A greve, os direitos e as liberdades

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Carta aberta aos grevistas (e não às pessoas que fazem hoje greve)

Senhores grevistas, começo por dizer que hoje não fiz greve. E não fiz greve porque não quis fazer greve, porque estou cheio de trabalho e porque não vou estar por cá uns dias e não quero sobrecarregar os meus colegas. Ainda assim, compreendo quem optou por, hoje, não ir trabalhar como forma de protesto. O País vive uma crise sem igual, o desemprego está em níveis históricos, os trabalhadores perderam direitos, viram-lhes cortados os salários e ainda enfrentam a maior carga fiscal de sempre. A coisa está negra e, por isso, é legítimo – e até saudável – que as pessoas saiam à rua e se manifestem, protestem, exponham o seu desagrado.

Lá em cima, comecei por me dirigir aos grevistas, diferenciando-os das pessoas que fazem hoje greve, porque para mim são duas categorias diferentes. Os grevistas são os que não falham uma greve, seja por que for, em que circunstâncias for. São os extremistas da greve, os profissionais da luta, para quem o patrão será sempre um bandido, o Estado um ladrão e os trabalhadores uns desgraçados, porque dão o litro todos os dias e são explorados pelos burgueses que neles mandam. Esses também hoje estão na rua, ao lado dos outros, dos que têm conseguido perceber quando é que as coisas estão verdadeiramente mal, e quando se justifica sair à rua para gritar. Ou não.

Se tentarem explicar a um grevista que, se calhar, nesta ou naquela altura ele não deveria fazer greve, o mais provável é serem insultados, porque a greve é um direito constitucional, e nisso ninguém pode tocar. Tem razão. É verdade. Mas são normalmente esses grevistas profissionais que atacam os colegas que decidem não fazer greve, que os rotulam de “fura-greves” ou “amarelos”, que os insultam e muitas vezes agridem. São essas pessoas que estão hoje em vários pontos do país a travar comboios e autocarros para que não saiam das estações para cumprir os serviços mínimos obrigatórios. E são esses grevistas profissionais que, depois, às rádios, critícam a polícia por estar presente nesses locais, tentando impedir a violência, tentando fazer cumprir a lei.

A greve é um direito. O não fazer greve também. Então, porque é que os grevistas atacam e insultam quem está a fazer uso de um direito? A palavra “Liberdade”, assim mesmo, com letra grande, como se escrevia no PREC, não vale nos dois sentidos? Fazer greve é um direito e quem faz greve está dentro da lei. Mas essa mesma lei diz que é obrigatório fazer cumprir serviços mínimos. Mas os grevistas profissionais que reivindicam esse direito e que agitam a bandeira do direito e da lei esquecem-se disso quando impedem o cumprimento desses serviços mínimos. Só olham para a parte da lei que lhes interessa. Só olham para a sua Liberdade, ignorando a dos outros, a dos que, por mil e uma razões, entenderam ir trabalhar naquele dia, seja porque não se identificam com as causas da greve, sejam porque, simplesmente, não se podem dar ao luxo de perder um dia de salário.

O incumprimento dos serviços mínimos é um ataque à liberdade de todos. Há pessoas que dependem dos transportes para poderem continuar a sua vida, para irem ao médico, para irem à farmácia, para irem levar os filhos à escola, para irem trabalhar, para irem onde bem entendem. Quem impede comboios ou autocarros de saírem em dia de greve para que não sejam assegurados serviços mínimos está a violar a lei e a liberdade dos outros. E quem o faz são pessoas que demonstram um total desrespeito pelos cidadãos que pagam passes sociais e bilhetes, dinheiro que serve para lhes pagar os salários.

Senhores grevistas, hoje é dia de greve, e eu estou a trabalhar. É a minha homenagem aos que, hoje, gostariam de estar a trabalhar e não conseguem um emprego.É a minha forma de protesto contra a forma como vocês, grevistas profissionais extremistas, violam a lei. Faço, por isso, greve à greve.

65 Comentários

  1. Concordo com cada palavrinha deste post. Também escrevi sobre a greve mas não com a mesma eloquência.

    (venho sempre parar aqui pelo facebook do Arrumadinho – que dá um jeito do caraças! – e só hoje me apercebi que não estavas na minha lista de blogues. Como pode? Bem, agora já estás! 😉

    Beijinhos

  2. A verdade é q, infelizmente, há quase sempre, ou sempre, motivos p protestos, e as greves servem p, de forma oficial e c impacto, manifestar um protesto. Se chamamos grevistas aos q fazem sempre greve, tv tb possamos chamar trabalhistas aos q nunca a fazem.

