A obsessão pela vida saudável

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Invariavelmente, de vez em quando lá me chega um daqueles comentários de gente que acha que eu sofro de alguma patologia pelo simples facto de correr com alguma regularidade. Não corro todos os dias, há fases da vida em que corro até muito pouco, mas há outras, sobretudo quando estou a preparar provas maiores, em que tenho de treinar quatro ou cinco vezes por semana, para seguir planos específicos que me permitam correr 21 ou 42 km sem enfrentar grandes riscos.11075250_10204050472370747_6915703582933079705_o.j

Já houve gente, até, que chamou hipster por ter aderido ao que chamou de moda das corridas. Só mesmo que nunca me leu é que acha que eu corro por uma questão de modas. Felizmente, quem por aqui anda há alguns anos sabe que devo ter sido o primeiro blogger com algum peso ou influência a falar de corridas e deste meu vício que já tem pelo menos 20 anos. A primeira memória que tenho de uma meia-maratona que corri é do ano em que entrei para a universidade, ou seja, de 1994, quando corri a meia de Setúbal. Por isso, virem agora dizer-me que quero seguir modas é uma coisa que me dá alguma vontade de rir.

No blogue da minha mulher a polémica é maior, claro, porque ali também tudo é noutra escala. Mas muitas vezes atacam-na no plural, metendo-me ao barulho. Ontem, uma comentadora falava sobre “a obsessão com o desporto e a vida saudável”, classificando isto como “uma doença” que nos irá prejudicar. No fundo, para ela, estamos maluquinhos por causa do exercício e da alimentação, mais ou menos como se estivéssemos agarrados à droga ou ao álcool.

Ora bem, só posso mesmo achar que este tipo de comentários vem de alguém que não mexe um dedo, ou melhor, só o mexe para o apontar aos outros, ao patrão, à sociedade, ao emprego, aos filhos, dizendo que a culpa de ter uns quilos a mais é de todas essas pessoas ou circunstâncias, e não dela mesma. E esta é uma tecla na qual bato há muito, muito tempo (o que também já me valeu algumas ofensas — recordo-me deste post que escrevi sobre a Maria Kang, aqui há uns tempos): a culpa de engordarmos, de não estarmos em forma, é, em primeiro, segundo, terceiro e quarto lugar nossa. Não é da falta de tempo, não é dos filhos, não é do emprego absorvente, é nossa. Somo nós que estabelecemos as nossas prioridades na vida, e se perder peso for uma prioridade, se colocarmos esse factor no topo das nossas tarefas, vamos conseguir (ou vamos tentar a sério, pelo menos).

Claro que há coisas que vão ter de ficar para trás, mas nem sempre essas coisas têm de ser o emprego, o marido ou a mulher ou os filhos, que devem estar sempre lá em cima. Muitas vezes, é só preciso dormir uma hora a menos, passar uma hora a menos no sofá, procrastinar no trabalho uma hora a menos, perder menos uma hora nas redes sociais. É tudo uma questão de opções, prioridades e força de vontade.

Eu próprio me desculpo algumas vezes com a falta de tempo. Fi-lo durante muitos meses, ainda recentemente. Achava que não conseguia fazer tudo, que era impossível treinar, tratar dos miúdos de manhã, ir com o cão à rua, trabalhar, cozinhar, ir levar os putos à escola, muitas vezes ir buscá-los, dar aulas, preparar aulas, escrever blogues, ler livros e ainda ter algum tempo para as minhas séries ou filmes e ainda correr. O tempo não esticava, não dava. Dava, claro que dava, e eu sabia que dava, mas estava desmotivado, tinha uns quilos a mais, e não me apetecia verdadeiramente começar.

O início custa, o corpo pesa mais, a resistência é menor, falta-nos o ar, o coração dispara, as pernas não aguentam, e parece que nas primeiras duas semanas nunca há resultados visíveis. Não me apetecia passar por isso, então deixei andar. Só que depois chegou aquele dia em que olhei para o espelho e senti que tinha mesmo de fazer qualquer coisa. Sentia-me mais flácido, cansado, sentia-me, sobretudo, desmotivado, tristonho, rabugento, irritadiço. Faltava-me o exercício, a corrida, que sempre me acompanhou a vida toda, que sempre me serviu de terapia, que sempre foi o escape para muitos problemas, que sempre me ajudou a limpar a cabeça de mil e uma merdas. Então dei o passo. “Vamos a isto”. E fui.

