A Feira do Livro do Porto

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A suspensão da Feira do Livro do Porto, que deveria ocorrer em Junho, é mais uma machadada nesta já moribunda cultura nacional. Os apoios para todas as áreas são mínimos ou inexistentes, as pessoas gastam cada vez menos dinheiro em livros, teatro, dança ou cinema, e esta espiral está a levar-nos para um fundo perigoso, do qual poderemos demorar muitos anos a sair.

Seria fácil vir aqui dizer que a Câmara do Porto tinha de se chegar à frente com o apoio exigido pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), mas não acho que deva ser assim. Por muito que entenda a importância da cultura, e sobretudo dos livros, não defendo que tenham de ser as autarquias a financiar eventos como a Feira do Livro, embora possam (e devam) contribuir, naturalmente, já que um evento como estes atrai gente à cidade, promove-a, movimenta a economia local, o comércio. Na actual conjuntura, há fragilidades sociais mais importantes a que é preciso acorrer, e o escasso dinheiro deve ser canalizado para quem mais precisa, cortando-se no que é menos importante. E a Feira do Livro do Porto acaba por ser uma vítima da conjuntura económica, um elo fraco.

Não acredito que os portugueses gostem cada vez menos de ler. Recuso-me a ver as coisas assim. Acho, sim, que esse divórcio tem uma explicação: o preço dos livros. Há cada vez menos gente a comprar livros, porque os livros são demasiado caros. Há muito tempo que defendo que uma política de inversão das coisas, com uma redução do preço de capa, que, acredito, teria um efeito positivo: levaria a que mais gente os comprasse. O lucro em cada livro seria menor, mas se as vendas aumentassem proporcionalmente as coisas poderiam equilibrar-se. E o gosto pela leitura aumentaria.

Ainda assim, lamento muito a decisão da APEL de suspender a Feira do Livro do Porto, onde estive o ano passado, onde conheci a Maria, e onde me senti em casa.

Espero, sinceramente, que seja uma interrupção de um ano. Os portuenses merecem esta feira.

67 Comentários

  1. Anónimo das 11:29 (dia 21), tenho que concordar com o Arrumadinho: há por aqui graves problemas de interpretação da Língua Portuguesa. Aqui ninguém invejou nada (muito gostam as pessoas de arremessar o "tu tens é inveja!" quando não têm argumentos) nem criticou quem tinha iPad ou fez o elogio à pobreza.

    O que aqui se disse, e corrijam-me se estiver errado, é que quem compra um iPad (desculpem lá mas não é um bem essencial!) CERTAMENTE também há-de dispôr de uma dúzia de euros para comprar um livro, caso assim o deseje.

  2. Eu comprei o Ken Follet (Inverno do Mundo) por 24 euros no Continente e achei muito bem empregue.
    Mais barato que uma noite de copos ou uma camisola

  3. Já ouviram falar em Bibliotecas? Em Feiras de Livros usados? Até parece que para se poder ler é preciso comprar o livro! De facto os livros não são baratos, mas esta acaba por ser uma desculpa para não se ler!

  4. Mas vocês estão a viver em Portugal neste momento? Eu não estou mas pelos relatos das pessoas e pelas noticias que leio as coisas não estão nada bem. Infelizmente a primeira coisa em que tem que se cortar em tempos de crise é na cultura, por mais que custe.

  5. O problema é que um livro lê-se uma vez e eventualmente passado algum tempo pode voltar a ler-se, um Mac usa-se todos os dias.

  6. Eu sou uma leitora compulsiva e guardo sempre algum dinheiro para comprar livros. Mas, como consigo ler bem em inglês o que faço é comprar tudo o que posso em inglês, chego a comprar 3 e 4 livros pelo preço de um em português. Cada vez, que compro um livro de um escritor português, custa-me dar 15/20/25€… Se compararmos os preços com os outros países os nossos são muito caros.
    É pena não haver feira do livro, é uma altura em que sempre se vendem mais livros, se fica a conhecer outros, mas há outras formas de divulgar a leitura e as feiras d livro não me parecem fundamentais.

  7. Fraldas ou Livros?
    Comida ou livros?
    Telemóveis, ipads ou livros?
    Um ebook comprado no wook ou um Ebook comprado na Amazon?

