A maravilhosa “Viagem Pelo Corpo Humano”

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Hoje à tarde levei o meu filho à sessão especial de apresentação da nova peça musical infantil da Plano 6, “Viagem Pelo Corpo Humano”, que estará todos os sábados no Tivoli. Ao longo dos últimos dois anos tenho levado o miúdo a quase tudo o que são peças de teatro, desde as do TIL, na Casa do Artista, às outras da Plano 6, no Tivoli, ou às do Papa Léguas, em Benfica. Mas nunca assisti a uma tão boa. Nem eu, nem ele.

Tudo o que acontece naquela hora é do melhor que se tem feito em Portugal (do que tenho visto, claro). As interpretações são excelentes, as coreografias, os figurinos, os cenários, as músicas, tudo óptimo. Como homem das palavras, e com uma formação em guionismo, tenho uma sensibilidade especial para o texto, e foi, sobretudo, pelo texto que fiquei surpreendido.

O musical é assinado pela Ana Rangel (uma querida) e conta a história da Maria, uma menina que vive com a avó e é infectada pelo vírus da varicela. Acompanhamos, depois, a guerra dentro do organismo da Maria entre os glóbulos brancos e o vírus, que se vai multiplicando e ganhando força porque a menina não ouviu os conselhos da avó e preferiu comer gomas a alimentos saudáveis. Tudo isto é contado com muito humor e animação, e a peça não se limita, como muitas vezes acontece, a ser um apanhado de situações cantadas que, todas juntas, fazem um musical que entretém. Não. Aqui há um texto que explica às crianças de forma simples e inteligente os processos de defesa do organismo, mas que também conta uma história com princípio, meio e fim, com sentido moral e didáctico, mas também estético, rítmico e narrativo.

No final, o miúdo só me falava da função dos glóbulos vermelhos (que na peça andam de patins e transportam o oxigénio às costas), das vitaminas, do cérebro, dos cinco sentidos. Foi para casa a cantarolar as músicas, fascinado com os vírus (excelente figurino) e a pedir-me para ir ver a peça outra vez.

O Tivoli estava a abarrotar de pais e filhos (dos 2 aos 14 anos, vi de tudo), no final todas as pessoas da produção foram chamadas ao palco e ovacionadas. A eles, deixo também os meus parabéns. Acredito que tenham tido uma trabalheira a pôr isto tudo de pé, mas, acreditem, valeu a pena pelo produto final que conseguiram. Quando estava a sair, ainda encontrei a Mônica Martelli (a actriz brasileira que interpreta “Os Homens São de Marte E É Para Lá Que Eu Vou” – podem ler o texto sobre ela que escrevi há dias), que levou a filha vestida de Alice (a do País das Maravilhas), numa versão extra-pintada. Também elas estavam encantadas com a peça.

A todos os pais que muitas vezes andam às aranhas sem saber o que fazer com a criançada ao fim-de-semana, recomendo uma passagem pelo Tivoli aos sábados à tarde. Não se vão arrepender.

A vitamina, sempre forte e determinada a ajudar no combate ao vírus

1 Comentário

  1. Parece-me interessante. Estará em cena até quando? Vivendo em S. Miguel fica muito difícil acompanhar estas e outras peças fantásticas que ouço falar. 🙁

    No cartaz a menina só tem quatro dedos em casa pé!?

  2. Olá Sr. Arrumadinho!
    Estou entusiasmada para ir ver a peça com os meus filhos, já me tinha sido recomendada, pois foi coreografada por uma amiga minha… não vou perder!
    Beijo, Ana

  3. De certeza que é uma excelente peça e educativa. Um à parte, conheço bem a atriz que faz de Vitamina C, fui colega dela na Faculdade, é uma excelente atriz, enquadra-se perfeitamente neste tipo de peças, é uma rapariga animada e cativante. Boa Tânia, continua a perseguir os teus sonhos.Abraço para si Ricardo.

  4. Passei o fim-de-semana a ouvir a minha sobrinha descrever as partes do corpo humano (acho que está a explorar a matéria na escola)! Assim sejam horas e vou comprar bilhetes para o próximo fds 🙂 Bela sugestão!

  5. Sou professor do 1º Ciclo do E.B. no Concelho da Covilhã, e, só tenho pena que estas manifestações culturais não cheguem cá.
    Tenho uma deslocação com os meus alunos no dia 2 de nov. ao museu dos Lanifícios (Covilhã) e não sei como vamos arranjar dinheiro para os transportes.
    Assim, mesmo que chegassem, seria uma "luta".
    Este comentário não pretende ser um "choradinho" apenas um desabafo deque é coordenador de uma escola 1º ciclo e tem 0 € para despesas durante o ano
    Sds.
    Carlos Silva

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