Ainda a polémica da Jonet

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Do amplo debate que se gerou aqui ontem a propósito da entrevista de Isabel Jonet, penso que há coisas que continuam a ser mal interpretadas. Uma delas, e talvez a mais “polémica”, é a ideia de que “em Portugal não há miséria”. Esta frase tem sido repetidas vezes fora do contexto em que foi dita, e por pessoas que se indignam porque a analisam assim, à solta, no sentido lato e não amplo e comparativo, que foi como ela foi dita.

Mais do que qualquer um de nós, Isabel Jonet sabe que temos casos de miséria em Portugal, tal como existem casos de miséria em praticamente todos os países do mundo. E até poderemos ter mais casos de miséria do que tínhamos há uns anos. Mas isso não faz de nós um país miserável, em que andamos nas ruas e a miséria nos entra pelos olhos a cada esquina. Quando Isabel Jonet disse que não temos miséria estava a fazer uma comparação com o que viu na Grécia. Disse que veio de lá há pouco tempo e viu a miséria nas ruas, evidente, escandalosa, crescente, e isso, de facto, ainda não se vê por cá, ou não se vê, pelo menos, com a abundância com que ela a viu na Grécia. Eu já estive na Índia e, estabelecendo uma comparação, também digo que Portugal não tem miséria, porque miséria é aquilo, são aquelas milhares de pessoas na rua a beber água das poças, sem roupa, a comer restos de comida do lixo, e isso vê-se por todo o lado, das principais artérias de Nova Deli até às aldeias perdidas do Rajastão, por onde andei. Estabelecendo esta comparação, naturalmente, que nós não chegámos aí, não somos, no sentido amplo, um país com miséria, o que, como disse antes, não quer dizer que não haja casos de miséria evidente, ou envergonhada – e há, muitos, e cada vez mais. O que Jonet não quer (e nenhum de nós quer, acredito) é que evoluamos para essa realidade que ela viu na Grécia ou eu vi na Índia.

Dizer que Portugal não tem miséria no sentido amplo, como eu interpreto nas palavras de Jonet, é a mesma coisa que dizer que Portugal é um país tolerante ao racismo, e é, na minha opinião, embora haja gente que já foi assassinada por questões raciais, ou dizer que Portugal é um País católico, embora sejamos um estado laico, ou dizer que somos um País de gente branda, embora haja por aí muito radical e extremista.

Mas, uma vez mais, acho que há os que querem criticar e indignar-se porque Isabel Jonet não foi politicamente correcta, não mediu todas as palavras que disse, explicando tudo, enquadrando tudo, seguindo todas as regras (e também acredito que muitas destas pessoas não ouviram a entrevista e falam sobre as frases que andam por aí a circular fora do contexto), e acho que há os que entendem o tal sentido amplo e algumas vezes figurado das coisas que ela disse.

Outra das frases polémicas tem a ver com o “comer bifes todos os dias”. Uma vez mais, acho que só alguém que queira mesmo indignar-se e ser do contra é que acha que Isabel Jonet estava a falar efectivamente de bifes. Os “bifes” são, no contexto do que ela diz, uma imagem para um tipo de abordagem àquilo que se compra para pôr na mesa. Quem diz bifes diz “produtos de marca” vs “produtos de marca branca”, por exemplo. O que ela quis dizer, e que para mim parece óbvio, é que temos de medir melhor o nosso cabaz alimentar, procurar produtos mais em conta e não meter no carrinho aquele produto que aparece nos anúncios da televisão. Mas, lá está, o país indignado agarrou-se aos “bifes todos os dias” e toda a gente lhe caiu em cima porque os pobres não comem bife em dia algum, quanto mais todos os dias. Os bifes eram uma imagem, um exemplo, que, como disse no post anterior, pode não ter sido o mais feliz, e não foi, mas percebendo onde ela quer chegar não é caso, sequer, para gerar polémica.

Também há quem ache que Isabel Jonet faz a apologia do estado de caridade, quando diz que “temos todos de empobrecer”. Volto a perguntar: mas alguém que não queira só indignar-se e ser do contra acha que Isabel Jonet quer que vivamos todos na pobreza? Era uma imagem, senhores, mais uma, lá está, que não terá sido bem aplicada, mas que se entende facilmente o seu significado. O “empobrecer” não é o ficarmos todos pobrezinhos, mas sim o aprendermos a viver com menos, o termos de viver com um orçamento familiar mais magro, porque isso é uma consequência natural na vida de quase todos nós.

Esta é uma polémica que nasce, sobretudo, porque andamos todos demasiado sensíveis, e queremos pegar em todo, encontrar bodes expiatórios para tudo, fazer de tudo o que se diz um motivo de guerra política, uma oportunidade de atirar pedras a alguém. Faz-me lembrar, sim, a perseguição que houve no PREC às pessoas que tinham dinheiro, e que eram criticadas só porque não eram pobres, não passavam dificuldades, sem se olhar a se eram de esquerda ou de direito. É rico, é merda. E Isabel Jonet está a sofrer por isso. Tem dinheiro, vem de famílias ricas, nunca precisou de trabalhar na vida. E então? Não podia valer-se disso para levar uma vida de tia, oca, fútil, a viajar pelo mundo, sem qualquer tipo de preocupação social? Podia. Mas não o fez. Anda há 20 anos a liderar uma das mais importantes instituições de ajuda humanitária em prol dos que não podem.

O que ela disse não foi um ataque aos pobres, uma crítica aos pobres, o que ela disse foi que deve haver uma consciência social global para o problema que enfrentamos actualmente. E da responsabilidade individual de cada um de nós para fazermos frente ao que se está a passar. Isto não é um branqueamento à responsabilidade do Estado. Acredito que ela também saberá que o Estado tem culpa, mas o que nós vimos naquela entrevista não foi toda uma análise às causas da crise feita pela Isabel Jonet, foi uma parte das declarações dela, em que lhe pediam para falar de um determinado problema. Se ela tivesse feito um artigo de opinião nos jornais, a branquear a culpa do Governo, e a dizer que a culpa é exclusivamente do indivíduo, então, também eu seria contra isso, e estaria contra a opinião dela. Mas ainda assim jamais a atacaria da forma como muitos têm feito.

