A besta ou o bestial Miguel Gonçalves?

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A sociedade actual empurra-nos, cada vez mais, para o rótulo fácil. É quase imperativo agrupar as pessoas, integrá-las em categorias, categorias essas que se resumem frequentemente a “bestiais” ou “bestas”.

Era assim que funcionava a cabeça de Steve Jobs. Quem leu a biografia do fundador da Apple sabe que, para ele, só havia génios e burros.

Acontece que a sociedade não é unicamente composta de génios e burros, e também os génios dizem disparates (basta ver o exemplo de Jobs) e os burros dizem coisas acertadas. Ou seja, os génios podem não ser assim tão geniais e os burros não serão assim tão estúpidos.

Isto a propósito da nova figura nacional, o Miguel Gonçalves, o jovem empreendedor que apareceu ao lado de Miguel Relvas e que vai ser o embaixador do “Impulso Jovem”, um movimento (ou uma política) lançada pelo Governo para impulsionar o emprego jovem.

Depois do discurso motivacional de Miguel Gonçalves muita gente apareceu a criticá-lo em blogues, nas redes sociais, nos jornais, a ridicularizá-lo pelo “discurso vazio”, “ideias feitas e básicas”, “lugares comuns” e até pela “pronuncia parola”, com li em alguns sítios.

Antes de aparecer ao lado de Relvas, Miguel Gonçalves era um rapaz respeitado, um exemplo de empreendedorismo, um motivador, um miúdo com o espírito necessário para vingar e levar a que outros o seguissem. Era bestial.

Ontem, depois de ter dado o primeiro passo na corda bamba da política, perdeu todo o respeito, passou a imbecil, vendedor de banha da cobra, artista. Uma besta.

Às vezes sinto que deixou de haver bom senso nas pessoas, capacidade de interpretação e espírito de compreensão. Miguel Gonçalves falou durante imenso tempo. Disse algumas coisas que me parecem óbvias e básicas, mas que, para mim, devem ser muitas vezes repetidas, porque nunca é demais lembrar que todos temos de tentar ser melhores, mais criativos, menos preguiçosos, mais proactivos, originais, diferentes. Temos de tentar ser a “vaca púrpura” que Seth Godin criou e aplicou às empresas (esta teoria de marketing defende que num universo de vacas pretas e brancas, se formos uma vaca de cor púrpura todos vão reparar em nós). Nada disto é particularmente novo, muita gente sabe que tem de o aplicar, mas muitas vezes é essencial que a mensagem circule para que nos motivemos a dar passos. E Miguel Gonçalves repetiu-o ontem. E em muitas outras ocasiões. Não é, ele próprio, original, mas faz o seu papel, e não é por dizer uma coisa que é mais ou menos conhecida de todos que se torna num idiota.

Mas Miguel Gonçalves também disse algumas verdades, verdades que, em Portugal, não podem ser ditas, sob o risco de ter meio mundo a apedrejar quem o diz. O exemplo que ele dá das propinas faz todo o sentido. Temos de as pagar, sim, é verdade. São 1000 ou 1200 euros por ano. Custa, é dinheiro. Mas se dividirmos este esforço pelo ano inteiro temos de pagar 100 euros por mês. O que Miguel Gonçalves disse foi: “Amigo, se tu com 20 anos não consegues ganhar 100 euros por mês para pagar os estudos, então, vais ter muitos problemas ainda maiores na vida”. Qual é o crime de dizer isto? A mim, parece-me óbvio, lógico. As criancinhas de 18 ou 19 anos não podem trabalhar em part-time enquanto estudam? Mas porquê? Em quase todos os países civilizados os jovens arranjam empregos para ajudar a pagar os estudos. Nos Estados Unidos é assim. Na Alemanha também. E em França. Na Suécia. E as propinas são bem mais caras do que em Portugal. Há uns anos, por exemplo, andei a ver em quanto me ficava um curso de guionismo na UCLA, em Los Angeles. Os três anos ficavam-me em perto de 300 mil euros (com residência incluída). Cá, um curso superior de três anos fica, no máximo, por 4 ou 5 mil.

O Miguel Gonçalves dá o exemplo das pipocas, dizendo que até a vender pipocas num cinema se consegue arranjar 100 euros por mês. E é verdade. Ou a servir cafés. Ou a entregar pizzas. Ou a trabalhar no McDonalds (estou a falar de part-times enquanto se estuda, não de trabalhos para a vida, atenção).

Quando era miúdo, e apesar de não viver com dificuldades, aprendi a trabalhar para conseguir as minhas coisas. Por ter muitos irmãos, era difícil aos meus pais realizarem os desejos de todos. Se um tinha, o outro também tinha de ter. E acabámos por, muitas vezes, ter de nos desenrascar sozinhos para conseguirmos coisas mais caras. Aos 16 anos, andei a vender facas de porta em porta para comprar um computador. Aos 17 andei a entregar pizzas para arranjar dinheiro para a carta de condução. Não foi por isso que me caíram as mãozinhas ou me tornei num delinquente. Pelo contrário. Tenho a certeza que isso me preparou para a vida. Mostrou-me o que é o mercado de trabalho, o quanto temos de lutar para conseguirmos as coisas, abriu-me os olhos para as tricas e intrigas de um local de trabalho, deu-me a sensação de ter um salário, ensinou-me a gerir o dinheiro, tudo coisas positivas. Tive menos tempo para mim, sim tive. Mas quando era estudante se havia coisa que tinha a mais era tempo. E se havia coisa que tinha a menos eram responsabilidades.

Claro que as coisas mudaram, os tempos são outros, há menos emprego, mas, para este tipo de trabalhos, coisas menores, part-times, continua a haver, nem que sejam sazonais. Um Verão a trabalhar rende, seguramente, 1000 euros a um jovem, que podem bem servir-lhe para ajudar a pagar as propinas.

Miguel Gonçalves não é um génio, não descobriu nada de novo, tem uma mensagem que é mais ou menos óbvia, sim, é verdade, mas também não é uma besta, um atrasado mental que só diz banalidades. Diz coisas acertadas, diz outras menos surpreendentes, mas tem uma mensagem de esperança, de luta, de optimismo, e é isso, para mim, que deve valer, principalmente numa conjuntura e num País que só sabe puxar para baixo, criticar e difundir a palavra do miserabilismo, da amargura, da tragédia.

Haja mais Migueis Gonçalves e tenho a certeza de que Portugal será um país melhor.

1 Comentário

  1. Cara Filipa

    Essa historia dos horários sinceramente não entra nos ouvidos de todas as pessoas. Por é para isso mesmo que existe ainda ( se não me engano) o estatuto de trabalhador-estudante. Embora hoje em dia não seja bem assim mas por ai existem sp os part-times digamos "pós-laborais", os biscates pagos por fora. Enquanto tirei a minha licenciatura tive 3 part-times para pagar a escola, para comer e ainda dava para os meus pequenos vícios diários. Tinha de me esforçar mais mas deu. Quando não mais fontes de rendimento e se quer estudar…tem de ser! Hoje em dia procuro trabalho na area mas continuo a trabalhar no que for no que aparecer para sobreviver. Nem sempre se faz o que se gosta… mas o importante é fazer e como li por ai neste blog… nc desistir!

  2. As pessoas quando não sabem o que criticar e o querem fazer só porque os outros o fazem vão a essas mesquenhices. Não ligue anónimo das 14:05 🙂

  3. Mas aqui ninguém está a falar em "aflitos". Em portugal só vai para a universidade quem pode, infelizmente (é verdade). Mas quem vai é porque sabe do preço a pagar, e do esforço que terá de ter. Por isso qual é o escândalo?

  4. O mais engraçado é que as pessoas que contestam aquilo que pagam por ano de propinas incluem-se muito provavelmente numa das seguintes situações: até têm part-time mas o dinheiro que recebem usam-no para se enfrascarem o resto do mês e para comprar tabaco; ou não têm simplesmente um part-time porque "ah, não me posso distrair das aulas, depois não tenho tempo para estudar" e nem chegam a meter os pés na faculdade durante um semestre; ou então, sem part-time e sendo os papás a financiar os "estudos" conseguem gastar mais dinheiro por ano em "extras" do que em propinas e alojamento.
    O problema em portugal é e continuará a ser o mesmo enquanto o pessoal nao perceber que cada um tem de fazer mais por si. Mas continuam a espera que "as propinas baixem" em vez de arranjar maneira de as conseguir pagar. É que só vai para a universidade quem quer. Quem não quer, não vai. Não tem porque reclamar.

  5. "Sotaque parolo e aparvalhado"????? É o sotaque do Minho! É de muito mau gosto falar assim acerca de um dos sotaques de Portugal!

  6. Eu quando estudei também preferia todos os dias quando saia das aulas ir para a frente da TV, jogar computador ou passar a tarde na esplanada a beber jolas… Mas não trabalhei sempre para pagar os estudos. O pessoal que critica não sabe o que são SACRIFICIOS, querem tudo de mão beijada, sem esforço dedicação e SACRIFICIO, as coisas tornam-se mais complicadas!

    E sabem o que me valeram esses sacrifícios??? Duas licenciaturas e um trabalho bom onde foram valorizados esses meus sacrifícios durante esses anos todos.

  7. devo dizer que eu trabalho pra pagar os estudos desde os 14 anos

    ja lavei escadas, ja trabalhei num kartodromo, num restaurante, ja engomei pra fora entre outros

    e assim fiz o secundario, mas terminado o secundario o plano era "arranjar um trabalho, tirar a carta, juntar um ou dois anos, e ir pra faculdade"

    nao arranjei trabalho, tirar a carta ficou fora de qestao e juntar tambem… com pai desempregado e mae a fazer horas qando ha, fora o irmao mais novo tmb a estudar, sem qalqer apoio estatal nas tres situaçoes, a soluçao passou por vender todos os meus objetos e com o dinheiro q isso deu pagar a viagem pra andorra onde estou agora

    e tenho 19 anos, e trabalhei dos 14 aos 18
    portanto trabalhar em portugal nao é so coisa de qem qer, ou de qem nao é preguiçoso

  8. O problema do Miguel Gonçalves não é ser besta ou bestial. O problema dele explica-se pelo princípio de Peter: foi promovido a uma posição em que só podia revelar a sua incompetência.Embaixador do Impulso Jovem? Poramordedeus!
    E as considerações do Arrumadinho sobre os biscates para jovens também estão muito desatualizadas. As coisas não são como há 10 ou 20 anos atrás.Talvez esteja a ficar velho para falar dos jovens ou esteja numa zona demasiado confortável para falar dos que estão aflitos.

  9. Por muito que concorde que se possa trabalhar durante os estudos dizer que 100 euros por mês serve para todas as despesas é uma parvoice. 100 euros não paga um terço da renda do quarto mais rasca do Porto.
    Mostra falta de sensibilidade para aqueles que, mesmo trabalhando em part time, tiveram que desistir da faculdade porque a faculdade não é só o custo das propinas.
    Por outro lado sempre critiquei muitos colegas que se choram pelos cantos com falta de dinheiro pois o esbanjam em festas e praxes e etc.
    Mas o problema do Miguel Gonçalves é o problema de todos: generalista e extremista nas declarações.

  10. De facto há cursos e cursos. Se o anónimo em Direito tirou o curso dessa forma, muito me diz. Não podemos generalizar a partir da nossa experiência pessoal. Eu, em arquitectura, nem queria acreditar nas conversas surreais que ouvia no autocarro por parte dos alunos de ciências sociais – "ah, tantas semanas sem trabalho, e agora nas férias de Natal é que os profs se lembram de pedir trabalhos?!"

    Sabem lá estas pessoas o que é deixar de ter vida social, deixar de ter tempo para ir ao ginásio, e em alturas de crise, parar unicamente para ir à casa de banho e comer uma sandes à pressa. Natal? Caríssimos, dias de Natal a trabalhar, família à mesa da ceia a pedir-nos para pararmos um pouco. Semanas a fio, disto. E os desgraçados que para além disto tinham de trabalhar, a caír em depressões, a deixar cadeiras para trás em estado de desespero, e a falhar noites de sono.

    O Miguel, se estivesse nesta situação, em vez de bater punho batia era com a cabeça.

  11. Pois, tudo muito bonito.

    Part-time não consegui nenhum, exactamente porque o horário da faculdade não era flexível o suficiente, e porque não há abundância de empregos neste país (não sei se está a par da actualidade). Por outro lado, os cursos não exigem todos da mesma maneira. Todos os meus colegas que tiveram de trabalhar enquanto estudavam perderam em média 2 anos pela dificuldade em compatibilizar trabalho com estudos – cursos como arquitectura exigem "48 horas" dos nossos dias de míseras 24 – com o consequente aumento do custo do curso. Isto já para não falar da saúde mental que andava no fio. Enfim.

  12. Posso dizer-te que faço parte do grupo de "adolescentes" com 19 anos, e que trabalha. Trabalho porque sou eu e apenas eu que pago os meus estudos. E pior: estou numa privada, onde pago 320€ por mês SOZINHA. Mas não foi por isso que não lutei por aquilo que queria e ambicionava! Meti corda nos sapatos, mexi-me por tudo o que era lado e arranjei um emprego para seguir aquilo que quero para o meu futuro.
    Acho que o nosso país tem um povo preguiçoso. Todos nos queixamos que não há emprego mas não fazemos nada para o procurar.
    Hoje, que estou no fim do meu 1º ano, a minha empresa dispensou-me para não ficar efectiva. Mas acham que fiquei de braços cruzados? Não. E devo dizer-vos que do último dia de contrato ao contrato na nova empresa, separam-se DOIS dias. DOIS! vim-me embora a 3 e a 5 já estava empregada. Porquê? Porque enviei cerca de 50 currículos em sitios diferentes.
    Quando o povo quer, o povo arranja.
    E deixo aqui outra nota: estudo na Universidade Lusófona, na faculdade onde "senhor" Miguel Relvas tirou a sua licenciatura. E posso também dizer-vos que custa, mês a mês, pagar uma propina (com dinheiro que muitas vezes nos falta para bens essenciais) sem pensar no futuro da nossa faculdade. Investir dinheiro numa faculdade que possa vir a fechar. Mas não é por isso que deixo de lutar por aquilo que quero ou que todos nós, alunos, queremos: uma licenciatura tirada com mérito. Sabem o que tem acontecido às pessoas que se formaram nesta faculdade o ano passado? Ninguém os aceita em lado nenhum, por não quererem estar associados a isto.
    Se o Miguel Gonçalves fala bem? Fala. Se fez mal em associar-se ao Relvas? Fez. e muito.

  13. http://www.youtube.com/watch?v=e1OYCcCGaSs

    pois, acho que as pessoas antes de falarem deviam pensar primeiro, nem o próprio Miguel acredita no que diz.

    Ele apenas diz o que querem ouvir e o português come tudo!!

    100€ por mes chega para as propinas, certo, e depois nao comem e vivem debaixo da ponte, assim arrisco-me a dizer que o estudante universitário portugues apenas precisa de 100€ para estudar, paga o primeiro mês de propinas e o resto fica para pagar o seu funeral

    :facepalm:

  14. Não concordo. Não foi depois do Miguel Gonçalves fazer o comentário das pipocas que passei a não gostar dele. Já não gostava. O típico homem que idolatra os americanos, engole as ideias deles e vem cuspi-las para o país dele como se fosse um génio.

