A adopção homossexual

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Foi hoje dado um passo importante de modernidade civilizacional em Portugal, com a aprovação da proposta de lei de co-adopção por parte de casais homossexuais. Ainda não se chegou onde eu acho que se deve chegar – a adopção plena – mas já se deu um passo muito importante. Tinha poucas esperanças que uma lei destas passasse na vigência de um governo PSD-CDS, mas, felizmente, foi aprovada.

No início desta semana, ao almoço, discutiu-se precisamente, a adopção de crianças por parte de casais homossexuais. Como não podia deixar de ser, havia opiniões contraditórias, e algumas radicalizadas, o que só mostra que este é um assunto fracturante e que deve ser gerido e legislado pesando muito bem cada palavra de cada alínea.

Eu entendo a sensibilidade do assunto, aceito as opiniões contrárias, mas sou muito firme na forma como olho para este assunto: sou totalmente a favor. E explico porquê.

Em primeiro lugar, e porque sou pai, percebo que o mais importante na vida de uma criança é o amor. É a base de tudo. Tive uma infância atribulada, vivi com os meus pais, depois só com o meu pai, depois só com a minha mãe, depois com os meus avós, depois sozinho, e consegui sempre encontrar a minha estabilidade emocional porque me senti amado. Ou seja, nunca tive uma família convencional, não cresci com o pai e a mãe sempre presentes, quase todos os anos mudava de escola e de amigos, mas, mesmo assim, encontrei o meu caminho, passei sempre de ano com boas notas e cheguei onde queria.

Quando me separei da mãe do meu filho, uma das preocupações generalizadas de quem nos era próximo tinha a ver com a instabilidade em que a criança iria crescer, com duas casas, rotinas diferentes das das outras crianças, duas visões diferentes de educação. Eu sempre achei que isso não seria um problema, porque acho mesmo que as crianças têm uma grande capacidade de adaptação aos meios em que estão inseridas e sabem moldar a sua vida às circunstâncias, sabem encontrar a sua felicidade e harmonia desde que sintam amor à sua volta. Hoje, acho que tenho um filho feliz, equilibrado, bem educado, bom aluno, mesmo não tendo qualquer memória de viver com o pai e a mãe na mesma casa.

Esta, para mim, é a base: o amor. E o amor está ao alcance de quem o quiser dar, seja homem, mulher, um casal hetero ou homossexual. Tenho alguns amigos homossexuais, alguns deles com filhos, e vejo a relação que eles têm com as crianças, que é uma relação que qualquer pai ou mãe tem com um filho, de amor, respeito, educação, ensinamento. Se esses meus amigos gay, que não têm filhos, adoptassem uma criança com os seus companheiros, tenho a certeza absoluta que iriam educar crianças perfeitamente felizes e equilibradas como todas as outras.

A capacidade de amar e educar existe no ser humano, seja ele de que género for, tenha ele a orientação sexual que tiver. Costumam dizer os que defendem a mesma posição que eu que é preferível uma criança ser educada por um casal gay feliz, que lhe possa proporcionar tudo, do que por um casal heterossexual que não saiba amar, que viva em permanente guerra, que não tenha um lar equilibrado. É um cliché, mas é a mais pura verdade.

Os dois principais argumentos de quem é contra a adopção por casais homossexuais são os de que os miúdos irão sempre crescer num ambiente externo hostil, de gozo por parte dos colegas, discriminação, pelo facto de terem dois pais ou duas mães, e o perigo de uma educação dada por dois pais homossexuais, que pode levar a que a criança seja, também ela, gay.

Ambos me parecem desadequados.

O primeiro, embora perceba que isso possa acontecer, parece ignorar o facto de as crianças gozarem com tudo. Os miúdos são gozados por serem demasiado altos, baixos, gordos, magros, feios, por usarem óculos, por terem orelhas grandes, pequenas, dentes salientes, cabelo aos caracóis, por vestirem isto ou aquilo, por não terem isto ou aquilo. É a vida. É a realidade que existe e sempre existiu. Podia fazer uma lista de coisas pelas quais era gozado na escola primária, e não foi por isso que me tornei num marginal. Quase todos os miúdos têm algum aspecto (ou vários) que levam a que os outros os marginalizassem. Nem que seja o simples facto de serem inaptos a jogar à bola.