E, só para terminar, a minha opinião é tão legítima como a de qualquer outra pessoa. Por isso, escusam de fazer comentários a chamar-me coisas como “fascista” ou a dizer que falo “de barriga cheia”, ou a desejar-me que caia na miséria profunda. É isso que me distingue dessas pessoas: para mim a democracia é isto – todos dizem o que pensam, todos ouvem e respeitam as opiniões, e, no final, cada um tira as suas conclusões relativamente àquilo que ouviu ou leu. Não acho que quem pensa de maneira diferente seja menos inteligente, seja um sacana, um escroque. Tem, apenas, uma visão diferente, que eu respeito. E basta lerem a caixa de comentários do post anterior para verem que estão lá dezenas de opiniões fundamentadas e educadas contrárias à minha. As outras, aquelas que servem para me atacar, para me ofender porque penso de forma diferente, essas, não contam, perdem valor.

1 Comentário

  1. Ele há coisas!
    Mas será na vida que a malta é toda idiota? (porque dizer burros é muito mau) – pegam em qualquer coisa para criticar os outros. Quando ouvi a polémica fui ver o vídeo. Pensei: mas o quê que isto tem de mal??
    Reitero o ditado popular: "a maldade está nos olhos de quem a vê".

    Parabéns pelos textoS! Estão fantásticos!! Às vezes tem de se fazer um desenho para a malta perceber!!

  2. Muito bem os seus comentários sobre as reacções do bloco (com letra minúscula pk é o que eles são),o que querem eles?Que o BA deixe de tentar mitigar a fome que o Estado Social (e cada vez menos ) não pode?Porque é que eles não vão distribuir caviar?

  3. Sabem o que mais me assusta, em toda esta questão?
    São as consequencias que tudo isto pode ter na proxima campanha do Banco Alimentar contra a Fome!!
    Por favor, quanto de nós já quisemos dizer algo, que tem fundamento/que contem verdades e, o tiro nos saiu ao lado?!
    Sim, é verdade a vida mudou e a sociedade portuguesa está de ressaca!!! Sim é verdade, já não podemos ter tudo. Agora temos que escolher, decidir, fazer contas e a isso, alguns, chamam empobrecer eu chamar-lhe-ia crescer/amadurecer. Sim é verdade, cada ida ao hipermercado contém um processo de gestão rigorosa. E isso é mau?!! ou parece-nos mal, porque estavamos habituados ao contrário?! Eu tenho feito este exercicio diariamente! Ainda estou em sindrome de abstinencia 🙂 Compreendo a vossa irritação, sou solidária com ela (a irritação) mas deixem lá a I J. Já chega!!! Foi um mau momento mas a intenção era a melhor: E, por favor, não deixem de acreditar e contribuir, este ano mais do que nunca, para a Campanha do BACF!!

  4. Ó Ruivo,

    A minha mãe teve quatro filhos, trabalhava fora, o meu pai era "embarcado", ou seja, quase sempre fora de casa e não tinha cá "mulheres a dias" para lhe engomar a roupa ou fazer fosse o que fosse.

    É tão bom apontar os defeitos aos outros, não é? Toma mas é conta da tua vida, senão, um dia ainda acabas como mulher a dias, a limpara a sujidade dos outros.

  5. Tanta conversa para desculpar as palavras da senhora! Bastava ela dizer que devemos viiver dentro das nossas possibilidades…foi sempre isso que fiz, mas eu estava a ver em direito e tb fiquei incomodada. Se ela não sabe falar destas coisas ou se tem opiniões tão próprias, que as reserve para a esfera privada! E qual é a necessidade de ela vir para a tv falar e armar-se em comentadora? Sinceramente! Mas as opiniões da Sra. Não são de agora! Eu não me esqueço de quando ela foi tb para a tv dizer que achava bem que os subsídios de ferias e de Natal acabassem! Então acha bem a perda de direitos? É isso? Todo o enquadramento está mal explicado! Há qq cousa de muito mal na cabeça desta Sra. Ou então quer ser ministra da segurança social, anda a colocar-se em bicos de pés! E, de facto, quantos mais portugueses passarem fome, mais visibilidade e importância ela tem!!!!!!

  6. Concordo a 100%. Infelizmente há muita gente que já nao consegue perceber a sua língua materna, nao sabe ler nas entre-linhas, nao percebe segundos sentidos, imagens e metáforas. E depois há quem esteja sempre do contra, quem esteja de má fé, quem goste de dizer mal pelo simples prazer de o fazer.
    Quem nao percebe os bifes só pode estar a brincar! A sério que nao perceberam???
    A afirmação de que em Portugal nao existe miséria é feitapor comparação com a Grécia (onde IJonet está a implementar BA). A serio que nao perceberam??
    Eu tambem já estive na Índia. Já vi o que é miséria! E tambem posso afirmar que em Portugal nao há miséria!!! A serio que nao perceberam????
    Viver acima das possibilidades? Claro que sim! Todos, publico e privados! Viver numa de chapa ganha chapa gasta? Quantos? Tantos!!! E agora que chegou o fim do subsidio de desemprego, como fazer se nem umas economias há para aguentar durante uns tempos? Economias? Poupanças? O que é isso? Pois….

