numa coisa generalizada é absburdo. O mediatismo dado pelos jornalistas a este caso trouxe coisas boas: abriu os olhos de alguns caloiros que talvez tenham percebido a diferença entre praxe e humilhação. Porque praxe não é humilhação.
    A praxe é integração, sim. Existe praxe em imensos grupos, associações, … , fora do contexto académico. praxe é integração e o resto é demagogia. Se usam a palavra PRAXE para desculpar estupidez e até mesmo crime de ofensa da integridade física e moral de cada indivíduo, então não devemos acabar com a boa praxe que se pratica na minha academia por exemplo. E todos os crimes que tanto se falam por aí devem ser denunciados e punidos.
    Mas isto leva a outro problema: Se as pessoas que sofrem as humilhações e tudo isso, gostam e não se declaram anti-praxe, então porque é que toda a gente acha que se deve envolver na questão agora.
    Quando se vai para a universidade já se é um jovem adulto, já não se é nenhuma criança e como tal supõe-se que já se é capaz de fazer escolhas e decidir o que se quer.
    Deixem-se de generalizações bacocas e discutam coisas que realmente importem, que realmente preocupam… E quem estiver mal, que não se submeta a essas atrocidades. Porque garanto-vos que ninguém é obrigado a ir à praxe.
    Toda a gente é muito moralista nos assuntos que não lhe dizem respeito.

  21. Acho que não se podem colocar todas as pessoas no mesmo saco. Pessoalmente considero que a praxe académica é uma tradição simpática, quando feita em condições normais. Aliás, essa praxe arrasta-se para tantas áreas da nossa vida. Joguei futebol e nos vários clubes existem praxes para os jogadores novos. E ninguém se zanga porque não existe qualquer humilhação. São brincadeiras saudáveis.

    Considero é que os anormais que usam estes rituais para humilhar e abusar de terceiros devem ser severamente punidos pelo que fazem. De modo a que esses castigos alterem mentalidades.

    Se for para acabar com algo por causa de alguns anormais, acaba-se com quase tudo no mundo.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  22. Bom dia,

    Gostaria de deixar aqui a minha opinião sobre este assunto das praxes, que considero ser um absurdo……….para mim ir para a universidade é uma ambição mas por falta de meios financeiros não o posso fazer pelo menos para já……..mas este assunto das praxes sempre me fez confusão porque para mim ir para a universidade é algo sério, é apostar no futuro e não vou para lá para andar a ser praxada por alguém que se acha superior a mim só porque está lá a 1 ano…poupem.me a superioridade porque neste mundo ninguém é superior a ninguém.
    Podem haver brincadeiras como jogos relacionados com o curso que estás, mas apenas serão brincadeiras, sem insultos, sem torturas, sem violência……..
    ABAIXO as PRAXES…………………….

  23. “A praxe é uma instituição mais velha que os seus avós Arrumadinho!”
    Depende. Se estiver a falar de praxe praxe, sim. Se se referir ao(s) códigos de praxe das universidades, creio que os meus avós (e os do Arrumadinho, provavelmente) SERÃO MAIS VELHOS QUE ALGUMAS UNIVERSIDADES QUE SÓ ESTE ANO CHEGARAM AO QUARTO DE SÉCULO.

    (as maiúsculas despropositadas foram para fazer “pandam” com as que o caro comentador usou. fica giro, não fica?)

  24. Sinceramente não acho que a praxe seja a culpa de toda a tragédia no Meco, mas sim a falta de responsabilidade, maturidade e consciência daqueles jovens. Não estamos a falar de jovens que pretendiam integrar-se na vida académica, os “coitadinhos” dos caloiros, estamos a falar de jovens que tinham como objetivo subir numa tal hierarquia, e também eles fazerem aquelas atrocidades a outros jovens.
    Chega a dar raiva aqueles jovens terem submetido os pais a uma dor imensa à conta de uma palhaçada.

  25. A experiência do Ricardo é muito semelhante à minha. Em 2007 não entrei em nenhuma Universidade em Lisboa, e por isso fiquei colocada no Politécnico de Tomar. Já entrei na segunda fase, mas como aquela instituição é mesmo uma “segunda” escolha, as praxes só se iniciam quando a maioria dos caloiros chegam. A verdade é que nunca ninguém me abordou porque parecia mais velha que os meus colegas, e deviam achar que não era caloira. No entanto, quando entrei para a faculdade, entrei com a ideia que não iria deixar ninguém praxar-me, simplesmente porque não queria. Porém quando comecei a falar com outros colegas de curso lá começaram eles com aquelas teorias de que não iria trajar, que ia ser posta à margem, e bla bla bla. Resultado: dias depois veio um responsável (lol) da comissão de praxe pôr-me ocorrente das “consequências” de ser anti-praxe, ao que lhe perguntei qual era a validade legal do que me estava a dizer; acabou por me dar um exemplar do código de praxe (como se aquilo tivesse qualquer validade legal – ignorância pura). Ignorei completamente o que me haviam dito e fui fazendo a minha vida normal, nunca participei nas praxes diárias nem fui abordada com esse intuito. Passadas as semanas de praxes, havia lugar ao “batismo”, cerimónia que nos teríamos que submeter para pudermos usar o traje académico. Até ao dia da cerimónia pensei afincadamente se queria ou não ir (já tinha ouvido que era pesado e muito nojento). Acabei por ir , assombrada com a ideia de não poder trajar. Já fui muito extensa e não vou pormenorizar, mas só tenho a dizer que foi o pior dia da minha vida. Nunca me senti tão humilhada e mal tratada como naquele dia. A praxe foi maioritariamente composta por mistelas, ovos podres, e coisas similares, mas para mim foi muito pior do que se me chamassem burra ou o que quer que fosse (porque isso eu ignoraria). Escusado será dizer que pela postura que tive nos dias anteriores, fui muito mais castigada que os outros. Naquele dia à noite só tinha vontade de chorar e só conseguia pensar no que tinha passado, cheguei a ter pesadelos. Nunca me tornei amiga de quem me praxou. Durante o ano que lá estudei cheguei a ir a alguns jantares, nos quais sempre me recusei a beber, e que hoje recordo como o mais degradante que já vi entre pessoas adultas e ditas normais, e só ia pelo meu grupo de amigas. Esta experiência de praxe e a experiência de estar numa cidade do interior, fizeram com que não me sentisse bem a estudar lá e em 2008 resolvi ir para a Lusófona.
    A verdade é que como já tinha passado por todo aquele pesadelo, sabia que se contrariasse seria pior e por isso tentei divertir-me com o que me era pedido. Mas ainda assim, aquilo que me era pedido, nada tinha que ver com o que me tinha acontecido. As praxes eram jogos, cantigas, simulações engraçadas. Obviamente haviam uns mais frustrados que aproveitavam as praxes para alimentarem o ego, mas desta vez fui esperta, e aproximei-me das pessoas certas para que não me chateassem muito. Gostei das praxes que vivi na Lusófona. Agora a verdade seja dita: nas duas experiências fui porque quis.
    Enquanto andei na Lusófona nunca tive conhecimento de qualquer tipo de praxe que pusesse em risco a segurança e/ou saúde de qualquer pessoa e convivi de perto com as comissões de praxe, embora não tivesse uma participação ativa. É lamentável que isto tenha acontecido e mais ainda se foi no âmbito de praxes. Concordo plenamente com o Ricardo, para não haver a possibilidade de abusos é mesmo necessário que seja ilegal praxar. Enquanto não for, haverá sempre lugar a abusos, em que já vão tendo um nº de vidas considerável como custo.
    Peço desculpa por ter sido tão extensa.
    Raquel

