A alternância democrática

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Na manifestação de dia 15 muita gente gritava contra os políticos de sempre, os partidos de sempre, e gritava também contra o povo, o que critica, o que se manifesta, o que vê irem-lhe ao bolso, mas que na hora de votar vai lá pôr a cruzinha nos mesmo de sempre, o PS e o PSD.

Tudo isto é verdade.Em 2010 já estávamos tão fartos do Sócrates e do PS que resolvemos votar no PSD de Passos Coelho e no CDS de Paulo Portas. E esquecemos que em 2005 estávamos pelos cabelos com o PSD de Santana Lopes que achámos que a solução era Sócrates. Isto, não querendo saber que quatro anos antes, em 2001, estávamos tão fartos do PS do engenheiro Guterres que fomos pôr a cruzinha no PSD de Durão, apagando da memória que seis anos antes fomos às urnas derrotar o PSD de Cavaco, elegendo Guterres.

A alternância democrática faz lembrar um bocadinho a Liga de Futebol: os adeptos dizem todos mal dos seus clubes, dos treinadores, dos presidentes, mas quando o campeonato chega ao fim são sempre os mesmos a ganhar (neste caso, infelizmente para mim, mais vezes um dos que o outro).

Quem agita mais esta bandeira da alternância democrática são os dois partidos mais à esquerda, o PCP e o Bloco, um porque não entra em coligações de governo há mais de 30 anos, o outro porque nunca foi, sequer, governo.

Embora eu entenda que não faz muito sentido andarmos sempre aqui a votar nos mesmos, que alternativa é que temos? Pôr o PCP no Governo? O Bloco? Será esta a solução para o País? Não me parece. Quanto muito, dou de barato que um ou o outro partido pudessem fazer parte de uma coligação com o PS, e que até pudessem ter uma ou outra pasta relevante, mas não me parece que faça muito sentido achar-se que, de repente, o País poderia enveredar por uma ideologia comunista, que já se percebeu em todo o mundo que não funciona.

Então devemos continuar a votar sempre nos mesmos? Não.

Desde as Presidenciais de 2006 que defendo que deveria haver um partido apartidário, uma organização política com responsáveis da sociedade civil que se apresentasse como uma alternativa válida no parlamento. E defendo isto porque sinto que esta é a sensação de grande parte da população, de todos os que estão fartos dos tais partidos de sempre, dos que sentem que não têm um partido, os que não confiam nos políticos, os que acham que há gente fora da esfera partidária com melhores condições para desempenhar determinados cargos públicos.

Esta minha certeza de que o País precisa desta alternativa cimentou-se com os resultados eleitorais das duas últimas presidenciais. Em 2006, Manuel Alegre conseguiu quase 21 por cento dos votos e foi segundo classificado, à frente do candidato socialista, Mário Soares, precisamente porque se apresentou como independente. Quem votou nele fez um voto de protesto contra o que a política e os políticos se estão a tornar. Em 2011, Fernando Nobre também liderou uma candidatura independente e conseguiu mais de 600 mil votos, correspondentes a 14 por cento dos eleitores votantes. Alegre, que voltou a candidatar-se, mas com o apoio do PS, baixou para os 19 por cento, porque muitos dos que tinham votado nele por ser independente deixaram de o fazer quando o viram ligado a um partido.

Se o Parlamento deve ser o espaço para os representantes dos eleitores, então, na Assembleia deveria estar representada a sociedade civil através de um movimento que se pudesse constituir e candidatar a eleições. Ainda que não fossem governo, seguramente, estariam no Parlamento para dar ideias, para votar contra outras, para assegurar que quem não acredita nestes partidos teria ali alguém que falasse a mesma língua que eles. Se alguém se organizar neste sentido, pode desde já contar com o meu apoio e o meu voto.