    Tenho 3 filhos. Andam os 3 em colégio privado. Vou de ferias com eles para onde me apetece. Fico em bons hotéis. Compro "roupas de marca". Na óptica de muitos, sou rica.
    No entanto, os meus filhos comem na cantina desde sempre. Podiam como os outros ir comer ao café do lado, mas nao vão. É uma questao de princípio.
    Aqui em casa lavam-se os dentes com copo. Desde sempre. É uma questao de princípio.
    As luzes apagam-se quando nao sao necessárias. Os restos das refeições sao aproveitados, nada se desperdiça. O que vai para o prato é para se comer. É uma questao de princípio.
    E podia continuar.
    Foi assim que fomos educados, é assim que fazemos questao de educar.
    Hoje estamos aqui. Amanha podemos ter bem menos. É preciso saber viver com muito. Principalmente para conseguirmos saber viver com pouco, se for preciso.

    J.

  7. Realmente ouvindo frases soltas fica-se com uma ideia errada. Só depois de ouvir a intervenção completa se pode perceber que ela falou com muitas metáforas. A água, os concertos, os bifes…na realidade ela apenas quis salientar que temos de ter prioridades e fazer as nossas escolhas com cabeça. Só como exemplo, sendo eu mãe de 3 filhos, trabalhando fora, precisava de ajuda 4 horas por semana para passar a ferro. A senhora que vinha cá é desempregada e trabalha em várias casas, todos os dias, a 7 euros/h. Tem uma neta a cargo, o marido desempregado também. Ele passa o dia no café, com os amigos, a beber cervejas, a fumar, a jogar (isto dito por ela). Estoira o subsídio de desemprego e ela ainda tem de lhe dar 10,00 por dia para as despesas. Ela começa o dia na pastelaria, onde toma o pequeno almoço com a neta e depois vai levá-la à escola. Segue para as casas onde faz as horas, tudo no raio de 2 km e vai de carro a gasolina. Para as refeições, vai ao restaurante, almoço e jantar e a menina come na escola. Comprou um portátil para a neta (que tem 9 anos) e anda a pagá-lo a prestações. Diz que o Magalhães (que foi oferecido pela escola) é muito fraco e não dá para jogos. Há uns meses comprou um Tablet…telemóveis 3, um para cada operador… E de todas as vezes que a vejo queixa-se que isto está cada vez pior, anda super deprimida, agora a menina precisa de óculos e vai ver se consegue um subsídio. Pelo meu lado, como não tenho recebido e tempo e horas e feitas as contas, ela ganha mais do que eu, vou ter de a dispensar, mas ela já tem horas para substituir as minhas 4. Entretanto, parecendo que eu é que sou a "rica" porque era para mim que ela trabalhava…nunca tomei o pequeno almoço fora, restaurante já nem me lembro,trocar de telemóvel só quando o velho pifa, (6 anos), o meu filho mais novo tem 8 anos e um Magalhães que custou 50,00 por não ser subsidiado) e só o tem porque faz parte do material escolar. E neste momento estou a escrever de um computador dinossauro que comprei no ano em que o mais novo nasceu… quem é que vive acima das possibilidades ? Creio que muita gente, infelizmente, e o segredo é apenas estabelecer prioridades e não comprar tudo o que é "in" ou está na moda. Só estou a sentir a crise porque o ordenado entra a conta-gotas, porque de resto, quem tiver trabalho sólido e souber fazer as escolhas certas, vai aguentar-se. E bifes todos os dias faz muiiito mal! E acho que era para estas pessoas que ela falava e que realmente "enfiaram a carapuça". Talvez seja a hora de essas pessoas aprenderem a fazer escolhas, perceberem que não é rodeando-se de tralha que são mais felizes e aprenderem os verdadeiros valores da vida. Só que a muitas custa "atingir" o cerne da questão…

  8. Realmente ouvindo frases soltas fica-se com uma ideia errada. Só depois de ouvir a intervenção completa se pode perceber que ela falou com muitas metáforas. A água, os concertos, os bifes…na realidade ela apenas quis salientar que temos de ter prioridades e fazer as nossas escolhas com cabeça. Só como exemplo, sendo eu mãe de 3 filhos, trabalhando fora, precisava de ajuda 4 horas por semana para passar a ferro. A senhora que vinha cá é desempregada e trabalha em várias casas, todos os dias, a 7 euros/h. Tem uma neta a cargo, o marido desempregado também. Ele passa o dia no café, com os amigos, a beber cervejas, a fumar, a jogar (isto dito por ela). Estoira o subsídio de desemprego e ela ainda tem de lhe dar 10,00 por dia para as despesas. Ela começa o dia na pastelaria, onde toma o pequeno almoço com a neta e depois vai levá-la à escola. Segue para as casas onde faz as horas, tudo no raio de 2 km e vai de carro a gasolina. Para as refeições, vai ao restaurante, almoço e jantar e a menina come na escola. Comprou um portátil para a neta (que tem 9 anos) e anda a pagá-lo a prestações. Diz que o Magalhães (que foi oferecido pela escola) é muito fraco e não dá para jogos. Há uns meses comprou um Tablet…telemóveis 3, um para cada operador… E de todas as vezes que a vejo queixa-se que isto está cada vez pior, anda super deprimida, agora a menina precisa de óculos e vai ver se consegue um subsídio. Pelo meu lado, como não tenho recebido e tempo e horas e feitas as contas, ela ganha mais do que eu, vou ter de a dispensar, mas ela já tem horas para substituir as minhas 4. Entretanto, parecendo que eu é que sou a "rica" porque era para mim que ela trabalhava…nunca tomei o pequeno almoço fora, restaurante já nem me lembro,trocar de telemóvel só quando o velho pifa, (6 anos), o meu filho mais novo tem 8 anos e um Magalhães que custou 50,00 por não ser subsidiado) e só o tem porque faz parte do material escolar. E neste momento estou a escrever de um computador dinossauro que comprei no ano em que o mais novo nasceu… quem é que vive acima das possibilidades ? Creio que muita gente, infelizmente, e o segredo é apenas estabelecer prioridades e não comprar tudo o que é "in" ou está na moda. Só estou a sentir a crise porque o ordenado entra a conta-gotas, porque de resto, quem tiver trabalho sólido e souber fazer as escolhas certas, vai aguentar-se. E bifes todos os dias faz muiiito mal! E acho que era para estas pessoas que ela falava e que realmente "enfiaram a carapuça". Talvez seja a hora de essas pessoas aprenderem a fazer escolhas, perceberem que não é rodeando-se de tralha que são mais felizes e aprenderem os verdadeiros valores da vida. Só que a muitas custa "atingir" o cerne da questão…