  15. Concordo a 100000000% com o que o Miguel Gonçalves disse e também concordo com o seu artigo.

    O Miguel Gonçalves tal e qual como outras é uma pessoa que trabalha com motivação expoe sempre o "mudar" "crescer" "lutar". Sempre o achei bastante repetitivo, por exemplo, assistir uma palestra dele 2x não vale apena caso a 1ªx tenha ficado na cabeça.. no entanto é algo inspirador/motivador

    Mas… eu acho que as pessoas que precisam mesmo (urgentemente e obrigatoriamente) de assistir as palestras dele são os "coitadinhos" que decidiram mandar abaixo e criticar… pessoas que não fazem nada pela vida a não ser criticar..

  16. …=> O n/ filho mais velho comecou a trabalhar qdo estava no liceu(16 anos) e como tb era um atleta que tinha competido nos campeonatos nacionais Australianos no seu desporto, entao `a noite ele trabalhou p/t como arbitro do s/ desporto, bem pago p/ um jovem de 16-17 anos. E apesar de trabalhar e treinar ele conseguiu terminar o liceu c/ notas altas e a univ ate’ ofereceu-lhe uma bolsa de estudo p/ o 1*curso que escolheu (IT). Na univ ele sempre tem estudado `a noite enquanto tem trabalhado “f/t”como IT analista desde os 18 anos logo que comecou o 1*curso (bacherlato IT). Apesar de ele sempre ter trabalhado, e treinado no seu desporto, nao tinha nenhum tempo disponivel p/ desperdicar mas tb completou o 1*curso univ c/ distincao geral e ainda tinha 20 anos. Existe um ditado popular Ingles que diz:”If you want something done, ask a busy person”=(Se queres que algo seja feito, pede a uma pessoa ocupada)_Isso realmente demonstra que esse ditado corresponde `a realidade da vida! Quanto mais uma pessoa esta’ocupada mais habilidade tem de organisar o seu tempo p/ conseguir fazer tudo, e cria um bom habito quotidiano e que permanecera’ p/ o futuro. Existe tb outros ditados populares Ingleses que dizem: “Idle hands are the Devil's tools”=“Idleness is the root of mischief” (practicamente significa “que qdo nao ha' nada p/ fazer, e' mais provavel meter-se em problemas”).Em geral em Portugal penso que ainda existe a mentalidade entre jovens que trabalhar desde novo enquanto estudam e’considerado um ponto negativo p/ o “status” social. Enquanto que na Australia e’ completamente ao contrario, pois e’ considerado um ponto muito positivo em todos os aspectos.
    c) Em Portugal da’-se demasiado valor`as aparencias muito mais do que `as essencias de cada pessoa: Demasiada importancia `as roupas e calcados so’ p/ as aparencias, as marcas usadas, os simbolos de luxos/aparencias, as quantidades e marcas de carros de luxo, as joias, os restaurantes que se frequentam, onde se vai de ferias, etc. Sempre notei que existe esse contraste de aparencias enquanto que todos sabemos que a economia Portuguesa nao podia suportar essa aparencia principalmente quando fazemos comparacoes c/ outros paises c/ melhores economias, mas onde as pessoas sao mais relaxadas em relacao `as aparencias. Apesar de termos 3 casas em Sydney, e viajarmos por varios paises por muitos meses, qdo viajamos por Portugal, usamos roupa pratica p/ viagem, e nao temos qq preconceito ou vergonha em usar autocarros/camionetas e comboios (desde ja’ posso dizer que temos receio de conduzir em Portugal_nao se respeitam as regras de transito, nem os condutores nem os peoes_a “lei de prioridades nas ruas” que existe na conducao em Portugal e’a “lei de quem tem menos medo e’que tem mais prioridade”. Estamos habituados a conduzir carros automaticos, mas em Portugal a maioria de carros de aluguer sao manuais. Estamos habituados a conduzir pela esquerda, e em Portugal e’ pela direita). Mas p/ a n/ familia habituada a viajar por imensos paises durante varios meses mesmo qdo tinhamos criancinhas de colo, isso nao representa qq e dificuldade ou preconceito. Carregamos sacos de viagem e andamos de Norte-Sul em transportes publicos em Portugal, e s/ qq problema, mas talvez nao existam muitas familias em Portugal que fizessem o mesmo.Ja’ fizemos uma viagem `a volta do mundo por ½ ano c/ 2 criancas, voando/vivendo c/ malas de um pais para o outro. Em geral em Portugal existe uma mentalidade de que e’ melhor nao fazer nada (ex: viajar)se nao e’ c/ luxo e todos os comfortos quotidianos.
    Em relacao a aparencias em Portugal ate’ existe uma lei, que e’ proibido andar s/ calcado. Quando menciono isso aqui em Sydney, qq pessoa fica estupefacta. Na zona em que vivemos nas praias, que e’ uma das zonas mais caras de Sydney (onde as casas mais baratas custam ~$1,000,000.00)e’ comum ver pessoas a caminhar s/calcado, nas ruas, lojas, supermercados, cafes, etc. Infelizmente em Portugal ainda se pensa em funcao de que tudo deve ser feito "so' p/ Ingles ver…!" M.Sawyer (Sydney)

  17. Eu sou um Self made man de 34 anos. Com uma boa empresa. Quantas desses ideias brilhantes ja seguiu esse Sr. Miguel? Sou a favor do optimismo, mas sou contra a venda de "conversa" e de ideias pintadas de cor de rosa para os outros arriscarem. Para mim esse senhor e facilmente substituivel por um cd de autoajuda.

  18. E' optimo ver que em Portugal existem pessoas com a visao da realidade de outros paises! Estou a viver na Australia `a 25 anos, e sempre notei grandes contrastes com Portugal.
    Por exemplo:
    a)- Contrastes de atitudes no uso de transportes publicos: Em Sydney (que e’ a 3*cidade mais cara do mundo em 2013: http://realestate.aol.com/blog/2013/02/07/most-expensive-cities/#photoID-5622624) qualquer profissional a ganhar ordenados superiores a $100,000.00/ano, nao tem qualquer problema, preconceito ou vergonha em deslocar-se em transportes publicos p/ ir p/ o emprego. De 2*-a-6* Feira de manha cedo e ao fim da tarde, os transportes publicos sao frequentemente utilizados por passageiros de “fato-e-gravata” (e sem preconceitos e sem vergonha em fazer uso dos transportes publicos). Em Portugal tenho imensas duvidas que o mesmo tipo de profissionais utilizassem transportes publicos. Os preconceitos sao tantos que seria uma vergonha! Como diz o velho ditado popular Portugues: “E’ so’ para Ingles ver…”! Em geral vive-se demasiado em funcao de aparencias do que de essencias. Existe muita preocupacao exagerada com “o que os outros podem pensar!
    Mesmo alguns jovens em Portugal nao usam transportes publicos devido ao simbolo de "status" que existe na sociedade Portuguesa, e a mentalidade/preocupacao de “o que os outros pensarao ?”. Esses preconceitos que o uso de transportes publicos representam um "status" menos favoravel , nao existem nos paises do Norte da Europa, EUA, Australia ou Canada (onde existem sistemas economicos mais elevados do que em Portugal).
    b)- Jovens/estudantes a fazer trabalhos “part-time”, ou trabalhos casuais, ou mesmo “full-time”:
    Isso e’ muito comum na Australia, tal como em varios paises acima mencionados, pois os custos universitarios sao enormes e tb as companhias dao mais valor aos graduados candidatos que te^m experiencia de trabalho adquirida durante os estudos (isso demonstra nao so’ que sao capazes de trabalhar, que conseguem organizar bem o seu tempo, e que sabem fazer esforcos para conseguir algo). Por exemplo em relacao aos custos das propinas: de momento o n/ filho mais novo comecou este ano a fazer o “bacherlato de jornalismo” e cada cadeira individualmente custa $800/trimestre. Ele esta’ a fazer trabalho voluntariado porque em jornalismo nao e’ facil encontrar trabalho p/ jovens que estao a comecar o curso, apesar de ja’ se ter candidatado p/ um jornal e esta’ na lista de espera. E o mais velho esta’ a fazer o “mestrado de negocios, contabilidade e financas” e so’ cada cadeira custa individualmente $3,000/semester, e ele sempre estudou `a noite e esta’ no seu 2nd curso universitario e sempre com boas notas. Aqui e’muito comum, importante e valorizado por companhias qdo jovens comecam a trabalhar e a adquirir qualquer experiencia enquanto estao a estudar desde os ultimos 2 ou 3 anos do liceu (na Australia um jovem que nao faz qualquer trabalho p/ adquirir experiencia, isso sim e’ considerado ‘fora da norma’_ em Portugal penso que e’ completamente ao contrario!).
    Esses trabalhos que jovens fazem enquanto estudam sao importantes no desenvolvimento geral de cada jovem, e nem sempre e’ por necessidade financeira, pois ate’ temos rendimentos imobiliarios em Sydney. Mas e’ considerado necessario como valorizacao pessoal de cada jovem, e tb quando terminam os estudos universitarios ja’ te^m experiencia e rapidamente conseguem obter bons empregos mesmo nas empresas onde fazem estagios, p/t ou trabalho casual durante os anos da universidade.

  19. Mas Tiago, aqui a questão é que ele não se associou ao Relvas mas sim ao programa e aos jovens! Ele fê-lo pelos jovens! E por isso não comentou as políticas, não era a sua obrigação. Se calhar até nem concorda com elas… mas o que ele quis fazer foi associar-se a um programa que ajuda os jovens! Desde quando é que isso é mau??
    Parem de criticar por puro prazer.

  20. O Miguel diz o que as pessoas querem ouvir?? Acho que não se deve estar a referir à mesma pessoa de quem se fala neste tópico… É que tudo o que o Miguel Gonçalves faz é falar precisamente aquilo que não queremos ouvir. Faz-nos olhar para a nossa vida e reavaliar todas as nossas acções e as nossas decisões. Faz-nos sentir pequeninos por não aproveitarmos todo o potencial que temos e por não nos esforçarmos… Está bem que pode muitas vezes exagerar mas o que ele diz, é tudo menos o que as pessoas querem ouvir. E é só por isso que todos ficam frustrados e revoltam-se com ele… sabem que o que ele diz é verdade e custa demasiado encarar a realidade. Se fizessem mais do que serem meros sedentários sempre à procura da próxima pessoa para crucificar, este país já tinha andado para a frente. Arranjem o que fazer…

  21. quem nos dera a todos ter a motivação do Miguel para seguir em frente, ter a grande auto-estima para poder-mos arriscar mais, para muitos não passa dum fala barato para mim é um motor de inspiração.

  22. Arrumadinho, costumo concordar com o que escreve e tem toda a razão na questão do bestial e besta. Contudo, apesar de também gostar do Miguel e da sua energia o que disse realmente saiu-lhe mal.

    Em primeiro lugar deixo-lhe um link para que reveja os preços das propinas http://www.publico.pt/educacao/noticia/portugal-entre-os-dez-paises-da-europa-com-propinas-mais-altas-1562536 em seguida peço-lhe que entenda que a visão de cada um difere consoante a barricada em que está.

    Terminei a minha licenciatura em Junho, fiz um estágio não remunerado entre Abril e Julho, seguido de um trabalho como monitora em Agosto. Em Setembro os meus planos eram: arranjar trabalho, tirar a carta e juntar dinheiro para a pós graduação que quero tirar. Fácil não é? Sim, se vivermos num país onde há efectivamente trabalho: 52 CVs enviados por e-mail, mais umas 20 candidaturas espontâneas, mais uns quantos entregues em mão em várias lojas, em Abril continuo como em Setembro. Com planos. Call-center, lojas, recepcionista, secretária, assistente disto e daquilo a resposta é sempre a mesma. Desde Setembro fui a 9 entrevistas e todas com o mesmo resultado: umas avisaram que não tinha sido seleccionada, outras nem a esse trabalho se deram.

    Sei que tenho um grande handicap: não tenho disponibilidade para fazer noites porque não tenho transportes depois das 21h.

    Eu tenho tempo livre e nem um part-time consigo arranjar, sei bem o que são horários de faculdade e presenças obrigatórias, por isso se eu tenho dificuldade, os estudantes ainda a têm mais.

    É certo que nesses países os estudantes trabalham, mas também é certo que nesses países há trabalho. São realidades diferentes que não podem nem devem ser comparadas.

    "Amigo, se tu com 20 anos não consegues ganhar 100 euros por mês para pagar os estudos, então, vais ter muitos problemas ainda maiores na vida".

    Vais ter problemas sim, vais continuar sem arranjar trabalho mesmo depois de uma licenciatura, se a conseguires pagar.

  23. Estudar custa 100€ por mês? Meus amigos, vão dormir! Ou melhor, acordem! Eu estou no ensino superior e sou finalista, e fazendo contas, gastei cerca de 15.000€ em 3 anos. Sem contar com transportes de ir a casa e afins extraordinários. Nos Estados Unidos é mais caro estudar? Quanto ganham NO MÍNIMO por hora?? Somos um dos países com propinas mais caras na Europa e vivemos com 470€ de ordenado mínimo!! Com 40% de jovens desempregados e 17% da população desempregada! Querem comparar realidades?? Na Irlanda, um dos países com resgate!, uma pessoa a servir ás mesas ganha no mínimo 8.66€ à hora! A comida lá fica mais barata e a habitação anda à volta dos nossos custos cá.
    Vender pipocas faz se 100€? lol atrasado mental! Eu tive que contrair um crédito para poder acabar o meu curso.

  24. um curso não custa 4 mil euros para quem tem que pagar casa e viagens não chega! e arranjar um part-time hoje em dia é complicado estive um ano a procura de emprego em todas as áreas e não consegui nada! por isso não fales do que não sabes! o teu tempo era outro

  25. Provavelmente o que aqui vou escrever já foi referido por alguém anteriormente. Todavia, e uma vez que se acumulam comentários intermináveis sobre o Miguel Gonçalves, aqui expresso a minha opinião.
    No geral, o Miguel vende sonhos, sacos cheios de promessas vazias, apresentando-se como alguém que se auto-intitula de empreendedor revolucionário quando na realidade só se vende a ele próprio. "Bate punho" com mãos cheias de nada. Apesar de apresentar um discurso incoerente, banal e completamente óbvio, tenho que lhe reconhecer o mérito de conseguir vender o seu produto – Ele próprio, a sua imagem.
    Penso que o objetivo dele foi cumprido. Andar nas bocas do mundo. Quer se fale bem, quer se fale mal, a realidade é que ele é falado e isso ajuda na "comercialização" do seu produto – a sua imagem.
    O Miguel reflete tudo o que há de mal neste país relativamente ao empreendedorismo. Atualmente toda a gente quer ser empreendedor. A verdade é que a palavra está na moda e para mim tornou-se na palavra que mais odeio nos últimos 2 anos. É fácil discursar, é fácil motivar, o difícil é fazer acontecer e o Miguel não faz nada acontecer. Limita-se a discursar, com projetos de blá blá e nada mais. Todo o seu discurso anda à volta do mesmo. Não há nada de novo. Não são as suas palavras que vão resolver a atual situação de Portugal nem são as suas palavras que vão motivar ou ajudar. As suas palavras não são nada mais do que um oportunidade para se mostrar, para se divulgar.
    Para mim ser empreendedor é fazer acontecer e não dizer como as coisas devem acontecer. Neste aspeto, o Miguel não representa nada mais do que "vendedores da banha da cobra".