1 Comentário

  1. Viva, regresso à discussão do tema para responder à questão do Arrumadinho "a culpa dos partidos que não sabem cativar as pessoas" e da Maria_S sobre "Mas Então em que partido é que eu me poderia inscrever?".
    Não tenham as menores, dúvidas, quem hoje está “instalado” nos nossos principais partidos (arco do poder), não quer mais filiados, nem mais democracia e escrutínio interno. Querem os cidadãos inconformados e que querem mudança, o mais longe possível dos partidos. É por isso que não ficam nada preocupados com a imagem que os partidos têm, porque isso é um garante que os cidadãos “não de identificam com os partidos” , logo não vão querer filiar-se ou participar na sua vida e eleições internas. Querem apenas que lhes dêem o voto, e isso, os cidadãos fazem com muito zelo.
    Agora a questão que se nos coloca, em particular à geração que hoje está nos 30s e 40s é, vamos continuar à espera que as coisas mudam, ou vamos assumir finalmente a responsabilidade que em democracia cabe aos cidadãos, e exercer uma cidadania política activa dentro dos partidos, promovendo e apoiando as mudanças que os nossos partidos tanto precisam. Um facto: há muitos excelentes candidatos a políticos que querem mudar o estado das coisas nos partidos e na democracia, mas não têm apoiantes e votos para ganhar eleições partidárias. Os cidadãos que os apoiariam de caras, estão fora dos partidos, como o Arrumadinho e tantos que aqui participaram.
    É paradoxal, mas ao colocarmo-nos de fora dos partidos, tornamo-nos os maiores “apoiantes” do status quo, e de quem hoje domina os partidos, porque não damos qualquer voto aos seus adversários… Só depende de nós essa mudança.
    Sobre as duvidas da Maria_s sobre em que partido filiar. De facto, em qualquer democracia, os partidos não nos representam a 100% nem a 80%, e estão cheios de defeitos. Devemos escolher aquele que está menos distante ideologicamente, e lá dentro, intervir e apoiar os políticos que estão mais próximos das ideias e valores que defendemos.
    Ninguém disse que a democracia é fácil e à “medida de cada um”. É um sistema cheio de imperfeições, mas que podem ser minoradas de os cidadãos assumirem o seu papel. Acredito que a geração que hoje tem 30s e 40s, a mais bem formada e informada de sempre, pode e deve fazer muito mais para que a nossa Democracia funcione melhor e o nosso país tenha melhores políticos. Basta deixarmo-nos de por de fora dos partidos.
    Deixo-vos qui uma apresentação que fiz num TEDx que talvez possa ajudar a mudar a vossa ideia sobre participaçao nos partidos http://www.youtube.com/watch?v=6KOcrfmRHPQ Um abraço e mais uma vez, parabens ao Arrumadinho por trazer este tema. Isto é sobre o nosso futuro colectivo

  2. Arrumadinho, um bem haja com este bom post acerca de um assunto sério e que nos deve preocupar a todos.

    em primeiro lugar, acho que já chega, é tempo de dar oportunidade a outros, ao PC e ao Bloco, não porque certamente não são piores que os actuais, como um dos comentadores disse, mas sinceramente porque eu acho que são diferentes.

    nenhum do PC e do Bloco saiu de deputado e foi trabalhar para o conselho de administração de um banco ou para uma empresa pública.

    não andam aí a aumentar os impostos sobre quem recebe o salário minimo, nem fazem com que os pensionistas percam o poder de compra.
    PC e Bloco têm defeitos? certamente, tal como cada um de nós.
    Gente séria? Tanto quanto se sabe, são.

    É que eu já tou farta dos mesmos, que nunca trabalharam e foram para a politica, dos que prometem isto e aquilo e depois não cumprem dizendo que a "herança" que tinham não lhes permite mais, que desculpam um erro com um outro erro antigo, etc.etc.
    Além disso, acho que temos que começar por ser mais interventivos e exigentes:
    não votar em tipos como o joao jardim, isaltinos, valentins e afins (todos do PSD) e fátimas felgueiras (PS) e afins, porque no fundo roubaram o dinheiro dos nossos impostos;
    escrever cartas aos nossos deputados e perguntar o que fizeram por nós;
    reclamar quando algo não está certo;
    exigir que a nossa camara municipal faça espaços verdes, trate da recolha do lixo e torne a nossa cidade mais bonita.
    pagar os nossos impostos e não ter paciência com quem não paga, etc.etc.etc.