  9. Arrumadinho, compreendo a sua análise e perspectiva das declarações da Dra Isabel Jonet. Mas na minha opinião foram extremamente infelizes, com exemplos descabidos, e para alguém que lida com situações difíceis e miséria humana há tantos anos, deveria ter um pouco mais de sensibilidade e contextualização daquilo que diz em plena televisão. Para mim o problema vai mais fundo (e o que realmente me preocupa), porque aquilo que interpretei foi uma "colagem" com as políticas governamentais, em que esta ideia de "empobrecimento" é sim sinónimo de uma regressão em áreas fundamentais. Obviamente que em termos de orçamentos familiares, as pessoas terão de viver dentro das suas possibilidades, e cada um de nós fará esses reajustamentos (a bem ou a mal). Outra coisa completamente diferente diz respeito a áreas como a saúde ou a educação. Aí, tenho uma opinião muito intransigente, em que todos deverão ter acesso a elas, de uma forma tendencionalmente gratuita, com uma participação fulcral do estado, como uma forma de minimizar fossos sociais. Para mim, essa foi das maiores conquistas da nossa sociedade nas últimas décadas, e o que se fala vir a fazer em termos de cortes nessas áreas apavora-me. A maior parte de nós (e não estou a englobar pessoas com graves carências financeiras) nunca teria possibilidade pagar alguns procedimentos médicos que necessitamos ou alguns dias de internamento num hospital, por exemplo. E não me venham dizer que seria por não sermos poupados ou qualquer coisa assim, porque sei do que falo. Não é por acaso que doentes oncológicos iniciam tratamentos no privado e continuam-nos no público porque os seus plafonds de seguro "estoiram"…. Enfim, acho que fugi um pouco ao tema do post, mas estes são tempos difíceis, o que não têm é de significar que viver com menos, seja sinónimo de se viver efectivamente muito pior….

  10. E que tal começar a reclamar de/dos :

    1 – MILHARES de juntas de freguesia que existem neste país apenas para dar uns tachos. Sistema criado à mais de 200 anos quando a organização do pais era feito segundo as paroquias da igreja e que claramente está ultrapassado. Este problema abrange DEZENAS DE MILHARES DE PESSOAS, entre presidentes de junta, funcionarios e familiares). Estão a ver um pequeno exemplo de como se gasta mal e cujos beneficiarios são uma percentagem MUITO consideravel de pessoas. O dinheiro não se gasta mal só à custa de de meia-duzia de politicos.

    e muitos mais exemplos haveria para dar que ilustram bem como na verdade a "culpa" está mais "espalhada" do que parece e que na verdade há mais pessoas a encher a barriga do que a meia-duzia de politicos que vemos na TV.

    E o mesmo se podia dizer dos MILHOES que se gastam em universidades/politecnicos criados apenas e só para dar mais uns milhares de empregos a gente muitas vezes sem qualidade e para DAR UM CANUDO a todo e qualquer palerma que saiba escrever o nome.

    Estas coisas as pessoas nao reparam.
    Num pais onde a distancia do centro do territorio ao ponto mais afastado fica a pouco mais de 200-300 KM para que servem UNIVERDIDADES quase em todos os Distritos e Politecnicos em quase todas as cidades ???

    Sabiam que Portugal é dos paises da Europa com MAIS Universidades por milhao de habitantes ? Tudo para satisfazer lobbies locais e para que todos os anos milhares de inaptos arranjem um lugarzito na Univ. e assim ir passar uns anitos na borga e ter um canudo num m**da qualquer.

    Estas coisas abragem CENTENAS DE MILHARES de pessoas e custam muito dinheiro………..

    Sabem na verdade porque razão se construiram tantos estadios de futebol ?

    É verdade que foi para muita gente importante meter dinheiro ao bolso, MAS na verdade os politicos locais
    fizeram pressao para construir nas suas cidades PORQUE SABEM que o povo é estupido e ficaria ressabiado se na sua cidadezinha nao houvesse um estadio do EURO.
    Vivemos num pais onde o futebol manda, onde se um primeiro ministro mandar fechar certos clubes PERDE as eleições seguintes (e eu até sou fanatico pelo Benfica).

    E MAIS HAVERIA A DIZER

  11. Porra que parece que o pessoal é burro.

    1 – a senhora quando fala em "bifes" está a apenas dar um exemplo figurado… evidentemente que o que se lê nas entrelinhas é o pessoal vai ter de gastar menos em geral.

    2 – mas afinal o que os portugueses querem ? querem pessoas que iludam com com contos de fadas ? Vamos até supor que a senhora Jonet é um Salazarenta que fica CONTENTE com a diminuiçao do nivel de vida dos tugas. A questão não é se ela quer ou não…ou se a ela lhe agrada ou não. A questão é se os portugueses podem VERDADEIRAMENTE ambicionar mais.

    3- ouço todos os dias as pessoas fazerem comparações com o estrangeiro. "…ai e tal nós tambem temos direito viver como os outros lá fora…". A pergunta é : será que temos mesmo condições para isso ? A mim faz-me lembar aqueles adolescentes filhos de pessoas humildes economicamente (salario minimo por exemplo) e que fazem chantagem emocional com os pais para terem as roupas de marcas, ou as motas, ou os carros etc como os amigos cujos pais têm rendimentos superiores.