  26. Peloamordedeus… eu tirei o curso de Direito em Coimbra com uma boa nota sem trabalhar ao mesmo tempo e o que não me faltava era tempo! A maioria das pessoas nem vai às aulas e queixam-se da dificuldade do curso, mas a verdade é que só estudam na época de exames. Agora que já trabalho é que me apercebo do tempo livre e poucas responsabilidades que tinha na altura, podia perfeitamente ter arranjado um emprego ou participado num projecto qualquer. Se os alunos acham os cursos "muito trabalhosos", então nem quero pensar quando os acabarem e tiverem de trabalhar a sério.

  27. As propinas na Suécia são gratuitas durante o primeiro ciclo de estudos da Universidade. Verifique as suas fontes. 🙂

  28. Enfim… estudei em Coimbra e nunca consegui part time algum.. vocês deviam estar calados!! os cinemas, cafés, lojas estão cheios de estudantes a trabalhar em part time, devem pensar que há emprego para todos!!!

  29. Eu não critico o Miguel Gonçalves por o que acabou de escrever, Ricardo. Critico-o porque ele se colocou/associou ao lado do projecto "Impulso Jovem" onde é dada a oportunidade aos meninos recém-licenciados e até aos 30 anos poderem efectuar estágios remunerados (…, esquecendo que o desemprego está a partir dos 30 e poucos anos.. Eu, com quase 36 anos estou há um ano e sete meses em casa, com mais de 80 entrevistas em cima de Norte a Sul do país, com concursos para sair de Portugal, não me dão oportunidade de nada!! E depois vem o Relvas com o Miguel Gonçalves a falar q se precisa de trabalhar para pagar propinas e muito mais? Eu tb trabalhei antes de entrar para a universidade, durante a universidade e continuo a lutar pela minha vida. Sou empreendedora, sim!! Invisto em mim, na minha carreira pessoal e profissional! Nem comento a quantidade de cursos que tenho e experiência. Mais isso sou eu e muitos mais neste país.

    Critico as palavras de Miguel G. que ele deixou no facebook dele no qual transcrevi para o meu face na quarta-feira: "Se trabalha muitas horas – está mal! Ninguém é escravo." E questionei:"E vai trabalhar a custo zero, para o Relvas e comitiva que estão a levar o país para a ruína, precariedade? Mau demais…"
    Afinal, em três dias tudo deu uma volta de 360º.

    Agora passar de bestial a besta sei bem o que é e na maior empresa telecomunicações portuguesa, por causa de uma ex-chefe.

    Joana Figueira

  30. Ao que me parece, empregos a part-time para ganhar 100€ para pagar propinas hoje em dia estão ocupados por gente que tenta sobreviver em Portugal… as oportunidades não são assim tantas para se porem as coisas de uma forma demasiado fácil. A nossa realidade não é a mesma de outros países e não se podem fazer tais comparações. Mas se acham que fazer das tripas coração para sobreviver será a situação ideal e que todo o mundo é preguiçoso …

  31. Eu estou a adorar ler isto, sinceramente…

    Ora bem, o Sr Miguel passou a ser uma autoridade quando foi ao Prós e Contras e se pôs a falar de empreendedorismo, vendas e em projectos.

    Depois, o You Tube, redes sociais e afins ajudaram à sua fama, e à sua aura de "Sumo Guru" de gente empreendedora e que luta pela vida.

    Em termos gerais, sim, concordo que devemos ir todos á luta. Em termos gerais, sim, concordo que não faz mal trabalhar em part – time enquanto se estuda. Assim foi comigo quando estive a tirar o Mestrado. Só lamento não ter sido assim no meu tempo de licenciatura!

    Mas, e trabalhando num sitio onde os part – times abundam… eu posso dizer que já foi chão que deu uvas. Trabalho num call – center, e entrei num tempo onde a rotação de formações era uma constante. Entrava uma formação nova, passado um mês já era preciso fazer outra formação porque mais de metade da anterior já tinha deixado de prestar serviço. Antigamente as páginas de classificados estavam cheias de anúncios de emprego e agora são mais as prestadoras de serviços de relax do que os potenciais empregadores…

    De referir também que em preços de hoje, 100 euros por mês só servem para pagar as propinas. E se chegarem. Por outro lado, é necessário ter em conta que muitos cursos (sobretudo aqueles de âmbito mais cientifico ou técnico) exigem outro tipo de materiais que as tradicionais fotocópias ou livros. E isso também conta. Também conta as despesas que uma pessoa tem que ter – comer, dormir – se esta estuda fora da sua área de residência.

    E Ricardo, repara numa coisa: no teu tempo (meados dos anos 90), era muito mais fácil arranjar part – times no Verão. E num dos sectores onde trabalhaste – hotelaria e restauração – vive-se a maior machadada em termos de negócios e emprego à conta da subida do IVA. Diz-me, se fosse hoje, achas que conseguirias, com a mesma facilidade, arranjar o emprego que tiveste nas pizzas?

    Por isso, ao ler isto, todos têm a sua razão. E todos têm a falta dela. Não se deve, na minha opinião, atirar pedras a Miguel Gonçalves. Mas também não se deve endeusá-lo. Ele não diz nada de novo. Ele não faz nada de novo. Por vezes, a forma como passa a sua mensagem sugere que ele só diz barbaridades (o que não é totalmente verdade). É mais um caso de alguém que esteve no sitio certo, à hora certa – viu uma oportunidade e aproveitou-a.

    PS: E não considero que trabalhar 16 horas por dia, mesmo tendo um salário fantástico, mesmo fazendo fazendo aquilo que se gosta, seja forçosamente sinónimo de sucesso. Noutros campos há um preço muito alto a pagar. E o trabalho não é tudo na vida. É apenas um dos meios para alcançarmos os nossos sonhos. Acreditem que prezo e admiro as pessoas que se sentem bem no seu posto de trabalho e conseguem cumprir a regra dos três 8: oito horas de sono, oito horas de trabalho, oito horas de lazer.

  32. Muita gente não o julga pelo seu discurso, mas sim pelo facto de ter como "padrinho" o Relvas.

    Isso é injusto.

    Ele para chegar onde chegou teve que trabalhar, não foi fácil.

    A culpa disto assim até pode ser do governo, mas também é do povo.

    Porque eu vivo com dificuldades, tenho 20 anos e praticamente sustento uma casa e mesmo assim tento sempre encontrar novas soluções para avançar na vida. Agora acho é que existe algumas pessoas que têm o direito de reclamar, porque o governo as rouba, mas outras pessoas só reclamam por moda!

  33. Gostei do seu texto. Tenho 38 anos (e desempregada)e sempre trabalhei, desde os 16 anos (nas ferias, a fazer trabalhos sazonais). Nunca trabalhei na minha area de formação, mas trabalhei em varios sitios, desde vender electrodomesticos a atendimento em balcoes de serviço publico. ainda bem que o fiz, pois ensinou-me a poupar para o dia de amanha (graças às poupanças sobrevivo hoje). o Rapaz Empreendedor tem razao – temos que nos mexer. admito que as coisas não estao nada faceis, mas a esperança e a ultima a morrer.

  34. Agora, façam um teste ou então imaginem. Preparem um discurso para apresentar um projeto, ponham-se a falar com 50 câmaras apontadas para vocês. Acredito se pensarem bem e trocarem a expressão "para pagar os estudos" por "para pagar as propinas", não é um erro tão grave… Em 100 pessoas, 99 fariam pior. Daniel

  35. Sou estudante universitária e ouço diariamente os estudantes a queixarem-se porque as propinas são cara e não têm bolsa (muitas das vezes por falta de aproveitamento). E isto deixa-me indignada. Porque trabalho em part-time desde os 17 anos (tenho agora 23), porque nunca tive muitas facilidades económicas, tenho, por isso, o tempo mais ocupado que a maioria dos outros estudantes, e não é por isso que não deixo de fazer as cadeiras! E não me considero mais ou menos inteligente que os outros. E é com este pensamento de que as coisas deviam ser fáceis que os jovens crescem! E depois não se esforçam para atingir os seus objectivos. Tal como diz o Miguel Gonçalves, ele é bem sucedido mas trabalha cerca de 16h por dia. O sucesso não lhe bateu à porta, ele foi atrás dele. O que as pessoas têm é muita inveja e dor de cotovelo. E enquanto assim for, o nosso país nunca vai mudar!
    Parabéns pelo texto. É bom encontrar pessoas com espírito crítico e que olham para o mundo com olhos de ver!

  36. Obrigado por este Blog e por este post em especial. Neste momento, parece-me a única pessoa sensata a falar sobre este assunto. Estava quase a convencer-me que estava num país onde só existem energúmenos… :)O Miguel é meu amigo pessoal e custa ver uma pessoa justa ser atacada de todas as formas injustamente… Obrigado
    Daniel S.

  37. Isso é tudo muito bonito, tinha emprego com 16 e 17 anos. Pois tente agora arranjar um part-time desses por este país fora – e saia dos grandes centros porque os estudantes universitários não o são apenas nesses grandes centros. Depois venha falar deste assunto de novo e talvez já perceba porque é que muitos de nós não conseguem fazer os 100 euros por mês para pagar as propinas.

  38. Desde já os meus parabéns pelo blog.
    Apesar de gostar e de ir ao encontro dos ideais do Miguel Gonçalves. A verdade é que ele é um excelente orador de palestras motivacionais (e claro empreendedor). Mas não posso deixar de discordar com alguns pontos do discurso dele.
    1º – Tirar um curso universitário não custa €1000 por ano nem sequer perto disso.

    2º- Comparar com outros países é bom, mas não se pode esquecer as diferenças socioeconómicas de cada um. Desde salários minimos, oportunidades de emprego, IVA's, IRC's, portagens, impostos automóveis, etc etc, todas essas coisas que nos espremem até ao tutano.

    3º- Part time é um bom principio, eu próprio tive muitos, desde vendedor de telecomunicações, trabalhador nas obras, nas estradas ou funcionário numa fábrica de plásticos. MAS não nos podemos esquecer que esses mesmos part times estão neste momento ocupados por milhares de familias que estão desempregadas. NÂO não é fácil neste momento fazer €100 por mês.

  39. Sou estrangeira e moro em Portugal. Gostei muito da sua analise sobre o MG, porque é claramente "out of the box" e porque acho que essa é a perspetiva que se precisa neste país. Não deixa de surpreender-me a capacidade destrutiva da sociedade portuguesa até das coisas mas simples, só por haver uma relação com o governo ou porque não seguem a linha da vitimização que é tão reconfortante para tantas pessoas. Já vivi em países onde a gente tem que caminhar 3 horas para chegar a escola ou que tem dos empregos para pagar a faculdade o que simplesmente não tem essa alternativa. Muitos portugueses perdem de vista a sorte e os privilégios que tem com respeito a milhões de pessoas no mundo e esquecem-se de tirar proveito disso. E triste e frustrante, porque este é um pais magnifico, com muito potencial. Bastaria ir enfrente e deixar de lamentar-se, de se sentir constantemente injustiçado, de por todas as culpas nos politicos e de congratular-se com a desgraça dos outros.

  40. Fica 100 euros por mês quem não estuda fora de casa! Eu não tenho universidade na minha área de residência, as despesas são enormes! Quarto, contas, alimentação… Isso diz um puto mimado que sempre teve a mãe para lhe fazer as sopinhas e sempre viveu perto de tudo. Acho-o arrogante e em Portugal somos mesmo assim, só damos importância à escumalha… Não acho que nada do que ele diga possa ajudar alguém, dava bem para político, retórica é com ele.

  41. Tem razão. O melhor é não pensar mais nisso e ir gastar o dinheiro dos papás em mais uma noitada no Bairro Alto. Ou num qualquer festival de verão

  42. Estou a estudar em inglaterra e digo-lhe que as propinas são anormalmente altas, entre 6000 e 9000 libras. Quase toda a gente que conheço aqui estudante como eu trabalha em part-time, durante o periodo de aulas, e ainda mais gente trabalha full-time durante as férias. Cumprimentos.

  43. Quando alguém diz alguma coisa que nos atinge em cheio e não nos agrada, é sempre uma pessoa arrogante. Foi assim com a Isabel Jonet, foi assim com o Ulrich, é assim agora com o Miguel Gonçalves. Admitirmos que eles estão carregadinhos de razão é que não somos capazes…

  44. País sensacionalista que vive da crítica..
    Todos os que criticam gostariam do tacho para eles…
    São todos iguais sem que dêem por ela estão a matar projetos a nascença…
    Deixem as pessoas trabalhar e critiquem os resultados..
    Não percam tempo da vossa vida a criticar mandem um mail ao rapaz e perguntem no que podem ajudar…
    Estamos todos no mesmo barco!

  45. Por outro lado, uma pessoa que ganha a vida a falar em público tem obrigação de saber escolher as analogias mais apropriadas para a ocasião, e algo me diz que a venda de pipocas não foi acidente nenhum, apenas uma forma de minimizar a incrível dificuldade que se tem hoje em dia a conseguir um emprego pago com dignidade, sem vender ilusões a pessoas desesperadas ou a cobrar favores a amigos da mesma família partidária. Por outras palavras, nem todos somos Migueis.

  46. Caro carlos,
    Tenho muita pena que ainda nao tenhas conseguido entrar no mundo da Alice. Porque acredita que vias esta decisão com outros olhos ;)Não há ninguem neste país que tenha contribuido mais nos ultimos anos, para facilitar a comunicação entre aqueles que andam a procura de trabalho e aqueles que querem contratar. Ja proporcionou milhares de oportunidades a pessoas que só têm um objectivo: TRABALHAR! Não ha ninguem melhor neste país para dinamizar um programa que pcos conheciam e que não estava a ser aproveitado pelos que andam a procura de trabalho!

  47. O principal problema de "ouvir" o que o Miguel Gonçalves diz é precisamente este: saem da sala onde o homem do colete e dos ténis grandes esteve a debitar idiotices e repetem-nas até à exaustão.

    Aquele ar cansado do Miguel não é por acaso. Ele transpira, porque ele trabalha 16 horas por dia, e di-lo, orgulhoso. E os outros, os que lutam por uma vida melhor, com menos carga horária, para teerem mais tempo livre para ler, para ir à praia, para viver a família e os amigos, por exemplo, são calões e não vão longe.

    Mas voltando ao início: o que o autor do post fez, fizeram quase todos os jornais onde li a notícia de ontem. O que é bem mais grave.

    Citam o douto Miguel quando ele diz uma alarvidade que merece, merece mesmo, castigo.

    Fiquem a saber que, por ano, um curso fica, em média, em cerca de 6 mil euros no ensino público e em +60% no ensino privado. Mas isto é o que diz um estudo de 2011, feito por gente idónea. Mas se o Miguel diz que não… e dá muito trabalho ir pesquisar sobre o assunto, claro, então o Miguel tem razão.

    O que interessa é dizer o que o Miguel diz com um ar super entendido, quando não passa de um parolo que, no meio de tantas asneiras, também acerta.

    A ignorância que o Miguel perpectua é que é de criticar. Claro que podemos sempre criticar a forma como ele trata a língua, ou o sotaque aparvalhado que usa para fazer graça, mas no essencial, temos alguém que é esperto, apenas, porque se aproveita da sua proópria ignorância para receber palmas de ignorantes.

    Ser ignorante não é pecado, atenção. Ignorante é desconhecer. Não é ser burro, sequer.

    O problema disto tudo é que o Miguel é, agora, uma "autoridade", quando antes era apenas um palerma.

    Ou seja, quando o Miguel dá o disparatado exemplo das pipocas e dos 100 euros por mês, está a ser mentiroso e estúpido. Só.