    Tenho pena desta decisão…podem sempre tentar fazer uma versão interessante online 🙂

  8. A mentalidade neste país é incrível. Porquê tanta inveja??? Nao se pode dizer que se tem isto ou aquilo… Cai tudo em cimas mas com essas criticas nao vão conseguir ter o iPad do outro, nem o que o tem vai ficar triste. Cristina devia ter dito sou tao pobre, tao pobre vivi numa caixa de cartão um rico passou deu me um iPad e a minha única felicidade é q agora leio livros por esta maquineta dos ricos.

  9. Olá, Sandra. Eu também adoro ler – fiz dos livros o meu trabalho – e posso imaginar como deve ser triste não poder comprar um livro que seja, pois também já vivi uma situação menos fácil. Tenho aqui em casa alguns livros repetidos para dar há algum tempo. Fiquei com vontade de lhos oferecer. Se quiser deixar aqui o seu e-mail, ou pedindo ao Arrumadinho para fazer de intermediário, eu entro em contacto consigo para ver se são do seu interesse. Para mim, os livros, os filmes e os espectáculos a que ainda posso ir são as coisas a que me agarro para manter a sanidade no meio de tudo isto. Beijinho e força

  10. Há anos que não compro um livro! E no entanto leio bastante. Muito de vez em quando oferecem-me livros mas tenho tanta coleção cá em casa (investimento dos meus pais) inclusive a coleção que era vendida pelo público há uns anos, que ainda tenho muito para ler!E claro que de vez em quando peço emprestado. Por isso o preço não é desculpa para não ler. E não acho assim tão caros quanto isso!Muitos dos que acham caros provavelmente compram roupa todas as semanas e outras futilidades (o que não critico, cada um gasta o dinheiro naquilo que gosta e que acha essencial). e claro que para quem ganha pouco é, de facto, um luxo.

  11. Eu estou de acordo que a Câmara não financie a feira do livro. É um evento privado, cujos lucros são para os privados. A que propósito teria a câmara que pagar os 75 000€? Ajuda com a não cobrança de licenças, dá o espaço e acho que já faz muito.
    Quanto às corridas de que tanto se fala, não se pode comparar um evento com o outro. Um traz muitos turistas, enche hotéis e restaurantes durante o período do evento que indirectamente são impostos que entram na Câmara e nos cofres do estado.
    O outro traz gente do porto e arredores, quando muito bebe um café ou água, dá uma volta, compra um livro, ou nem isso e vai embora!!!
    Não defendo as corridas nem defendo a atribuição do "subsídio" que a APEL quer, mas não confundamos as coisas…
    Maria.

  12. só mais um pormenor para este post: ricardo, sabes quanto era a participação da Camara do Porto para a organização da feira do livro? 75.000 euros (setenta e cinco mil euros).
    concordo contigo, a cultura (ou a leitura, vá, pelo menos) devia ser mais valorizada. começa nos nossos politicos (um deles, que era professor universitário) chegou a dizer que não lia sequer jornais. o seu nome: cavaco. a seguir é a escola, em que alguns professores não conseguem cativar para ler. depois, no estrangeiro, a biblioteca como instituição é totalmente valorizada e reconhecida. exemplo: quem vai a nova iorque vai À biblioteca por certo. finalmente, o preço também não ajuda. e porquê? porque o nosso governo não quer um iva de 5% (como sucede com a coca cola) e em lugar disso aplica aos livros um iva de 23%. assim não dá, claro.
    finalmente, um apelo a quem de direito: se fizerem um anúncio com gente gira a ler no metro, transportes públicos, praia, etc. etc., ler vai passar a ser "cool".
    bom fds para todos, rui, porto.

  13. Parabéns pelo post
    A camara do porto apoia a feira do livro de várias formas. Disponibiliza o espaço, segurança, limpeza e publicidade em espaços publicos.
    Quem participa na feira do livro paga, e bem, pelo espaço que utiliza. A receita que os organizadores tem deveria ser mais que suficiente para pagar a logistica da coisa. Se nao for, pressionem os fornecedores ou façam uma coisa mais modesta
    Há inumeros eventos com logistica semelhante e sem qualquer contributo dos contribuintes.
    Tudo isto não invalida que a camara devesse ter uma politica mais activa na promoçao cultural da cidade, facilitando eventos, coordenando e envolvendo a iniciativa privada e os cidadãos da cidade

  14. Nem digas nada…
    Estava certa que era lá que ia conhecer o José Luis Peixoto e pedir-lhe um autógrafo.
    Ainda nem me acredito que pela primeira vez na minha vida, não vou à Feira do Livro, um lugar onde já fui tão feliz, onde conheci o José Saramago e lhe disse com um nó na garganta que era o meu ídolo. Na Feira do Livro do ano seguinte, ele já não era vivo…
    Sou viciada em livros e agora poucas hipóteses tenho de os comprar. Comprei 2 este ano e entrei num ciclo de empréstimos e trocas com os amigos e colegas de trabalho. E olha que é muito boa prática. Mas na Feira comprava sempre qualquer coisa. É muito triste que este ano os Aliados não tenham o vigor da Feira!!!