  3. O que eu acho é que neste momento precisamos de um governo de de salvação nacional, com essas tais pessoas da sociedade civil. Não é inédito. E é aquilo de que precisamos. Eleoçºoes novamente não. Mas só um reparo: o governo está em funções há um ano e pouco, foi em 2011 que o elegemos e não em 2010.

  4. Nas últimas eleições votei no MEC-Movimento Esperança Portugal, precisamente porque apresentaram um projeto alternativo. Infelizmente penso que poucos conheceram o movimento ou então não quiseram arriscar mudar. É pena. Talvez hoje as coisas pudessem estar diferentes.

  5. Parabéns pelo Post.

    Não é que concorde a 100%, mas completado com a visão do João Nogueira Santos, revejo-me na ideia global que me parece refletir o estado das coisas.

    De facto, não acredito que se possa continuar a olhar para os partidos como se fossem algo à parte. Os partidos são a representação, ou projeção da socidade. Positiva e negativa. Quero com isto dizer que neles estão aqueles que se dão ao trabalho de fazer alguma coisa, mesmo que em proveito próprio e fora estão os outros, que não estão para se chatear, mas apenas falam (se calhar como nós, porque não basta mandar a boca e ficar à espera que os outros andem com isto), mandam bocas ou queixam-se.

    Em todo o caso, a forma como as manifestações estão a surgir, organizadas por movimentos cívicos, podem dizer alguma coisa. Se calhar com as redes sociais e a indignação metidas na mesma panela, pode surgir algo repentinamente, que em tempos demorava anos a construir.

    Agora, não vale a pena ser ingénuo. Venha quem vier, ficará sempre refém da podridão, das interdependências que já existem. Poderá melhorar, poderá mudar, mas não vai refazer.

    A esse propósito, para bem ou para o mal, convém lembrar o que o primeiro governo do Sócrates tentou fazer e a resistência que sofreu. Desde as férias judiciais, à marcação de ponto dos médicos nos hospitais, mais horas de trabalho para os professores, etc. Realmente aí houve movimentos, mas foi de resistência.

    Mais uma vez, parabéns pelo post, que efetivamente me surpreendeu dada a linha que vais seguindo.

  6. Lista da factos:

    1º facto: As manifestações têm pouca sentido prático para o combater a actual crise, serão talvez um ponto de partida e pouco mais.

    2º facto: A classe média portuguesa é bastante menos educada quando comparada com a classe média dos concorrentes europeus, o que é um problema porque somos menos.

    3º facto: A cultura cívica é pouco desenvolvida. Pouca informação, pouco desenvolvimento dos temas, pouco interesse e muita indiferença quando toca realmente a efetivar a escolha.

    4º facto: Grande bagagem histórica promovida de forma oportunista por certos políticos que realmente não têm ou noção ou solução dos problemas actuais e preferem enfiar o mesmo discurso de sempre.

    5º facto: A falta de competitividade paga-se caro, normalmente com derrota.

    6º facto: É preciso urgentemente encontrar um modelo executável e criar um novo cidadão português, muito mais próximo de modelos europeus.

    7º facto: As grande potências estão se a ver à rasca para acompanhar o desenvolvimento asiático. No caso português vai ser duplamente pior, por isso é preciso trabalhar o dobro.

    Não quero desrespeitar ninguém, mas precisamos mesmo de passar a fase da "frustração" e começar a fazer algo de produtivo de uma forma consciente e plena de conhecimento com aprendizagem de erros passados.