  48. Por mais conversa que tenham no fundo, pelam-se todos por um tacho à maneira. O "homem da luta" é outro que anda mortinho, mortinho por um poleiro, é só ver as entrevistas dele.

  49. "Relativamente aos trabalhos de Verão, gostava que me apresentasse esse sítio onde "seguramente se ganha 1000 €" (palavras suas). Não conheço, mas asseguro-lhe que não me importava."

    A sério? Trabalho de verão é agora igual a exploração? Eu trabalho todos os Verões desde 2004 e sempre recebi pelo menos o equivalente ao ordenado mínimo… num parque de campismo e num hotel. Em dois meses chegava facilmente aos 1000€!

  50. Eu gosto muito da mensagem empreendedora que o Miguel Gonçalves passa. Já o "conheço" há muito tempo, fui acompanhando os primeiros discursos e partilho da maior parte das opiniões dele: está nas nossas mãos procurar e agarrar oportunidades. A minha tese de mestrado é sobre empreendedorismo, a minha vida é empreendedorismo e o post não podia vir mais a calhar 😉 os jovens de hoje estão muito acomodadinhos (e eu sou "jovem de hoje" também) e pseudo-revoltados com tudo e com nada. Triste de ver.

  51. Desculpe, Ricardo, mas não é bem assim como ditam.

    Falando apenas do facto de todos os estudantes conseguirem arranjar dinheiro, digo-lhe: Sou estudante na universidade do Minho – Braga. Desde Setembro que TODOS os dias concorro a TUDO que aparece em TODOS os sites de emprego que me seja acessível dada a minha condição de estudante e ainda não consegui nada.
    Portanto, não posso concordar com generalizações deste tipo.

  52. não acho que tenha sido uma experiência tão boa assim…
    não estava a trabalhar na minha área e agora essa experiência não vale de nada na área onde quero trabalhar. isto do ponto de vista das empresas porque do meu não é bem assim.
    para além disso, existe um certo terror psicológico exercído no tipo de trabalhos que tive o que só contribui para um desgaste maior.
    é mesmo muito complicado a questão de conciliar as duas coisas quando ninguém faz o mínimo esforço sem sermos nós.
    eu tinha as aulas, o trabalho, os trabalhos fora das aulas e não são só os chefes e os professores que são intransigentes, às vezes os nossos colegas são os piores (os mimados, sim). sinceramente nem me quero lembrar do que tive que ouvir de alguns e a ginástica de horários, o tempo que perdi por causa de outros.

  53. Vou ser curto e grosso:

    1- Relvas, que "tem" uma licenciatura que nem pôs lá os pés (não a tem obviamente), usa uma segunda pessoa para dar "recados" a quem anda a queimar realmente as pestanas (e as costas) nas salas de aula – estudantes universitários.

    2-Essa segunda pessoa, Miguel Gonçalves, diz no "recado" que se um jovem não consegue criar riqueza enquanto estuda, então vai ter problemas maiores no futuro.Miguel Gonçalves, é a mesma pessoa que assume que as palestras que dá, é que pagam as despesas da sua própria empresa, pois caso contrário teria que a fechar, pois não consegue criar riqueza para a manter (ver o documentário da SIC, "Momentos de Mudança").

    Irónico, não? É caso para dizer: Fala o roto e o nú, para os vestidos.

  54. Para mim a cronica acima termina no 3º parágrafo quando o autor assume por verdadeiro que o Miguel Gonçalves era considerado Bestial, (adoptando o seu próprio juizo de valor como verdadeiro para todos os efeitos), eu nunca o considerei bestial. Antes de chegar ao governo ninguem lhe ligava peva, riamo-nos das patacoadas e até era engraçado como aquele miudo debitava lugares comuns áquela velocidade pensando que estava a dizer grandes coisas. O problema do Miguel Gonçalves é o mesmo problema da borbulha no ecrã de cinema, ampliado é mais horrivel, menos tolerado. tal como o miguel Gonçalves lá no bairro é o cromo, no governo… pode ser um desastre sem proporções…

  55. Concordo em absoluto com esta partilha.
    Trata-se do risco de comparar o incomparável.
    E o discurso do Miguel parece, atenção, parece, poder ser interpretado como um incentivo à prática da economia paralela…

  56. Concordo em absoluto com o que aqui foi exposto.
    É comparar o incomparável.
    E o discurso do Miguel parece incitar à prática da economia paralela …

  57. Estou fora de Portugal e tenho de dizer que Portugal é um pais de jovens mimados, habituados a uma boa vida brutal. Casa dos papás, dormir até as tantas, almocinho na mesa, festinha na cabeça e uns trocos para as noitadas. Claro que há excepções, gente que luta e não consegue, porque ai não está mesmo fácil para ninguém, mas enquanto esses putos não se mentalizarem que têm de ir à luta, dar o litro e esfrangalharem-se a trabalhar para conseguir algo, com ou sem medidas governamentais melhores, não sairão do buraco. Mais do que o país em que vivemos, conta a pessoa que somos e acredito que é possível vencer na vida até no Bangladesh, tudo depende de nós. Mas o português, como sempre, está mais empenhado em criticar tudo e todos! Têm o que merecem…

  58. Claro que é díficil, muito díficil mas a experiência é muito boa coo deve reconhecer. Os putos há uns anos saíam da faculdade sem conhecimentos nenhuns a pedir logo 1000 euros no seu 1º trabalho só porque eram ' doutores '! Digo-lhe eu que trabalhei em RH! Acho que as leis que protegem os estudantes deviam ser mais fiscalizadas mas em Portugal ninguém fiscalia nada ( além da ASAE…)

  59. Todos os cursos são trabalhosos, todos requerem tempo dispendido, horas a fazer trabalhos. O que se vê à noite são jovens que vão para os copos e que para isso ja não prejudicam os seus estudos. Tenho um amigo que tirou direito e trabalhou ao mesmo tempo. A verdade é que teve que o fazer FAZ, quem tem os pais que pagam normalmente não investe muito esforço nisso. 🙂

  60. O Miguel fala bem, consegue motivar. Mas tem uma visão um pouco deturpada do que é a realidade. E basta fazer-lhes perguntas sobre a sua vida pessoal e família e a resposta dele diz tudo.

    Quando alguém diz que manda um email às 4 da manhã e espera receber resposta no momento como se fosse algo positivo diz tudo da atitude, postura e mentalidade que se tem. Ele é livre de o fazer mas achar que isso é o correcto é que é grave.

    Entrar na política pela mão do Relvas tb diz muito…

  61. Agora dirijo-me mesmo a si Sr Ricardo Arrumadinho. Esta coisa de ter milhares de leitores e aprovar comentários que levantam coisas como "olha o mitra" vindo de anónimos é muito mau e nunca uma coisa que levanta uma suspeita e é ofensiva daquela maneira pode ser aprovada vindo de um anónimo. Estou a gostar de ver as pessoas a expor a suas ideias (mesmo os anónimos) e pontos de vista, faz-nos bem, ler molda-nos opiniões independentemente de concordarmos ou não. Querem acusar e apontar o dedo a pessoas então tenham-nos no sítio e apresentem-se com o vosso nome/perfil verdadeiro.

  62. Sempre achei o discurso do Miguel, um pouco utópico. E sinceramente continuo a achar.
    Por um lado até concordo com ele, quando diz algo como: temos de mostrar às empresas, porque motivo é que elas tem de comprar o nosso trabalho.
    Mas por outro não é nada fácil por o que diz em prática. Somos quase 1 milhão de desempregados, e não me acredito que sejamos 1 milhão de burros, desempregados.

    Não concordo com a parte das propinas. Foi um exemplo, na minha maneira de ver as coisas, descabido.
    Eu até posso ganhar 100€ por mês para pagar propinas. E quem me paga o alojamento? E quem me paga o material de estudo, as sebentas e os livros? A alimentação? Transporte? Etc, etc, etc…

    Lá está, utópico.

  63. Sempre achei o discurso do Miguel, um pouco utópico. E sinceramente continuo a achar.
    Por um lado até concordo com ele, quando diz algo como: temos de mostrar às empresas, porque motivo é que elas tem de comprar o nosso trabalho.
    Mas por outro não é nada fácil por o que diz em prática. Somos quase 1 milhão de desempregados, e não me acredito que sejamos 1 milhão de burros, desempregados.

    Não concordo com a parte das propinas. Foi um exemplo, na minha maneira de ver as coisas, descabido.
    Eu até posso ganhar 100€ por mês para pagar propinas. E quem me paga o alojamento? E quem me paga o material de estudo, as sebentas e os livros? A alimentação? Transporte? Etc, etc, etc…

    Lá está, utópico.

  64. Oh Arrumadinho!…
    O travo de inocência e ingenuidade que este seu post revela é no mínimo desconcertante. Oscila, neste rebanho de palavras, entre a "besta" e o "bestial"… A sua convicção sobre a realidade, por adequada experiência que tenha na vida, é protótipo da arrogância de muitos jornalistas atuais: confundir convicções e senso comum, com factos.

    Contribuo, com gosto, para o sucesso do seu Blogue. Mas não consigo tolerar devaneios eruditos em defesa de um proclamado "bem nacional" – Miguel Gonçalves – discorrendo sobre banalidades e lugares comuns.

    Miguel Gonçalves, como o Arrumadinho, resultam da adopção de boas estratégias de Marketing e Comunicação, subtis. Devem louvar-se por isso. Mas não devem, sempre, vangloriar-se, nem idolatrar-se por isso. Haja sentido crítico e reflexão!

    E, neste caso, apresentar-se ao lado de Miguel Relvas é razão mais que suficiente para descredibilizar o que poderia ser o maior embaixador dos proclamadores de motivação e empreendedorismo nacionais que tanto engodo nos trazem!

    Há realidades, Arrumadinho, que estão muito longe daquela que conhece e que experimentou!

    http://omeninodocoro.blogspot.pt/2013/04/o-alternativo-e-empreendedor-vendedor.html

  65. Quando fiz 14 anos matriculei-me na escola industrial e comercial pós laboral ,que o estudar de dia não era para todos ,era ver as turmas repletas de alunos com sede de progredirem e ser-se mais culto,os transportes colectivos não chegavam a todo lado.É óbvio que nem todos tiveram sucesso, mas quem se empenhou e se dedicou chegou a onde queria.Os tempos são outros mas a essência está lá, como cá.

  66. O que eu tenho a dizer do Miguel, está muito bem escrito num blog aqui ao lado:

    "4) Motivational speaker, o coach, ou o raio que o parta. Bom, cada um é livre de optar pelo endireita em vez de ir ao ortopedista, verdade? Mas o que é o coaching? Para além de uma profissão não reconhecida pelo IEFP, é uma abordagem exclusivamente focada no periférico da estrutura psicológica e, consequentemente, menos provável de manter a longo prazo, tornando-se, tendencialmente, numa aquisição efémera. Uma espécie de tarefismo inconsequente, um extreme makeover: pega-se na gorda, leva-se ao cabeleireiro, compram-se uns trapinhos. A senhora, agora disfarçada de menos gorda pelos trapinhos selecionados, diz maravilhas da vida. Três meses depois, volta tudo ao início, porque o cabelo cresceu e as roupas já não são novas. "

    http://365forte.blogs.sapo.pt/58669.html

  67. Acho que é necessario não generalizar, nem todos os estudantes têm uma vida espectacular em que tudo o que não lhes falta é tempo. Acabei agora a minha licenciatura em Enfermagem, durante os últimos dois anos frequentei diferentes estágios clínicos, em que o meu horário era igual ao de qualquer outro enfermeiro e para além disso ainda tinha aulas, trabalhos para entregar e muito muito que estudar. Como é obvio, fazendo turnos, tendo apenas 1 folga semanal e sem fins-de-semana quando iria eu ou qualquer outro colega ter tempo para um part-time? É muito triste, mas no passado ano lectivo vi muitos colegas a abandonar um sonho por não conseguirem o dinheiro para pagar as propinas….

    Claro que cada caso é um caso, e sim defendo que os juvens podem e devem contribuir financeiramente para a sua eduação. Afinal de contas aqueles dois anos de estágios, mesmo que não remunerados, foram uma grande experiência de vida que em muito contribui para o meu crescimento pessoal.

  68. Frequentar uma faculdade (não falando em privadas) fica muito mais do que 1000 euros por ano. É o alojamento, a alimentação, os transportes, fotocópias, livros, etc etc. As pessoas generalizam muito e acham que os estudantes só querem noitadas e festas, e que é nisso que gastam o dinheiro. Mas não. E também não é fácil arranjar um part-time. E mesmo que se arranje, e se alivie uma conta aqui e ali, o dinheiro não estica. A obrigação de qualquer estudante é estudar sim, mas não nos podemos esquecer, que são seres humanos e que têm uma vida para além do estudo. E é importante dizer que há cursos mais trabalhosos que outros, com mais carga horária, o que dificulta mais as coisas. Na teoria é tudo muito bonito. Por isso não concordo que os estudantes não trabalhem por preguiça ou com medo de partir uma unha. Não concordo que muita gente chame de mimado a quem estuda e não trabalha. Há pais que infelizmente não têm possibilidade de pagar um curso a um filho. é triste mas é a realidade. Contudo, não podemos criticar aqueles que não trabalham porque felizmente os pais podem ajudar. É o mesmo que comprar uns sapatos novos todas as semanas. Se o dinheiro é meu ninguém tem nada com isso. Se há estudantes que não precisam de trabalhar, ninguém tem nada com isso também.

  69. Eu paguei o meu mestrado a trabalhar Part-time na Holanda. Adorei porque trabalhava 12 horas por semana na cantina da Universidade e com isso dava para ficar com o estatudo Holandes de aluno-estudante. Em pratica um aluno UE pode ter esse estatudo se iver um trabalho legal e pagar impostos, assim o aluno passa a ter direito à bolsa de estudante trabalhador. Ccom isso, tinha uma bolsa de 250 euros e um salario de 450, a dividir a casa em amesterdão com um amigo consegui sempre pagar todas as minhas contas e a propinas mensalmente (1600euros por anos, não era muito na altura-2006). Senti-me espetacular por não ser mais um encargo para os meu pais. Mas saí do país porque era mais facil ter um Part-time legal do que em Portugal. Amigos meus, na altura, tinham a dificuldade de fazer o mesmo pois muitas companhias exigiam o tempo inteiro, 40 horas ou nada, o que era impossivel.Mas concordo com ele, pois na holanda toda a gente traalha desde os 16 anos. Comeca a entegar jornais, fazer pipocas, supermercados etc, o que interessa é fazer os trocos para comprar o CD, viajar no fim do ano escolar, pagar propinas na Universidade etc. No mestrado já há quem até providencie serviços freelance na area do bacharel… Por esta e por outras é que paises do Norte não acham piada nenhuma que as suas economias vão parar a fundos europeus que depois entram em paises onde isto é visto como "filho meu não trabalha porque eu posso bem pagar, não somos pobres!" ouvi isso tanta vez…agora penso, muitos de nós são realmente pobres, pobres de espírito…. Vai mudar, tenho pensamento positivo nisso, mas em Portugal o povo anda demasiado carrancudo e a atacar quem tem as melhores energias para Portugal. E isso é do mais baixo e triste que temos, deviamos ter vergonha de fazer uma coisa dessas com as pessoas que teem a motivação para levantar um país.

  70. Os Portugueses têm muito o hábito de se acustumarem, não têm ambição para progredir e o MG é muito bom a motivar.
    O facto de ele aparecer ao lado de Relvas, faz com que quem não conhecia o MG, vai ficar com um pé atrás, a primeira impressão que vão ficar não será a melhor por causa do Relvas.