    4- tal como eu e outros já dissemos varias vezes os numeros não metem. Com ou sem corrupcção, com ou sem alguns desperdicios PORTUGAL produz muito pouco. Volto a mostrar os numeros :
    Exportações :
    Portugal = 5500 dolares/habitante/ano
    Holanda > 30000 dolares/habitante/ano
    Belgica > 30000 dolares/habitante/ano
    Suiça > 30000 dolares/habitante/ano
    Alemanha entre 25000-30000 dolares/habitante/ano.

    É verdade que temos de melhorar a nivel da corrupcçao e dos desperdicios. CONCORDO e assino por baixo, MAS está na hora de as pessoas perceberem que MESMO com ZERO CORRUPCÇÃO e ZERO DESPERDICIOS muitos provavelmente NAO chegariamos nem perto do rendimento disponivel em alguns paises mais ricos. METAM ESTA M**DA na cabeça.
    Eu ganho 5000 euros/ano……o meu vizinho ganha 30000 euros/ano……….acham mesmo que é
    comparavel ?

    E sim os portugueses na grande maioria acham que têm o rei na barriga. E curiosamente quanto mais pobres são mais porcarias caras compram para show-off (principalmente em relação aquilo que ganham).

    Acham mesmo que o problema é o BPN ou os submarinos ? Evidentemente que são casos gravissimos, mas esse tipo de casos por si só na verdade não têm significado na economia de um pais.

    Por mais corruptos que sejam meia duzia de politicos, eles por si só não levam uma nação à falência.
    A culpa É DELES sim,….mas também é de TODOS em muitas situação do dia-a-dia……e essas situações são transversais e abrangem quase tudo na sociedade.

    Eu gostava mais que as pessoas em vez de questionarem a Jonet porque não perguntam quanto ganha a senhora jornalista que está a fazer a entrevista ????? ai e tal a SIC é privada………a SIC é privada, como dos dentistas o são, mas quem paga somos nós todos nem que seja através dos preços dos produtos cujas marcas gastam dinheiro em publicidade que vai pagar os LARGOS MILHARES de EUROS que muitos pivots ganham.
    Muitos deles ganham mais que o Cavaco Silva.

    Continua ………

  12. Pois eu discordo Arrumadinho. E partilho da sua defesa democrática, e por isso aqui vai: a atitude da Isabel Jonet evoca a caridadezinha aos pobrezinhos, a quem nos sentimos no direito de dar um ralhete n muito rude nem muito suave, aproveitando p avisar o resto do povo de q "eles andem aí". Os despautérios da banca, da finança, da política, a gestão danosa, o cancro nacional e mundial q engendra todo esse pecado (sim, pecado) responsável por esta crise, parece n ter tanta denuncia veemente. Obviamente q as pessoas devem e têm mesmo de cuidar dos rendimentos (recomendo q se tornem vegans, como eu, p além de terem uma alimentação ética podem poupar bastante), mas o q Jonet e o governo e as mentes iluminadas q nos dirigem lá de longe querem fazer-nos acreditar é na virtude da vidinha apertadinha. Desculpem, as pessoas têm o direito de exigir moralidade e a igualdade possível ( q nunca será igualdade). Naturalmente q n podemos ter tudo, mas neste momento está a condernar-se as pessoas ao nada. E estes discursinhos pseudo-sensatos destas figuras, naturalmente, só podem despoletar uma coisa: revolta.

  13. Que disparate pegado! Há milhares de crianças que vão para a escola sem comer, que não se conseguem concentrar nem aprender porque já não comem há várias horas, há centenas de mendigos em Lisboa, Porto e Coimbra, há cada vez mais e mais desempregados que não podem comprar sequer uma cebola, quanto mais um bife. Haja alguma sensatez e compostura, já que essa Senhora para mim a perdeu completamente…

  14. A primeira parte do seu texto lembra-me essa outra comparação da Lagarde, que afirmou não estar tão preocupada com as crianças da Grécia, porque as que realmente a preocupavam eram as de África. Mas este é um argumento claramente falacioso.Pelo facto de haver mais miséria, não significa que devamos ou sequer possamos relativizar a que há por cá. Crescente, de resto.
    E não resisto: um pouco mais de crédito aos/às comentadores/as do seu post. Da mesma forma que o uso de «bifes» por Jonet foi feito em sentido figurado (o que não lhe retira força, pelo contrário) o mesmo aconteceu com muitos dos seus comentadores.

  15. Têm toda a razão!!!! E sabe que mais ?? Quem lançou estas polémica toda é precisamente , estas pessoas que se sentiram ofendidas com as palavras desta GRANDE senhora …. Que são pobres para umas coisas , ( vivem dos subsidios disto e daquilo) mas para outras (telemóveis topo de gama , tv , PlayStation , roupas marcas , e os tais festivais de rock….) já se arranja dinheiro ….
    Para min desculpe mas são uma cambada de preguiçosos e comunistas……
    Quem é pobre de verdade , não se revê em nenhum dos comentários …..
    Até agradece a tudo o que o B.A. Faz por eles…….
    Patricia J

  16. É pá Ricardo, mas tudo o que a tipa diz é espectacular?
    Porra, não digas uma coisa dessas.
    Ela sim fala de barriga cheia e ela disse o que queria dizer. Ponto final. E como alguém me disse no fcb. Ela que vá levar os putos à escola de autocarro, à chuva, que vá trabalhas das 9 às 18, vá para casa, fazer o jantar, lavar a louça e no fim do mês saca 500 euritos.
    Ela não sabe bem do que fala, ela não é a última coca cola do deserto e tu sabes isso.
    Não percebo como fazes este tipo de análise tão branqueada.