  15. claro que as bibliotecas são uma opção.
    Mas, por exemplo, na minha cidade a biblioteca não tem muitos livros recentes.
    Desde que fiquei desempregada, fui fazer o cartão e já requisitei alguns livros.
    Eu gosto de comprar e de os ter, mas quando não se pode, não se pode.

  16. Concordo consigo Arrumadinho. Convém não nos esquecermos que se trata de um evento privado que reune entidades com fins lucrativos, as editoras.
    Marta

  17. Tenho um amor especial pela feira do livro do Porto, porque provavelmente não vos conhecia se não tivesse existido no ano passado e isso não tinha piada! É uma pena que numa altura já tão triste, suspendam um dos eventos mais giros e que mais incentivam a ler, que é uma coisa que faz muita falta em Portugal.

  18. tereretete19 de Abril de 2013 à0 17:36: Então achas 17e por um livro mto mas compras um mac que custa em média quase o dobro de um pc equivalente? Pois é isto que eu digo. É uma questão de prioridades e a cultura nunca foi uma prioridade em Portugal infelizmente.

    Anónimo das 17:42: Exatamente.

    Em ultimo caso é quase uma desculpa. As pessoas simplesmente não acham que um livro valha 17 ou 20 euros porque 'é só um livro' mas o mesmo racicionio raramente se aplica a informática, automóveis, roupas, etc.

  19. Não sou a melhor pessoa para falar de livros e preços, pois já tenho uma pilha de 6 livros na mesa de cabeceira para ler, e já estou a pensar comprar mais um que vai sair em Maio. Mas convenhamos, com os preços que vemos nas lojas, infelizmente….LER é UM LUXO!

  20. Anónimo das 17:18, é que um Mercedes dá para exibir aos vizinhos; mas como é que eu mostro que ontem ouvi Rachmaninoff?

  21. Pessoalmente considero mais de 20 eur por livro muito.
    Quando aparece algum livro jeitoso abaixo dos 15eur, compro. Se for acima dos 20 tem que ser muito bom,de autores conceituados ou académicos (que usem devidamente o excel :p), ou então um clássico relevante.
    Aproveito as feiras do livro para comprar livros que queira mesmo ter, de resto, aproveito bem as bibliotecas (a de BEJA é a melhor!!!! 😀 quer para se ler/requisitar, trabalhar, estudar, ler uma revista ou simplesmente para se estar).

    Maria Martins

  22. 17€ é caro para algumas pessoas. E se forem como eu que gostam de ler e que quando tenho tempo leio dois livros por semana, no fim do mês é muito dinheiro. E sim há bibliotecas, mas eu adoro ler um livro e tê-lo, ficar com ele. E a maioria dos autores que gosto de ler custa um pouco mais de 17€ e sim tenho mac e assim. Mas não é por isso que deixo de comprar livros. São caros, mas para já vai dando. Os cds já baixaram um bocado. Tenho sempre a esperança que os livros baixem também. Há sempre uma opcção que é comprar em versão inglesa. São bem mais baratos e arranjam-se facilmente na fnac.

  23. Cristina: "Ir à procura pelas bibliotecas do país"… Quem não conhecer a realidade até pode pensar que tem que correr as biblioteças de Melgaço até Faro à procura do livro desejado! Quando quer uma camisola não se desloca à Zara? Então.

  24. Sandra, mude o seu "lar" para outro lado. Não tenha medo! Arranje uma boa rede de contactos, e dê um xuto no rabo do país que a mata. Eu já fiz isso 🙂 Força!!!

    Entretanto, valha-nos as bibliotecas…

    Maria Martins

  25. Claro que tudo é subjectivo e depende do poder de compra de cada um mas acho que 17e por um livro em Pt não é caro, especialmente tendo em conta o tipo de bens de consumo que existem em Pt, pelo menos em Lx, que há mais bmw's e mercedes por m2 e ipads e iphones e etc do que no país em que eu vivo. Muito disto advem do facto de as pessoas acharem que a cultura e a informação é algo que deve ser gratuito e não estão dispostas a gastar mto dinheiro em adquiri-la. No fundo é uma questão de prioridades de consumo e a cultura geralmente não se encontra no topo dessa lista.