Em meados de Dezembro, uns dias depois de ter começado a controlar a alimentação e recomeçado a correr, participei no Grande Prémio de Natal, uma corrida de 10 km pela Avenida da República. Foi, penso, a primeira corrida desde que resolvi voltar a treinar. Levei 47 minutos até à meta. Senti-me acabado, de certa forma triste. Para muita gente pode até parecer um tempo ótimo, mas para mim não é, porque sei quais são as minhas capacidades (corro normalmente em 42 minutos, sendo que já fiz 39’07”), sei o que consigo fazer, mesmo quando não estou em grande forma, mas foi também esta marca que me deu vontade de continuar a lutar. Duas semanas depois, fiz a Corrida de São Silvestre de Lisboa, mais 10 km. 48 minutos. Foi, que me lembre, a pior marca aos 10 km que me lembro de fazer. Até em treino, a ritmo ligeiro, costumava fazer entre 46 e 47 minutos. Agora, em prova, onde somos sempre mais rápidos, estava ali com uma marca miserável, e isto com três semanas de treino e dieta. É certo que não tinham sido treinos muito intensos, que para lá de corrida também fiz alguns treinos só de ginásio, mas custou-me muito ver aquele número, aquele tempo. Foi duro.

Como sempre, a viragem do ano foi também a viragem de hábitos, de forma mais radical. Voltei a um plano alimentar saudável, acabei com as jantaradas de pizza, massas e sushi, cortei no pão e nas azeitonas antes do almoço, nas gomas, nos chocolates e nas sobremesas, comecei a comer muito mais sopa, snacks durante o dia, e, lentamente, passei a sentir-me melhor.

Ainda antes de começar a treinar no duro, quis resolver os problemas de alimentação. Depois, então, dediquei-me aos treinos. Conhecia as minhas rotinas, sabia, por exemplo, que o Mateus acordava por volta das 7h30/8h00, sabia que se deixasse o treino para o fim do dia ou para a noite não o conseguiria fazer (porque há sempre qualquer coisa que acontece, um atraso, um imprevisto), por isso, só me restava treinar antes de ele acordar. Foi o que fiz. Comecei a acordar às 5h50, 6h00 ou 6h30, conforme os dias, para ir correr, e isto quatro ou cinco vezes por semana. Comecei com treinos mais curtos, depois fui introduzindo um ou outro mais longo, e, mais à frente, passei a fazer séries, uns treinos rápidos e intensos, outros mais longos e a velocidades moderadas, outros intervalados.

O meu dia não cresceu, eu apenas coloquei no topo das minhas prioridades o treino, o perder peso, o sentir-me melhor, em forma, e isso ajudou tudo o resto: fiquei mais bem-disposto, mais confiante, mais feliz, mais positivo. Deixei para trás uma hora de sono, uma hora de sono e meia-hora de livros ou séries, já que passei a deitar-me um pouco mais cedo, e isso valeu-me uma imensidão de coisas boas.

Hoje, quatro meses depois, tenho conseguido manter as rotinas, quer de treino, quer alimentares. Sinto-me bem, mas estou muito longe de me sentir obcecado pelo treino ou pelas dietas. Gosto de treinar, mas não fico ansioso quando não vou correr. Gosto de comer bem, mas se vou a uma festa como tudo, se tenho um jantar de amigos como sobremesas, bebo vinho ou sangria, não sou aquele tipo de pessoa que leva a sua própria marmita com bróculos cozidos e peito de frango (sim, existem pessoas assim). Aliás, ao fim de semana, sou bastante mais descontraído com a alimentação. Procuro não fazer disparates enormes (como comer três sobremesas numa festa de anos, ou 20 fatias de enchidos), mas faço alguns, como pizza, sushi, uma mousse de chocolate, só que sempre em menores quantidades) e sinto-me feliz com isso, dou muito valor a poder comer aquelas coisas de vez em quando.

Isto tudo para falar sobre as críticas de algumas pessoas a esta minha realidade. Sinceramente, não consigo ver um problema nisto. Nem um. Não entendo como é que fazer exercício e comer bem pode ser visto como um defeito, uma obsessão ou uma doença. Em casos extremos, sim, claro, mas sinceramente acho que estou muuuuuuuito longe de ser esse tipo de pessoa. Sou apenas um tipo relaxado que gosta de dar umas corridas, gosta de entender o fenómeno da nutrição e gosta de ser saudável (e sou, felizmente).