  7. Mas oh João eu até concordo consigo, mas eu por exemplo não me identifico com nenhum partido e sim com algumas ideias deles. Por exemplo: não gosto do CDS mas concordo com a ideia do PP sobre os imigrantes, até gostaria do BE mas não concordo com a parte da imigração. Sobre o PCP é aquilo que o Arrumadinho diz:"Nunca uma sociedade poderá ser igual para todos se não há dois homens iguais, se …..". Isto são só alguns exemplos, como é óbvio. Eu não consigo expressar-me tão bem como o João nem como o Arrumadinho, mas a ideia é mais ou menos esta. Então em que partido é que eu me poderia inscrever? Pois, não sei. Cpts. 🙂

  8. Eu concordo com o Nelito: "Porque temos bom remédio: filiarmo-nos num partido e partir para o trabalho", mas não é para partir para o trabalho mas sim para nos safarmos. Tanto faz ser PS ou PSD, porque de 4 em 4 (+ ou -) estamos safos. Eu não me venham dizer que é mentira, porque andam bastantes exemplos por aí :(. Bjs apartidários :).

  9. Comparar o comunismo de hoje com aquele que foi praticado antigamente, é deveras hilariante…pff..
    Bloco ou PCP podia não fazer melhor, mas certamente n faria pior.

  10. Olá João. Antes de mais, obrigado pela tua participação na discussão. Acho que é com comentários como o teu que ela se eleva.
    Eu percebo o que tu dizes, e acho que usas a expressão certa: pescadinha de rabo na boca. Concordo que as pessoas se demitiram da sua função civil de se organizar em partidos, de discutir o funcionamento social, político e comunitário dentro desses mesmos partidos, deixaram de dar ideias, deixaram tudo em cima dos outros, dos que lá estão, dos que ainda lá estão, dos muito poucos que entram, e isso diminui a qualidade da discussão, a diversidade das ideias. Mas acho, sobretudo, que a culpa de isso acontecer é dos próprios partidos, que não sabem cativar essas mesmas pessoas, não se mostram como motores de soluções e são cada vez mais vistos como instituições clientelistas à espera de oportunidades para favorecer os seus boys. E acho que é essa a visão que os partidos deixam que perdure, e que afasta as pessoas das organizações partidárias. São as nomeações de Catroga para a EDP ou os Rui Pedro Soares desta vida que estragam muito do trabalho que, acredito, é feito para tentar cativar gente jovem, com ideias e vontade. A verdade é que quando chega a hora, quando o poder lhes cai nas mãos, os partidos comportam-se todos da mesma maneira, o que antes criticaram é o que depois fazem, e isto não é demagogia, é a verdade assente em factos noticiados todos os dias. Uma vez entrevistei o Hermínio Loureiro, então deputado, que me disse o que eu já sabia, mas que achei que não era assumido pelos políticos: metade dos deputados faz muito menos do que deveria, falta muito mais do que deveria, passa legislaturas inteiras sem abrir a boca. E tudo isto é noticiado, sabido e interiorizado por quem vota. E para as pessoas estes deputados são os tais funcionários dos partidos, os tais profissionais da política que nunca foram outra coisa na vida que não políticos – veja-se o caso de Passos Coelho ou António José Seguro, que desde miúdos que estão ligados ao PSD e PS, lideraram as juventudes partidárias, e hoje estão à frente dos partidos. Acho que é disso que as pessoas estão fartas: de líderes políticos com discursos políticos, que não falam a língua das pessoas, que preferem falar de números do que de vidas, que parecem ter nascido nos meandros partidários de onde nunca sairam para espreitar a rua, a vida como ela é.
    Eu não sou contra os partidos. Já votei naquele em que te filiaste, já o elogiei várias vezes neste blogue, também já votei no partido rival do teu, já votei mais à esquerda, apenas nunca votei CDS. E estarei totalmente receptivo a discutir dentro de um partido a partir do momento em que haja um partido que não se preocupe com a melhor forma de rasteirar o adversário político, com a trica, não me tente vender banha da cobra, não me tenta passar atestados de menoridade como se eu não tivesse memória. Ou seja, acho que para que isso acontecesse seria quase preciso fazer um reset. Os partidos actuais, como estão, estão condenados. Ou se reinventam, ou é preciso que nasçam alternativas credíveis e queiram contribuir com ideias boas para melhorar o país e não tenha como principal preocupação chegar ao poder para satisfazer interesses pessoais dos militantes.