  26. Eu já a alguns anos comprei um leitor ebook. Foi caro na altura mas já poupei imenso dinheiro em livros (sim, pk a viagem de comboio casa-trabalho são 3h diarias, e considerando que um livro ronda os 15-20 euros!)

    Faço download de livros (maior parte deles traduzido para o Português do Brasil, mas paciência)e pronto: leio verdadeiras obras de escritores contemporâneos e/ou clássicos (os meus favoritos)…

    E claro, como tenho já alguma cultura em termos literarios adquirida pelo excesso de uso do meu leitor de ebooks, nunca vou a feiras do livro e muito menos me dou ao trabalho para contribuir para o enriquecimento financeiro de (pseudo)escritores que andam por aí que se acham capazes de escrever sobre relações ou se acham capazes de escreverem como uma pessoa se deve ou não vestir…

  27. Não tem nada de estranho. A oferta em livro digital é muito maior e é muito mais prático aceder à internet e ter acesso a qualquer livro que se queira do que ir à procura pelas bibliotecas no país…

    Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

  28. não querendo defender a autarquia do Porto, ela desde 2009 (a 2012) que patrocinou a compra dos quiosques onde foram colocados os expositores. estão pagos com esse subsidio publico, alem das isenções de pagamentos da taxa de licenciamento, limpeza e segurança… tenho para mim que já ´e uma boa contribuição.

  29. Infelizmente eu acho que os livros são caros sim, muito caros. 30 euros por um livro do Ken Follet por exemplo? Acho um exagero. Sim o autor é bom, o livro é bom, mas 30 euros é dinheiro que pode fazer (e faz) muita falta para outras coisas. Considero-me um bocadinho "book nerd" e sou das que adora o livro em papel (o digital ainda não me convence) e portanto procuro alternativas: requisito livros na biblioteca municipal (ok, pode até nem ter os mais recentes, os hits que estão na moda mas há muita coisa boa), sites como o Bibliofeira onde se conseguem bons negócios ou o winkingbooks são boas opções (já fiz trocas neste site bem interessantes e isso permite-me ter sempre coisas novas para ler).

  30. Não há dinheiro para a Feira do Livro mas não tarda nada e começam a alcatroar a Av da Boavista para as corridinhas do Rui Rio. E vamos estar 2 meses em obras e mais um mês para as desmontar. E é isto de 2 em 2 anos para 2 fim-de-semanas de corridas!
    Tenho pena que este ano não haja Feira do Livro maz também acredito que a APEL tenha perdido o interesse comercial e que possivelmente ache que não ia recuperar o investimento. Há pouco dinheiro para luxos pelo Norte….

  31. Sou sincera. Leio bastante, mas é raríssimo comprar um livro. Tenho o hábito de ir às bibliotecas públicas para ficção para casa e às bibliotecas escolares (universidades) para livro técnicos relacionados com a minha profissão desde muito nova. Não leio sempre as mais recentes novidades ou best-sellers, como o seu ou da Pipoca, mas leio, leio muito. Por isso não compreendo quando as pessoas dizem que não lêem porque os livros estão muito caros. Sei que os escritores precisam de viver e para tal precisam de vender, mas a mim sabe-me muito bem conseguir poupar ou canalizar o dinheiro para um objeto mais útil ou mais fútil numa conjuntura económica tão difícil.

  32. Alfarrabistas? Leilões de livros em segunda mão? ebooks? Tantas alternativas de livros a preços mais baratos.. Pessoalmente penso que 17 euros por um livro não é caro. Pelo o mesmo preço oq é que se faz? Um livro bem estimado dura para sempre, pode ser passado de geração em geração. E mais, actualmente os livros têm bastante boa qualidade de papel, de capa, etc.. São objectos bonitos. E sinceramente acho piada as pessoas que vêm para aqui dizer que os livros são caros e provavelmente estão a teclar em macbook pro's e iphones e etc..

  33. Ricardo, mas o problema aqui é que a autarquia do Porto tem duas prioridade: as corridas de carros na Boavista e as obras na Baixa (Rua Mouzinho da Silveira, Rua das Flores). Até aqui, nada contra.

    Agora suspender a Feira do Livro que, SIM, tinha visitantes; SIM, tinha compradores; SIM, tinha público; é uma vergonha. Não é um problema de falta de verbas, até porque a Autarquia tem as contas em ordem.