O facto de esta situação parecer estranha também não é algo que se deva pesar. Para muita gente, também é estranho ver casais de brancos e pretos, de casais com grandes diferenças de idade. Há uns anos também era estranho as mulheres votarem, terem direitos, frequentarem universidades, ocuparem determinadas profissões. Quando isso começou a acontecer, foram insultadas, desprezadas, discriminadas, mas o tempo diluiu isso, a sociedade evoluiu, aprendeu a aceitar e hoje vive tranquilamente com quase tudo isso. Com a adopção homossexual, acredito, passar-se-á o mesmo. O que parece estranho hoje deixa de o ser amanhã. Um dia, que acredito não seja tão distante quando isso, esta co-adopção passará a plena, e quem fica a ganhar são as crianças que poderão deixar uma instituição e encontrar amor numa casa.

44 Comentários

  1. Gostei que tratasses deste problema no blog 🙂 Está nas mãos da comunicação social, hoje em dia, quebrar velhos tabus. <3

  2. Bom texto, sem qualquer dúvida.
    Concordo e espero que haja muito amor para as crianças, porque se os futuros pais tanto lutaram para adopção têm muito amor para dar. E tomara muitas famílias darem aos filhos.
    Amor e atenção para crianças porque elas são o melhor do mundo! 🙂

  3. Aparte de convicções pessoais, penso que é um pouco paradoxal existir de um lado a garantia constitucional de igualdade de tratamento dos cidadãos e do outro a permanência de discriminações baseadas no sexo em institutos civis como é a adopção. Então onde ficamos? Que argumentos legais é que utilizam para vedar o beneficio do principio de igualdade por parte dos casais do mesmo sexo? É porque a lei não o permite? Então e se a própria lei for inconstitucional? O principio de igualdade de tratamento é um dos pilares de qualquer sociedade aberta, democrática e tolerante. Mesmo que não se concorde pessoalmente, penso que é muito dificil encontrar argumentos razoáveis para justificar esta discriminação.

  4. Penso que nenhuma pessoa com alguma inteligência e capacidade emocional, pode negar que na vida importa ser amado e bem amado. Isso é um ponto irrefutável e, quem, como eu trabalha com pessoas que precisam de ajudam psicológica sabe que muito do que está mal na vida da pessoa adulta começou e construiu-se na infância e vemos, com clareza, o que não ser amado provoca.
    Do ponto de vista psicológico, do desenvolvimento da personalidade e de uma vida mental o mais saudável possivel, sabe-se que a figura masculina e feminina são de extrema importância. Porque oferecem à criança coisas diferentes, apresentam mundos diferentes e não podemos fugir à importância disso. No entanto, sabemos também que nem sempre a referência masculina ou feminina são respetivamente os progenitores. Temos mães solteiras, onde não havendo um pai presente, há um avô, um padrasto talvez ou outra figura que oferece à criança o modelo. O mesmo se passa ao contrário, caso seja um pai sozinho com uma criança. Muitas vezes, há uma tia, uma avó, alguém que serve de modelo feminino. Tambem num casal do mesmo sexo, nãp existem duas pessoas iguais, e cada uma delas pode oferecer à criança os modelos de que ela necessita.

    Acho que o ponto de partida destas discussões está totalmente errado. Não temos que discutir se devem ou não adotar, se são ou não capazes. De forma simples, como sociedade somos apenas e só obrigados a garantir que quem adota, homossexuais ou hetero, são pessoas com capacidades para cuidar de uma criança, dar-lhe afeto e permitir um crescimento saudável. Essa é a nossa obrigação enquanto sociedade, estado e tudo mais que tiver que ser. Naturalmente, isto tem que ser feito por quem tem capacidade para avaliar esses parametros todos. Ou seja, a sexualidade não deveria nunca entrar aqui mas sim as qualidades humanas e as pessoas em si, na sua individualidade. E a capacidade que a sociedade tem de ajudar estes pais e crianças.