Por isso, o único conselho que posso dar a quem faz estas críticas é o seguinte: procurem fazer o mesmo. Vão ver que se vão sentir muito melhor, provavelmente vão até ficar menos amargos e mais positivos. Se precisarem de ajuda, é só dizer.

44 Comentários

  1. Não podia estar mais de acordo…
    Criei o IG da MissFIT por brincadeira, e percebi rapidamente o impacto que podemos ter na vida dos outros só por darmos o nosso exemplo…
    Escusado será dizer que estou 100% alinhada com o lifestyle que tu e a Ana "adoptaram" mais recentemente e fico contente por o partilharem, porque chegam, claramente, a muito mais pessoas!
    Parabéns pela vossa evolução! 🙂

  2. Embora eu ache importante fazer exercício físico e ter cuidado com a alimentação cheguei ao ponto da descrença nesta fé e noutras!
    Perdi há um mês a minha irmã de 47 anos; super fit, fonte inesgotável de energia, sempre ativa , consumidora ávida de alimentos biológicos, sem vícios e com planos de vida para os próximos mil anos…a minha irmãzinha fazia TUDO para prolongar a vida dela, a do filho, assim como a do cão dela! Adorava fazer exercício , tudo lhe servia para um workout – era um exemplo para todos, mas este ano com o diagnóstico do monstro C, apagou-se em 6 semanas – daí a minha descrença em muita coisa! Deixou para traz os pais idosos que morrem agora de desgosto… Amo-te Anabela!

  3. Olá, é a primeira vez que o li e que comento um blog. Não resisti… apesar de não correr, de estar constantemente a reclamar da roupa apertada, de ter “resmas” de desculpas para adiar o exercício físico, a alimentação equilibrada, etc.. verifico que tudo se consegue quando temos Força e Vontade e trabalhos a mente para conseguirmos o k se pretende. Logo, quem o critica só pode ter….inveja. É feio, mas acontece. Inveja de não conseguir fazer algo idêntico.
    Obrigada pelo texto.

  4. Estou completamente de acordo!
    Também corro à anos, sou mulher o que era um pouco estranho à uns anos e odeio esta esta moda de correr de “saltos altos” a tirar selfies ao mesmo tempo num grupo de “amigas improvisadas”. Não gosto de pagar para correr. Corro porque me sinto bem e isto não se explica!

  5. Bom dia.

    Tentando resumir ao máximo; – julgo que as pessoas estão a tentar encontrar uma justificação para tentar compreender aqueles que têm por hábito correr. É para ter um corpo mais bonito. É para terem mais saúde. É por isto e por aquilo, …. .
    No meu caso e no caso de tantas e tantas pessoas que conheço: – Quando corremos não é para ficar-mos mais elegantes nem porque nos faz bem à saúde. Também não deve ser para parecer-mos mais jovens porque de facto após uma meia maratona ou uma maratona até ficamos com um aspecto meio “acabado” 🙂 . Para nós isso são efeitos secundários. Corrermos simplesmente porque gostamos. Corremos porque a corrida funciona como terapia. Sentimos-nos livres. Soltos. Corremos porque gostamos da companhia de quem nos acompanha.
    E não se enganem. Correr custa e cansa à brava. Mas usufruir do descanso e sensações que se seguem, é fenomenal.
    Portanto, limitem-se a fazer aquilo que gostam. Esqueçam as modas e os média. Os críticos e os cronistas. Os criadores de opinião.
    Vivam !!!!

  6. Sou Leitora da pipoca e adoro ao seu blog confesso que leio de vez em quando… “Invejo” a vossa força de vontade.
    A culpa dos meus Kgs a mais é minha e só minha 🙁
    obrigada pela inspiração…

  7. Não pude deixar de reparar no smartphone atarraxado ao braço. Então trata-se de “running” e não de corrida como consta no texto.

  8. Eu prefiro ter também esta “doença” do que ser uma dessas frustadas que criticam tudo e todos, porque não têm força de vontade. E não me venham dizer que não têm tempo. Atualmente há treinos de 20 minutos diários que nos fazem muito bem, quer ao corpo e principalmente à mente… Por isso vamos lá treinar nem que sja pelo bem da vossa saúde mental…. e da nossa também!