    Não há dinheiro para uma Feira do Livro, mas há dinheiro para fazer obras numa Praça Almeida Garrett (em frente á Estação de S. Bento) para colocar o trânsito em dois sentidos. E aumentar o pandemónio na circulação na Baixa do Porto.

    E sim, a APEL bem que poderia chegar-se à frente nas despesas do evento, pois este vem de encontro aos seus próprio interesses.

  34. Concordo com o Ricardo (12:46). Essa ideia que a cultura é mais um item no caderninho de contas da mercearia é errada. Tem que se investir sim, activamente – até a fundo perdido. Depois há-de haver retorno mas os maiores ganhos nunca serão financeiros. Desculpa lá, Gaspar – eu sei que é lixado entalar o intelecto numa célula de Excel.

  35. Ia sugerir exactamente o mesmo: bibliotecas. Não percebo porque é que os portugueses são alérgicos a elas. Além de "armazéns de livros" são também espaços arquitectonicamente interessantes (já vão havendo uns mamarrachos….) e onde se experimenta o que é a paz.

  36. Acho os livros em Portugal extremamente caros, é incrível como em países como Inglaterra com o nível de vida e consequentes salários superiores, os livros são bem mais baratos. Tenho optado por ler em inglês pois posso comprar 2 ou 3 livros pelo preço de um em Português. E a tradução não é desculpa pois já encontrei autores portugueses em UK mais baratos que em PT 🙂

  37. Concordo com a questão do preço proibitivo dos livros: alguém que leia rápido pode ter que gastar 15€ por semana. É muito!! Mas parece-me que gestos como este de cancelar a Feira do Livro não contribuem em nada para fomentar os hábitos de leitura. É uma decisão triste! Esteja o que estiver por trás…

    pippacoco.blogspot.pt

  38. Eu vivo fora de Portugal. Aqui os livros também são caros e há anos que não compro livros não só pelo preço mas também por opção. Aqui as bibliotecas municipais são uma óptima alternativa. Sempre que vou à biblioteca da minha terra há gente a deixar livros e a trazer novos. A bibliotecária é uma pessoa acessível que aceita as sugestões dos utentes sobre que livros novos comprar. Com o meu cartão posso requisitar livros de todas as bibliotecas da rede municipal do país. A verdade é que tirando a biblioteca da Universidade, nunca fui utente de bibliotecas quando vivia em Portugal. Não sei como funcionam e se serão uma alternativa aos preços caros dos livros. Para quem quer comprar livros. Eu não quero.
    E agora pensando bem, sim comprei livros nos últimos tempos, em feiras de segunda mão. Poucos e escolhidos a dedo. São também uma alternativa. Para comprar e para vender porque apesar de haver livros que gosto de reler e de ter, em geral sou mais feliz sem acumular coisas em casa. Prefiro viver com menos. Compramos tantas coisas que não precisamos.
    Uma vez vi numa rua na Cataluña, uma loja (não me lembro de que) que à porta tinha uma cesta grande de onde se podiam levar livros, sempre que se deixassem outros. Não é uma boa ideia?
    Helena

  39. Realmente os livros são caríssimos, eu livros "novos" é praticamente só em segunda mão, comprados nas feiras de velharias onde se arranjam boas obras a preços que dão vontade de rir, basta ter tempo e paciência para "escavar".

    Mas atenção que se o preço dos livros justifica a baixa procura e as dificuldades financeiras das editoras,não justifica o défice de leitura dos portugueses.Ninguém deixa de ler só porque não tem dinheiro para comprar livros!

  40. fiquei muito triste pelo cancelamento da Feira, era sempre um bom evento cá no Porto 🙁 sou das pessoas que adora ler e não tem dinheiro para comprar livros, mas todos os meses leio pelo menos dois graças à Biblioteca do Palácio que é aqui pertinho

  41. Realmente o preço dos livros estão muito caros e por isso compro quase sempre as edições de viagem por serem mais baratas e muitas em inglês, visto que em português existe pouca variedade.

    Mónica S.

  42. Ricardo, eu digo no meu texto que a autarquia deve contribuir, o que acho é que não deve financiar. Deve, como dizes, promover o acesso à cultura, o que se faz isentando a feira de taxas, de pagamentos de licenças para instalação da feira, cedendo espaços. Não pode é ser a autarquia a financiar tudo, a pagar todas as despesas inerentes ao funcionamento da feira, que, apesar de tudo, é um evento privado, com lucros que revertem para empresas privadas. Esse é um dos grandes equívocos das PPPs, o Estado paga tudo o que são despesas e o lucro vai para os privados. Se der buraco, azar, quem se lixa é o Estado. Não pode ser assim. Deve haver uma comparticipação, uma contribuição, mas o financiamento deve estar a cargo de quem organiza a feira. É o que eu acho, pelo menos.