  3. Bom dia,

    Concordo com o que escreveu. Eu fiz greve, sou funcionário da administração pública. Primeira vez que faço greve, fiz porque achei que era tempo de "protestar", fiz essencialmente porque não tinha transportes de alternativa para ir para o trabalho, fiz porque não queria ir para o trabalho e depois estar lá a encher chouriços porque tive receio de não ter ninguém para atender e ficar sem atividades/tarefas para fazer naquele dia, seria "injusto" para a entidade empregadora, pagar-me para eu estar lá sem produzir.

    Vi aquela dita manifestação, foi errado, muito errado. Fiz greve, se adianta, não sei, mas isto não pode continuar assim. Vou ganhar muito, mas muito menos para o ano,e tenho pena disso, porque considero-me até um trabalhador que trabalha não apenas para o salário (que é pouco) mas para o bem social, que razoavelmente gosta do que faz.

  4. Muito bem dito e muito bem escrito. Num momento é que a sensatez escasseias, é um prazer ler as suas palavras sensatas e refletidas com as quais me identifico bastante, por isso acompanho o blog.

    Saudações não grevistas 🙂

  5. Esta intervenção devia ser impressa e colada em todas as esquinas, edifícios e ruas.

    Muito bem falado e os meus parabéns a quem escreve tão bem!

  6. é tão ridículo os comentários aqui que defendem a greve e criticam as pessoas que optam por ir trabalhar. eu sou jovem, recebo menos de 600 euros (segundo o anónimo sou das que mais vão pagar a fatura) e obviamente que fui trabalhar porque não me posso dar ao luxo de fazer greve e perder o dinheiro de um dia. as pessoas que criticam os que vão trabalhar devem ser todas ricas e comunistas

  7. Ontem,um funcionário do metro disse-me furioso que estavam a lutar pelos MEUS direitos!Os meus?Eu fui trabalhar,mesmo pagando 30dias de passe do metro e estando cada vez mais mal servida,ter de pagar parquímetro,gasóleo,ter os mesmos cortes…enfim…sinceramente,isto já irrita e muito!

  8. Eu vi-me obrigada a sair do meu país para trabalhar. Estou completamente sozinha numa cidade nova.
    Há quem veja como uma aventura, eu vejo como um acontecimento muito triste na minha vida. Trabalho para sobreviver e para ajudar a família em Portugal.
    Mesmo muito triste com a situação actual em Portugal, concordo com o que o Ricardo escreveu (e nem sempre concordo com o que escreve, confesso).

    É pena que quando algumas (muitas pessoas fazem greves, hajam repercussões nas vidas daqueles que necessitam, e muito, de trabalhar para sustentar uma família.

    Eu conheço uma realidade no que diz respeito a greves, e como eu, acredito que muita gente conhece. Em minha casa, em Portugal, não se faz greves, porque isso significa que nesse mês o ordenado vai ser menor. É triste, mas é assim.

  9. Concordo inteiramente. O direito à greve existe, porém há pessoas que não querem ou não podem fazer greve, portanto não faz sentido algum que os grevistas não respeitem essas pessoas. Além disso, sejamos sinceros não é pelo facto de se fazer greve que estamos a ajudar o país a sair deste "buraco", antes pelo contrário.

  10. Pelo iniçio do texto que li

    "HOJE trabalha" ainda bem… porque senão tivesse 1 emprego HOJE, estaria como todos os que estão a ser lesados.

    Direito de Greve é 1 direito que assiste a toda a gente , a todo o povo… porém, como em tudo na vida, tem que sair sempre alguem lesado.

    Será que se pensarmos….. de forma diferente perante a atual situação económica e estatisticas que sairam hoje da taxa de desemprego.
    È Apenas uma Greve…
    Livrar-nos, de pensar de 1 dia anunciarem ;

    È uma guerra civil!! reclamariam contudo.

    O seu texo entendo em parte e não discordo em pleno.

    Mas escrito na data de hoje, acho uma tremenda falta de respeito, por quem saiu á rua, de todas as classes… e ainda duvidarem, do que se trata esta greve.

    Como diz um comentário acima… fez-me lembrar o actual governo… Não sei, nem querem saber!