  9. Na foto, a tua mulher quase que se desmonta… é esse o objectivo?? é que, tu estás TOP, e ela num filme tão triste… saudades da pipoca irritada com “isto”.

  10. Mr, não se exalte, se quer ter um corpo flácido, sinta-se à vontade. Como é óbvio ninguém a vai obrigar a tonificar, você é que sabe da sua vida. Agora, a Ana tem razão, a gordura abdominal não é saudável e pode trazer alguns problemas futuros.

  11. Ricardo, o problema não és tu… por exemplo, a Ana, ainda não se mentalizou que DUAS semanas sem “correr” vai alargar como se nunca na vida tivesse “corrido”. Mas o que se passa com as blogers?? É a Sónia (coco na fralda), é a Marta (doce far niente) e as tantas outras que já não falam “disto” porque já “lixaram” os joelhos… mas porra!!! Se bem me lembro, quando ligava o computador e vinha aos blogs, só TU é que corrias… Já estou enjoada de tanta correria… por favor, vontem todos ás voças posições iniciais (sei que é impossível) 😉 (desculpa destilar no teu blog, mas pareces ser o unico com bom senso por aqui.

  12. Olá Melanie. Depende muito de pessoa para pessoa. Eu costumo comer apenas meia banana, ou uma dose de whey protein com 150 ml de água. Tomo o pequeno-almoço depois. Se costuma sentir fraqueza, terá de comer qualquer coisa com açúcares rápidos, que entrem logo na corrente sanguínea, como pão branco, uma banana inteira, uma barra energética. Não deve comer muito antes de treinar.

  13. Catarina, a resposta à sua pergunta está na própria pergunta. Está a ver a parte que em diz que 19,2% de massa gorda é um valor normal? Pronto, se é normal, é saudável. Não desvalorize esses 3% de massa gorda. Olhe que é coisa para levar muitos meses a ser eliminada.

  14. Mariana, muitas vezes o exercício é também, e tão só, um hóbi, algo que fazemos porque gostamos, porque nos dá prazer. Quando às vezes vou fazer uma corrida de 20 minutos faço-o apenas pelo prazer que isso me dá, e não porque espero emagrecer ou ficar mais saudável. Esse lado, o lado fun da coisa, é muitas vezes esquecido por quem olha para as pessoas que fazem exercício. Há gente que adore ficar no sofá a ver novelas, há gente que adora ir correr ou jogar futebol.

  15. É saudável ter 1,73m e pesar 56kg, estando no limiar 19,2%massa gorda sendo que baixando 3% ja é abaixo do normal (e por conseguinte do saudável)??? Entao Defina-me saudável pfv 🙂

  16. Arrumadinho, se me permites a intromissão, hoje comecei a ler um livro e lembrei-me de ti. É um livro de memórias do Murakami – ‘What I talk about when I talk about running’ – em que basicamente ele fala da corrida e de como isso faz parte da sua escrita e da sua evolução enquanto escritor. Estou a gostar muito (apesar de não correr.. a ver se é o Murakami que me inspira!) e achei que ias gostar 🙂

  17. https://instagram.com/p/0Uuq_ygCCn/ Ora aqui está uma coisa na qual as pessoas deviam pensar antes de desatar a destilar veneno só porque sim! Credo, que é feito da boa educação? Não é válida só porque se está atrás de um ecrã? Mais que uma crise económica estamos a viver uma grave crise de valores, isso sim!
    Gosto muito do seu blog e desejo-lhe muita força, paciência e felicidades! 🙂

    Íris

  18. Eu sempre tive uma vida altamente sedentária e com uma alimentação que até metia medo. A verdade é que graças a ti , à Pipoca e outros que por esta internet fora vão dando o exemplo me comecei a sentir motivada para me mexer. Neste momento, já não é só uma questão de ser saudável, é uma questão de me desafiar diariamente, de sentir que a cada treino que passa tenho uma maior resistência. Cheguei ao ponto de sentir falta de treinar.
    Consequentemente o meu corpo começou a pedir-me outro tipo de alimentação.
    Cada um faz o que quer com a sua vida, mas vocês são uma fonte de inspiração. Obrigada.

    http://thesunnysideoflifeblog.blogspot.pt/

  19. Sou muito a favor da vida saudável, e de tudo o que eleve a mente e corpo a um estado são. Mas como trabalho na saúde não posso deixar de dizer que sim, é tudo óptimo, mas fiquem atentos ao vosso corpo. Muita boa gente anda aí a correr porque é bom e tal, mas nem todos o podem fazer e depois lá acontece aquele que teve morte súbita. Consultem os vossos médicos e façam (no mínimo!!!) electrocardiograma antes de se aventurarem, até num ginásio!!