  26. Eu nunca fui praxada (nem praxei). Em 94, quando entrei na minha Faculdade, havia um único dia de praxe. Foi uma manhã com brincadeiras inofensivas, passadas dentro da Faculdade. À entrada perguntavam aos caloiros se queriam ser praxados. Simplesmente disse que não, mesmo sabendo que eram pouco mais que pinturas e salpicos de farinha. Fiz amigos na mesma, praxantes, praxados e anti-praxe, integrei-me, fui às festas todas que havia para ir, nunca me senti ostracizada. Não sei se a praxe continua igual. Também sei que noutras faculdades não é assim. Como diz, basta andarmos na rua, para vermos que é muito diferente, para pior, muito pior. São comportamentos degradantes, a roçar o obsceno, muitas vezes violando a dignidade e os direitos ais básicos da pessoa.
    Não me parece, contudo, que seja necessário proibi-la. Efectivamente, as práticas abusivas já são proibidas. Já há leis a propósito das ofensas à integridade física, à honra e ao bom nome, por exemplo, não é preciso mais uma. Estamos a falar de adultos. Sim, salvo algumas excepções, todos têm mais de 18 anos. Podem votar, conduzir, casar, comprar uma casa, carro, criar uma empresa, tanta coisa, também devem saber distinguir o certo do errado, a brincadeira de um abuso, dizer sim ou não e assumir as consequências. Haverá sempre quem use o argumento “é perigoso, põem em causa a integridade física da pessoa, entre outras coisas”. Também o tabaco e o alcoól (sei que não fuma nem bebe) fazem mal à saúde e não é proibida a sua venda a adultos. Cabe a cada um, conhecendo os seus malefícios, optar por fumar ou beber ou não.
    Sinceramente, acho um desnecessário essa sobreposição de leis e, sobretudo, acho triste que se tenha de legislar o que resulta do bom senso, que é coisa que não me parece que se crie por decreto, ou se tem ou não se tem.

  27. E que tal ter dito o Ricardo Nao á sua praxe? Em vez de se sujeitar aquilo que diz serem abusos ? Alguém lhe colocou uma pistola na cabeça ?
    O Ricardo andava numa universidade onde existiam mil maneiras de se defender se alguém o importunasse com o seu Nao á praxe.
    Queixa-se tanto de que de ter sido humilhado entao porque ia para á dias a fio ser humilhado? nao fosse.

    Eu nao quis ser praxada, mas respeito quem goste do ritual com mais ou menos humilhação, aceito quem ache q andar de rastos com a palavra burro na testa seja um ritual de passagem, e queira fazer aos próximos caloiros o mesmo nos anos a seguir. Aceito que gostem e nao acho que se deva exercer esse tipo de ditadura que o Ricardo defende, e proibir os estudantes de praxar como praxam há anos e anos. Milhares gostam e aceitam. Óptimo para eles.

    O que nao respeito são pessoas que aceitam a praxe por falta de postura e convicção, que nao gostem nao queiram aquilo, e depois durante a sua vida se vitimizem.

    Os praxantes nao sao vilões, nem os caloiros pobres bebes de chupeta sem direito a escolhas. Sao todos pessoas maiores e mentalmente normais.
    Portanto digam nao á praxe se nao querem Passar pelo ritual, digam sim se acham piada e nao se importam.
    Nao se vitimizem. E dentro do que aceitam e acham piada se surgir algo a que nao achem tanta piada digam que Nao também.
    Mas nao se vitimizem porque se lá estão, escolheram lá estar.

    Se estão mal, digam adeus e pirem-se.
    Porque se vocês estão mal e tem direito de estar mal, os outros todos que lá estão poderão gostar e tem também direito de gostar e lá estar.

    A escolha dos seus direitos e limites tem que ser antes de mais defendidos por nós próprios.

    O Ricardo foi praxado porque quis, e apenas voce foi respondavel pelos traumas com que ficou, porque nao teve a coragem de dizer nao (o que me parece estranho no seu caso).
    Os miúdos do meco escolheram ser praxados também. Eles e apenas eles sao responsáveis pelo que lhes aconteceu.

  28. Fui aluna na UTAD, fui praxada na UTAD, tanto por Doutores, como por Veteranos, e nunca fui submetida a nenhum tipo de abusos desses que descreve, que nada têm a ver com a Praxe!

    No acto da matrícula na Universidade, a Associação de Estudantes fornece a TODOS os caloiros um exemplar do CÓDIGO DE PRAXE e aconselham TODOS a LER esse código exactamente para que TODOS os caloiros tenham conhecimento das regras da PRAXE, dos seus direitos e deveres, bem como dos direitos e deveres dos Doutores e dos Veteranos.

    No início de cada praxe, sim todos os dias da praxe, de segunda a quinta (nada de fins-de-semana), pelo menos um Doutor ou Veterano fazia-se acompanhar pelo Código de Praxe, apresentando-o aos caloiros, esclarecendo dúvidas ou falando do próprio código para que nenhum caloiro pudesse dizer que desconhecia esse mesmo código!

    Essa foi a minha experiência na UTAD e das pessoas que conheço na universidade!
    Sei que cada universidade tem o seu Código de Praxe (pelo menos as públicas, de que tenho conhecimento, as privadas não sei, mas se uma universidade NÃO tem Código de Praxe, DEVERIA TER, e a Regularização da Praxe passaria por isso mesmo!), mas tenho ideia de que cada um deles passa sempre pela salvaguarda dos direitos mais básicos como a dignidade e a integridade física e psicológica, e que todos os caloiros têm acesso ao código da sua universidade! Só não lê quem não quer, só não se informa quem não quer!

    Parece que nos últimos dias tudo o que de mau acontece é devido à Praxe, mas esquecem-se que, como já foi dito por aqui, abusos físicos e psicológicos NÃO SÃO PRAXE, são CRIME, e devem ser denunciados e julgados como tal!

  29. Só quero dizer que a violação nada tem a ver com sexo. Tem a ver com impor superioridade acima do outro. O que escreveu aqui (ou quem escreveu isso dado que é uma citação) é extremamente ofensivo e demagogo. É um péssimo argumento.

  30. ” Em Lisboa, na Universidade de Lisboa, nada disso existia no meu tempo. Porém, a praxe e a capa e batina em Coimbra têm uma história que quem lá andou conhece melhor do que eu. A capa destinava-se a ocultar a proveniência regional e diferenças classistas entre os estudantes. A praxe era uma espécie de iniciação integradora dos mais novos (recém-chegados) pelos mais velhos.

    Nada disto tem alguma coisa de mal. Há praxes militares; há praxes em clubes e associações e nas mais diversas profissões. Havia praxes nas redações de jornais. O mal foi a boçalidade que certas faculdades e Universidades permitiram. “

    http://m.expresso.sapo.pt/inicio/modal/destaques/artigo/852618

  31. Eu sou contra a praxe, boas ou não, a realidade é que nada ensinam, nem integram ninguém. Eu fui praxada e humilhada e nunca mais lá voltei, mudei de curso e de universidade porque se continuasse daria em louca. Agora volto para casa todos os dias e não vou a praxe nenhuma.
    Tenho pena dos veteranos do meu curso actual, nunca o vão terminar e alguns são tão burro que dói e pedem explicações e apontamentos aos alunos do 1ºano. O mal das praxes são estes senhores que exigem ser tratados como “Reis” mas a pura realidade é que eles nunca vão ser muito mais que uns ignorantes que envergam um traje que nem sabem o simbolismo.
    Os que ficam nas praxes é apenas por este mesmo traje, porque lhes dizem que se não forem não o podem usar. No dia em que terminar o meu curso vou ter o meu traje vestido, doa a quem doer.