    Mas concordo plenamente contigo Arrumadinho, das tuas palavras fazia minhas,

    Um abraço,
    Kititta

  71. Lamentável falar de uma realidade que desconheces…Eu sempre trabalhei em part e full time e este ano, o meu ultimo ano de curso, não consigo arranjar trabalho apesar de concorrer a literalmente todas as oportunidades que vejo. Estamos em Abril e continuo a aguardar o resultado de uma bolsa de estudo que não chega.Se chegar ao final do ano sem capacidade para pagar as propinas a faculdade não me reconhece as cadeiras feitas este ano.Lamentável pois apesar do meu crime(ser filha de uma pessoa que está actualmente desempregada, e de outra que subsiste de uma pequena reforma por invalidez)é ter tido notas, vontade ou ambição para estudar.Já vimos que isso é só para alguns.E nem sempre os melhores.

  72. É engraçado…eu não conheço o Miguel Gonçalves de lado nenhum. Até achei piada ao discurso dele uma vez no Prós e Contras. Um dia estava a ver um discurso dele no Youtube e o meu marido disse: "olha, o Mitra!" Lá me explicou que tem amigos da mesma terra dele e que o conhecem de gingeira… por isso a Sara Morais acertou na mouche! E o engraçado é ter-se juntado a outro mitra-parasita. Assim nunca iremos a lado nenhum e a política, que deveria ser algo de nobre e ao serviço do país…é cada vez mais uma teia de conhecimentos e cunhas que ascendem aos lugares chave de forma nojenta.

  73. onde é que eu posso comentar ?! ai é aqui .. já vi !!!
    pergunta : onde é que há part times nesta altura do campeonato ? já saiu de casa e tentou arranjar emprego ? a não ser que trabalhe mesmo por 100/ mês não vejo grandes saídas profissionais

  74. criancinhas de 18 e 19 anos. o comentário mão me ofende (ou deveria ofender?) pois tenho 21. engraçado porque depois fui ver a sua magnifica sondagem e… para meu espanto sao as pessoas que cataloga como criancinhas que mais visitam,participam e comentam o seu blog e aderem aos passatempos. tudo escrito por si na sua magnifica sondagem, que quem visita mais e quem passa mais tempo no seu blog e da opiniões acerca do que gosta, nao gosta e ainda de gostaria de ver publicadono seu blog sao pessoas entre os 17 e os 25 anos, segundo o que a sua sondagem diz. quer me crer que anda a morder na mão que lhe da de comer nao? pois eu conheço muitas peses as de 18 e 19 anos que nao considero criancinhas mas tambem conheço pessoas de 18 e 19 anos que sao criancinhas admitidos pelos próprios e sem qualquer problema nisso atenção) agora, mais raro, tambem tomei conhecimento de um caso de uma criancinha de 35 anos. voce

  75. Tudo é isso é verdade… o problema e que infelizmente todos se esquecem é quem vive fora das grandes cidades… e quem tem de sair de casa dos papás para ir estudar. Neste caso (que é a maioria) não se vive com 100 euros de andar a vender pipocas ou o que quer que seja. E por muitos sacrificios que se façam o custo de ir estudar para fora é por volta dos 400/500 euros. Por isso antes de andarem a mandar bitaites vão ver o que realmente se passa no nosso país (porque Portugal não é só Lisboa e Porto).
    Quanto a ideias originais para investir e tentar criar os seus próprios trabalhos também acredito que haja muitas, o problema é a falta de dinheiro para os investimentos iniciais e a desajuda e toda a burocracia que aparece sempre… isto já para não falar na quantidade interminável de impostos que se pagam e que ainda antes destas pequenas empresas poderem crescer ficam condenadas à nascença.
    Por isso se calhar em vez de falar para os Portugueses, o Miguel Gonçalves deveria dar algumas lições de investimento ao nosso "querido" governo, pode ser que assim eles aprendam alguma coisa.
    No entanto e apesar deste comentário, acho que se o Miguel Gonçalves era bom, continua a sê-lo… mas sempre ouvi dizer " diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és".

    http://mysweethearthome.blogspot.pt/

  76. Considero inadequada a comparação que faz entre as condições de trabalho dos estudantes em Portugal e noutros países. Eu estudei em Portugal e na Alemanha e por isso deixo aqui algumas notas que justificam a minha posição.

    Não é verdade que as propinas sejam mais elevadas na Alemanha. Podem ser. Mas na grande maioria dos casos não são. Na Alemanha todos os semestre os estudantes pagam obrigatoriamente uma taxa (Semesterbeitrag). Esta taxa varia de Estado para Estado entre 70-270€ por semestre. Esta taxa é dividida em parcelas para pagar o passe semestral para os transportes públicos, despesas de secretaria, contribuição social (para a organização que gere as cantinas, dormitórios, etc.) e uma contribuição para a organização que representa os estudantes. Para além desta taxa existe uma propina propriamente dita (Studiengebühr). Na maioria dos casos só se aplica se o estudantes estiverem a frequentar uma segunda licenciatura/mestrado ou a partir do 15º semestre). Actualmente, apenas em Bayern e Niedersachsen todos os estudantes têm de pagar propinas que custam entre 100-500 Euros por semestre. Os alunos têm um prazo de 10 anos para a Studiengebühr. Inicialmente (2005) mais Estados instituíram propinas no ensino superior que foram sendo progressivamente abolidas. Portanto, estudar na Alemanha pode variar entre 70 a 770€ por semestre (e volto a lembrar que estes valores já incluem o passe para os transportes públicos!).

    Na Alemanha os estudantes não pagam impostos sobre os rendimentos do trabalho sejam trabalhadores independentes ou por conta de outrem. As empresas podem criar postos de trabalho especiais para estudantes. Estes postos de trabalho não podem ter mais do que x horas semanais e os empregadores pagam menos impostos por estes trabalhadores. Estes benefícios fiscais criam uma dinâmica na oferta/procura de trabalho para estudantes que não existe em Portugal. As próprias Universidades alemãs têm postos de trabalho para estudantes quer permanentes (cantina, biblioteca, arquivo, secretaria, etc…), quer pontuais (mudanças, arrumações, vigiar provas, etc…).

    Na Alemanha não existe (ou se existe nunca ouvi falar) o “Estatuto do Trabalhador-Estudante”. Esta figura legal nasceu em Portugal para proteger os estudantes que trabalham mas na verdade serve de muito pouco. Para além de ser uma lei pouco flexível e quase obsoleta, ao catalogar os estudantes, este estatuto tornou-se sinónimo de “estudante pobre”, criando um estigma em relação aos trabalhadores-estudantes (quer tenham requerido esse estatuto legal ou não). Esse estigma não existe na Alemanha.

    Claro que os estudantes podem e devem trabalhar. Eu trabalho desde os 17 anos e paguei todos os meus estudos (propinas, livros, casa, transportes, alimentação…tudo por minha conta) em ambos os países. Todavia, não gosto do discurso do Miguel Gonçalves. Cinge-se à lei do mais forte, à lei da oferta/procura e à culpabilização dos que não são como ele. As pessoas não são mercadoria e no mundo não há só criativos, “party animals” e extrovertidos.

  77. Caro O Arrumadinho,

    Para alguém que se formou em jornalismo tenho que te chamar à atenção para a necessidade de expressares as ideias com síntese, posts demasiado longos tornam-se maçadores, não fiques ofendido com o meu ponto de vista.

    Adiante e agora abordando o tema em questão, ao dizeres que esse sujeito que dá pelo nome de miguel gonçalves foi contratado por miguel relvas, já disseste tudo, não há nada mais a acrescentar. O calibre do padrinho diz muito sobre o carácter do afilhado. É como se fosse um certificado de inaptidão moral e funcional.

    Pela tua análise, parece-me que enveredas pela teoria de que estamos perante um empreendedor de sucesso e um modelo a seguir, discordo profundamente. Primeiro, essa criatura é conhecida por impor regimes de trabalho semelhantes a escravatura na empresa onde trabalha, obrigadando nomeadamente designers a fazerem directas como retribuição por lhes proporcionar emprego. Acho errado, um empreendedor de sucesso deveria perceber que a qualidade de vida dos colaboradores está directamente relacionada com a sua produtividade.

    Digo ainda para finalizar e para não me tornar também eu extenso, que se esse miguel gonçalves, um gajo divertido a mandar umas lérias e palpites, é um psicólogo de formação, então se calhar devia estar no júlio de matos mas como utente.

    Um abraço respeitoso apesar da divergência de opinião

    O grande problema desse demagogo é que confronta os outros com determinados problemas enraizados na nossa sociedade e toma o partido dos fortes que oprimem os fracos, como se comer e calar devesse ser o novo mote nacional.

  78. É tudo muito bonito, disse muita coisa acertada assim como o Miguel o disse.
    Mas explique-me uma coisa, que é o que continuo sem perceber, em que faculdade é que uma licenciatura custa 100 euros por mês?

    A questão do trabalho dá para muita discussão, dizer que é fácil, abrange toda a gente, e nós sabemos que todas as afirmações que abrangem toda a gente acabam por ter maus resultados.

    Mas o que eu queria mesmo perceber, é se realmente alguém neste país acha que a vender pipocas, a trabalhar no modelo, numa loja, ou num call center algum jovem paga um curso.
    As propinas dão 100 euros por mês é isso? ah pronto…
    E o resto?! O transporte? A renda da casa se for o caso? A alimentação? Os livros? As fotocópias? a comida que nem sempre é possivel trazer de casa?

    Ele tem muita razão e que continue a ser impulsionador, mas não somos todos uns parvos que aqui andam que se vendessem pipocas deixavam de ter uma série de problemas.

  79. Quando andei na faculdade, trabalhei em part-time e consegui-o com alguma facilidade. Hoje em dia, as minhas primas andam a estudar, querem ajudar os pais e nao conseguem arranjar nenhum part-time e vontade não lhes falta!
    Não compares a nossa geração com a actual onde os trab de part-time são ocupados por licenciados pq estes não conseguem arranjar trab nas suas areas.

  80. Concordo plenamente!
    Ainda estou para perceber como é que há pessoas que acham que estudar na Universidade pública custa apenas 1000€ por ano… Além dos 160€ de propinas por mês, ainda falta o dinheiro que se gasta em material, fotocópias, transportes, alimentação e para os estudantes deslocados o alojamento e respectivas despesas (cerca de 200€). Por isso estudar na Universidade pode custar 500€ por mês!

  81. ola. eu adoro ouvir o Miguel Gonçalves falar. Não é nenhum vendedor de banha da cobra, é simplesmente capaz de dizer aquilo que muita gente gostaria de dizer e não tem coragem de dizer. Eu concordo com os ideais deles, se cada um de nós fizer um pouquinho por si, todos juntos podemos ir longe, deixemo-nos de queixumes; cada um de nós por si só não pode mudar o país, mas podemos sempre mudar algo na nossa vida, como dizia o anuncio… se eu não gostar de mim…quem gostará? como diria o Miguel – se eu não fizer nada por mim, quem fará?

  82. Confesso que não acho grande piada ao discurso do Miguel Gonçalves, mas também não o considero um idiota, até porque nunca perdi muito tempo com ele. Mas não posso deixar de concordar com o que dizes sobre o trabalhar para financiar os estudos. Tanto eu como a minha irmã trabalhamos na faculdade, aliás já trabalhávamos antes. Nós sabíamos das dificuldades dos nosso pais, sabíamos da ginástica orçamental necessária para mandar as duas filhas para a faculdades (tanto o meu pai como a minha mãe faziam biscates ao fim-de-semana para aumentar o orçamento familiar), obviamente não íamos ficar de papo para o ar à espera que os paizinhos nos dessem tudo. Não precisávamos de pagar as propinas do nosso bolso (até porque na altura eram bem mais baixas), mas pelo menos não dávamos despesas desnecessárias (roupas, saídas, transportes, almoços, jantares de curso e afins). Durante anos os meus verões foram passados a trabalhar (felizmente numa esplanada na praia), quanto muito conseguia juntar umas folgas para ir a um festival ou outro. Mas tive muitos outros trabalhos, desde caixa de supermercado, bares, gelatarias… Não me custou nada e ainda bem que este foi o meu percurso. Apesar de ter o emprego que ambicionava tenho vários planos b, pois tenho experiência noutras áreas e dos sítios onde saí ficaram muitas portas abertas.
    As dificuldades financeiras são de facto um entrave nos casos em que os filhos têm necessidade de ajudar os pais. Tirando isso só limita quem tem pobreza de espírito. Quando tinha 10 anos uma vizinha disse-me: "pessoas como nós não vão para a faculdade". Bem, eu já estou a meio do doutoramento…

  83. Caro,

    Focando em primeiro lugar o próprio Miguel Gonçalves, creio que ele é um bom comunicador, mas não um bom motivador. Tem um discurso vazio, aliás, como a maior parte dos defensores acérrimos do empreendedorismo. Além de dizer coisas vazias, sem aplicação prática, é demasiado "imaginativo", à falta de palavra melhor. Compreendo perfeitamente que haja pessoas a adorá-lo, a achá-lo um motivador "do caraças", mas, para mim, não funciona. Too much crap.
    De qualquer maneira, agora os discursos do emprendedorismo são quase como as televendas. É algo mágico, que vai resolver todos os nossos problemas e vamos obter resultados em segundo… Enfim, adiante.

    O passar de bestial a besta. Está na moda, sabe? Actualmente, todos têm um opinião sobre tudo e, mais do que tê-la, têm a necessidade de a partilhar com o mundo. Sempre, sobre tudo.
    O problema é que diz-se o que se quer a bandeiras despregadas, sem o mínimo de bom senso, sem o mínimo de reflexão acerca do assunto. E assim, sem sabermos muito bem como, a opinião idiota de uma pessoa, passa a ser a opinião de várias pessoas idiotas.
    Hoje, é demasiado fácil rotular e mudar o rótulo.

    No que concerne os empregos part-time, tenho de discordar da sua opinião.
    Tenho 22 anos, sou de Coimbra, licenciada, a tirar mestrado, trabalho desde os 18 anos, já passei por 5 lojas de centro comercial, sempre em regime de part-time e posso-lhe garantir que desde então, os tempos mudaram muito.
    Se na sua altura os lugares existiam, só faltava quem quisesse 'sujas as mãos' e trabalhar, hoje a coisa passa-se de maneira diferente.
    Até quando eu comecei nestas lides, a história era outra. Hoje, os lugares são contados, os ordenados miseráveis (salvo raras excepções) e os candidatos mais que muitos.
    Se há muito menino do papá (em todo lado, mas principalmente em Lisboa) – e desde já me desculpem a discriminação, mas falo por experiência do que já vi e vivi na capital – que tem medo que o trabalho lhe parta uma unha, acredite que há muitos mais (principalmente estudantes universitários e recém-licenciados) que gostariam de ter um part-time e não o conseguem arranjar.
    Não há conta aos jovens ( e não tão jovens assim) que todos os dias, de Cv na mão, percorrem os corredores dos centros comerciais e zonas de comércio, a entregá-los porta-sim, porta-sim e que nunca obtêm respostas.
    Ainda, há casos em que o trabalho não compensa. Ou melhor, monetariamente não compensa.
    Na loja onde trabalho, ganho 200€ por mês. Se tivesse de pagar gasóleo para me deslocar para lá, mais me valia estar em casa. Só assim não é, porque um emprego destes não se justifica apenas pelo dinheiro. Significa actividade, sentimento de que se é útil e ajuda-nos a fugir a esse 'monstro' que é o desemprego.