  17. Para mim, o mais chocante continua a ser o discurso de que vivemos acima das nossas possibilidades. Não me choca a metáfora dos bifes ou da necessidade de empobrecimento – é um facto: estamos a ficar mais pobres!

    Mas quando este tipo de discurso vem de uma pessoa que ocupa o cargo que ocupa, devia ter uma sensibilidade social à frente das câmeras muito maior e um especial cuidado para medir bem as suas palavras.

    Desafio-te a escreveres sobre isto, que é coisa que me dá uma comichão danada.
    Fazer um crédito é coisa de rico?
    Serão apenas aqueles que têm créditos que estão aflitos?
    Os alemães pagam tudo a pronto?
    Deveremos ser culpados por nivelarmos o nosso nível de vida pelos rendimentos que tínhamos há 10 anos?
    Deveríamos ter previsto esta crise e empobrecido mais cedo para agora vivermos mais desafogadamente?
    Somos efectivamente culpados por chegarmos até aqui?
    Deveríamos trabalhar mais? Consumir menos?
    Mas afinal o que significa "viver acima das nossas possibilidades" ??

    Fica o desafio.

    Abraço!

  18. Parece que Portugal não quer perceber e aceitar que tem de mudar de vida.

    Hoje tentei entrar no Norteshopping e não consegui. Pura e simplesmente os parques inferiores estavam lotados. A malta continua a querer estrear roupa nova todas as semanas. Tenho idade suficiente para me lembrar que no princípio da época se comprava algumas coisas e depois eram os saldos.

    O mesmo com a comida. Estou farto de estar na fila da caixa no supermercado e ver carros à minha frente com coisas que não lembram ao diabo, fúteis e totalmente desnecessárias.

    Efetivamente está na altura de empobrecer, mas não é necessário viver como pobres… Basta viver como podemos.

  19. Concordo plenamente com a opinião de Isabel Jonet e só por manifesta má fé ou ignorância se pode não estar de acordo com ela.Sou pai de duas meninas de 16 e 10 anos respectivamente e apesar de muito esforço contra, sei que tenho cometido muitos dos erros de que ela fala.A minha filha mais velha pode almoçar na Escola Secundária que frequenta por 1 Euro e pouco uma refeição completa, mas apesar de muita insistência minha nunca lá almoça com o argumento de que a comida não presta e que só os muito pobres ou "cromos" é que lá comem.Isto sempre me fez muita confusão e inclusivamente fui falar com a directora de turma que me confirmou a versão da minha filha.Conclusão,todos os dias quase todos os alunos daquela Escola de Leiria almoçam pela cidade gastando o dobro ou o triplo do que seria necessário para terem uma refeição normal com a conivência dos papás porque ninguém quer parecer pobre.Isto é só um exemplo que se pode alargar às roupas, saídas nocturnas, jantares de aniversário etc.

  20. Acabei de ouvir a entrevista e muito honestamente não fiquei indignada com nada do que ouvi. Aliás nem percebo a polémica que se gerou à volta disto.
    Parabéns pelo texto! Concordo a 100% 😉

  21. Sabe porque a maioria das pessoas ficou indignada? Porque enfiaram todos eles a carapuça. Portugal estado e portugueses têm vivido e continuam a viver acima das suas possibilidades e isso, como ela diz muito bem, vai acabar pois não há dinheiro.

  22. Olá João. Relê o que eu escrevi. Quando dizes que não toco no essencial – a questão do empobrecimento – estás enganado. Falo concretamente disso numa parte do texto.
    Quanto ao "defender a honra" da senhora, bom, em primeiro lugar, não acho que a honra dela precise de defesa – para mim está intacta. E, depois, o facto de ter uma opinião que vai ao encontro da dela não quer dizer que lhe esteja a "defender a honra", da mesma forma que quem a critica não tenha a intenção de lhe "manchar a honra". São só opiniões.

  23. Não costumo concordar consigo. Mas acho que tem toda a razão. Isabel Jonet não é uma comunicadora e não se soube exprimir da melhor maneira. Mas caramba, as pessoas parecem chacais à procura de algo para criticar. Miséria é o que disseram de uma pessoa que dedicou 20 anos a uma obra importantíssima. Essa é a pior miséria.

  24. Cá,há muita miséria sim,mas escondida e envergonhada.Há cada vez mais pessoas a irem aos caixotes do lixo.Se tiverem atenção,vão reparar também.Há cada vez mais gente a dormir nas ruas da cidade de Lisboa.Mas também há muitos que procuram ajuda e depois tem grandes carros à porta de casa,um bom telemóvel um bom televisor…e trabalhar está quieto.As pessoas tem de se adaptar à nova situação económica e viver com pouco,mas simplesmente não estão formatadas para isso.Foram anos de consumo desenfreado que agora tem de ser controlado e alguns não prescindem.Eu acredito que mais tarde ou mais cedo a miséria vai ser como na Grécia.Para lá caminhamos.Cada vai senti-la à sua maneira.E em relação à Sra.Isabel Jonet,eu vou continuar a contribuir para o BA,porque sei que há Portugueses a precisar.E porque nada de mal ouvi daquela boca.

  25. Tentaste defender a honra da IJ e desculpá-la dos grande chavões mas não tocaste no ponto mais importante: "temos que empobrecer porque os portugueses viveram acima das suas possibilidades".

    E com isto, para mim, a senhora perde a razão toda que poderia ter: cola-se ao governo e culpa os portugueses pelo estado do país.
    Este discurso não aceito (que já não vem de agora, convém lembrar)

    Mas enfim.
    Orientações políticas não se discutem, certo?