    Creio que de qualquer das maneiras não devemos ignorar que a adopção por casais homossexuais levanta algumas questões. Mais do que socialmente (já foram dados inumeros exemplos que mostram que a sociedade se adapta e evolui), existem aspectos relativos ao desenvolvimento psicológico da criança que devem ser tidos em conta e uma situação que não é padrão pode acentuar algumas dificuldades que não devem ser ignoradas só pela busca de sermos todos iguais, sem diferença alguma. No entanto, isto não serve para a oposição à co-adopção mas sim para haver uma consciência e acompanhamento maior. Isso é importante porque na minha opinião, não podemos defender cegamente algo que nos parece obvio sem compreender tudo o que isso implica na verdade. Sabemos que a criança, ainda que mais tarde, se irá confrontar com a diferença da sua vida e terá que enfrentar talvez algumas questões em relação a isso. É sob este ponto de vista que defendo uma atenção e acompanhamento especial e atento. Seja como for, parece-me claro que nenhuma criança que cresce feliz e amada, terá qualquer problema de maior com a familia que a criou e amou.

    Por isso olhemos para a qualidade das relações, para as carateristicas de cada um. Estamos a falar de pessoas, unicas e não de homossexuais nem heterossexuais. Devemos ser exigentes com todos e ajudar as nossas crianças a ser adultos o mais equilibrados possivel. Com capacidade de amar.

  5. Meu ou minha caro/a, a sexualidade de um individuo nada tem a ver com a sexualidade dos pais e isto acho que é já mais que facto.
    EM GERAL… o que acontece é que durante a fase da infância/adolescência o individuo irá começar a desenvolver as suas relações seguindo os padrões que vê na maioria da sociedade (e os casais "gay" não são maioria como se sabe), e se é, de facto homossexual, acabará por chegar a esta conclusão, não tendo como fujir…
    O mesmo poderá acontecer com os filhos adotivos de casais homossexuais, embora nesta situação o caso até acho ser menos complicado, uma vez que NA MAIORIA da sociedade o padrão continua a ser os casais heterossexuais… não tendo eles problemas em sê-lo perante esta mesma sociedade (a não ser que os pais sejam heterofóbicos, o não acredito muito que aconteça, pois por experiência própria, e aceitando a sexualidade de um eventual filho meu, seja ela qual for, assumo que preferia ter um filho heterossexual pelo simples facto de ele não vir a passar pelas atrocidades que eu já passei – e ainda passo… e sim, cresci num meio extremamente heterossexual e católico).

    Cumprimentos,
    Gonçalo.

  6. Ricardo, eu tenho 17 anos e os meus pais divorciaram-se quando eu tinha 9 e isso não influenciou nem as minhas notas nem o meu equilíbrio emocional. Lembro-me do meu pai dizer-me que era preferível eles estarem separados e felizes do que juntos e tristes, é algo que nunca irei esquecer. Desde então vivo apenas com a minha mãe, visitando o meu pai de vez em quando.
    Quanto à adoção por homossexuais, sou completamente a favor. É que nem entendo como possam haver pessoas contra, acho algo tão natural e não percebo de que modo a orientação sexual dos pais irá influenciar a criança de modo negativo. Então não é preferível a criança ter quem cuide dela, quem lhe dê amor e tudo o que necessita? Independentemente de serem dois homens, duas mulheres ou um homem e uma mulher? Acho sinceramente que as pessoas deviam pôr a mão na consciência e deixarem de ser tão preconceituosas.

  7. "elo facto de terem dois pais ou duas mães, e o perigo de uma educação dada por dois pais homossexuais, que pode levar a que a criança seja, também ela, gay."

    Só lhe faltou o seu argumento a isto. Porque embora tenha dito muitas coisas certas, todos sabemos que a maioria de nós vai por modelos, pela educação, etc… Não me falem nas excepções, falem no geral.