    Relativamente aos trabalhos de Verão, gostava que me apresentasse esse sítio onde "seguramente se ganha 1000 €" (palavras suas). Não conheço, mas asseguro-lhe que não me importava.

    Havia mais coisas a dizer, mas a falta de paci~encia por estar a escrever este comentário pela segunda não me deixa alongar-me.

    Atenciosamente,
    Alexandra Silva

  84. Eu gosto do Miguel, por isso tenho pena que tenha tomado esta opção. Tirou-lhe a credibilidade, roubou-lhe a admiração dos jovens que viam nele um exemplo a seguir. Juntou-se ao sistema e, ao juntar-se a governantes que só nos lixam, tornou-se uma pessoa não grata.

    Concordo com muito do que o Miguel diz. Obviamente que algumas coisas acho um exagero, pois nem todos podemos ser grandes empreendedores, por muito que tentemos. A maior parte de nós nunca vai conseguir uma carreira de sucesso, por mais que se esforce. É a vida, não podemos ser todos grandes e bem sucedidos.

    Por outro lado, adoro ouvi-lo dizer que esta juventude é preguiçosa e mal acostumada. Sempre trabalhei, na faculdade. No verão do primeiro ano de faculdade, estive três meses na Loja do Gato Preto, a ganhar dinheiro para as minhas coisas. Depois, durante os outros dois anos, ia fazendo promoções ao fim-de-semana. Custava-me horrores, perdia fins-de-semana, mas nunca gostei de viver à custa dos pais – nem a minha mãe podia sustentar-me as vaidades.

    Durante o meu primeiro ano de mestrado, trabalhava dois dias por semana, numa loja. Ganhava cerca de 220 euros por mês, era pouco, mas a minha mãe nunca mais me deu mesada. As propinas eram pagas com a bolsa que tinha. A mãe ficava com a grande responsabilidade de pagar a casa, as contas e a comida – já era mais do que muito. A minha tese, consegui fazê-la com excelência, mesmo já trabalhando 8 horas por dia, 5 dias por semana.

    Se fiz algo de especial? Nop. Fiz o que devia ter feito. Se os nossos estudantes não fossem tão… acomodados… talvez entendessem melhor o que o Miguel diz. Lá está, por entender o que ele diz, é que me custa vê-lo a fazer esta opção errada.

  85. Por favor, que falta de noção da realidade! Proponho-lho que passe um semestre no meu curso (medicina) tentando equacionar a carga horária, os trabalhos extra-aula (e são muitos!) e o estudo extra-aula que tem de fazer se se quiser efectivamente algum dia ser bom médico com um part-time com os horários de Portugal. Isto se sequer conseguir arranjar um part-time actualmente, porque não está nada nada nada, mas assim mesmo nada, fácil – mais uma vez a falta de noção da realidade
    Depois volte com essa conversa.

    (já para nem pegar no princípio de que o direito à educação -em qualquer nível, incluindo a superior- devia ser igual para todos. Grátis, portanto, porque IGUAL para todos implica que não aconteça que uns possam fazer sem trabalhar enquanto outros não)

  86. O problema é que os "part-times" e empregos do género estão, neste momento, ocupados por pessoas que precisam de "full-times", muitas vezes licenciadas até, ou então por pessoas que para pagarem as contas precisam de acumular empregos.
    Muitas vezes os jovens desistem dos cursos superiores não só porque não têm os tais 100 ou 200€ necessários por mês para assegurar o pagamento das propinas (sem falar nas despesas com materiais de estudo, transporte e afins) mas também porque os próprios pais estão com imensas dificuldades económicas devido a situações de desemprego, doença… e precisam da ajuda dos filhos e nesse caso é necessário trabalhar a tempo inteiro e é preciso o dinheiro todo, não chegando para "as propinas" e tornando mais complicado conciliar os estudos com o trabalho.
    O país mudou muito nos últimos anos e comparações com os EUA ou a Suécia são totalmente desfasadas da realidade: é preciso estar atento ao que nos rodeia para não fazer comentários que são injustos para jovens que desistem ou adiam o desejo de ter um curso superior para poder ajudar a família.

  87. Também acho que os jovens podem arranjar forma de ter mais dinheiro disponível e sobrecarregar menos as famílias – eu própria o fiz. E também acho que, se se quer muito estudar e não se pode ter nenhum apoio familiar, também é possível (estudantes voluntários no meu tempo, estudantes-trabalhadores agora, sempre houve – podem eventualmente levar mais tempo a concluir os cursos mas não é isso que os desmotiva); conheci mesmo quem trabalhasse todo o verão na apanha de fruta em França ou na Suiça e gerisse esse dinheiro para se aguentar durante o ano letivo inteiro, estudando imenso para acabar o curso no número de anos mínimo. Mas os casos não são todos iguais, não se pode dizer que quem não consegue é porque é preguiçoso, nem dizer que as propinas são mais caras que em Portugal em todo o lado – não são; não o são em Espanha, não o são em França (reveja as suas fontes, Arrumadinho…), por exemplo (é só ir comparar não só as de licenciatura mas até as de doutoramento, e o respetivo PIB per capita é bem superior ao português assim como o salário mínimo.

  88. Caro,

    No que respeita o cerne do post, a facilidade com que, hoje em dia, se passa de bestial a besta, estou totalmente de acordo. Actualmente, toda a gente se acha no direito de opinar como bem quer e lhe apraz, sem para isso reflectir um pouco no que vai dizer e nas suas razões para o fazer. A internet faz com que a opinião idiota de uma pessoa, se torne, automática e viralemente, a opinião generalizada de pessoas idiotas (querendo com isto nomear todos os que não têm a habilidade de formar uma opinião sua, pensada e reflectida).
    Claro que podemos opinar sobre o que bem nos apetecer, mas lembremo-nos que as redes sociais levam a nossa opinião aos 7 ventos. E sabe-se lá como vai interpretar quem ler, seja essa pessoa quem for.

    Adiante.

    Em relação aos empregos part-time, asseguro-lhe que não se arranjam "do pé para a mão", como diz. Sou de Coimbra (desde logo, não há tantas oportunidades de emprego como em Lisboa, mas tambem não há tanta procura – creio que estarão balanceadas, portanto).
    Desde os 18 anos que trabalho nos ditos part-time em lojas de centro comercial, para ter algum dinheiro extra para não sobrecarregar os meus pais com despesas minhas. Desde essa altura, e já com um emprego 'a sério' pelo meio, trabalhei em 5 lojas diferentes. E acredite que o número de Cv's que entreguei foi bem superior.
    Se na altura em que tinha os seus 16/18 anos os part-time abundavam, e bastava querer trabalhar e pôr mãos à obra, actualmente já não é bem assim.
    Muitas vezes, não nos aceitam se não temos transporte próprio, se não moramos num raio de X km, se temos já um curso superior, etc, etc, etc.
    Além disso, e já para não falar no grau de dificuldade e tempo requerido de estudo nos diferentes cursos, há muitos estudantes (em Coimbra, a maioria) que não estuda na mesma cidade me que mora. E aí, ainda há outra questão: arranja trabalho onde estuda ou onde tem a familia? E se trabalha na cidade onde estuda, quando está com a familia? São questões menos pretinentes, mas importantes para muitos jovens.

    Em relação aos trabalhos de Verão, gostava que me indicasse esse sítio onde se faz os 1000€ ao fim de 3 meses, porque não conheço, mas não me importava nada de conhecer. Já animei muitos campos de férias, todos em regime voluntário, e, o ano passado, decidi candidatar-me a campos de férias remunerados. Paguei a formação obrigatória, mas depois, ao longo do Verão, nem um telefonema. E porquê? Porque esse é uma das despesas que os pais já não estão dispostos/não podem pagar.

    Creio que o seu texto em relação aos empregos de part-time/Verão é demasiado optimista, e baseado na sua vivência de há uns anos atrás.

    Numa coisa tem razão, há muitos meninos (especialmente em Lisboa – desculpem a discriminação, mas é o que sinto e conheço por experiência), que não querem trabalhar nem sujar as mãos. Pode-lhes cair algum braço com tanto esforço.
    Mas a grande maioria dos jovens, procura, procura e nada encontra. Ou pelo menos, nada que valha a pena.
    Dou-lhe o meu exemplo: actualmente encontro-me a tirar mestrado e a trabalhar numa loja onde ganho 200€/mês. Já tinha trabalho 4 meses nesta loja, com contrato não renovável. Ao fim de 3 meses de cessação do contrato anterior, voltaram a chamar-me. Agora, tenho de estar mais um mês à experiência, e sujeitar-me a fazer menos horas e, por isso, ganhar menos.
    Apenas me compensa porque tenho quem esteja disposto a dar-me boleia para o local (ou vou à boleia dos meus pés) e não gasto dinheiro em gasóleo, porque tenho colegas que ganham o ordenado para o gastar nas deslocações.
    O único motivo que as prende (mais a elas do que a mim) é a distracção, o poder sair de casa, conviver, ganhar experiência (ainda que não na sua área) e estar ocupada, fugindo ao 'monstro' do desemprego.

    Por isso, conseguir um part-time já não são 'favas contadas'. Há muita gente que nada quer fazer, mas há muitos que querem e não têm oportunidade.
    A realidade não é tão simples assim.

    Atenciosamente,
    Alexandra Silva

  89. Caro,

    No que respeita o cerne do post, a facilidade com que, hoje em dia, se passa de bestial a besta, estou totalmente de acordo. Actualmente, toda a gente se acha no direito de opinar como bem quer e lhe apraz, sem para isso reflectir um pouco no que vai dizer e nas suas razões para o fazer. A internet faz com que a opinião idiota de uma pessoa, se torne, automática e viralemente, a opinião generalizada de pessoas idiotas (querendo com isto nomear todos os que não têm a habilidade de formar uma opinião sua, pensada e reflectida).
    Claro que podemos opinar sobre o que bem nos apetecer, mas lembremo-nos que as redes sociais levam a nossa opinião aos 7 ventos. E sabe-se lá como vai interpretar quem ler, seja essa pessoa quem for.

    Adiante.

    Em relação aos empregos part-time, asseguro-lhe que não se arranjam "do pé para a mão", como diz. Sou de Coimbra (desde logo, não há tantas oportunidades de emprego como em Lisboa, mas tambem não há tanta procura – creio que estarão balanceadas, portanto).
    Desde os 18 anos que trabalho nos ditos part-time em lojas de centro comercial, para ter algum dinheiro extra para não sobrecarregar os meus pais com despesas minhas. Desde essa altura, e já com um emprego 'a sério' pelo meio, trabalhei em 5 lojas diferentes. E acredite que o número de Cv's que entreguei foi bem superior.
    Se na altura em que tinha os seus 16/18 anos os part-time abundavam, e bastava querer trabalhar e pôr mãos à obra, actualmente já não é bem assim.
    Muitas vezes, não nos aceitam se não temos transporte próprio, se não moramos num raio de X km, se temos já um curso superior, etc, etc, etc.
    Além disso, e já para não falar no grau de dificuldade e tempo requerido de estudo nos diferentes cursos, há muitos estudantes (em Coimbra, a maioria) que não estuda na mesma cidade me que mora. E aí, ainda há outra questão: arranja trabalho onde estuda ou onde tem a familia? E se trabalha na cidade onde estuda, quando está com a familia? São questões menos pretinentes, mas importantes para muitos jovens.

    Em relação aos trabalhos de Verão, gostava que me indicasse esse sítio onde se faz os 1000€ ao fim de 3 meses, porque não conheço, mas não me importava nada de conhecer. Já animei muitos campos de férias, todos em regime voluntário, e, o ano passado, decidi candidatar-me a campos de férias remunerados. Paguei a formação obrigatória, mas depois, ao longo do Verão, nem um telefonema. E porquê? Porque esse é uma das despesas que os pais já não estão dispostos/não podem pagar.

    Creio que o seu texto em relação aos empregos de part-time/Verão é demasiado optimista, e baseado na sua vivência de há uns anos atrás.

    Numa coisa tem razão, há muitos meninos (especialmente em Lisboa – desculpem a discriminação, mas é o que sinto e conheço por experiência), que não querem trabalhar nem sujar as mãos. Pode-lhes cair algum braço com tanto esforço.
    Mas a grande maioria dos jovens, procura, procura e nada encontra. Ou pelo menos, nada que valha a pena.
    Dou-lhe o meu exemplo: actualmente encontro-me a tirar mestrado e a trabalhar numa loja onde ganho 200€/mês. Já tinha trabalho 4 meses nesta loja, com contrato não renovável. Ao fim de 3 meses de cessação do contrato anterior, voltaram a chamar-me. Agora, tenho de estar mais um mês à experiência, e sujeitar-me a fazer menos horas e, por isso, ganhar menos.
    Apenas me compensa porque tenho quem esteja disposto a dar-me boleia para o local (ou vou à boleia dos meus pés) e não gasto dinheiro em gasóleo, porque tenho colegas que ganham o ordenado para o gastar nas deslocações.
    O único motivo que as prende (mais a elas do que a mim) é a distracção, o poder sair de casa, conviver, ganhar experiência (ainda que não na sua área) e estar ocupada, fugindo ao 'monstro' do desemprego.

    Por isso, conseguir um part-time já não são 'favas contadas'. Há muita gente que nada quer fazer, mas há muitos que querem e não têm oportunidade.
    A realidade não é tão simples assim.

    Atenciosamente,
    Alexandra Silva

  90. A questão é que ele não tem perspicácia, tem "perspicuicidade" – esta é mazinha, eu sei, mas não lhe faz mal falar bom português, acalmar um pouco e aprofundar outro tanto.

  91. Boas,
    Em relação à polémica à volta desse tal de Miguel Gonçalves nada posso dizer. Não sei o que faz da vida, se tem mérito no que faz ou não ou de onde é que o foram desencantar. Gostaria de dirigir o meu comentário mais directamente para a tua opinião (que entra em concordância com a dele).
    1- Essa história de que só em Portugal é que se cai em cima deste tipo de personagens é completamente falso. Na maioria dos países que referiste a pressão mediática é muito superior, nos ainda somos uns bâmbis no que toca a essas questões. De quem é a culpa de terem caído em cima dele? Do Facebook e do Twitter? ou da comunicação social? Não sei, sinceramente. Mas sei que os nossos jornalistas têm uma falta de preparação académica gravíssima, graças a cursos superiores com planos curriculares completamente deficientes;
    2- Esse tipo de discurso de que "não faz mal aos jovens terem part times" é um bocado infeliz. Se me perguntares se faz mal a um puto de secundário fazer qualquer coisa, sem sombra de dúvida… Se me perguntares se a mesma perspectiva é adaptável a um aluno universitário, depende. Temos que ser realistas e ter a consciência de que há cursos mais dificeis que outros. Não faz sentido nenhum comparar História com Medicina, ou Direito com Jornalismo. Os primeiros são muitíssimo mais complicados e exigem mais tempo. A questão é que o pessoal que nasceu até aos anos 70, pelo menos, cresceu com outro tipo de dificuldades e adora incutir nos mais novos "com a tua idade já fazia isto ou aquilo". Realisticamente não foi assim que esta nova geração cresceu, e discordo completamente que devesse de ter crescido assim. Os tempos evoluem, e as pessoas hoje já não são privadas de uma educação superior por terem que ajudar os pais no campo. A questão é como é que aproveitam esse tempo livre, que para além de ser fundamental para viverem e não serem quarentões frustrados que apanham a sua primeira bebedeira aos 42, também o podem aproveitar o seu currículo: viajando, aprendendo línguas, voluntariado ou até a jogar futebol!