  11. Felicito-te por trazeres a questão dos partidos para o teu Blog.
    A solução que preconizas é um enorme equivoco que domina a nossa forma de ver a democracia e o nosso papel enquanto cidadãos responsáveis pela sua qualidade, e que de certa forma, contribui decisivamente para termos maus partidos.
    Vê bem, segundo a nossa constituição, os partidos políticos são a plataforma de organização da vontade política dos cidadãos. Votando nos partidos políticos os cidadãos elegem os deputados, escolhem o Primeiro-ministro e o programa de governo. Mas os partidos são também o espaço democrático onde os cidadãos podem participar, intervir e votar para expressar as suas ideias, questionar e eleger os seus representantes, escolher o seu líder, e desta forma definirem os partidos que querem ter.
    Só que os cidadãos portugueses nos últimos 20 anos demitiram-se de participar e intervir nos Partidos, esvaziando-os de uma base maioritária de militantes-cidadãos com vida fora do partido, mais desprendidos das lógicas partidárias, com outra capacidade crítica e com critérios de escolha de dirigentes e lideranças mais orientados aos interesse do país do que a interesses particulares. Os principais problemas que hoje se apontam aos partidos (lógica clientelar, tendências oligárquicas, falta de renovação, fraca qualidade dos seus políticos, funcionamento fechado, incapacidade de evoluir etc…) têm essencialmente origem na demissão dos cidadãos em participar nos partidos políticos e no seu consequente esvaziamento.
    Os resultados para o país desta realidade são conhecidas. Segundo o barómetro da Eurosondagem publicado no Expresso a 25 Abril 2009, a confiança dos portugueses nos partidos vive um momento crítico: 77,3% dos inquiridos não se revêem nos partidos, 73% entre estes considera que a politica partidária se move por interesses particulares e não por interesses nacionais.
    É uma pescadinha de rabo na boca: partidos com cada vez menor participação, perdem qualidade, ficam dominados por pequenas “oligarquias” e consequente cada vez mais fechados, o que faz com que os cidadãos se sintam insatisfeitos e desmotivados em participar. Tem pelo menos 20 anos este ciclo vicioso que agrava o empobrecimento dos partidos políticos e o divórcio entre estes e a sociedade civil.
    Urge uma mudança para quebrar este ciclo.
    Actualmente o discurso da opinião pública, opinion makers (o teu blog) e analistas é quase uníssono em atacar os partidos e os políticos pela sua crescente falta de qualidade, lógica clientelar e incapacidade de se renovarem, mas, quase ninguém, tem apontado responsabilidades à sociedade civil informada e consciente dos problemas que atravessam os partidos e o país. De facto, a grande maioria dos cidadãos mantém-se numa postura de desresponsabilização, conformista e queixosa face aos partidos e política, em vez de assumir a sua responsabilidade na qualificação dos partidos e da nossa democracia, aderindo, intervindo e votando dentro dos partidos, como acontece nas democracias mais desenvolvidas.

    A maior mudança que precisamos no nosso sistema democrático é… nós mudarmos a nossa relação com os partidos. Só vamos ter opções escolha em que nos revejamos, quando criarmos essas opções dentro dos partidos. Para tal temos de participar lá dentro, intervir e votar nas suas eleições internas, para eleger melhores políticos e afastar os medíocres.
    Para terminar. Há perto de 3 anos decidi filiar-me num partido e tentar explicar à nossa geração que se quer melhorar a nossa democracia, tem de intervir dentro dos partidos, e não apenas votar de 4 em 4 anos. O site desse movimento é http://aderevotaintervem.blogspot.pt/
    Um abraço
    Nota: Quase 20% da população americana vota nas eleições INTERNAS dos seus partidos. Em Portugal, menos de 1%. Não é preciso mais evidencias de que somos nós que nos colocamos fora dos partidos e geramos este empobrecimento da nossa democracia.