  8. "Porque se toda a gente educasse desde cedo os seus filhos a aceitar as diferenças, a aceitar os outros tal como eles são, as coisas seriam diferentes! Se muitas crianças gozam é porque se calhar os pais não lhes souberam ensinar que não se deve gozar ou talvez tenham aprendido com os próprios pais a desprezar aqueles que não são iguais a eles."

    Isto é completamente falso. Todas as crianças passam por isto sem serem ensinadas a gozar, ou mesmo tendo tido toda a educação do mundo. Tal como o autor referiu, é algo que sempre existiu e vai existir. Somos gozados pelo cabelo, pelos óculos, etc etc. O seu pai ou a sua mãe ensinaram-lhe algo sobre cabelos, óculos, alturas, gordo ou magro, etc?

    Até mais tarde, brincamos com as diferenças ainda que de forma mais soft e mais na brincadeira.

  9. Nem mais. Preocupam-se com o telhado, mas a base da casa está a rachar! Ok… é bom, não vai chover. Mas a casa vai cair! A minha opinião é mesmo essa. Em Portugal fazemos leis para tapar o sol com a peneira.

  10. Pinholeiro, li muito bem… Julgo é que você não leu ou não entendeu o meu comentário… Por isso mesmo, por as crianças gozarem com tudo, também vão gozar por a criança estar numa Instituição e não ter pais nem mãe. E isso não é traumatizante? Daí esse argumento contra, tão utilizado, não ser válido. Que gozem por ter dois pais ou duas mães, é melhor que gozar por não ter nenhum, nem ninguém que o possa ajudar a ultrapassar com muito amor e carinho as situações mais difíceis da vida.

  11. Está aí tudo. Parabéns pelo texto. ffiffas leu o texto com atenção? "O primeiro, embora perceba que isso possa acontecer, parece ignorar o facto de as crianças gozarem com tudo". E para que não julguem que a minha anuência é tendenciosa. Sou heterossexual.

  12. Acho piada ao argumento de que as crianças possam ser gozadas por terem dois pais ou duas mães… porque se não tiverem nenhum e viverem numa instituição não o vão ser!

  13. Sem quer interferir com a sua opinião, porque a respeito, tenho também liebrdade de não concordar com ela pelo simples facto desse atgumento não me parecer de todo fundamental nesta "discussão". E as crianças que foram só educados por uma mãe ou um pai porque infelizmente um deles faleceu? Conheço vários casos e nenhum deles sofreram mais por isso. Claro que assumem que de vez em quando sentem mais tristes por não terem tido o pai ou a mãe, mas simplesmente por terem perdido um dos seus pais, não por ter sido o "homem" ou a "mulher", se é que me entende.

  14. CONCORDO PLENAMENTE!!! É isso mesmo. O que as crianças precisam é de amor. Tão "somente" isso. AMOR! Tenho um caso muito próximo em que a criança não é adotada, mas sim filha mesmo (ser homossexual mulher tem vantagens 😉 ) e a criança é super amada, claramente feliz e não revela qualquer sinal de se sentir descriminada.
    Hoje foi dado um passo importante, sem dúvida. Não o mais desejado, mas acredito que já é alguma coisa numa sociedade tão conservadora como a nossa 😉 Talvez o passo de hoje vá servir para "desbloquear" de vez a adoção plena por parte dos casais homossexuais.

  15. Não sei se sou só eu, mas acho esta aprovação uma "vitória de Pirro".
    Um casal gay não pode adoptar, apenas o parceiro do mesmo sexo ganha direitos parentais sobre uma relação já existente entre o outro parceiro e a criança. De resto, tudo igual. E qual é a parte do resto que me interessa? É que o processo de adopção de uma criança continuará a ser moroso, especialmente quando se tratam de pessoas solteiras. Ou então escapa-me a alegria de um gay ganhar direitos sobre o filho do parceiro, ou de como isto afectará a vida de umas poucas dezenas de casais, esquecendo que a esperança para dezenas de crianças por adoptar se mantêm igual porque aí nada mudou.