    Continuação de Sonhos cor de rosa 🙂

    Fernanda

  11. Caro anónimo das 16h51. Recomendo-lhe que leia o meu texto antes de comentar. Sim, porque a única explicação para o seu comentário é não ter lido. Onde é que eu digo que "está tudo bem e recomenda-se"? Onde? Onde é que eu digo que temos de "comer e calar"? Onde? O que se conseguiu com o 25 de Abril, com as pessoas na rua, foi um regime democrático, o mesmo que me permite, hoje, fazer ou não fazer greve sem ser descriminado, insultado ou agredido por isso. O 25 de Abril, e a Liberdade, não são apenas boas quando agradam a determinadas pessoas. Respeito e aceitação das ideias dos outros faz parte dessas conquistas de Abril. No dia em que deixar de existir democracia pode ter a certeza que eu estarei na rua. Como estive no 15 de Setembro, aquando da grande manifestação civil e não controlada por centrais sindicais ou partidos políticos.

  12. Todos os teus comentadores dizem que não fizeram greve, que as greves afundam ainda mais (como isto já não estivesse quase a bater no fundo) bla, bla…

    e todos eles são os mesmos que diariamente dizem mal dos politicos, da polititica, dos sindicatos e da falta de prespectivas do país, que tem de emigrar, que são são Licenciados, Mestres e Doutores bla, bla…

    Mas que contradição!!!Pobre gente e gente pobre…..

    OH Arrumadinho explica-me lá como é que os alemaes não se hão-de rir
    de nós todos os dias!

  13. Discordo completamente.
    Pareces que vives num pais cor de rosa.Sim provavelmente tu vives… La Vie en Rose,…. mas daí a generalizares que está tudo bem e recomenda-se parece-me pouco serio.

    A coberto de atacares de uma forma subtil ou grosseira os grevistas profissioanis, o que no fim acabas por transmitir de uma forma subliminar, que nem o Ulrich o fez, é muito simples

    "COMAM E CALAM"

    Já pensaste que provavelmente foram esses mesmos grevistas profissionais que tu tratas com tanto desprezo que te possibilitaram estares hoje em dia a falar e ESCREVER livremente…

    Lamento teres uma visão tão limitada dos fenomenos sociais!!!!

  14. O direito à greve deve ser respeitado, sim senhor, desde que se respeite os outros.
    O exemplos dos professores e auxiliares nas escolas. Têm o direito de fazer greve sim senhor, mas acham bem os pais não saberem se os filhos vão ter aulas ou nao?
    Deixei o meu filho na Eb 2 às 13.20h, com a indicação que o dia estava a correr dentro da normalidade. Venho trabalhar (sim trabalhar, porque sou trabalhadora independente e a greve so me prejudica) e liga-me ele que a primeira aula nao vai ter, a segunda tb nao, mas a prof de ingles pdoe vir, nao se sabe…
    Os seja tenho um miudos de 9 anos, nunca escola com menos auxiliares que o normal e sem saber se vai ter aulas ou nao, nao o posso ir buscar pois correr o risco de faltar a alguma aula, caso algum prof venha…
    Isto é bom para as crianças? É exemplo?
    Eu, como mãe e trabalhadora acho que nao.
    Greve sim, para quem achar que sim, mas com respeito pelo outros.

  15. Houve um tempo que fui delegada sindical, digo-vos, não é fácil perdi dinheiro havia prémio de objectivos em quando desempenhei o cargo não o ganhava e sabem que mais não me desiludi com os patrões mas sim com os colegas e com a estrutura sindical. em alturas de greve parece que me tinha morrido gente tal era a tristeza, os colegas viam no delegado um empregado ao seu dispor a estrutura sindical um seguidor dos seus princípios e eu que nem era da cor.Enfim nada é assim tão linear.

  16. Não posso concordar com o texto, em absoluto. Pelo facto de ter sido publicado num dia como este. Excessos há de ambos os lados e tenho pena que se lembre o lado mais radical do protesto, que se invoque esse lado para reforçar as razões pelas quais não se faz greve (falácia do espantalho?).

    O seu parágrafo final faz lembrar as declarações proferidas por Passos Coelhos hoje, sobre a greve. E sobre as mesmas (as declarações de PPC), prefiro não me alongar.

  17. Fiz greve e fala-ei sempre que considerar pertinente. Tratou-se hoje de mandar uma mensagem importante para o país e para a Europa. Concordo com os serviços mínimos e não sou grevista profissional, penso, porém que faz sempre falta quem lute pelos nossos direitos… Cumprimentos.
    Já agora,apesar da greve, estou em casa a trabalhar…Raquel

  18. Cara Maria Fernanda. Em primeiro lugar, jamais deixei de publicar um comentário por ser unicamente contrário à minha opinião. Não publico, apenas, os que considero desrespeitos ou insultuosos, o que não é o seu caso.
    De resto, em lado algum escrevo que não se deva lutar, ou que as pessoas não devem fazer greve. Pelo contrário. Digo que quem acha que deve fazer, que o deve fazer. Mas pelas suas palavras reduz as formas de luta à greve. Não é assim. Não é só fazendo greve que se mostra descontentamento e se luta pelos direitos. Eu já fiz greve, e já deixei de a fazer. O que digo, no meu texto, é que a liberdade de quem opta por não sair à rua e ir trabalhar não deve ser posta em causa. O direito à não-greve vale tanto como o da greve, e merece o mesmo respeito.