  92. Lamento é informar-te o contrário se realmente achas que o Miguel Gonçalves SÓ passou a ser criticado desde que apareceu ao lado de Miguel Relvas. Desengana-te. Eu sou de Braga, ele também o é e é uma figura bastante conhecida a partir do momento em que resolveu participar no TEDxYouth@Braga e também a partir do momento em que resolveu ir ao programa Prós e Contras.
    E para resumir aquilo que Miguel Gonçalves é, eu uso apenas uma palavra: PARASITA (e talvez aproveitador tambem. E umas quantas outras…).
    Ouvir o Miguel Gonçalves e ler o livro Zag é exactamente a mesma coisa, o discurso é o mesmo e honestamente, prefiro ler o livro, sempre é mais original. Conseguiu protagonismo através de alguns que se deixaram encantar pelo discurso dele no Prós e Contras (coitadinhos!) mas a realidade é que esse senhor não faz a mínima ideia do que é trabalhar. Mandar bocas ele manda, fazer o que manda os outros fazer é que é mais difícil. Para além disto tudo, vive do sucesso dos projectos dos outros. E não me querendo alargar muito, eu deixo aqui escrito um comentário de alguém a este triste acontecimento.

    "Miguel Gonçalves fica bem no retrato com o Relvas pois, não consigo imaginar melhor par de dois Portugueses Anedóticos. A minha resposta a Miguel Gonçalves é, Tu Não trabalhas 17horas, finges trabalhar, Tu não produzes e vives do faz de conta e do engano, Tu aproveitas o Trabalho real dos outros para chamares de teu num discurso a fazer lembrar a Igreja Universal do Reino de Deus. Fico contente por te Ligares ao Relvas e, já agora, podiam vender umas pipocas à porta da Assembleia. E, essas "pipocas" que vendeste para pagar os estudos, tinham factura???"

    Para terminar, queres mesmo que eu acredite que ele vai "trabalhar gratuitamente"? Acho que é demasiado óbvio que isto é mais um tacho no meio de muitos tantos no Governo. E é por causa de tachos inúteis que estamos assim…

  93. não é assim tão fácil arranjar um part-time que seja 100% conciliável com a faculdade. sei do que falo porque trabalhei durante os 3 anos em que estive a tirar o curso e posso dizer que nem as faculdades nem as empresas de trabalho temporário (porque convenhamos, só aí é que é possível arranjar alguma coisa) são capazes de ceder um milímetro que seja.
    existe um estatuto de trabalhador-estudante para a faculdade e para a empresa onde se trabalha e nem adianta tentar puxar dele porque nos vão cuspir na cara.
    as faculdades fazem os horários para os professores, e esquecem os alunos. e as empresas não querem nem saber dos direitos e se nós tentamos levantar a cabeça o mais certo é acabar na rua.
    é um stress tentar conciliar o trabalho, as aulas e todo o trabalho extra da faculdade (e eu tinha imensos trabalhos que tinham que ser sempre feitos fora das aulas). no meio disto tudo, vinha de 2 em 2 ou de mês a mês a casa ver a minha família por um dia e meio de cada vez.
    não é impossível, mas é muito desgastante física e, principalmente, mentalmente.

  94. Desculpem não falar sobre o Miguel, que para mim não é ninguém (está a fazer pela vida, ora essa), mas tenho de falar das propinas.

    Propinas na Suécia? Desculpa? Isso não existe. Começarás a trabalhar se quiseres, sim, mas não para pagar a faculdade. Aliás, quando fazes 18 anos, tens todo um conjunto de apoios do Estado para começares a tua vida. O ensino superior é absolutamente gratuito. Trabalhas para teres casa para ti, para ires estudar para fora, para cresceres e não ficares, como nós, encostadinhos aos papás. E o Estado ainda te dá, só porque estudas, mais do que o que podes ganhar aqui se trabalhares todos os Verões do teu curso.

    Peguemos agora na Alemanha, onde fiz Erasmus em 2003/04, altura em que as nossas propinas subiram de forma atroz. Começava a falar-se em introduzir propinas, sim, mas era coisa para iniciar posteriormente, e de forma irrisória, sobretudo se comparares os rendimentos das famílias. Não deixou de ter piada que a minha bolsa de Erasmus fosse inteirinha para pagar propinas da Faculdade que não frequentei nesse ano.

    Tens mesmo de comparar com os E.U.A. para achar que em Portugal é barato estudar. O Estado não apoia em nada os seus estudantes. Cobra propinas que ultrapassam o seu verdadeiro sentido, já para não falar na falta de residências, cantinas e até, vejam só, na perda do desconto no passe.

    Porém, numa coisa estou de acordo contigo, nada disto é motivo para deixar de estudar.

  95. Percebo e concordo com a ideia em geral.
    Mas atenção que sem querer ofender ninguem há cursos e CURSOS.
    As pessoas nao se apercebem mas há cursos de X anos que se só se conseguem fazer em X anos se não se gastar muito mais tempo em outras coisas (trabalhar) e depois há cursos de X anos que a tempo inteiro ate se fazia em X/2 anos……nao misturar tudo. Não estou a dizer que são cursos superiores ou que as pessoas são superiores, são factos reais.

  96. "á algum tempo" NÃO!!! Há algum tempo… os "À's e os há's" são um cancro na língua portuguesa… para alguns!!

  97. Desculpem estar a ignorar o tema central do besta ou bestial (ele para mim não é ninguém, está a fazer pela vida e, bem ou mal, associou-se ao Mestre Maior deste Governo), mas… Propinas na Suécia? Desculpa???

    Não falemos dos E.U.A., onde o Estado pouco ou nada contribui para a formação dos seus estudantes, mas na Europa estás redondamente engano em relação às propinas.

    Na maioria dos países desenvolvidos, as propinas são irrisórias. É verdade que a maioria dos estudantes começa a trabalhar mais cedo na Suécia, mas não é para pagar a Faculdade, é para sair de casa! Aliás, na maioria destes países, fazer 18 anos representa todo um conjunto de apoios do Estado, para que a maioridade represente o começo de uma vida. Nós vivemos num país onde trabalhar a tempo inteiro muitas vezes não chega para ter a nossa independência!

    Relativamente à Alemanha, é verdade que já têm propinas (irrelevantes, sobretudo se compararmos os rendimentos das famílias). Estive em Erasmus em 2003/04 precisamente nesse país, na altura em que as nossas propinas subiram de forma catastrófica, e eles começavam a falar no assunto. Era coisa de que nunca se tinha ouvido falar anteriormente!

    Já para falar nas tretas de bolsas que atribuímos aos nossos estudantes, da falta de residências e mesmo cantinas.

    Ah, e não deixemos de parte o detalhe que até o desconto no passe tiraram aos estudantes…

    De facto, acho que estás a ser muito optimista em relação aos trabalhitos de Verão, que já nem sequer é de 3 meses!

    Tenho de aceitar, porém, que nada disto é motivo para largar os estudos. A algum lado se há-de ir buscar o dinheiro, não é?

  98. Porque generalizar dá seeempre mau resultado. Primeiro, é extremamente difícil arranjar um part-time neste país; em segundo lugar "experimente" andar num curso trabalhoso como direito, medicina ou engenharia e logo vê se consegue ou não conciliar as duas coisas. Eu gostava de conseguir mas não consigo! Pergunto, aliás, se o Miguel pagou os seus estudos desta forma. Se o fez é uma atitude muito louvável, isso não está em questão. Mas a julgar pela idade já o deve ter feito há uns anos

  99. Anónimo(a) acredita que esse gesto, para além de ser completamente contornável, só te irá prejudicar no futuro. A realidade que tens quando trabalhas e estudas ou quando só estudas é completamente diferente. Sais da faculdade e és largado(a) aos leões com a sensação que tudo o que aprendeste na faculdade não te vai ajudar em ( quase )nada. Se os teus pais não te deixam ' crescer ' isso não é bom para ti. Eu estudei e trabalhei e não tinha más notas! Fiquei foi com uma visão muito mais clara do que queria e não queria o que me proporcionou escolhas mais acertadas. Boa sorte !

  100. O Miguel tem razão. Mas há um problema: Nasceu no país errado. (Ele, e muitos – eu próprio, assim como o Miguel, também já fui apelidado de lunático e que só tenho teorias, mas no final, acaba por acontecer o que digo e defendo, bom e mau). E a prova de que o Miguel nasceu no país errado,e que não consegue fugir à teia de aranha já pré-construída, que não nos deixa avançar a bom ritmo, é o facto de ele assumir que o que paga as despesas da sua própria empresa são as palestras a título pessoal que dá.

  101. Ricardo, talvez esta minha opinião não seja a mais consensual mas cá vai: Sempre gostei muito das intervenções do Miguel, até podem não ter muito conteúdo mas dão que pensar e a energia dele é contagiante. Ontem fiquei um bocado triste por vê-lo ao pé do Relvas, é um facto. Não sei porquê mas senti que ele por mais que quisesse combater muitos dos males deste país acabava por dar a cara ao lado de um governo e de um ‘ governante’ que criou uma grande celeuma em todos os portugueses, tornando o seu discurso pouco credível ( já diz o ditado, diz-me com quem andas dir-te-ei quem és ). Não creio que essa fosse uma boa estratégia mas ele lá saberá as suas intensões. Estarei cá para continuar a acompanhar o seu trabalho e espero que ele possa ser uma mais valia na função que agora ocupa, no entanto ele vai-se deparar com o poderosíssimo lobby da política e creio que irá ser mais silenciado. Esperemos que não.

    Quanto aos alunos trabalharem durante a faculdade dou-te duas achegas: Comecei a trabalhar aos 17 anos para pagar coisas que a minha mãe na altura não me podia dar. Isso fez-me crescer enquanto pessoa e entrar na faculdade aos 21 anos pois senti que sem habilitações o meu destino estaria traçado. Trabalhava a full-time e estudava de noite. Posso dizer que foi das experiências mais dolorosas e enriquecedoras da minha vida.

    Posso-te dizer também o que penso em relação à mentalidade portuguesa: Infelizmente muitos dos nossos pais não tiveram a mesma educação escolar que nós. Muitas das pessoas que conheço têm os pais com a 4ª classe e na geração antes do 25 de Abril criou-se o estigma de ‘ O meu filho há de ser senhor doutor nem que para isso eu passe dificuldades. Nunca há de passar necessidades.’ Quantos doutores de Portugal têm os pais quase analfabetos que trabalharam que se mataram para que o filho pudesse estudar ?

    Para algumas pessoas isso criou um comodismo do: «Não posso trabalhar senão vou ter más notas e em vez de andar aqui 4 anos ando 6 ou 7 . » e os paizinhos também não os obrigavam porque sabiam que isso podia acontecer e ficavam a pagar um curso por muito mais tempo. Outro fenómeno que também aconteceu foi o : « Tirei o curso de antropologia e até arranjar trabalho na área não faço ponta de corno. »

    Trabalhei em RH e acreditem que uma coisa o Miguel tem razão: As pessoas quando vão a uma entrevista de emprego tem que se vender, tem que mostrar que o investimento que uma empresa faz neles irá ter retorno; tem que se adaptar ( já Darwin dizia ); têm que sair da área de conforto. Eu já trabalhei em várias àreas e o que antigamente era visto como saltar de um lado para outro e não ter um CV consistente é cada vez mais visto como uma pessoa que se consegue adaptar e que consegue ter sucesso em várias realidades.

    Isto de proteger os meninos está errado! As pessoas têm que dar no duro, têm que passar por realidades que os moldem enquanto indivíduos quando são novos para estarem preparados para a selva lá fora! Se os continuam a proteger acontece o que aconteceu! Eu acredito que 60% dos problemas do país tiveram a ver com essa bolha que várias gerações viveram e que fez com que os adultos de hoje não se adaptem. os outros 40% estiveram obviamente relacionados com más escolhas políticas.

    Obrigada

    JS

  102. O Arrumadinho deve viver numa realidade à parte. Em muitos desses países os estudantes não têm aulas o dia inteiro, das 9 às 18.30 ou 19.00. Ou mais ainda, como sucedeu no meu estágio em que fiquei muitas vezes a trabalhar 12 horas e nunca, mas nunca saía antes das 20.00. Esta coisa de Bolonha, por outro lado, vem disfarçada de qualquer coisa que não é Bolonha. É sobrecarga de trabalho e em que os créditos são contabilizados e limitados por semestre. É uma tanga, e fala quem frequentou o ensino anterior e o de bolonha.
    Não acho, por isso, justo andarmos aqui em comparações e a disparar palpites de que, comparativamente aos restantes países, somos todos uns conformados e preguiçosos. Isso não corresponde à verdade. Sempre trabalhei desde os meus 15 anos, no verão, para conseguir as minhas regalias. Aplicar isto no tempo da faculdade, tendo em consideração a minha carga horária e volume de trabalhos que nos eram exigidos, seria impensável. Não acho correcto andarmos aqui a generalizar e a entrar em discursos subjectivos. O discurso deste senhor não é motivacional. É antes um discurso pateta, um chorrilho de frases feitas e outras historietas mais que estafadas, numa mediocridade e boçalidade que me deixaram pouco menos que estarrecida.

  103. honestamente não sei de quem falam, mas li o texto e não está assim tão fácil arranjar um part-time, nem no verão. á algum tempo eu trabalhava numa esplanada nas férias de verão, agora não há absolutamente nada! nem a limpar sanitas arranjo trabalho. por isso discordo dessa ideia que todos conseguem nem que seja 100e por mês. os macdonalds e lojas de centros comerciais devem estar saturados de curriculos, não é assim tão fácil ser chamado nem para uma entrevista.

  104. A pergunta não era para mim, mas preciso de o esclarecer.
    O Verão são 3 meses, mas eu apenas lhe falo em 2, Julho e Agosto. Portanto, nesses 2 meses, um "vigilante" de uma área de lazer de um condominio fechado recebe 500€/mês para estar lá a controlar os saltos dos miúdos para a àgua e outro tipo de maluquices enquanto lê o seu livro… Agora, se trabalha lá em Julho e Agosto, só necessita de fazer as contas…
    Isto é um exemplo entre muitos…

    Cumprimentos.

  105. Eu também acho que o problema dele se chama Relvas. Fez-nos acreditar que lutando conseguimos alcançar os nossos objectivos e depois vai associar-se a um tipo que tirou uma licenciatura num ano… No mínimo, é incoerente da parte dele.
    Assim como recusar-se a comentar a política de quem o contratou parece ser fugir com o rabo à seringa.
    Se o tipo acredita no que diz, nunca devia ter cedido a esta tentação. Assim dá a ideia de que também é um pouco oportunista e isso é que desilude.

  106. Anônimos, gosto tanto, principalmente quando o seus contributos não são para dizer nada de jeito. 1000 euros em férias de estudante são 350€ por mês, onde? Onde tiver que ser, quando é preciso faz-se pela vida e se tiver que ser trabalha de noite! Não consegue? Tem piada, fiz a faculdade toda a trabalhar no privado e paguei-a do meu bolso. Há com cada um, sinceramente. Como é que este país pode estar bem!