  32. Achei pertinente a forma como aborda certos pontos! Parabéns por defender aquilo em que acredita de forma tão veemente! Dura Praxis, Sed Praxis!

  33. Ilegalizar a praxe teria um efeito muito mais negativo no próprio conceito de praxe, porque se tornaria algo clandestino e escondido de vista. Se abusos existem estes tornar-se-iam mil vezes piores porque seriam feitos às escondidas. Para mim o que deveria ser ilegal era ilegalizar a praxe. Como me podem recusar o direito e liberdade de participar numa instituição de praxe? Quando alguém faz parte de qualquer praxe, fá-lo de sua autonomia e vontade, ninguém é obrigado a nada! Sempre que estou a ser praxada,e tal como o Arrumadinho já o fui mais do que uma vez, em cada minuto que lá passo sei que tenho outra opção: A de dizer não e retirar-me. Por opção não o faço, por isso pergunto quem é que agora assume essa responsabilidade de me tomar essa opção??? IIegalizar a praxe??? Quero ver é a sociedade mais preocupada com orçamentos de estado, bolsas de estudo, aumento dos transportes, retirada dos subsídios. Porque isso minha gente, isso é que devia ser ilegal.

  34. Eu fui praxada em duas faculdades distintas. Na primeira, percebi o lado excessivo da praxe. Tendo recusado uma ordem exagerada, fui fechada à chave numa sala, com um rapaz, durante a manhã e a tarde inteira. Na segunda, descobri que, afinal, a praxe pode realmente ser integradora – souberam fazer da coisa um momento giro em que eu tive bastante gosto em participar.

    Quando vejo situações como estas de que se tem falado, em que se humilha, tortura e se expõe os caloiros a situações de real perigo, tenho vergonha da falta de bom senso que impera por entre quem lidera a praxe. Não sei se, ao contrário de ilegalizar, não seria preferível regulamentar. Impondo limites, regras e punições.

  35. Tal como na tudo na vida há coisas boas e más, assim como as praxes. Fui praxada quando entrei para a faculdade há dois anos e nunca me senti humilhada e mal tratada pois se me pedissem para fazer algo que, do meu ponto de vista, não estava correcto, dizia que não e o assunto ficava resolvido. No entanto, este ano, fiz parte da comissão de praxe da minha faculdade e posso dizer, seguramente, que os caloiros adoraram ser praxados. Tudo depende da instituição e das praxes que são feitas e, o mais importante, só é sujeito a ser praxado QUEM QUER. Ninguém obriga alguém a fazer algo que vá contra os seus princípios. O que o Ricardo disse no post de ver caloiros pintados nós também fazíamos e, do meu ponto de vista, não é ser humilhado, mas sim uma simples brincadeira que, mais uma vez, só é feita a quem quer.

  36. Olá a todos e vejo que o tema praxe tornou a vir ao de cima…sou totalmente contra a praxe pois estes meninos que andam a gastar dinheiro dos contribuintes a supostamente estudar, andam é a tentar mostrar o seu machismo realmente num mundo que quiseram criar e totalmente á parte do mundo real… para mim deviam tornar ilegal as praxes e as suas comissões e por favor dediquem-se ao estudo que eu não ando a pagar impostos para estes pseudo humanos drogados e bêbados, assim como mulheres de cruz no braço que simboliza que já teve relações com um veterano, que por sua vez não pode ter com outro veterano…isto é a podridão da nossa juventude…peço desculpa a quem estuda e luta por um futuro mas cada vez mais se vêm menos…peço também que a quem duvide do que digo, passem no Porto na zona do Piolho e vêm todos os universitários a drogarem-se, a beberem e a mostrarem ao mundo a geração rasca…

  37. “Fui praxista” disse tudo de si! Extremista?! Que grande lata a sua, se o filho afogado fosse seu, não escrevia o que escreveu. Detesto intelectuais de meia tigela, sabe?! Os que são pseudo como quem escreveu este deprimente comentário, está a ver? Por último não venha para aqui criticar o autor do blogue, porque fica-lhe mal, é deselegante, mostra a sua classe ou falta dela!

  38. Em termos sociais, não devemos proibir algo só porque nos irrita ou nos ofende o gosto. Desde que todos sejam livres e não se faça nada de ilegal, todos temos direito a sermos parvos. Em termos pessoais, um caloiro deve recusar todas as praxes que sejam humilhantes ou incómodas ou seja o que for. Não é esta integração que interessa. A sociedade não deve proibir mas cada um de nós deve saber dizer não ao que não interessa.

  39. “alguém os obriga a deixar eu sejam abusados? nao.”
    daqui a nada vai começar a dizer que as mulheres que são violadas e porque o estão a pedir pela forma como se e vestem e porque andam na rua sozinhas , lol. a seguir tambem vai dizer que as mulheres só são violadas porque não dizem “nao” de forma firme e autoritária? tenha juízo criatura e volte para o buraco de onde saiu. isso foi o stock de erva que já deu tudo o que tinha a dar

  40. mais solidário? esta bêbeda esta. eu cheguei a ser castigada em praxe porque um veterano me deu uma ordem de ir ajudar uma colega e eu ajudei com todo o gosto. chega outra e pergunta ‘caloira a sua colega q se safe sozinha nao tem nada que a ajudar vai ser severamente castigada’ e o veterano que deu a primeira ordem e a segunda praxante começam a barafustar e a lavar roupa suja perante colegas praxantes, doutores, caloiros e quase a comissão de praxe inteira. respeito e coerência e bons modos onde? parecia uma cena tirada da casa dos degredos. ganhe juízo a serio cara criatura e não seja mentirosa, ignorante e mesquinha e aprenda a ler os posts do arrumadinho porque está a comentar coisas a toa. olha me esta ave

  41. Em primeiro todos temos direito a opinar, e aceitar as opiniões dos outros faz parte do bom senso e da boa educação… em segundo, não gosta ou não concorda para que vêm aqui ler..
    Estas defesas exageradas da praxe só me faz concluir que estamos a regredir infelizmente… Se me conseguirem dar uma vantagem válida da praxe ainda aceitava, mas parecem-me todas absurdas…

  42. Infelizmente a tragédia do Meco só foi um pretexto para começar esta caça à praxe, muito triste. Se aqueles mesmos jovens estivessem de calças de ganga e t-shirt não teria nem metade do mediatismo que está a ter, ou teria? Claro que não, seria o caso de um grupo de jovens a divertir-se e que infelizmente acabou desta forma.

    Entretanto morreram 6 pescadores. Excesso de velocidade, não usavam colete salva-vidas.. outra tragédia mas parece que não é muito importante, certo?

    Não confudam tradição académica com estes abusos, que acontecem em todo o lado, mas não se todo a regra.

    Depois o argumento do “sejam homenzinhos, estudem, etc”, será crime dizer que nos queremos divertir? 2 semanas de brincadeira (na minha faculdade) para quase 3 meses de aulas, e 2 meses exaustivos de exame. Onde é que a praxe prejudica o nosso desempenho académico?Então desculpem, tenho 19 anos mas não me devia divertir, isso nem pensar.

    Não sou indiferente às realidades de outras faculdades, e espero bem que todo este mediatismo abra os olhos aos praxantes abusivos.

  43. MENTIRA! Não é praxado quem quer, é praxado quem é apanhado pelos imbecis dos “doutores”.
    Ser pintado, insultado, andar de gatas, ladrar e mais uma série de palermices pode não ser das piores coisas do mundo, mas para alguns (para mim, por exemplo) não tem piada nenhuma, não é diversão e não me ajudou a sentir-me bem recebida e integrada. Com o passar do tempo, fiz os meus amigos, escolhidos por mim e entre as pessoas com quem me identifiquei.
    Aliás, nunca na minha vida quis ser amiga de imbecis e arrogantes, por que razão quereria ter amigos estúpidos na universidade?