  19. À alguma maneira desta reflexão chegar aos meios de comunicação?

    Gosto de acreditar que o que está aqui dito é o que a maior parte do povo pensa, e não a minoria "arruaceira" que infelizmente dá a imagem do país ao resto do mundo.

    O título "A greve, os direitos e as liberdades", deveria ser acompanhado pelas palavras "O trabalho, os deveres e as responsabilidades", que é do que muitos portugueses se esquecem. E atenção, sou português, e português orgulhoso.

  20. A greve. Recordo-me que na minha antiga faculdade este tema era abordado na perspectiva de ser uma arma do trabalhador. Pergunto se não estaremos a usa-la contra nós próprios em jeito de suicidio.

  21. Já sei que este comentário talvez não vá ser publicado, mas não concordo e é por estas mentalidades aqui descrita que o país chegou ao que chegou. Porque ao longos dos anos foram deixando andar e nunca se manifestaram contra. Mas o pior é que alem de muitos de vós irem pagar também a factura quem pagará mais serão sempre os mesmos; os mais desfavorecidos os pensionista e não falo das grandes reformas, mas sim de reformas até 600€, os jovens etc…Mas pronto disse o que pensava

  22. Eu, se pudesse, fazia greve ao desemprego, que é a minha situação actual. Mas isso é impossível… Por isso, a minha tarefa hoje será igual à dos últimos meses: Lutar por voltar a ter aquilo que me tiraram de um dia para o outro…

    Até lá… que se lembrem da velha máxima "A tua liberdade acaba onde a minha começa"

  23. O problema é que a greve é a única forma dos trabalhadores se fazerem ouvir e muitas vezes nem assim. Coitados daqueles cujas greves não têm qqr impacto.

    Muitas vezes os trabalhadores nem são ouvidos pelos "patrões", as suas propostas são imediatamente rejeitadas, não há qqr dicussão. Quando se avança para a greve os mesmos "patrões" dizem que primeiro é preciso debater antes de avançar para a greve. PQP!!!!

    Mas piquetes de greve não. Quem quer fazer greve tem q respeitar quem não faz. Pq muitas vezes não faz por medo, por receio, por necessidade.

    E acredito, piamente, que no dia em que a greve geral for mesmo geral, será o dia em que isto começa a mudar. Até lá os "patrões" vão fazendo o que querem…

  24. Pois eu não concordo com ESTA greve em particular, nem a compreendo.
    sou 100 % a favor do direito à greve e do direito a não a fazer…
    Todos os dias ouvimos que um dos problemas maiores de Portugal é a produtividade, e por isso estamos a sofrer consequências tremendas na nossa vida (desde a falta de emprego à carga de impostos incomportável). e o que é que fazemos para protestar? Uma greve (um óptimo incentivo à produtividade…) Façam protestos ao fim de semana, durante os feriados, protestem como se não houvesse amanha, mas uma greve nesta altura do campeonato é um tiro no pé…
    além disso, se pensarmos bem, para quem ganha o salário mínimo esta greve é de uma pressão tremenda… se por um lado querem lutar por melhores condições de trabalho (e têm toda a legitimidade para isso), além de serem pressionados pelos tais grevistas profissionais, não podemos esquecer-nos que fazer greve é faltar um dia ao trabalho, e portanto não receber um dia… que num orçamento mensal de gestão do salário mínimo não há de ser pêra doce… Eu não faço greve… respeito quem a faz, mas desculpem-me, esta greve eu não compreendo…

  25. Ora nem mais! Se fazer greve é um direito que assiste a todos, não fazer greve também o é. Como dizes, e bem, há quem dependa de muitos serviços (mínimos) para fazer a sua vida normalmente. Nesse aspecto odeio as greves por impossibilitarem o decorrer normal da vida dos que não têm culpa.
    Eu por exemplo não fui à faculdade hoje porque simplesmente não tinha transportes e além do mais não moro propriamente perto. A minha sorte é que consigo adiantar umas coisas em casa ou estudar. Mesmo que existissem barcos para ir para Lisboa (que não existem), caso chegasse lá, também não teria Carris. Só isso lixa a vida a milhares de pessoas que, como eu, não têm outro meio de transporte… E quem diz em relação a transportes públicos diz também em relação a serviços prestados por Hospitais ou Centros de Saúde, por exemplo, que hoje estão a meio-gás.

