A visita à “nova” Feira Popular de Lisboa (dica: não foi bom)

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A roda tem muito de poético, mas, naquela zona, e com este frio, não é assim tão interessante

Não sou daquelas pessoas saudosistas, que acham que antigamente é que era tudo puro e genuíno, e que vivíamos num mundo melhor, e que as pessoas eram todas muito mais puras e verdadeiras, e que os locais aonde íamos é que eram bons, e que hoje nada tem alma e é tudo plástico.

A antiga Feira Popular, por exemplo, é hoje uma recordação maravilhosa para muita gente. Já ouvi histórias incríveis de como as famílias passavam por lá dias, assistiam a espetáculos, andavam nas diversões, almoçavam, jantavam, uma alegria.

Para quem não se lembra, ficava ali na rotunda de Entrecampos, e nos últimos anos em que funcionou era uma coisa verdadeiramente deprimente, semi-abandonada, invariavelmente vazia, sem ponta de graça. Só que aquilo que hoje muita gente recorda são aqueles tempos em que aquilo foi bom, e giro, tempos esses que eu não vivi, porque sempre conheci a Feira Popular como um sítio triste e decadente.

Este ano, a Feira Popular reabriu no Parque da Bela Vista, onde se faz o Rock in Rio. O ano passado, mais ou menos por esta altura, lembro-me de ter ido ali à zona de Alcântara, com os miúdos, onde havia uns carrosséis meio manhosos, mas pronto, para a criançada quaisquer carrosséis manhosos podem ser o happening do dia. Passei por lá umas quantas vezes, e em todas elas tive de arrancar de lá o Mateus em lágrimas, porque queria mais uma volta aqui, mais outra ali.

Aquilo na verdade tinha meia-dúzia de diversões, mas, pela quantidade de gente que por lá andava, e por perceber que sempre que há cenas novas para putos está tudo cheio, achei que havia potencial para recriar uma Feira Popular como deve ser.

Foi com essa expetativa que fui até ao Parque da Bela Vista. “Bora lá ver como é que está a nova Feira Popular”. Mas a “nova” Feira Popular não é a nova Feira Popular. O que aconteceu foi que pegaram nos mesmos carrosséis que o ano passado estavam lá em baixo em Alcântara e levaram-nos para o Parque da Bela Vista. Na verdade, aquilo tem: o canguru, uns carrinhos de choque para miúdos ali entre os 6 e os 10, outros para putos entre os 10 e os 16, uma roda gigante, aquele carrossel com animais que anda às ondas, umas bolas gigantes insufláveis em que os putos entram lá para dentro e andam dentro de um tanque com água, e pouco mais. Ah, e há uma banca de farturas e churros, e outra com bolo do caco. Pronto.

Fui lá com o meu filho mais velho e apanhei a seca de uma vida no canguru. Chegámos quando estava a terminar uma viagem. Fui comprar bilhete para ele (3€!), ajudei-o a sentar-se e ali fiquei à espera que aquilo começasse. Problemas: era só ele (e por isso a porcaria do canguru nunca mais começava aos saltos) e a música, aos berros, era um misto de kizomba da pior espécie com regaetton verdadeiramente insuportável. Foram 20 minutos, senhores, 20 minutos de espera até que aquela porcaria começasse a rodar e a pular. Depois, claro, durou para aí cinco minutos e acabou. Ainda fomos até às tais bolas insufláveis, e pronto, ele disse que já não queria andar em mais nada — as opções também não eram muitas.

O ambiente era mauzinho — não me senti propriamente seguro com certos grupos que andavam por lá — os carrosséis velhos, os senhores que trabalham nos carrosséis com péssimo ar, enfim, valeram os churros.

1 Comentário

  1. Realmente nunca deves ter entrado na antiga feira.
    Podia não ser um theme park como temos em Espanha, mas nunca foi deprimente. Teve sempre o seu encanto e isso do “ambiente deprimente” deve ser de algum bar de alterne que visitaste porque a Feira Popular de Lisboa não foi de certeza.

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