  44. Pelo que sei – e posso estar errada – eles queriam fazer parte da Comissão de Praxes. Para isso, tinham de ser novamente praxados, desta vez pelo Dux.

  45. Então por essa lógica, há pessoas que fazem excessos e bebem álcool, metem-se num carro e matam outra pessoa. Então vamos proibir o álcool para todos porque alguns não se sabem comportar e se há álcool pode haver excessos. Ou então vamos proibir o futebol pq há pessoas que não se sabem comportar e começam à luta com outras por causa de uma falta mal ou bem marcada. Devemos também perder a liberdade de expressão pq há pessoas que exageram e dizem tudo o que lhes apetece sem medir as consequências…

    Está tudo no bom senso de cada um. Acho que em vez de se apelar ao fim da praxe, devia-se utilizar este fatídico exemplo para realçar aos estudantes a importância de dizer não a situações de risco e a situações de humilhação. Alertar, consciencializar. Não eliminar…

  46. Oh Senhor Arrumadinho vamos lá esclarecer aqui meia duzia de coisas que o Senhor manda para o ar só porque tem muitas visitas diárias:
    1º – “Mas eu só acho que enquanto for legal praxar” – Legal praxar!? Mas que absurdo é este? A praxe é uma instituição mais velha que os seus avós Arrumadinho! É um costume, uma prática! Não me venha com ilegalidades porque neste país há coisas bem mais ILEGAIS e o senhor nem pia acerca delas! Não convém senhor Arrumadinho não é? Não passa na televisão… Para além disso eu gostava de ver um DL regulando as praxes.. ridículo!
    2º – “a única forma de se pôr fim a essas praxes terceiro-mundistas é ilegalizar a praxe e ponto final” – Graças a Deus e também ao povo Português que não somos governados por alguém como o senhor senão esses pontos finais iriam custar-lhe a vida! Não, a solução não está em ilegalizar a praxe. A solução passa pela reitoria das universidades criarem organismos de controlo da praxe, com o intuito de fiscalizar as praxes dentro do campus (pois não tem qualquer autoridade fora dele). Não gostei desse ponto final e digo-lhe que o extremismo nunca foi bom! Basta ver o que aconteceu aos extremistas na história deste Mundo.
    3º – “A única forma de pôr fim aos abusos, à humilhação, aos crimes, é ilegalizando a praxe” – Chega a ser intrigante como o senhor não pensa. Alguém obriga os caloiros a frequentar a praxe? Não! Alguém os obriga a deixar que sejam abusados? Não. AS PESSOAS NÃO SÃO CAPAZES DE FAZER UM JUIZO PRÓPRIO E SABER O QUE É ABUSO OU NÃO? São senhor Arrumadinho mas o senhor prefere antes colocar soluções extremistas para a praxe do que falar acerca da geração “Justin Bieber” que se instalou na pré-adolescência do nosso país! As pessoas são livres! Eu fui praxista, na minha instituição, no meu curso, NINGUÉM foi apontado por ser anti-praxe e NINGUÉM se deixou de integrar por o ser!
    4º – “Continuará a ser possível fazer grandes festas do caloiro, brincadeiras de todo o género, positivas e que visam a integração e a melhoria das relações sociais, porque isso não será associado àquilo que na cabeça das pessoas está registado como sendo “uma praxe”. – É mais interessante as tainadas, a queima das fitas e enterros onde se consome todo o tipo de drogas, onde as associações académicas aproveitar para limpar dinheiros… Oh meu caro, está a ver onde eu quero chegar?
    5º – Vamos ser racionais. Quem no seu perfeito juízo vai para o mar à noite ou de dia depois do que temos assistido em termos meteorológicos!? Ninguém, gente desequilibrada! QUEM ALINHA? Gente ainda mais desequilibrada que não sabe distinguir o que é razoável e o que não é razoável!
    6º – (para acabar que eu disse que era meia dúzia) Um dia gostava (gostava, ironicamente, porque já deu para perceber que o senhor a escrever é 0 à esquerda, pelo menos neste blogue) que me esclarecesse onde é que a praxe faz parte do sistema de ensino Português.

    Faça um favor a si e a todos nós: Volte lá para os posts em que está mais à vontade, não escreva acerca daquilo que não percebe patavina, limite-se a dar as suas opiniões e não soluções descabidas e absurdas.. É graças a pessoas como você que tem um blogue muito influente que as sociedades se moldam.. Não deixe que elas se moldem com base no que escreve, porque o que escreve é literatura e opinião “cor de rosa”.

  47. Não faz sentido proibir algo que já é proibido. Não se pode insultar ou agredir uma pessoa seja em que contexto for. Praxe é apenas um contexto.
    Nesta história toda assusta-me mais a falta de do mais elementar e básico bom senso de pessoas que se encontraram, no início da idade adulta, num espaço que é suposto formar adultos responsáveis.

  48. Bem isto agora era o mesmo que dizer que como morrem muitas pessoas em acidentes de carros se devem proibir os carros… Ou então porque alguém morreu vestido de roupa da Berska que se deve proibir a roupa da marca.
    Tenho pena que a praxe a si não lhe tenha proporcionado bons momentos, mas pelo que pode observar por várias opiniões aqui e não só a praxe fornece bons momentos a muita gente. Querer banir a praxe porque a si não lhe caiu bem era o mesmo que eu querer banir o Ice Tea porque a mim não me cai bem. Deixemos o egoísmo fora deste tipo de assuntos.
    Mais, cada um é livre e toma decisões por si, além de que acidentes acontecem. Se fôssemos a proibir tudo o que os pode causar teríamos de banir também as pessoas ou a liberdade de escolha. Até porque a praxe realmente não obriga nada a ninguém, cada um faz o que quer. Em tudo nesta vida existem idiotas, e saber lidar com eles e dizer “não” devia fazer parte dela. A praxe não é exceção. Se por acaso alguém for realmente “obrigado” a algo a culpa não é da praxe e sim de quem obrigou.
    As pessoas confundem as coisas porque lhes convém, porque eles não gostam e por isso os outros não deviam gostar nem de ter acesso a essas coisas. Este tipo de pensamento é puro egoísmo.

  49. A presente que se vive de hostilidade para com a praxe é algo que não pode ser generalizado. Da mesma forma que cada um tem a sua própria posição quanto à praxe, cada universidade é uma universidade, e como tal, cada uma tem a sua posição quanto à praxe, os seus próprios rituais e as suas diferentes visões e métodos de actuação. Eu sou estudante universitário, trajo e tenho orgulho do espírito académico vivido na minha universidade. Não se podem fazer generalizações quanto a esta prática porque ela não é, de todo, posta em prática da mesma maneira. Tenho conhecimento de universidades (sobretudo no interior do país) onde de facto as praxes são feitas de forma algo violenta e demasiado invasiva. Agora se há algo que me foi ensinado enquanto caloiro e enquanto veterano é que há limites para ambos os lados. Os veteranos não têm todos os direitos nem os caloiros têm todos os deveres. É algo repartido. O direito de praxar é concedido aos veteranos, mas este direito tem limites, não é algo desregrado e completamente livre. Na faculdade que frequento, a ESHTE (escola superior de hotelaria e turismo do Estoril), existe um bom funcionamento quanto a estas práticas, há respeito mútuo, há limites para todos (já existiram casos de veteranos punidos por se excederem, porque a praxe não pode ser nem nunca será sexual ou abusiva), e há um óptimo espírito académico, capaz de fazer inveja a muitas universidades de todo o país. A praxe é uma tradição que não deve ser abolida, desde que regulada devidamente. A constituição de um bom e racional código de praxe é a solução para a regulamentação desejada, porque gente boa e má sempre o houve, em todo o lado. Se falarmos de pressão psicológica e humilhação não devemos falar automaticamente em praxe, pois, nos dias que correm, esta é real e acontece no mercado de trabalho, em muitas das maiores empresas nacionais e internacionais. Mas quanto a esta, já não se fala tanto, porque daí resultariam consequências mais graves para aqueles que as decidissem denunciar.