    Sou da opinião de que as pessoas se manifestem caso sintam necessidade para tal (mas é manifestarem-se mesmo, ou seja, ir para a rua fazerem-se ouvir, não é dizer "hoje faço greve!" e ficar com o cu na cama ou ir passear). Ainda assim, também sou da opinião de que cada um só faz greve se quiser, se não quiser não faz e ponto final. E ninguém tem nada a ver com isso, já que todos temos os nossos motivos, seja para ir ou para não ir trabalhar. A menos que, claro, existam uns filhos da mãe que não trabalham e não deixam os outros trabalhar. O que é chato e completamente injusto!

    Abraço.

    http://seeumandassenomundo.blogspot.pt/

  26. Eu não faço greve porque ainda estudo, mas compreendo e aceito quem a quer fazer, assim como aceito quem não quer. Mas sinceramente, já estou farta da greve na CP. De à dois anos para cá tem sido constantemente. Deixei de andar de comboio e passei a utilizar o carro para ir para a faculdade e agora para o estágio. Era impossivel andar de comboio e na maioria das vezes comprava o passe e utilizava-o pouquissimas. Isso sim é uma vergonha. Quem fica prejudicado são as pessoas que querem e têm que ir trabalhar.

  27. gosto especialmente de todos aqueles que fazem greve, que incentivam os outros a fazê-la mas que depois lá vão tomar café na rua, vão passear ao centro comercial, vão ao cinema, e usam e abusam de tudo aquilo que nos mantém os dias a decorrer com normalidade.

  28. Não faço greve.
    Não concordo com o que escreveste e muito menos com aqueles cuja a rotina é afectada por alguém lutar pelos seus direitos.
    Sociedade implica tolerância e responsabilidade, mas ainda mais respeito e cooperação.

  29. Concordo a 100% contigo. Irrita-me desde os tempos da escola aquelas pessoas que criticam a chegam a agredir quem quer exercer o seu direito de não fazer greve!
    As pessoas têm tendência para se esquecer que a nossa liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros!
    Também eu estou a trabalhar fazendo greve à greve!

    Maura

  30. Texto lúcido e muito bem escrito. A paragem total dos comboios ia obrigar-me hoje a virar-me do avesso para estar presente em alguns compromissos importantes. Por outro motivo mais forte, infelizmente, não precisei de me virar do avesso – mas vi toda a semana comprometida, em termos de organização, por causa da greve. Para não falar das incontáveis vezes que a CP já parou total ou parcialmente este ano, numa altura em que precisava de apanhar diariamente o comboio para trabalhar e não aceitavam " houve greve dos comboios" como justificação. Esses sim, são grevistas profissionais. Por outro lado,estes protestos são um verdadeiro nó: de facto, esta é uma das situações mais complicadas na história recente do nosso país e soaria estranho que as pessoas ficassem caladas. Por outro, como já mencionei no meu blog há uns meses, as manifestações pecam por tardias e chegam numa altura em que o nosso Governo está refém de uma série de limitações e compromissos já assumidos. Tivessem protestado há 3, 4 anos atrás, quando claramente o barco metia água (mas todos estavam felizes porque o então Primeiro Ministro falava alto e bem, como se soubesse o que fazia) e talvez não houvesse hoje razão para tanto desespero.

  31. Um dos casos mais flagrantes de desrespeito pelos que não fazem greve passa-se com os enfermeiros. Sabia que um enfermeiro pode ser obrigado a seguir turno se optar por não fazer greve? se no turno a seguir não houver nenhum colega q não esteja em greve, o primeiro segue.se os que assumem uma greve devem ser respeitados, os outros também. mas isto ninguém vê…

  32. Em dia de greve geral, o melhor é ACREDITAR QUE TUDO VAI MELHORAR…

    Partilha deste espírito positivo, Arrumadinho…

    Podia ser mau e dizer que compreendo porque é que hoje, particularmente não fazes greve: porque a Sábado está sempre de greve com o verdadeiro sentido de jornalismo. Mas seria injusto e difamatório.

    Estou contigo e partilho desta tuda mensagem.

    Um abraço,

    http://omeninodocoro.blogspot.pt/2012/11/castelobrancovaimelhorar.html

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