  26. Vivo actualmente em Inglaterra e lembro-me que qd fiz cá um LLM contavam-se pelos os dedos as pessoas que tinham iPhones, iPads, Macbookpro's enfim todos estes gadgets e computadores topo de gama. Contrariamente, em Portugal, onde fiz a minha licenciatura, a maioria das pessoas tinham estes aparelhos todos. Outra diferença que noto é na compra de automóveis. A classe média aqui tem carros económicos. É raro comprarem como em Portugal marcas alemães premium que custam mais 30% ou 40% do que os anteriores.
    Enfim, são estas pequenas coisas que precisam de ser ditas. Os hábitos de consumo completamente desligados com o real poder de compra levam a situações dramáticas no futuro.

  27. Sinceramente não percebo como é que as pessoas ainda não mencionaram a atitude a entrevistadora nesta questão, que tentou encaminhar a Jonet com aquela questão do nestum como prova da "miséria" que se vive em Portugal e tal e tal. Na minha opinião a imprensa portuguesa mais uma vez está a provar que é provavelmente das piores a nível europeu da forma como aborda estas questões.

  28. Não veja mal nenhuma naquilo que a Sra. disse.
    Acho lamentável toda esta polémica. Parece que Portugal não tem problemas nenhuns para resolver, então vamos lá deitar a baixo a Sra. Isabel Jonet.
    Pior ainda é apelar ao boicote aos donativos ao BA! As pessoas que beneficiam do BA têm alguma responsabilidade pelo que a Sra. Jonet diz ou faz??
    Muito bem escrito, Arrumadinho!

  29. é a primeira vez que comento o que leio num blog e sou leitora diária de alguns… Ouvi pela 1ª vez a polémica sobre Isabel Jonet na tsf a propósito de uma carta aberta enviada por uma reputada historiadora ….Revi as declarações na sic e conclui precisamente que a sra. tem razão… Como diz, e bem, não lhe assiste de facto o dom da retórica nem do carisma, mas a verdade é que andámos todos a viver acima do que deveríamos. uns com bifes, outros com casas, outros com carros, barcos, jóias, botas (o meu caso!) whatever…. e temos que reaprender sim e transmitir aos nossos filhos uma nova forma de conceber o mundo em q vivemos. Ora isso nada tem a ver com o facto de nos sentirmos indignados ou revoltados com as medidas de austeridade, com os políticos .! Enfim…. é fácil apontar o dedo….mt fácil

  30. Isabel Jonet tem sim toda a razão, pode não ter usado as melhores palavras e por isso foi mal interpretada.
    Sou Assistente Social e trabalho numa associação que tem parceria com o Banco Alimentar, ou seja fazemos chegar aos nossos utentes alimentos do Banco Alimentar. O que é certo é que de facto chegam a até mim pessoas prestes a viver na miséria, e outras dizem-se muito pobres e dpois vai-se a ver e andam a comprar LCD`S e telemoveis topos de gama a prestações. Por isso compreendo perfeitamente o que Isabel Jonet quis dizer, pois existem muitos portugueses que vivem acima daquilo que podem e não sabem prescindir de determinados "luxos", ainda que não tenham condições económicas.

  31. Concordo contigo. Numa altura como esta, todos devemos repensar nas nossas prioridades e no nosso orçamento. TODOS nós, num momento ou outro, já fizemos compras sem pensar muito bem e depois vamos a ver e fica para ali a tralha sem uso nenhum. Falo em comprar modelos recentes de telemóveis, consolas, etc, quando os que temos em casa ainda funcionam muito bem, obrigado. Compramos apenas porque é mais cool, porque o vizinho também tem, etc. Quem nunca fez isso que atire a primeira pedra. Mas chegouo momento de a maioria dos portugueses, pelo menos, pensar melhor nestas avarias. E eu falo por mim. Hoje evito comprar muita coisa e mudei certas rotinas porque há realmente coisas que não me fazem falta por aí além e faço opções. Em vez de comprar a Vogue, prefiro guardar os trocos e dão-me para ir ao pão. Em vez de comprar um livro (que estão por a hora da morte), vou à biblioteca buscar. Não estou a dizer que temos de cortar em tudo, mas também não podemos viver à grande e à francesa e fingir que a crise nào existe. E o que a Isabel Jonet disse e com toda a razão, é que muita gente ainda não quis ver que o nosso poder de compra mudou. E atenção, não critico quem continua a comprar carteiras e sapatos (é um exemplo) como toda a vida fez se continuam a ter poder de compra para tal. Ainda bem que não foram afectados pela crise, mas a realidade é que esses são uma pequena percentagem deste país.

  32. Concordo. Mas há que admitir que "empobrecer" e, portanto, viver com menos dinheiro, talvez, porque num passado remoto se tenha vivido acima das possibilidades CUSTA e muito. E os cortes que têm sido feitos são muitos (absurdos), embora necessários (para retirar Portugal do buraco em que se meteu). Um exemplo, retirar 10 000 euros anuais a uma família, por exemplo, é de mestre. E é isso que está a acontecer em Portugal!

    E são os mais pobres que estão a sofrer com todos estes cortes, porque os grandes… não são tão afectados.

    Basta olhar para os escalões do IRS! E, sim, quanto a isto, estamos literalmente obrigados a empobrecer, quer queiramos, quer não!

  33. Concordo. Mas há que admitir que "empobrecer" e, portanto, viver com menos dinheiro, talvez, porque num passado remoto se tenha vivido acima das possibilidades CUSTA e muito. E os cortes que têm sido feitos são muitos (absurdos), embora necessários (para retirar Portugal do buraco em que se meteu). Um exemplo, retirar 10 000 euros anuais a uma família, por exemplo, é de mestre. E é isso que está a acontecer em Portugal!

    E são os mais pobres que estão a sofrer com todos estes cortes, porque os grandes… não são tão afectados.

    Basta olhar para os escalões do IRS! E, sim, quanto a isto, estamos literalmente obrigados a empobrecer, quer queiramos, quer não!

  34. Subscrevo cada palavra.
    Também acho que a Isabel Jonet está a ser um bode expiatório para a revolta que as pessoas sentem. Esperos que isso não nos cegue.