  50. “A única forma de pôr fim aos abusos, à humilhação, aos crimes, é ilegalizando a praxe. O resto, o tal lado bom do ritual, continuará a ser possível e saudável.”

    Arrumadinho, os abusos, a humilhação, o crime, são ilegais e, como tal, puníveis.
    O resto, o tal lado bom, é a Praxe.

    O que é preciso é educação cívica, é contrariar as criancinhas desde pequenas, é ensinar os filhos a dizer NÃO, é mostrar-lhes que a última coisa que se pode perder é a dignidade.

  51. Por essa mesma ordem de ideias… quer dizer que ao aceitar a praxe os miudos aceitaram morrer?
    É que ilegalizando a praxe deixam de morrer pessoas por causa disso! 😀
    E já agora… fumando mata-se a si próprio …não anda para ai a matar os outros, nem os filhos dos outros!

    ABarros

  52. O arrumadinho foi lá para ser praxado? O arrumadinho foi lá para fazer um trabalho sobre a existência ou não de abusos na praxe! A praxe não faz sentido, falemos de espírito académico, praxe? Para quê? Porquê?

  53. Que comentário triste…estamos a falar de uns merdas que fazem das vida de outros um inferno. Minha senhora, reveja as suas teorias!

  54. Boa noite

    Foi com uma enorme mágoa que li hoje este seu texto. Não sei como as praxes decorrem hoje em dia na UTAD mas gostava de chamar a sua atenção para este vídeo, há mais noticias idênticas, onde se fala de um esforço de alteração dessas práticas. Hoje em dia há praxes inclusivas
    http://www.tvi24.iol.pt/503/sociedade/praxe-praxe-solidaria-universidade-vila-real-recolha-solidariedade/1491391-4071.html

    Gostava de ler a sua reportagem da revista Focus. Onde posso arranjar?
    cumprimentos

  55. Será que pode haver um meio termo nisto tudo? Eu não sou contra as praxes, mas também não sou a favor. Aquilo que descreveu acima sobre os cartazes a chamar burro e a cara pintada, para mim, não é humilhante, não na altura de praxes. É uma brincadeira e daí, e estou a falar somente das alcunhas e das pinturas, não vem mal ao mundo.
    Muitas das praxes que sofri foram, acima de tudo, divertidas. Não me obrigaram a beber alcool para além do que quis, corri, dancei, fiz muito abdominal e muita flexão. Gritei e acordei cedo muita manhã durante as minhas praxes. Isto é mau? Não. Muitos dos meus amigos, conheci-os durantes as praxes e não são só caloiros, também são veteranos.

    Claro que o que aconteceu no Meco não é praxe, é estupidês. Ninguém com dois dedos de testa faz o que aquelas pessoas fizeram. Se me pedissem para ir para a praia, em pleno inverno e para ir ao banho eu mandava-os ir dar uma volta porque isso é abuso.
    Se foi um grupo secreto, uma seita ou lá o que foi não sei. Abulir totalmente as praxes também é um exagero mas acho que impor limites não era má ideia.

    Eu tive a sorte de calhar com padrinhos porreiros. Era mais eu que curava as bebedeiras deles que eles as minhas. Respeitavam o que eu não conseguia fazer e sabiam que eu não bebia muito por isso não me obrigavam.

    O Meco é triste por mostrar justamente a parte má disto tudo. A praxe tem dois lados, como tudo. Eu vi a parte boa, adorei aqueles tempos; agora todos vimos a parte má…

    Abulir não, não acho justo; impor limites definitivamente sim!

  56. Não percebo como é que uma líder de comissão e defensora da praxe, aprove que a praxe acabe.
    Como é que podes incentivar os teus caloiros e afilhados a bem praxar se nem se quer lutas por uma coisa que acreditas.
    Acabe-se sim com a má praxe, tirem os que não sabem praxar, mas não acabem com uma coisa que une tanto os jovens e em que muitos acreditam.
    O traje não é da praxe. É da academia e toda a gente deve-o usar, sendo ou não da praxe. Com certeza nunca irá acabar.

  57. Sou de uma Faculdade onde praxar se tornou proibido e isso só serviu para aumentar o fervor praxista, e os alunos continuaram (e continuam) a praxar em espaços fora da faculdade. Proibir não resolve nada, até porque os estudantes se iriam passar e na volta isso degenerava numa exacerbação das praxes. É preciso é esclarecer na cabeça de várias pessoas a distinção entre a praxe normal: a tal da tradição, integração, espírito académico e etc.. das anormalidades perpetradas por vários imbecis.

  58. A perseguição à Praxe começa a ser desagradável. Há Praxe bem feita e mal feita, como em tudo na vida há pessoas com bom senso e outras, digamos, menos espertas… Não é tornando a Praxe ilegal que se acabam com abusos. Antes de mais dizer que fui saudavelmente praxada, diverti-me fiz amigos e todo o blábláblá. Tento passar aos caloiros que praxo as mesmas boas experiências. Praxe não é só integração ou convívio. é receber jovens que caiem de para-quedas numa nova cidade onde não conhecem ninguém e lhes é oferecida uma primeira semana(meses, etc…) bastante dinâmica onde conhecem a cidade, colegas que os vão acompanhar ao longo dos anos futuros e começam a aprender a desenrascar-se. A hierarquia em Praxe faz sentido pois é a experiência de já ter passado por tudo que dá aos veteranos a capacidade de aconselhar. Faz sentido as comissões para tudo poder ser organizado de modo a que os caloiros sejam ajudados, orientados e não corram riscos durante a Praxe. O sofrimento, que de sofrimento nada tem quando as coisas são bem feitas, serve para mostrar que somos todos iguais ali, que se devem respeitar todos os colegas, não só os mais velhos como os colegas caloiros, para “perderem a mania” que não os leva a lado nenhum. E digo que muita gente aprendeu a ser melhor pessoa em Praxe, menos exibicionista, menos convencido e mais solidário. Quanto aos abusos cabe então às comissões controlá-los e na minha experiência há muitas restrições que impedem as humilhações. Andar de joelhos, orelhas de burro, sujo com farinha e ovos, todos juntos, dificilmente é humilhação. Aliás que fraqueza de espírito achar humilhante umas brincadeiras em que toda a gente se diverte. Ninguém obriga ninguém. Quem se sente rebaixado não participa e será feliz assim, fará amigos assim, apenas não terá essa experiência na sua vida. Quem gosta, participa, e diria que é ainda mais feliz assim. Parem de fazer os veteranos monstros e os outros coitadinhos, ninguém obriga ninguém. Quem se sente rebaixado, humilhado ou em perigo e ainda assim não sai ou não fala, não tem “cabeça suficiente”. Quem deixa que lhe façam coisas que não quer, em contexto de Praxe onde se pode sair a qualquer altura, não tem direito de criticar e dizer que a Praxe devia acabar. Quando há falta de “cabeça”, resta-nos Darwin e a sua selecção natural.