  16. Mariana, permita-me discordar, nomeadamente no último ponto: 'novos', concordo; 'valores', mais ou menos; agora 'melhores' acho de todo injusto. As gerações anteriores não tinham 'bons valores' (passo a redundância)?! Não tenho dúvidas de que tinham e têm. Fui criada pelos meus avós e posteriormente pelos meus pais, fui imensamente feliz na minha infância/adolescência e hoje sou uma pessoa adulta bem formada, educada e respeitadora, em todos os sentidos, e já faço parte desta 'geração futura'. Por isso…

  17. Por considerar que todos temos o direito de manifestar a nossa opinião, digo que concordo com este comentário, que não discrimina mas simplesmente analisa a realidade, chamando-a pelo nome.

  18. Um passo importante, sem dúvida. E estas notícias dão sempre muito prazer escrever. Menos uma coisa cinzenta, feia e pesada da qual nos livrámos. Afinal, há dias em que a AR é mais cor-de-rosa e hoje foi um deles. Beijos

  19. E para os argumentos de que são precisos elementos de sexo oposto, que eu saiba os casais homossexuais não vivem numa redoma de vidro!
    Também eles têm familiares e amigos muito próximos de sexo oposto que poderão colmatar essa "necessidade"!
    Que se acabem as hipocrisias e que se tirem as crianças das casas de acolhimento, que se lhes dê amor!
    Antes uma criança educada por um casal de homossexuais que a respeitam e que a acarinham do que por um casal de heterossexuais que lhe minam a estrutura emocional e que a espancam!

  20. Totalmente de acordo…o próximo passo a dar seria tornarem mais céleres os processos de adopção….estive inserida no processo há 1 ano e retirei-me porque entretanto fiquei grávida do meu Vicente…..mas vi coisas impensáveis de 3.º mundo…apenas este exemplo…resumindo, eu queria um menino até aos 3 anos de idade……eu resido em Lisboa…se houvesse um menino assim em Faro, eu não poderia adoptá-lo pois está fora da minha área de residência….dessa forma eu espero que surja um menino em Lisboa e o outro menino de Faro tb espera que surjam uns pais que o queiram….não é incrível isto…..dessa forma penso que hoje deu-se um passo gigantesco na nossa civilização…..parabéns a Portugal…..ah e mais daqui a um tempo volto à carga neste tema da adopção…..Bjs e obrigada pelo texto!!!!!Já partilhei!!!!

  21. Concordo em absoluto são precisamente os argumentos que uso, com um acréscimo:
    os amiguinhos, ou colegas de escola, que gozarão uma criança adoptada por um casal homossexual, se tiverem pais que não sejam preconceituosos e que desde cedo expliquem aos filhos que é natural o amor existir e ser vivido entre pessoas de qualquer género, certamente as crianças por serem um "prolongamento dos modelos que têm em casa, não serão cruéis nesse assunto!
    A mudança de mentalidades se se der nos pais, será meio caminho andado para uma geração futura menos preconceituosa!

  22. Obrigada pelo seu post tão sensato! Há uns tempos fiz um comentário numa notícia referente ao casamento homossexual em França e em que também se discutia a possibilidade de adopção, muito semelhante ao seu texto, ou seja, as pessoas contra a adopção usam constantemente o argumento de que as crianças seriam gozadas por terem dois pais ou duas mães mas esquecem-se da realidade diária de muitas crianças que são gozadas exactamente porque são gordas ou magras, altas ou baixas, etc.