  12. quais as soluções então arrumadinho? Nenhuma. Todos queremos a solução mas somos incapazes de a dar, e por isso, votamos nos mesmos partidos de sempre.
    Como bem disseste, votar à esquerda? "O socialismo acaba quando se acaba o dinheiro dos outros". E olha até onde os anos de governação de Guterres e Sócrates nos levaram… Tenho medo, muito medo da esquerda. Pelo facto de fazerem poucas contas. Tenho medo que, apesar de estar a governar mal, que este governo caia e vá para lá de novo o PS. Com Seguro, que mais não é uma cópia de um Guterres ou de um Sócrates. Tenho medo que, com eles, se torne ainda pior…
    Em relação a apartidários, também tenho receio, muito receio. São pessoas com as suas ideias, que não sabemos muito bem quais são (excepto aquelas que eles nos querem fazer acreditar..). Do pouco que conhecia do F.Nbre, vi que me cheirava a esturro, o meu 6º sentido me dizia que ali haviam 2ªas intenções, escondidas por detrás de pele de cordeiro…Na falta de alternativa, votei Cavaco! Se fiz bem? Fiz. Se gosto dele? Não. Porque votei? Não encontrei candidato melhor.

    Beijinhos**

  13. Genericamente concordo contigo arrumadinho.
    Para além da questão da alternância no poder há duas questões no nosso pais que resolvidas nos tornariam certamente um pais muito melhor. Primeiro, a abstenção em cada eleição que existe, diz tudo sobre os portugueses, metade está a borrifar-se e nao quer saber. O outro, segundo dados recentes, se conseguissemos acabar com a economia paralela e fuga ao fisco e corrupção, os nossos índices de desenvolvimento seriam semelhantes à Finlândia!

    PL

  14. Deste o Manuel Alegre como bom exemplo e depois tens uma candidatura da sociedade civil, com projecto de relevância social o Fernando Nobre, que conseguiu fazer pior que qualquer partido político, ao querer que o impusessem como Presidente da AR, 2ª cargo da nação, depois de ter falhado a chegada ao primeiro

  15. Concordo e tenho vindo a defender um pouco essa teoria porque a verdade é que todos pedem a saida do actual governo, mas quem temos nós verdadeiramente capaz de governar o País? que alternativas boas? pois, nenhumas. Embora seja socialista não acho que tenhamos boas alternativas neste momento e que toda a grande parte da nossa classe política está "contaminada". Portanto precisamos de algo completamente novo e verdadeiramente capaz de se chegar à frente e de levar este país avant fora partidarismos.

  16. E com o meu! Concordo com esse método,estou farta dos mesmos de sempre! Quanto ás pastas de outros partidos, concordo,porque a nivel autárquico as câmaras comunistas,são das mais empeendedoras e menos corruptas!

  17. Caro Nelito, sim, no sistema político actual tens de ser um partido para ires a eleições legislativas, logo, um movimento civil que se queira candidatar terá de se constituir como tal, ainda que não queira ter uma génese partidária. É a isso que chamo um partido apartidário – é, obviamente, um jogo de palavras.
    Quanto à questão: E o que te diz que um Governo de políticos apartidários tem a solução para salvar o país?" Nada nem ninguém me diz isso. O que sei é que os partidos que actualmente existem levaram-nos até onde estamos hoje, daí que sugira o aparecimento de uma alternativa diferente, construída com uma base de pessoas que não se revêem nos actuais partidos e nos actuais políticos (quase todos profissionais da política, sem empregos conhecidos noutras áreas). Falo de um movimento tecnocrata, em que todos percebam, pela experiência, do que falam, e não de senhores políticos que toda a vida fizeram política e não conhecem os reais problemas das áreas que lideram.