  59. Olá ricardo, peço imensa desculpa mas preferia enviar-lhe isto em anónimo, foi escrito por um colega meu da universidade lusíada do porto acho o texto excelente e decidi partilha-lo consigo contudo devido a extenção do texto vou dividi-lo em partes:
    A Praxe é ingrata, ponto assente.
    “Não há pastilhas que atem de novo as minhas cordas vocais.
    Não há água que reponha o que camisa absorveu ao longo de um dia.
    Não há gelo que acalme a dor nas plantas dos pés, que aguentaram o peso, de sol nascer a sol pôr.
    Não há alimento que encha o estômago, negligenciado a troco de mais um jogo.
    Não há Santa Paciência que beatifique as barbaridades que oiço, mesmo nas perguntas mais simples.
    Não há almofada que passe mais tempo encostada à cara do que a minha própria capa.
    Fiz noitadas, preparei equipas, equipamentos, o traje, trajes, figurinos e adereços, músicas, gritos, pinturas, a mente, o corpo.
    Despendi sono, calorias, muitas calorias, voz, tempo, amigos, criatividade e imaginação, sola, mais calorias, saúde, dinheiro, interesses pessoais, férias.
    Mas há algo que paga tudo isto.
    Os primeiros sinais são simples. O sorriso cúmplice quando as flexões se tornam insuportáveis.
    A reposta soprada ao ouvido, ao colega recém-chegado.
    As gargantas em esforço a defenderem a sua futura formação. Os castigos colectivos, a criatividade conjunta e o espírito de família, crescendo visivelmente a olho nu por cada dia que passa.
    A admiração por quem deles cuida.
    A humildade e veracidade com que se despem de quaisquer personagens, deixam o fato em casa, e vêm ser eles, desconhecidos entre desconhecidos, únicos no meio de únicos.
    A chegada com um sorriso na cara, com a pele preparada para servir mais uma vez de tela, e a despedida, já sem forças no corpo, com olhos cansados de tantas memórias criadas.
    Nos dias seguintes vejo uma mesa preenchida de caras limpas e esfregadas, a trocar contactos. A refeição, momento de eleição para a partilha, serve para discutir os acontecimentos recentes. O início das aulas provoca o início das conversas paralelas e da troca de apontamentos. Começam também os planos conjuntos, extra-curriculares.
    Mas não tarda os copos são trocados por sebentas e brinda-se, em vez dos comuns clichés, aos nove e meios da pauta.
    O melhor não vemos nós, já longe. O produto final.
    As caras que aguentaram guaches e batons não aguentam as lágrimas, na despedida. A força ganha nas flexões serve para apertar os Amigos, no dia do até já. A voz, alimentada com hinos e cânticos, falha no derradeiro discurso. As memórias, bem estimadas e catalogadas, irrompem simultaneamente em cada rosto conhecido que se vê. O corpo, que foi emprestado para encarnar um qualquer personagem fictício, teima em não ser nosso e a querer voltar para trás. Os olhos, esses, continuam em baixo, para conter o impulso emotivo.
    O vínculo de praxe, que condensa três semanas em três dias, dá o seu fruto. Muitos deles encontraram amigos para o resto da vida. Encontram família afastada e alguns conterrâneos. Encontram semelhantes. Talvez o padrinho de casamento, o companheiro artístico ou o par desportista. Alguns encontraram a mulher ou o marido.
    Sei que vi muitos sapatos pretos no meu primeiro ano. Hoje, quando praxo, olho primeiro para baixo, para os meus.”

  60. Totalmente de acordo. Quando andava na faculdade (e isso já foi há mais de uma década), estive na praxe durante três dias e detestei de tal forma que nunca mais lá pus os pés. E, no ano seguinte, não praxei ninguém (aliás, nunca sequer comprei traje), pois não quis fazer a outros aquilo que detestei que me fizessem a mim.
    Quando entrei para a faculdade, senti-me perdida e teria sido excelente se alunos mais velhos me tivessem ajudado a orientar-me pela faculdade. Teria sido bem mais positivo do que as praxes parvas e humilhantes que fazem. O melhor é mesmo cortar o mal pela raíz: criminalizar as praxes. É a única forma de isti acabar.

  61. ricardo, na maior parte das vezes não concordo consigo mas neste caso sou obrigado a concordar. As praxes não servem rigorosamente para nada. A vida numa universidade são aulas dadas por professores e os alunos a aprenderem e fazerem amizades. E isto faz-se no dia a dia conversando e ajudando uns aos outros. Simples.

  62. Arrumadinho, só lhe tenho a dizer esta frase que diz exatamente tudo sobre o que penso do drama da praxe.

    “Irrita-me profundamente que continuem a culpabilizar a praxe porque pessoas estúpidas fazem coisas estúpidas dentro dela. Acabe-se então com a vida humana, porque os humanos fazem coisas estúpidas em todas as áreas das suas vidas. Acabe-se com o sexo e a procriação porque há violações. Acabe-se com o negócio e com a política porque há corruptos. Acabe-se com os tribunais e com as leis porque há mentirosos e incumpridores. Acabe-se com a religião porque há crimes gravissímos e chacinas praticados à luz de princípios religiosos. Acabe-se com o desporto porque há doping. Acabe-se com a escola porque há bullying. Acabe-se com as pessoas.”

    Acredite que só não sente quem não entende.

  63. “A única forma de pôr fim aos abusos, à humilhação, aos crimes, é ilegalizando a praxe. O resto, o tal lado bom do ritual, continuará a ser possível e saudável.”

    Ora nem mais! Tirou-me as palavras da boca!

  64. A COPA é conhecida entre os estudantes da Lusófona pela “rigidez” das suas regras e pelo trabalho e secretismo na preparação das praxes – o que levou vários cursos a não querem integrar a organização, apurou o SOL. As vítimas do Meco trabalhavam muito na organização das praxes, fazendo reuniões aos fins-de-semana, enviando relatórios ao dux e participando na reunião anual, que em 2013 se realizou numa casa alugada em Aiana de Cima (no Meco, concelho de Sesimbra). “no jornal Sol… Temos uma seita à portuguesa, está visto. Investiguem isto; Imagino as lavagens cerebrais

  65. Concordo em absoluto.
    As melhores recordações que tenho do meu ano de caloira são os jantares de curso que fazíamos com frequência. Eram sempre em restaurantes rascas, tascas até, que éramos quase todos uma cambada de tesos, mas reuniam-se os anos todos do curso numa fantástica cavaqueira e isso sim, integra as pessoas e ajuda à integração.
    Praxes? Também as havia, mas como eram sempre de manhã, preferia ficar a dormir e nunca nenhum “doutor” me chateou por isso. Foi uma opção minha e não sinto ter perdido nada!
    🙂

  66. Ola ricardo. Eu sou estudante do iscsp, no segundo ano, e posso afirmar que me orgulho da forma como os estudantes sao praxados na nossa instituiçao. Nao ha abusos, nem porcarias, ninguem é obrigado a nada, nem a beber alcool, e sao todos muito atenciosos (quando nao estao a gritar, porque tambem as ouvimos ahah). No ano passado quando fui praxada, no primeiro dia tambem nao achei muita piada, e ia com medo, por causa das coisas que muitas vezes ouvimos, mas depois decidi entrar na brincadeira e diverti-me muito. Ja este ano, como entidade praxante, tive exatamente a mesma postura que tu, uma brincadeira aqui ou ali mas nada de especial. Acho que deviamos todos seguir estes caminhos, é quase certo que havia muitos mais apoiantes da praxe e mais gente a participar com agrado e sem medos 🙂

  67. Não podia concordar mais contigo, Ricardo e até sou daquelas pessoas que teve uma boa experiência na praxe. Fiz amigos, conheci o meu namorado (com quem estou há 12 anos, quase 13) e passei momento muito divertidos. Nunca houve abusos, nem caras pintadas, cabeças rapadas, orelhas de burro, ovos na cabeça… Nada que pusesse em causa a nossa integridade física e até moral. Lembro-me até de um dia em que nos avisaram antecipadamente que se iria fazer uma brincadeira que envolvia uma reconstituição do presépio. Se alguém achasse que isso de algum modo ofendia os seus princípios religiosos era livre de não participar. Apesar desta boa experiência, acho que a praxe deveria acabar. E já pensava isso antes da terrível tragédia no Meco. Pelos testemunhos que ouço e pelo que vejo nas faculdades (eu trabalho numa em Lisboa) acho um espectáculo degradante. Acho que está na hora de se procurarem novas formas de integração. Já agora, eu nunca praxei; a praxe não me ensinou nada; e não precisei da praxe para fazer amigos. Os melhores que fiz na faculdade eram anti-praxe e continuam comigo até hoje.