  20. Ricardo, a descrição que fazes do efeito que o exercício físico tem em ti é aquilo que todos deveriam procurar sentir. Este post, que é sobre alimentação e exercício, destaca os efeitos positivos que a superação dos limites tem no ser humano. O que descreves sentir com a corrida pode ser conseguido com projetos muito diferentes e nas várias áreas de vida. O mais relevante é percebermos que há algo na nossa vida que não está tão bem, que gostávamos de mudar e tentarmos trabalhar para isso. É o superar dos nossos limites, dos obstáculos que colocámos a nós próprios que nos faz crescer, evoluir, sentirmo-nos mais confiantes e eficazes. É isto que todas as pessoas que em algum momento se sentem mal com as suas vidas deveriam fazer.. sair da zona de conforto, desafiar os limites e aprender que o sentir bem depende de nós próprios e não das circunstâncias.

    trivialesingular.blogs.sapo.pt

  21. Com o devido respeito a Sofia parte de um pressuposto errado. O treino não serve apenas para ficar “fit”. Pense na velha máxima do “mente sã em corpo são”. Um corpo flácido não é só um problema estético. A gordura abdominal não é saudável.

  22. Para mim o treino é uma terapia é o único vício que tenho. Corro mas não é a minha atividade física principal. Gosto de variar, de experimentar modalidades novas, de dar novos estímulos ao corpo.
    A ideia de me superar, de ir mais além, de ser melhor é o que me move na vida. Sou assim na minha exigente profissão e no desporto.
    Acho que as corridas são, de facto, uma moda. Mas apesar de não gostar de modas – sou um bocadinho a favor do contra – tenho que admitir que esta tem a vantagem de contribuir para o bem estar físico e psíquico dos ditos hipsters…. O mal o menos…

    P.S: Boa sorte para Madrid!

  23. Parabéns pela honestidade do texto, revi-me em tantas coisas…Também corro, porque gosto, porque me deixa bem disposta, porque ali sou livre, eu a minha música e o cheiro do mar, e aquela sensação de irmos ultrapassando os nossos limites…e sobretudo somos exemplos para os nossos filhos, a minha pequena também já quer ir correr comigo ; ) e o meu enteado já me acompanha (aliás dá-me um “bailinho” valente!). Força e continuem!!!

  24. Tudo que é obsessão é doentio. Não é preciso andar aí a correr como loucos para fazer exercício. Dar umas caminhadas, passeios de bicicleta com regularidade já é o suficiente para a saúde cardiovascular. O que acho é que vocês, principalmente a sua mulher é muito focada na forma física o que talvez seja razoável pois a sua imagem conta muito pois se fosse feia e gorda duvido que tivesse a visualidade que tem. E posso garantir que sou magra, sempre fui, não faço muito exercício físico mas mantive sempre, por hábitos familiares, uma alimentação cuidadosa mas sem exageros. Hoje vive-se muito colado à imagem, ao corpo à mais ou menos celulite, mais ou menos rugas e acabam por ser pessoas mais infelizes pois não conseguem viver como são. Tenham uma vida saudável mas não sejam escravos. Num estudo feito na Alemanha 82% dos frequentadores de ginásios estavam lá contrariados. O que será melhor para a saúde, estar contrariada/o a fazer exercício ou estar esticada no sofá a ler um livro ou ouvir uma boa música que o relaxe ? Para a saúde psicológica estou certa que é muito mais saudável.