  18. "Desde as Presidenciais de 2006 que defendo que deveria haver um partido apartidário, uma organização política com responsáveis da sociedade civil que se apresentasse como uma alternativa válida no parlamento."

    Mas que raio é um partido apartidário!?!? É um partido que não quer ser partido mas que se forma partido para ir a eleições? (só esta formulação assusta). E o que te diz que um Governo de políticos apartidários tem a solução para salvar o país? Como se todos soubessem o segredo mas ninguém o quer contar? Isto mais parece a ideia que levou César a atravessar o Rubicão e, curiosamente, já tivemos um caso desse género que não me lembro que tenha dado boas memórias (Salazar).

    A ver se nos entendemos numa coisa, os partidos e as suas bases não nascem em pomares de laranjas, nem em roseiras de quintal. Nascem da sociedade civil e são formados por cidadãos. Que alguns cidadãos tomem conta do aparelho do partido e posteriormente do Estado, é culpa nossa e só nossa que confortavelmente no sofá, no café e na rua, barafusta. Porque temos bom remédio: filiarmo-nos num partido e partir para o trabalho.
    Se ideologicamente (o maior problema actual será a diferença entre ideologia partidária e acções politicas tomadas enquanto governo) nenhum te interessa, forma um partido.
    Basicamente, em vez de andarmos todos à espera que alguém dê um passo em frente, não vá ser a pessoa errada, que tal darmos todos e começar a mudar as coisas?

  19. Direito ao trabalho Educação para todos Saúde Habitação gratuita para quem tem parcos recursos,dar mérito à excelência e valorizar o trabalho duro, Riqueza bem distribuida, justiça a fazer jus ao seu símbolo é o meu entender de democracia. Amei o meu 1ª emprego.quando saiu a lei do salário minimo (3.3oo#00)e respectivas categorias ,o nosso patrão veio a terreiro dizer que a crise era mais que muita,mas ele não teve outro remédio senão cumprir a lei, a firma continuou feliz e contente por mais uns anos.SÓ fechou quando vieram os dinheiros da CEE para modernizar equipamento
    e formação dos trabalhadores.e foi gasto no casino e marisqueiras.
    Entretando eu trabalhava de dia estudava à noite porque já viviamos em DEMOCRACIA.Nós,alguns é que confundimos tudo.

  20. Como dizes e bem, o que contas é o espelho dos pensamentos de grande parte dos portugueses. Parece-me uma solução, o que nesta altura, não é fácil de encontrar.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  21. Esta discussão daria pano para mangas… mas defendo que uma intervenção pontual do Estado na economia é benéfica. Esse monstro estatal de que falas e a que assistimos nos regimes comunistas não faz parte daquilo (que eu acredito) que a nossa Esquerda faria. Intervenções pontuais, isso sim, nomeadamente no preço dos combustíveis, da eletricidade, do pão, da saúde… para garantir que uma sociedade "competitiva, dinâmica, meritocrática, que promove o crescimento e a prosperidade" não deixa de fora aqueles que não conseguem chegar tão longe.
    Há uma diferença entre promover a mediocridade ou preguiça social e dar uma ajuda aos menos afortunados/inteligentes/produtivos/aptos. Pode parecer mais fácil deixar a lei da selva imperar e ser cada um por si, (o habitual "vão mas é trabalhar") mas… nós podemos fazer melhor que isso porque somos pessoas, e não animais irracionais (com todo o respeito e amor que tenho por eles).

  22. Eu gostava de ver um coligação do PS à esquerda para que assim o PS fosse obrigado a ser mais "esquerdista" do que é e olhar um pouco mais para o Povo.

    Os comunas funcionam bem nas autarquias e poder local. Pq não poderiam funcionar no poder central? Infelizmente eles não mudam de registo e com isso não ganham novos adeptos excepto nestes momentos extremos em que a malta quer dar gritos de revolta mas tenho que lhes dar um grande mérito: estão na política pq querem e não para se governar. O facto de serem "obrigados" a dar parte do rendimento ao partido afasta os "mamões" dos cargos políticos.