  68. Mas os jovens que morreram no Meco eram caloiros? Não eram, pois não, já que estavam trajados. Então como estavam a ser praxados?

  69. Pessoalmente acho ridículo tentar ilegalizar a praxe. Só e praxado quem quer e todas as pessoas envolvidas são adultos (na definição legal)! Quem é contra a praxe não tem que participar nela, mas não compreendo como se possa achar no direito de proibir os outros de o fazer. Na minha opinião o estado já se intromete demasiado nas liberdades de cada um! Também defende a proibição do consumo de álcool? Algo me diz que se aquele grupo de jovens estivesse sóbrio, não tinha decidido entrar no mar!

  70. Olá Arrumadinho.
    É a primeira vez que comento um blog, apesar de ler regularmente o seu e o da sua mulher.
    No que toca a este assunto, penso que a situação já está a chegar ao ponto do ridículo. Seis jovens perderam a vida no Meco por irresponsabilidade (independentemente do que possa ser dito pelo sobrevivente, ir para aquela praia de madrugada no Inverno é plena inconsciência) mas o que está a ser focado é a PRAXE.

    E se eles fossem todos de uma equipa de futebol? Ou escuteiros? Aí já devíamos ilegalizar os clubes desportivos ou o CNE? “Praxes” existem em milhares de organizações, são rituais de iniciação, de integração. Brincadeiras que permitem criar um sentimento de união entre pessoas que têm um objectivo comum.

    Eu já fui praxada e praxei, como estudante da UL. Não vou dizer que foi tudo espectacular porque, como tudo na vida, tem os seus altos e baixos. Mas posso lhe dizer que criei memórias fantásticas, conheci gente que tenho a certeza que de outra forma não conheceria e permitiu-me aprender algumas lições muito importantes para o meu futuro.

    Posso lhe dar um exemplo:
    Estava no meu primeiro ano e tinha de acabar um relatório para uma cadeira. Não conhecia muita gente, por isso estava sozinha num computador da faculdade a tentar fazer o tal trabalho. Uma veterana minha viu-me ali sozinha e perguntou o que é que eu estava a fazer. Expliquei-lhe e ela, prontamente, sentou-se ao meu lado e ficou mais de uma hora a rever o meu trabalho e dar me dicas sobre como completar o resto. Era aluna de mestrado de um curso que nem sequer pertence ao meu departamento.

    Nós trajados fazemos questão de ajudar os alunos mais novos, quer seja em trabalhos, arranjar apontamentos, indicar salas ou até encontrar casas para os alunos que não são de Lisboa.

    Que há sítios em que praticam actividades estúpidas, concordo plenamente. Mas gente estúpida há em todo o lado. É preciso é que os que têm 2 dedos de testa se manifestem e impossibilitem que essas pessoas pratiquem tais actividades.

  71. Era o que eu estava a pensar quando li o post anterior. Lembrei-me das figuras degradantes que fazem lá no Chiado.
    Acho que o problema dos jovens (não sou assim tão velha, tenho 33 anos) é que se acham imortais!!! Enfim 🙁

  72. Eu adorei a semana do caloiro, o baptimo, etc. Mas nunca fui praxado. Nem sequer fui pintado. O primeiro cromo que me gritasse qqr coisa em forma de ordem era capaz de ter azar. Não sei se foi postura ou a fama que trazia, a verdade é que nunca ninguem se dirigiu a mim para me praxar. Se o fizessem nunca deixaria que fosse praxado. Pelo menos não nos modos em que falaste e que se vê: pinturas, coisas no cabelo, roupas, etc. Nunca.

  73. Eu já fui praxada e já praxei. Fui a líder da minha comissão de praxe e quase que estou de acordo contigo. Mas… eu vejo o que a praxe fez à minha faculdade. No ano em que entrei ninguém, ou quase ninguém praxava. No ano seguinte começou. E agora os cursos estão mais unidos. Não existe apenas História da Arte de um lado ou CC do outro. Durante a única semana de praxe que existe na FCSH-UNL somos uma faculdade e não este ou aquele curso. Tenho que falar por experiência própria. Nos anos em que andei pela universidade não vi quaisquer abusos na praxe. E é bom. O mais habitual nos veteranos é queremos fazer-nos de maus mas acabamos sempre os bons.

    Mas com isto até eu estou quase a favor da ilegalidade da praxe. Mas o traje, vestir o traje foi um orgulho e um sonho bem antigo.

    Hoje já completei a minha licenciatura mais ainda vou ver os meus afilhados praxar e não deixar que abusem.

    Eu não sabia que em Lisboa poderiam existir rituais de praxe tão macabros como estes da Lusófona. Enfim, podem acabar com a praxe mas por favor não acabem com o traje.

  74. Não, arrumadinho, as coisas não podem funcionar assim numa sociedade. Não se pode acabar com tradições de anos só porque meia dúzia de idiotas só sabe ser isso mesmo, idiotas. Se assim fosse, acabariamos com a condução em Portugal, já que existem pessoas a morrer por causa de condutores com excesso de álcool ou por causa daqueles que vão acima da velocidade permitida por lei!
    Agora, que cabe a cada universidade olhar pelos seus estudantes e pela praxe que lá é praticada, sim. São esse tipo de medidas que devem ser implementadas e não pagar o justo pelo pecador! Aliás, como em qualquer situação.

    Inês M.

  75. A questão essencial é que as instituições académicas não se podem escusar de qualquer tipo de actividade de vigilância e de controlo das actividades dos alunos integrados na praxe académica. Isto é um dever acessório que resulta da obrigação principal contratural de prestação de um serviço por parte da universidade, neste caso, da prestação de ensino e educação.

    O problema é que muitas vezes esta situação é evitada pelos os alunos através da realização das praxes académicas fora das instalações da faculdade. Por isso é que na minha opinião,
    as praxes FORA das instalações das universidades deviam ser PROIBIDAS por não só não se subsumirem a um conceito rigoroso de praxe académica como também pelo facto de criarem condições a abusos devido a ausência de vigilância e de controlo por parte de funcionários das universidades.

  76. Concordo com tudo o que disse! Temos de travar os abusos de quem se aproveita da praxe para se afirmar, visto que na ‘vida real’ não o consegue.

  77. Concordo consigo quando diz que as praxes deviam ser proibidas. Quando era caloira participei nas praxes da minha universidade e tenho a dizer que não me diverti absolutamente nada. Basicamente era malta frustrada a dar ordens idiotas aos caloiros. Para não falar que os veteranos são uns atiradiços que acho que têm direito a mandarem todo o género de bocas foleiras às caloiras.