  25. E essa história do tempo é relativa…
    Hoje em dia não consigo dedicar o tempo que já dediquei ao exercício físico. Isto porque perco demasiado tempo em deslocações, e com a chegada de um filho, sem apoio dos pais (sim, porque ter os avós perto AJUDA) é complicado gerir o tempo. E sim, o pouco tempo que tenho livre, prefiro-o passar com o pequeno do que ir correr, mas isso são opções, lá está.
    (há ainda outras restrições… por acaso, na logística sou um privilegiado, pois tenho locais próximos onde posso praticar desporto, mas há quem não os tenha)

  26. Há tempos fiz um post* que abordava precisamente a questão destas “modas” e defendia que se há modas que devem ser seguidas são estas, as saudáveis. Logicamente que com o devido equilíbrio e acompanhamento, mas se é para se ser de modas que sejam por coisas do bem! 🙂

    *http://janeiroemparis.blogspot.pt/2015/02/maria-vai-com-as-outras.html

  27. Eu não acho que a maioria das pessoas corra por correr estar propriamente na moda, mas sim porque é uma modalidade económica, sem limitações de horários, que permite perder peso facilmente e que é aconselhada pelos médicos.
    Os médicos nos últimos anos têm aconselhado vivamente as pessoas a mexerem-se porque atualmente comemos mais quantidade com menor qualidade e levamos uma vida mais sedentária, há 50 anos atrás o próprio trabalho mais pesado e mais mexido acabava por ser o exercício de muita gente.
    Toda a gente está farta de saber que fazer exercício físico moderado é importante para a nossa saúde, mas mesmo sabendo disto prefere atirar que isto é de modas e que não tem tempo, depois quando, aos 50 anos, vão a uma consulta de rotina e descobrem que têm o colesterol, o ácido úrico, os diabetes e os triglicerídeos nos picos arranjam tempo para fazer exercício todos os dias e começam uma dieta rigorosa porque saem do médico com medo de morrer.
    Penso que o fenómeno da corrida se acentuou por diversos motivos: primeiro porque com a crise muita gente viu-se obrigada a procurar alternativas ao ginásio; segundo porque houve uma maior divulgação da modalidade quer nos meios de comunicação tradicionais quer na Internet, aqui os bloggers tiveram um papel importante ao relatarem a suas experiências que acabaram por inspirar muitos seguidores, terceiro porque ao vermos outras pessoas correrem na rua sentimo-nos mais confiantes para o fazer e quarto porque a sensação de correr é tão boa que cada corredor acaba por contagiar dois ou três amigos.
    Foi precisamente o quarto motivo que me levou a correr, como disse no meu blogue não foi por estar na moda que comecei a correr, sempre admirei quem saía para correr sempre que tivesse vontade, mas sempre me faltou motivação para o fazer. Quando comecei a correr com um grupo de que vi crescer de 6 pessoas para quase 80 em 3 meses soube que iria correr sempre que me fosse possível. Não conseguimos correr sempre todos, é difícil conciliar horários, muitos são casais com filhos que têm de correr à vez e por vezes outros compromissos impedem que o grupo esteja completo, mas é fantástico saber que tens sempre alguém pronto a dar aquele incentivo extra quando estás mais cansado e saber que posso fazer a diferença quando alguém está quase a parar e eu abrando para o acompanhar e incentivar.
    Infelizmente as pessoas hoje em dia atacam as outras por todos os motivos e mais alguns, se levassem uma vida sedentária iam acusar-vos de serem um mau exemplo. O tipo de comentários que referes é claramente um ataque gratuito, qualquer pessoa que siga os vossos blogues sabe ver que não são obcecados por uma vida saudável, caso contrário não publicariam fotos de jantares, almoços e lanches menos saudáveis, são pessoas preocupadas com a saúde e que têm gosto pelo exercício físico, uma atitude comum a vários casais da vossa idade.
    Ainda bem que voltaste a escrever assiduamente
    http://a-lingua-afiada.blogspot.pt/

  28. Acho excelente que alguém como tu admita e diga que por vezes também temos momentos de desmotivação e que não somos super-homens como muitos querem fazer parecer. Essa tua honestidade e vontade de dar a volta por cima motiva imenso quem te lê! 🙂
    A mim também me custou retomar os treinos de ginásio e não vejo a hora de voltar a correr sem limitações!
    Abraço

    MS Blog (http://ms-blogue.blogspot.pt/)

  29. Parabéns pelo texto! Este foi o primeiro texto que li no seu blog e senti que disse tudo. Disse tudo o que eu penso e no geral tudo o que também eu ouço. O mais comum é dizerem-me que estou obcecada com as corridas ou esquisita com a comida (não sou, como de tudo, mas recuso 1Kg de carne às 9h da noite ou coisas a boiar em gordura). Já ouvi isso tantas vezes que agora o que faço é virar-lhes as costas e ir correr, a minha melhor terapia. Cada um é feliz com o que tem e espero que eles sejam felizes com os seus pneus, cigarros e cerveja. Eu escolho ser feliz de outra forma.