    Uma coisa é certa, os outros tiveram 30 anos e provaram q falharam. Pq não dar a oportunidade a outros?

  23. "E defendo isto porque sinto que esta é a sensação de grande parte da população"

    E é mesmo. O que sugeres é o que fez a Islândia, não? Chamou os seus cidadãos para serem eles próprios a escrever uma constituição. Talvez funcionasse aqui também.

  24. Cara Chinfrim, eu também não acho que um partido como o PCP iria tentar impor uma ditadura do proletariado. Mas eu é que acho que as ideias-chave da ideologia comunista não funcionam e não tornam a sociedade mais justa e igualitária, tornam a sociedade mais pobre e totalmente dependente de um aparelho estatal monstruoso e ineficaz, que, inevitavelmente, gera injustiças, desigualdades, favores, corrupção, numa escala mais perigosa do que a que existe numa sociedade globalizada. Mas lá está, isso sou eu, que não acredito numa sociedade nacionalizada, mas, sim, competitiva, dinâmica, meritocrática, que promove o crescimento e a prosperidade. É também por isso que acho as teorias comunistas muito bonitinhas mas totalmente desfasadas do que é o mundo real, do que é o indivíduo. Nunca uma sociedade poderá ser igual para todos se não há dois homens iguais, se um quer trabalhar e o outro não, se um é honesto e o outro desonesto, se um estuda porque quer e o outro desiste no 9.º ano porque não tem paciência para a escola. A sociedade é um organismo vivo e diferenciado. Tentar criar uma igualdade forçada só a vai aniquilar e tornar cada vez mais injusta.

  25. Concordo chinfrim, não sendo de cor alguma partidária não percebo porque se confunde ideias de esquerda com os fanáticos da esquerda… parece que os da direita tem levado o pais para a frente e pensado nas pessoas assim como defendem os seus direitos …
    Vejam no pais as câmaras de esquerda o que dizem os seus moradores.

    Quando a ideia de um grupo que não tenha um cor partidária mas que seja um defensor do povo … tb assino.

    euqrop

  26. Concordo com quase tudo. São sempre os mesmos que lá estão porque são os "menos maus". Ou passa pela cabeça de alguém que PCP e Bloco fariam algo de positivo? Nem eles querem ser Governo, porque o que os motiva é estar na oposição e poder protestar contra tudo. É isso que conquista os "clientes" destes partidos.

    Rui
    ComVistaMar (http://comvistamar.blogspot.pt/)

  27. É uma reflexão interessante e verdadeira, mas discordo quando dizes que, caso o BE ou o PCP chegassem ao poder, "o País poderia enveredar por uma ideologia comunista, que já se percebeu em todo o mundo que não funciona." Acho que é uma falácia comum. Confundir os Regimes comunistas (um fracasso) com a expressão da ideologia comunista em partidos, em Democracia. Pensam o quê? Que estes partidos iam tentar instituir a ditadura do proletariado? Não me parece. Penso que iriam, sim, adoptar medidas no sentido de uma sociedade mais justa e igualitária. Mas enquanto não lhes for dada oportunidade para isso, fico eu com as minhas suposições. Para que se saiba (e para que não me apelidem imediatamente de perigosa esquerdista), não sou comunista, nem nunca votei PCP.

  28. Na minha opinião com partidos ou sem partidos, todos nós somos homens/mulheres de vícios e de defeitos, infelizmente. Como em tudo o mais na vida, os povos e as nações só de tempos a tempos produzem génios, e no caso da Política grandes estadistas e figuras que ficarão na História pelas melhores razões. Até lá vamos oscilando entre o medíocre e o menos mau, esperando que das diferentes gestões resulte o menos de estrago possível … O Agitar da bandeira dos "independentes" e dos movimentos disto e daquilo sinceramente cansa-me para não dizer pior.