  43. Não concordo em nada quando refere que não têm que ser as autarquias a financiar a eventos como a feira do livro, que no fundo são eventos culturais. A autarquia, fazendo parte dos órgãos de poder do país, deveria promover a cultura. Não sei se sabe mas a Constituição é bem explícita na questão do acesso à cultura (de outra forma não se justificaria os canais de rádio e televisão generalista em sinal aberto).

    O Portugal Fashion, por exemplo, é outro evento que conta com o investimento e apoio da Câmara do Porto. Não nego que é um evento importante para uma região que depende muito da indústria têxtil. No entanto, tendo um objectivo comercial, deveria ser suportada pela própria Indústria que representa.

    A Feira do Livro, mais do que contribuir para o lucro das industria dos livros, contribui para o enriquecimento intelectual dos cidadãos. E penso que isso, em relação a outros eventos, deveria ser prioritário.

  44. Um bocadinho à parte disso, acho que as pessoas se esquecem de contornar este problema de "não posso gastar dinheiro em livros" com as Bibliotecas Públicas.
    Claro que é melhor comprar os livros, por todas as razões e mais algumas, mas se as coisas estão mais apertadas uma consulta ao catálogo da Biblioteca mais próxima pode ajudar a poupar para um outro livro que gostávamos de ler e lá não tem.

  45. Acredito que exista outra razão: eu tenho um Kindle e um iPad. Neste momento leio a grande maioria dos livros e revistas por lá. Antes do meu iPhone ter sido roubado 🙁 também lá li muitos livros.
    Tenho à volta de 2000 títulos em casa e quase outros tantos em casa dos meus pais, mas desde que descobri os livros em formato electrónico nunca mais comprei livros em papel: mais prático, mais ecológico, mais barato (Amazon). E ocupa muito menos espaço em casa.
    E eu trabalhei 5 anos com livros e 2 anos na Feira do Livro. Tenho saudades… Mas acredito que o livro em papel como o conhecemos está a desaparecer. Assim como as máquinas fotográficas de rolo…
    E depois, a crise, sim. Mas para mim, mesmo se tivesse todo o dinheiro do mundo, duvido que comprasse muitos mais livros em papel.

    http://ocaldeiraoeacolherdepau.blogspot.com

  46. Definitivamente o preco dos livros é exorbitante em Portugal. Tenho a "sorte" de poder comprar livros noutro país em que existe sempre promocoes de 3 por 2, ou compre o 1 e o 2 fica a 50%, etc. Secalhar é por ser estudante, o que financeiramente também nao ajuda, mas por vezes gostava de comprar livros de autores portugues, quando estou em Portugal, mas acabo sempre por sair das livrarias de maos a abanar. Gastar 17€+ por um unico livro para mim é impensável 🙁

  47. Pois eu gosto cada vez mais de ler, mas não posso comprar livros. Eu e o meu marido estamos desempregados, e não podemos gastar o pouco que temos em livros, CD, cinema, teatro. Tenho pena, muita pena. Continuo a ler pedindo livros emprestados, ou como foi o caso, recebendo de oferta de autores generosos, como foi o caso do Arrumadinho. Este país está a matar-me aos poucos, este país está a matar a minha sanidade mental, o meu "lar"… estou tão desiludida com tudo isto.

    Bjs

    Sandra / Madeira

  48. Acho que se tenta passar a imagem de que a cultura é algo que não faz falta às pessoas e que quanto muito deve ser cultivada em casa. É uma pena chegar a este ponto.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  49. E os que compram, compram cada vez mais online, em portais estrangeiros. Como é que eu vou comprar um volume numa livraria se, pelo mesmo valor, posso comprar três online? É triste, mas infelizmente verdade.

  50. O preço dos livros está cada vez mais proibitivo, porque as editoras querem ficar com uma grande margem. É efectivamente muito triste…

    Telma

  51. É uma pena!
    Mas o problema principal não é o preço dos livros.
    As pessoas é que não têm dinheiro!
    Eu comprava, pelo menos, 1-2 livros por mês. A ultima vez que comprei foi em dezembro…

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