    Penso que as mentalidades têm que evoluir e acho que este é um grande passo! Espero que um dia, se tiver filhos, a geração deles já seja muito mais permissiva e com uma mentalidade aberta e que eu seja capaz de lhes transmitir os valores certos. Porque se toda a gente educasse desde cedo os seus filhos a aceitar as diferenças, a aceitar os outros tal como eles são, as coisas seriam diferentes! Se muitas crianças gozam é porque se calhar os pais não lhes souberam ensinar que não se deve gozar ou talvez tenham aprendido com os próprios pais a desprezar aqueles que não são iguais a eles.
    Não espero que a geração dos meus avós ou mesmo dos meus pais aceite tão facilmente o casamento ou a adopção por homossexuais mas creio que é uma óptima altura para se começarem a incutir novos e melhores valores nas gerações futuras!

  23. Parabéns pelo texto. É reconfortante saber que a mentalidade dos portugueses começa a abrir-se para o que realmente interessa. Concordo plenamente com a tua opinião, já perdi conta ao número de vezes que discuti com pessoas que me são próximas acerca deste assunto. Quanto às razões apresentadas por quem é contra, a minha resposta é sempre a mesma: as crianças só serão alvo de bullying por terem dois pais do mesmo sexo porque infelizmente ainda existe muita gente com uma mentalidade retrograda. Espero que nos próximos anos possamos assistir a uma evolução ainda maior neste campo porque chega de crianças a serem alvo de abusos por parte dos seus próprios progenitores. É como disseste, se uma criança se sentir amada e amparada tem tudo o que precisa para se tornar no melhor dos seres humanos.

    Raquel

  24. Sou a favor da adopção por casais do mesmo sexo.
    Mas, como filha adoptada, sou ainda mais a favor da revisão das leis de adopção. Ponto.
    Porque se é difícil para um casal adoptar hoje em dia, mesmo após a aprovação total, continuará, na realidade, a ser ainda mais difícil para casais homossexuais.
    Mudam as leis, mas é preciso educar os profissionais ligados (assistentes sociais, por exemplo) para estas medidas. Ou, na teoria somos todos muito liberais e para a frente e, na prática, continuamos a riscar muitos casais que até poderiam ter as tais condições, mas têm uma que salta mais à vista: não são uma família "normal", de pai e mãe presentes.

  25. As crianças podem ser criadas só por homens ou mulheres, mas para o seu crescimento equilibrado vai-lhes fazer sempre falta o convivio com a pessoa do outro sexo, pois essa iria ter outras opinioes e maneiras de ser que são absorvidas pela criança. E isso não se passa só nos casais homossexuais mas tambem nos pais que criam os filhos sozinhos sem o pai ou mãe presentes na vidas deles, pois essa pessoa e o que se retira dela ninguem pode substituir.
    Se eu tivesse crescido so com o meu pai ou so com a minha mãe concerteza na minha formaçao e evoluçao como pessoa não seria aquilo que é pois eu nunca poderia retirar a aprendizagem de dois seres tão doferentes como o masculino e o feminino.
    Agora clarp que é preferivel que as crianças vival com casais homossexuais do que estarem em instituiçoes mas não são pai e pai nem mae e mae, são duas pessoas que amam a criança e a vão criar da melhor maneira possivel….

  26. Concordo totalmente com a tua opinião. Talvez o facto de ter amigos gays desde a adolescência me tenha ajudado a ter esse ponto de vista… e saber que eles saberiam amar, ensinar e educar um filho, abrindo-lhes logo outros horizontes para não terem preconceitos.

  27. Concordo totalmente com a tua opinião. Talvez o facto de ter amigos gays desde a adolescência me tenha ajudado a ter esse ponto de vista… e saber que eles saberiam amar, ensinar e educar um filho, abrindo-lhes logo outros horizontes para não terem preconceitos.

  28. Boa tarde. Adorei o teu comentário e revejo-me em cada palavra. De facto as crianças precisam é de ser amadas e o resto é conversa. Não vejo qualquer problema em duas mães criarem um filho quando tantas crianças são criadas apenas pela mãe e a avó. E dois homens criarem uma criança? Completamente de acordo que têm o que é necessário para fazer de uma criança abandonada ao seu destino, alguém equilibrado e feliz. E viva a modernidade e a sociedade evoluída. Este é mais um dia feliz e de comemoração

    Ana

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