  107. Lá está, quem muito fala, pouco acerta.
    Esse Miguel diz o que as pessoas querem ouvir e como são jovens ainda por cima, vão na conversa dele.
    Não gostei do tom arrogante com que disse que se um jovem não conseguisse arrajar 100€/mês que teria problemas.
    Ainda bem que estas pessoas «empreendedoras» nunca têm problemas de dinheiro nem têm famílias humildes…
    E junto do Relvas, por favor, são iguais, quem é que esse Miguel é? Um futuro político que só quer mais um tacho e depois quero ver para onde vai o empreendedorismo dele…

  108. Adorei, sobretudo a parte em que fala dos jovens estudantes e os part times.
    Sou estudante do ensino superior e trabalho em part time desde os meus 18 anos. Quando terminei o meu (agora não se chama assim) bacharelato parei um ano para trabalhar e juntar dinheiro para ir para a faculdade (o chamado GAP Year dos ingleses). Mas quando chego à faculdade dou de caras com casos de pessoas que preferem passar dificuldades e nunca arranjar um trabalho porque assim vão ter uma bolsa de estudos que ronda os 300 a 400€ por mês (10 meses). Isto é revoltante! Uma licenciatura (na universidade pública) custa entre 3000 a 4000€ os 3 anos, e essas pessoas estão a receber 3000 ou 4000€ por ano!!! E aqueles que pensaram em trabalhar para pagar os estudos e não sobrecarregar os pais ficam "a ver navios" e a ter de pagar as propinas direitinhas.
    Por isso é que muita gente não pensa em ir trabalhar.

  109. Ou li mal ou aquilo que é a essência do Miguel Gonçalves apesar de óbvio não disseste. Ele é energético mas denota um grande espírito de sacrifício e é humilde e focado. Discordo frontalmente do comentário da Claúdia L., porque a Claúdia não vive num país nórdico, vive em Portugal. Num país cuja gestão negligente e decisões menos felizes dos seus dirigentes e do povo que lá os pôs, nos posiciona de uma forma incrível má face ao resto da Europa forte do norte. E já nem mencionando o poderio asiático. Uma pessoa que não queira trabalhar 12 horas por dia (não são as horas que interessam é a conotação de sacrifício) está no seu direito, mas depois não se admire que perde competitividade para os demais, porque em Portugal não há espaço para o normal. Quer normal o melhor é imigrar, e mesmo assim… O boneco de qualquer um esgota-se com maior facilidade, quanto maior é a abrangência da mensagem do mesmo. É aí que vem ao acima o mais mesquinho que há neste País (a familia do Ricardo Martins sofreu isto na pele à bem pouco tempo) e infelizmente há muito. Eu quero ver, se as coisas que ele diz são tão fundamentalistas e afastadas de bom sendo quando o nosso país estiver de arrasado e falido. O sucesso do País claramente não passa apenas por trabalhar como se não houvesse amanhã, mas que somos um país onde a preguiça é rainha e o sacrifício acontece de forma mais reduzida (pq tb existe felizmente) O Miguel Relvas não nutre nenhuma simpatia da minha parte, as dúvidas que se levantaram sobre esta pessoa são inacreditáveis, mas prefiro o Miguel ao lado do Relvas, do que o Relvas sozinho. Sr. Ricardo, bom post, como sempre.

  110. Muita borrifadela de perfume ofereci eu para ganhar dinheiro durante a faculdade… E nunca comprometi o estudo com o trabalho, eram perfeitamente compatíveis!
    Na minha (modesta) opinião, há muitos miúdos que se habituaram a ter tudo o que querem, sem grande esforço… E quando os pais não pagam, pois claro que é o Estado que tem de pagar…

  111. Sempre quis arranjar um part-time enquanto estudante, e os meus pais nunca me deixaram. Dizem sempre que a minha obrigação é estudar e ter boas notas, bla bla bla.. Todas as semanas os meus pais me dão 20 euros. E aprendi a gerir esse dinheiro. O facto de nunca comer fora, ou levar comida já feita para a faculdade é meio caminho andado para poupar. Em troca por não me deixar trabalhar, fiz um contrato com a minha mãe. Todos os meses me oferece um livro sendo uma coisa que gosto muito, e nunca chego a ter grande dinheiro para poder comprar. E não adianta dizerem que se quisesse podia trabalhar sem os meus pais saberem. Cá em casa as coisas não funcionam com mentiras. Concordo completamente com o que dizes, e vou mostrar este texto à minha mãe. Pode ser que se faça luz!! 🙂

  112. O Sr. Miguel Gonçalves é apenas o reflexo do Sr. Relva, de grande parte do governo e também de quem lhe dedica uma crónica.

    Não tenha certezas que não pode provar.

  113. Só acho que ele fez mal em associar-se ao ministro Miguel Relvas porque este ministro tira a credibilidade a qualquer um, ainda por cima quando se fala de cursos superiores.
    Agora também não acho que só por isso seja uma besta. Enfim estamos em Portugal vamos de besta a bestial em 3 tempos.
    Aproveito o mote para deixar uma pergunta no ar: De que vale sermos bons, mesmo bons profissionais, sermos criativos, esforçados, dinâmicos, vestir a camisola da empresa se a maioria dos patrões em Portugal não vê um palmo à frente do nariz?
    Se fazem de conta que os empregados são escravos, paus mandados, sem voz ativa mesmo quando estão em cargos altos? Se não valorizam nada que se faça, porque o do vizinho é sempre melhor um bocadinho!
    E não me venham com aquela história de continuar a mostrar bom trabalho que no final somos recompensados! No final ganha-se uma medalha de cortiça como tenho visto muitos colegas de trabalho e amigos a ganhar!
    Mudar de emprego? E para onde se todos os que conheço são iguais?!
    Não podemos trabalhar todos no Google… Infelizmente!
    Acho que o problema de Portugal não são os empregados são os empregadores que não valorizam as pessoas, se eu que sou muito melhor que o meu colega do lado, ganho o mesmo e tenho o mesmo reconhecimento porque vou ser melhor? Se não saio e não da cepa torta mais vale encostar-me como os outros!
    Matam-nos a ambição, o profissionalismo e a dedicação aos bocadinhos! Depois querem milagres!

  114. Grande texto, adorei. Eu gosto do Miguel Gonçalves…..e as pessoas tb gostavam até ele se associar de alguma forma ao Relvas. É o bestial a besta, como tu dizes. E é assustador….acho que isso traduz a falta de senso do povo português….

  115. Eu "conheço" o Miguel Gonçalves há algum tempo, conheço as suas ideias, o seu discurso… Concordo com aquilo que defende e mesmo que por vezes ele diga coisas óbvias e nada de novo, diz coisas que as pessoas precisam de ouvir…porque muitas das vezes embora as saibam não as colocam em prática, não tomam uma atitude…ficam à espera de qualquer coisa…
    No entanto, sei que nem todos os casos são assim e que nesta altura há muitos jovens no desemprego e sem grandes alternativas a não ser sair do país…e mesmo assim…
    Mas ainda relativamente ao Miguel Gonçalves e às propinas… eu fui estudante até há bem pouco tempo e, tal como a grande maioria dos estudantes, viva numa casa alugada, pois estava deslocada. Como é óbvio, eu não precisava apenas de 100 ou 200€ por mês (a contar com propinas), pois há uma renda para pagar, há contas, há comida (e agora todos pensam "mas em casa dos teus pais também comias…" é verdade, mas nunca ninguém ouviu dizer que onde comem 2 comem 3???) e se o estudante tiver "o azar" de ter entrado num curso ligado às artes, arquitetura, etc… bem se pode preparar para o dinheiro para materiais, impressões etc. etc. e aí onde é que já lá vão aqueles 200€ de que falei há pouco…

    Eu não quero desincentivar de estudar, muito pelo contrário acho que devemos lutar por aquilo que queremos! Eu trabalhei enquanto estudava! Dobrei muita roupa numa Springfield para chegar ao final do mês com mais 450€ (era um part-time) e que feliz que eu ficava no dia em que o ordenado caia na minha conta. Acho que, tal como referiste, não mata ninguém e até nos ajuda a crescer, a saber gerir o nosso dinheiro, o nosso tempo… O que eu queria dizer é que o Miguel Gonçalves falou como se os jovens fossem uns preguiçosos…pois bastava esforçarem-se por 100€ por mês para puder estudar e não é bem assim… facilmente se chega a uns 350€ por mês SEM QUALQUER TIPO DE LUXOS!!!!!!!

  116. O problema do trabalho para os estudantes em Portugal que também necessitem de bolsa de estudo é maior do que aparenta. Eu também acho que não é assim tão complicado arranjar um part-time. Contudo, se esse part-time for legal, totalmente declarado, por muito pequena que seja a quantia, o aluno pode perder mais de metade da bolsa de estudo que recebe, existem casos que a perde na totalidade. Para alunas como eu, que dependem exclusivamente do dinheiro da bolsa de estudo porque infelizmente só têm um dos pais a trabalhar e outra irmã a estudar, se arranjar um part-time e o declarar às Finanças fico sem uma parte significativa da bolsa. Sei que este argumento para muitos pode não ser válido, mas uns 1000 euros que pudesse ganhar no Verão não me chegavam para o corte que ia acontecer na bolsa. Por isso, ou não trabalho de todo ou então, como já o fiz, trabalho de forma não declarada o que não acho correcto mas não encontro outra solução.

  117. Nem bestial, nem besta. Apenas um "jovem" que luta contra esta mentalidade portuguesa que apenas sabe criticar em vez de actuar…
    Não consigo perceber porque é que os nossos jovens estudantes levam tudo à letra!Já vi dezenas de comentários à intervenção do Miguel onde o criticam pela analogia que ele fez de pagar os estudos a vender pipocas …a sério!? Vocês são estudantes universitários, pessoas com formação, pessoas cultas (nem todas), e não conseguem perceber o que ele quer dizer com esta mensagem?? É a mesma coisa que ler a biblia e acreditar literalmente no que está lá escrito…

    Como tu dizes, Ricardo, noutros países a mentalidade é diferente e sinceramente espero que consigamos aprender com eles. Hoje em dia, infelizmente, não nos chega ter o canudo na mão para ter um emprego das 9h às 17h. Temos de lutar, mostrar que temos valor e que queremos trabalhar. E é aqui que o Miguel faz o trabalho dele ao incentivar e fazer-te sonhar (https://www.facebook.com/SoPitch)… o resto depende de nós!

    Para terminar, apenas acho que o Miguel é um vendedor de sonhos e que faz bem o seu trabalho. Pena que o Relvas esteja a aproveitar-se disso numa completa forma de desespero governamental.

  118. Há várias coisas que acho extraordinárias nesta história: primeiro, que o Miguel Gonçalves tenha aceitado dar a cara por um programa que pretende marcar presença nas universidades, e cujo principal protagonista tem uma longa história com…touché, as universidades! E, garanto-vos, a história está longe de ter um final feliz. Depois, sabendo do fim dos programas INOV,será que não passou pela cabeça de ninguém que isto é uma forma de atirar areia para os olhos? Haja muitos Miguéis por esse país fora, Ricardo, mas este em particular deu um monumental tiro no pé ao aceitar o cargo de embaixador. Bem sei que nós, portugueses, estamos constantemente sedentos de um salvador – e o miguel veste bem essa camisola, de forma quase fanática e religiosa -, mas a credibilidade dele está agora ligada às máquinas, e ele é o único culpado. Será que no meio de tanta perspicácia, não lhe passou pela cabeça um desfecho destes?

  119. Já o ouvi um par de vezes e tenho mixed feelings em relação a ele. Eu acho que o discurso dele é pouco direcionado. Para além disso, se uma pessoa não quiser trabalhar 12 horas por dia, não significa que seja menos profissional ou menos competente por isso. O sucesso do nosso país não assenta, necessariamente, em trabalhar como se não houvesse amanhã.

    Mas é um tipo cheio de energia e com um super brilho nos olhos. Isso dá gosto de ver!

    Sinceramente e, sem lhe tirar qualquer mérito, acho que o boneco que ele montou à volta dele esgota-se com muita facilidade e não é nada consensual. Há coisas que ele diz e defende que são fundamentalistas, muito afastadas do bom senso.

  120. Gosto muito do seu blog, mas não me leve a mal, não concordo quando refere que ainda se consegue arranjar part-times. Neste momento posso dizer-lhe por experiência própria, que nem os call-centers ligam de volta, tenho 3 currículos diferentes, um com o 12º outro com a licenciatura e o outro com o mestrado, e as respostas são sempre as mesmas, tem demasiadas habilitações, não tem experiência, depois contactamos. E é verdade nos outros países é comum um universitário trabalhar em part-time, mas também porque os horários facilitam, aqui recordo-me de querer ter ido trabalhar durante a faculdade mas durante a semana o meu horário era demasiado diverso, ou era de manhã, ou de tarde ou o dia todo e a maior parte das vezes tive aulas ao sábado. Enfim, não quero que pense que estou a arranjar desculpas, lembro-me de eu própria, dizer e criticar que havia trabalho para toda a gente, as pessoas é que não procuravam ou não queriam sujeitar-me, mas de facto agora que estou na situação, nunca pensei que estivesse tão mau.
    Obrigada pela existência do seu blogue

  121. Na mouche. Também acho que o conteúdo do discurso é acertado, a 'forma' é que é um bocado embirrante. Não tem que ser um discurso formal, mas os 'opá', 'amigo', 'tás' e afins seriam dispensáveis e a narrativa seria levada mais a sério.

    Quanto ao «gerar riqueza» aos 18, 19 anos, também estou de acordo. Os meninos de hoje estão muito conformados. Aos 16 também fui trabalhar numa esplanada nas férias do Verão para pagar umas explicações de inglês, apenas para melhorar as notas. Aos 17 e 18 fui promotora de eventos e monitora em colónias de férias para arrecadar uns trocos e aprender a ter responsabilidades. Felizmente os meus pais pagaram-me o curso, mas sempre fiz por ganhar algum dinheiro para os demais gastos…

  122. Curiosamente sempre que via o Miguel Gonçalves associava-o a ti, talvez pelo espírito empreendedor, positivo e motivacional 🙂

    Também comecei a trabalhar desde cedo e tive vários part-times enquanto estudava para ter o meu próprio dinheiro e não me arrependo nada, pelo contrário! Acho que só nos faz bem conquistarmos a nossa independência desde cedo e aprender a dar valor às coisas, para além de ganharmos maior responsabilidade.

  123. Assino por baixo!
    Estou neste momento a estagiar nos E.U.A. Esta oportunidade exigiu um esforco financeiro consideravel mas estabelecendo prioridades, poupando e com muito trabalho, os sonhos podem ser concretizados. Claro que as propinas em Portugal sao dispendiosas mas, por exemplo, um estudante americano paga cerca de 140 mil dolares pelos quatro anos do curso de medicina veterinaria!

  124. É nestas alturas que vemos no país de pessoas más, mesquinhas, revoltadas em que nos estamos a tornar. O Miguel, meu amigo pessoal, é assim, sempre foi assim, claro, objectivo, verdadeiro, lutador. Sem dúvida, houvesse mais Migueis Gonçalves e teriamos um Mundo melhor 🙂

  125. O Miguel é um vendedor de sonhos… é bom a dar palestras de motivação mas não passa disso… Ontem desiludiu o seu publico alvo, quando decide entrar na politica através do relvas… pior padrinho não podia arranjar… Quem vive em Portugal sabe que a burocracia mata qq pequeno negocio que se queira criar… o Miguel as vezes fala de um mundo que parece o planeta da alice das maravilhas… Penso que ele tomou uma má opção por ter aceite o convite do relvas…

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