  78. E como é que estão a pensar ilegalizar uma prática que não está sequer regulada legalmente? Não há nada que nos permita praxar/ser praxado, nem nada que nos proíba, cada um é livre de fazer o que quer, de dizer que sim ou que não. Ou não é isso uma democracia? Ter a liberdade de participar ou não nesse tipo de práticas. Preocupem-se mais em educar pessoas boas, com princípios, com valores, e menos em tentar proibir isto ou aquilo.

  79. Fumar faz mal há saúde, não traz rigorosamente NENHUM bem a nada nem a ninguém. Que se ilegalize também o tabaco!!!!!! Há não… Dá dinheiro aos “senhores superiores”. Ora bem, só fuma quem quer. É como na praxe, só lá está QUEM QUER, repito, NINGUEM é obrigado a frequentar essa parte da vida académica.
    E sim, fiz parte da praxe quando altura da minha vida universitária e nunca me fizeram rigorosamente mal algum. Tenhamos bom senso, senhores!!!!!

    (Este blog é um bom blog, embora sejam opiniões de uma pessoa e só concorda quem quer julgo eu que dizer coisas como se devida tornar ilegal não é muito correto, nada mesmo!)

  80. Arrumadinho,

    acho graça quem comenta e diz que aquilo que o Arrumadinho passou não são praxes, são abusos. As pessoas esquecem-se que o Arrumadinho foi lá para ser praxado. Como tal, os abusos que sofreu advêm das praxes que pelas quais passou. Tão simples quanto isto!

    O que acontece com estes jovens e hoje adultos formados é que não têm coragem de olhar para trás e admitirem que, também eles, sofreram o mesmo tipo de abusos. Porque não é preciso muito para as praxes entrarem num espiral decrescente de insultos e humilhações gratuitas. Basta pensarmos um bocadinho e temos discernimento suficiente para admitir que também passámos por situações que não gostámos. A diferença é que uns têm arcaboiço para aguentar e não sofrerem a pressão psicológica inerente à situação, enquanto que outros sabe que aquela brincadeira mexeu com eles. O problema está em admiti-lo e ter a coragem de dizer “Não, eu não me importo que me praxem, mas isto não faço!”.

    Por último, deixe-me dizer que não são as praxes que fazem com que a nossa convivência nas faculdades seja mais ou menos positiva. Não são as praxes que nos fazem mais ou menos felizes, melhores ou piores estudantes. São as pessoas que estão por detrás das praxes!

    E enquanto houver idiotas armados em superiores – e burros que nem uma porta por quando terminamos o curso, eles ainda lá estão – as praxes vão perder o seu real simbolismo e tornarem-se um desconforto para quem começa uma nova etapa da sua vida!

  81. nunca percebi muito bem a parte da praxe ser intergradora…Acho que ninguém quer conhecer os outros e dar-se a conhecer a rastejar pelo chão ou cheio de lama… Conhecer os outros no nosso pior, não me parece lá muito fascinante. Não se fazem muito mais rápido amigos numa esplanada de café a falar, a mim parece-me que sim… Andamos a evoluir em tantas coisas e estamos a retroceder noutras como neste assunto..
    A ficar provado que as seis mortes do meco se deveram a rituais da praxe é muito grave, e atitudes têm de ser tomadas.

  82. Olá Ricardo…não faz nem um ano que descobri esta coisa dos blogs. Entretanto ganha-se um bocado de vício, pelo que confesso que em breve quero ver se inicio bruscamente um desligar deste mundo que a certa altura começa a consumir-nos muito tempo e, em parte, vida. Claro, há quem consiga fazê-lo de forma saudável, mas eu absorvo-me muito… Mas bem, isto para te dizer que, concordando ou não contigo (maioritariamente concordo e quando não concordo não deixas de argumentar e te vestires sempre de um bom senso admirável…bom senso que falta a tantos), não podia deixar de te dar os parabéns pela pessoa tão atenta e inteligente que és. És mesmo e sei que sabes que o és. Gostei especialmente do post anterior (onde contaste tudo da tua aventura nas praxes…). Concordo tanto contigo nesta questão! Eu fui praxada nas tais praxes que não fazem mal nenhum mas mesmo assim mantenho a minha opinião (que é a tua). Aquilo para mim foi um frete e preferia muito mais que me tivessem por exemplo informado de tanta coisa sobre a faculdade que não sabemos quando entramos; sobre o curso em si; sobre a cidade para a qual me acabara de mudar. Só conseguia olhar aqueles “veteranos” (que, maioritariamente, são os que menos interessados no curso estão), os mesmos que um ano depois tinham menos créditos que eu feitos, e olhar para aquilo como uma masturbação ao seu próprio ego (que o é). Para quem comentou o “sensacionalismo”…não foi o CM nem a TVI que inventaram o que estava escrito naqueles relatórios, nem que falaram por aquelas duas miúdas da Lusófona que ainda hoje me fazem ter vontade de puxar a almofada do sofá para tapar a cara de vergonha (já disse isto noutro sítio e mantenho, parecem tiradas da Coreia do Norte, e mais assustador é dizerem o que disseram mesmo depois do que aconteceu com os colegas)…sensacionalismos à parte, aquilo não é inventado, aquilo é assim, lemos e vimos, não é fruto de mau ou bom jornalismo, é assim. Existe. Reagem como loucos se alguém colocar um elástico de cor no cabelo com o traje vestido…mas se for preciso conduzem sob o efeito de alcool. Isto para dizer que criaram um mundinho onde encontraram um lugar de destaque (já que no mundo a sério não o conseguiam), de tal modo que levam mais a sério o código da praxe do que o próprio código penal do país…o mundo assusta-me!

  83. Eu também sou de acordo que as praxes se tornem ilegais. E não me venham com merdas que é bom e que tal e miriri, que eu não vejo em que tomar conta de um ovo durante um mês (para não falar em coisas mais graves, que todos nós sabemos e vemos) nos torne pessoas melhores e mais próximas dos outros.

    Não entendo porque razão a Assembleia da Republica não vote a favor da ilegalização das praxes!

  84. Credo… que pussies… quero la bem saber se me chamam burro so porque sou caloiro. Fdx. Foi das coisas que menos me importei na praxe porque burros eram os meus veteranos que nem sabiam falar e eu ria-me. Realmente as pessoas levam as coisas demasiado a peito. Meninas pa… (e atencao sou completamente contra a violencia na praxe e sinceramente se nao aguentam com um burro colectivo gostava de saber como aguentam quando um professor no meio de um anfiteatro apenas com meias palavras envergonha APENAS UM ALUNO NO MEIO DE 200)

  85. Há uma dúvida que me tem assaltado: quais as diferenças entre a praxe e o bullying?

    Se sou a favor ou contra a praxe não interessa.

    Refiro-me a estes “casos de excessos”.

    Conheço pessoas que dizem ter sofrido de bullying no secundário (se bem que agora quase tudo é motivo para as pessoas fazerem o papel de vítimas de bullying, ignorando o que isso realmente é) e depois são os maiores aficionados pela praxe e são dos que têm comportamentos mais “excessivos” com os caloiros e outros colegas “abaixo da hierarquia”.
    Se os doutores e a praxe nos preparam para a vida, então aqueles colegas mais gozões do secundário também era essa a sua intenção, mesmo sem o saberem? Comportavam-se assim para promoverem a integração dos colegas “cromos”?

  86. Concordo em absoluto. A partir do momento em que sob o nome de “praxe” se cometem abusos desta ordem a única forma de o evitar é proibindo a praxe.

DEIXE UMA RESPOSTA