    Um abraço e continue a escrever aquilo em que acredita, sem medo de ser criticado.

    Marta

  35. Já o Sá Carneiro dizia que nos queriam enganar com essa de vivermos acima das nossas possibilidaedes! Hahahahahahah
    Que pena ele não estar cá…

  36. Primeiro ia fazer um grande post sobre este tema, dizendo que não percebia porque é que estavam a falar mal da mulher tendo em conta que apenas constatou a realidade, blá blá blá, mas depois vim aqui ao teu blog e fiquei sem vontade de escrever, porque a minha opinião está toda dita. De certa forma, até foi bom não ter feito grandes dissertações. É que chegaria aqui e sentir-me-ia arrebatado (no bom sentido) pelas tuas palavras.

    Ainda bem que não sou o único a achar que não há razão para tanta polémica. Vi o vídeo 3 vezes (a última das quais confrontei a minha mãe com argumentos que defendem a Isabel Jonet, já que ela discordava de mim) e continuei a não entender tanto alarido. A montanha pariu um rato.
    Concordo que ela tenha sido infeliz a nível de exemplos, mas acho que só quem não percebe aquilo é quem não está atento ao país e aos comportamentos das pessoas.
    O português (o Tuga, vá) faz-se muito grande, tem sempre à porta de casa brutos carros, tem sempre gadgets XPTO e segue a máxima de que "a galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha", tentando superar quem está ao lado dele, seja no trabalho, seja na casa ao lado, seja em que lado for. Mesmo que para isso passe fome. Mesmo que para isso o filho vá a um concerto de rock e ele, o Tuga, tenha de comer Nestum.

    O que Isabel Jonet fez foi a mera constatação de factos, por amor de Deus. Se o Tuga viveu acima das suas possibilidades? Viveu e atrevo-me a dizer que continua a viver, nem que seja só por status social. Não me apontem o dedo, mas Portugal está cheio de invejosos. Contudo, também é claro que a culpa da crise não é só do Tuga que não sabe poupar e lava os dentes com água a correr, é das más governações que temos tido. Que não haja margem para dúvidas em relação a isso, aliás, a par dos maus exemplos ou da infeliz escolha de palavras (como "temos todos de empobrecer"), acho que aí é a única coisa em que aponto o dedo à presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, porque podia também ter culpado outros factores externos sem ser apenas e só a população portuguesa. Ah, e quanto ao facto de haver miséria, enfim, aqui em Portugal há miséria sim. Ela melhor do que ninguém sabe isso. Agora comparado com uma Grécia, não sei… Mas é altamente provável ter razão. Continuo a entender o que ela quis dizer!

    Mas pronto, isto agora deu muito que falar, a opinião pública já está toda contra a senhora, portanto aqueles que são racionais e que analisaram aquilo dentro do contexto (como eu e tu) já não podem fazer nada. Ora foda-se.

    Em vez de criticarem alguém, meus caros, façam o que ela faz há 20 anos: trabalho voluntariado a ajudar quem mais precisa. Eu já fiz durante um Verão e é extremamente gratificante. Ou agora o Banco Alimentar também é uma merda? Por favor.

    Abraços.

    http://seeumandassenomundo.blogspot.pt/

  37. Esta moda das redes sociais,tem um lado preverso,estilo"alguém se lembra de lançar uma petição e o Rebanho vai atrás!!! Nem sequer lêm o que quer que seja ou ouvem! "dá trabalho,que seca" Tenham dó!GAbo-lhe a Paciência!!!

  38. Nem mais! As pessoas pegam em pequenas coisas (frases isoladas) esquecendo todo o contexto, apenas porque lhes dá jeito. Sentem necessidade de falar mal, criticarem, arranjarem bodes expiatórios, como resultado do clima de austeridade que se vive e frustração (que eu compreendo) de nada ser efectivamente feito em contrário.

  39. so para dizer que mais uma vez estás coberto de razoa em tudo o que dizes, é triste ver uma Sra como esta ser criticada desta maneira porque andamos todos mto chateados com o que ja há e com o que há de vir …

    Felicidades

    Maggie

  40. Tinha feito um comentário no artigo anterior mas por qualquer razão, ele não apareceu.
    Era sobre os copos de água para lavar os dentes. Ao utilizá-los, eu passei a gastar menos 2000 litros de água por ano! E eu não deixava a torneira a correr, apenas bochechava com uma conchinha de mão…
    A.Sousa
    PouparMelhor.com

  41. Eu já tinha ouvido falar desta polémica, e depois de ter visto a entrevista concordo muito consigo.

    Nós estamos numa fase do nosso país em que tem de haver um bode expiatório, e que depois de um dia de trabalho temos de ir para casa e a primeira coisa que não se gosta de ouvir (até pode ser verdade) atacamos e voltamos a atacar porque temos de arranjar um situação para deitar para fora toda a nosssa frustração do dia a dia.

    Bom trabalho

  42. "Eu já estive na Índia e, estabelecendo uma comparação, também digo que Portugal não tem miséria, porque miséria é aquilo, são aquelas milhares de pessoas na rua a beber água das poças, sem roupa, a comer restos de comida do lixo, e isso vê-se por todo o lado, das principais artérias de Nova Deli até às aldeias perdidas do Rajastão" Concluido a India ao pé do Darfur (onde eu já estive) é um paraíso….a miséria é interpretada por cada um de maneira diferente, contudo para mim, miséria é ter comentários como a senhora presidente teve, miséria humana, essa para mim é a pior (e infelizmente sei do que falo pois trabalhei largos anos na contabilidade do banco alimentar)

  43. Perfeito! Um grande aplauso! Ficamos todos muitos indignados com o que a sra. disse mas não paramos para olhar para o lado e ver o que realmente se passa! Uma pastilha elástica custa tanto como um pão!

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