    Acho que depois deste texto só me resta seguir o seu blog 😉
    Só não o devo ter descoberto antes porque há quase 10 anos que não moro em Portugal e demoro mais a descobrir as coisas…

  30. Eu tenho uma pergunta/ curiosidade.. Tb comecei a levantar me mais cedo para ir correr. Então e o que come ao pequeno almoço? Já experimentei fazer o mesmo mas ou sentia mta fraqueza (mesmo comendo um bom pequeno almoço) ou sentia a “dor de burro” por causa da digestão..
    Vejo me “obrigada” a ir correr ao fim do dia, o que não me dá nada jeito em horários.
    Obrigada 😉

  31. Lembrando só que ninguém tem a obrigação de ser “fit”. Reparo muitas vezes que as pessoas que praticam desporto pensam que toda a gente quer ser fit, qual estatuto a que todos almejamos. Pois, não. Detesto exercício, tenho barriguinha e flacidez apesar de pesar menos de 50kg e, pasme-se, não estou de mal com a vida nem desejo outro corpo que não o meu!

  32. Ora eu já corro há algum tempito e incomoda-me não a corrida ou as corridas, mas a “moda” e o facto de alguns pensarem que correr é a ultima descoberta. E incomoda-me que de repente correr uma meia seja um desígnio, e que quem não corra esteja “out”. E sim, odeio o termo running. E os vips nas corridas. E o raio das selfies.
    Acho demasiada a preocupação com massas gordas e derivados, o desporto serve para nos sintamos bem, não para “sofrer”. Porque em excesso, a actividade física prejudica a saúde, nem que seja no futuro.

  33. Hahaha… Só dá para rir, mesmo. Se todas as doenças/obsessões fossem assim!…
    Com esta nova moda das corridas e do fitness em geral que apareceu recentemente (que espero que dure e se propague ainda mais, só nos fazia bem a todos, quer adiramos por moda ou não), veio também a moda de dizer mal só porque sim, porque “são todos uns hipsters”, porque “canso-me de tantos posts sobre o assunto”, porque “têm a mania que são melhores que os outros”. Sosseguem! Querem treinar e comer bem, ótimo, não querem, ótimo também. Cada um sabe de si.

  34. És um bocado cuidadoso demais com os tais que fazem as críticas. No mínimo, em vez de “procurem fazer o mesmo”, seria “get a life!”. Ah ok, talvez não entendessem istrainjeiro, mas para isso é que há tradutores online….

  35. Só porque não leva a marmita para o jantar não precisa de fazer um comentário juncoso (sim há pessoas assim).

    Se as há é porque têm objetivos importantes para elas também.

    Tirando isto, bom texto.

  36. “Eu próprio me desculpo algumas vezes com a falta de tempo. Fi-lo durante muitos meses, ainda recentemente. Achava que não conseguia fazer tudo, que era impossível treinar, tratar dos miúdos de manhã, ir com o cão à rua, trabalhar, cozinhar, ir levar os putos à escola, muitas vezes ir buscá-los, dar aulas, preparar aulas, escrever blogues, ler livros e ainda ter algum tempo para as minhas séries ou filmes e ainda correr. O tempo não esticava, não dava. Dava, claro que dava, e eu sabia que dava, mas estava desmotivado, tinha uns quilos a mais, e não me apetecia verdadeiramente começar.
    O início custa, o corpo pesa mais, a resistência é menor, falta-nos o ar, o coração dispara, as pernas não aguentam, e parece que nas primeiras duas semanas nunca há resultados visíveis. Não me apetecia passar por isso, então deixei andar. Só que depois chegou aquele dia em que olhei para o espelho e senti que tinha mesmo de fazer qualquer coisa. Sentia-me mais flácido, cansado, sentia-me, sobretudo, desmotivado, tristonho, rabugento, irritadiço.”

    Porque não escreves sempre assim? 🙂

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